quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Bacalhau nas Krónikas Vinícolas - a polémica continua

A réplica do Tuguinho merece uma tréplica.

Kroniketas

Living in the fast lane - 2



A minha primeira máquina fotográfica foi-me oferecida nos idos de (censurado) pela minha avó. Era de uma marca japonesa desconhecida, de funcionamento básico e, obviamente, manual. Como o avanço do filme era manual, não foram poucas as vezes em que duas exposições ficaram sobrepostas, criando assim uma espécie de surrealismo fotográfico. Cada foto era largamente ponderada, porque os rolos eram caros e tinham no máximo as 36 exposições da praxe, o que tornava cada uma preciosa. E depois havia a revelação e a impressão. E embora estes processos tenham embaratecido com o tempo, a limitação dos rolos continuava.
Há alguns anos surgiram as primeiras máquinas digitais. Primeiro caras e com qualidade duvidosa, hoje vendidas em massa e adoptadas mesmo pelos fotógrafos profissionais mais renitentes. E imaginem, o que dantes estava limitado aos 36 fotogramas, agora está limitado ao tamanho do cartão de memória usado... Que chatice!
Agora é disparar, vilanagem! Qualquer coisa que remotamente possa ser assunto para uma foto não escapa da fúria da objectiva. Mas é assim que se pode aprender... sem limitações ou gastos adicionais.
Acelera que eu gosto!

tuguinho, cínico em pose

Mais bacalhau nas Krónikas Vinícolas...

...Ou aqui.

tuguinho, cínico natalício

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Bacalhau nas Krónikas Vinícolas

O nosso blog temático apresenta uma discussão interna entre os autores acerca dum tema próprio da época: o bacalhau. O que beber com pratos de bacalhau?
As opiniões dividem-se. Uma polémica a acompanhar aqui.

Kroniketas

O aviltamento da língua portuguesa (III)

Há duas expressões que se ouvem por aí a torto e a direito e que não sei se podem ser enquadradas na sinistra categoria das “consagradas pelo uso” porque, salvo melhor opinião, não passam de dois erros crassos.
À séria: não sei de que galáxia veio esta... coisa, mas agora até nos anúncios se vê escrito “diverte-te à séria”. Mas porquê? Então já não é “a sério”? Alguém pensou (que pergunta parva, é claro que ninguém pensou) que sentido é que isto faz, se é que faz algum? A expressão “a sério” já não serve, ou ninguém a conhece?
À última da hora: toda a gente (ou quase) diz isto, e também ninguém percebe o que está a dizer. Porquê “da” hora? Última “da” hora? Não faz mais sentido “à última hora”? O que é que o “da” está ali a fazer? Nos noticiários da televisão é uma praga. Será mais uma aberração consagrada pelo uso?

Kroniketas, defensor da língua portuguesa

Living in the fast lane - 1



Há cerca de 10 anos, uma disquete de 3,5” de alta densidade podia conter um máximo de 1, 44MB de informação. Cabia lá quase tudo.
Hoje em dia, achamos pequenos os CD-R que albergam 700MB e mesmo os DVD-R, com os seus mais de 4GB de espaço, já não servem para tudo. É por isso que os discos externos com centenas de gigabytes são tão úteis.
Acelera que eu gosto!

tuguinho, arqueólogo da modernidade (e cínico encartado, não se esqueçam!)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

Olh'ó post de Natal!



Já devem ter notado que hoje é dia de Natal (ok, tecnicamente já foi ontem mas para mim ainda é hoje). Estejam descansados que não vos vou aborrecer com o discurso habitual desta altura. Aliás, este só é um post de Natal porque está a ser feito no rescaldo do dia 25.
É que neste dia as esmolinhas podem ser maiores, mas as pessoas são as mesmas do resto do ano. Perceberam? Oops! Se não tenho cuidado ainda resvalo para o discurso moralista. Ou para o outro, no outro extremo...
As pessoas não têm de ser coerentes. A nossa vida é uma sucessão de incoerências e mudanças de rumo - se assim não fosse desconfio que a principal causa de morte seria o tédio. Mas chateia-me imenso a falsidade. É uma coisa que me chateia, pronto! Mudar é uma coisa, usar uma máscara que nada tem a ver connosco é outra. Claro que todos somos actores uma vez por outra, mas substituir quem somos por qualquer outra coisa é muito mau. E geralmente essa máscara encobre sempre algo que é pior.
Ena pá, que coisa deprimente que estou para aqui a derramar! É melhor desejar-vos muito boas festas e acabar aqui.
Vá, vão para dentro que está a chover e faz frio!
Até já! (isto não é patrocinado pela TMN, apeteceu-me!)

tuguinho, cínico enfeitado

sábado, 24 de dezembro de 2005

A praga do SMS

Desde as 4 da tarde já recebi mais de 10 SMS no telemóvel a desejar boas festas. Para não fazer má figura lá vou pacientemente respondendo a todas. Mesmo das pessoas que passo meses, às vezes anos, sem ver nem falar. Mas nesta altura desencadeia-se a praga dos SMS, muitos deles com um texto chatíssimo vindo sabe-se lá de onde. Tal e qual como no correio electrónico, são recebidas e reencaminhadas, acabando por ser completamente impessoais.
À conta desta praga, o ano passado gastei mais de 100 euros no telemóvel com as respostas às mensagens. Mas porque é que tem que ser agora que toda a gente deseja felicidades aos outros?
Pronto, eu desejo felicidades, bom Natal, bom ano a toda a gente, mas gostaria é que não me obrigassem a dizê-lo 50 vezes nos próximos 7 dias. Já repararam que com isto ninguém telefona? Eu quando quero MESMO desejar algo a alguém telefono a essa pessoa e falo com ela. Não faz sentido doutra maneira. Amanhã vou pegar no telefone e fazer, não uma carrada de mensagens, mas uns quantos telefonemas a pessoas de quem gosto.

Kroniketas, sempre kontra as tretas e a praga do SMS

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Notas de prova (2)

As Krónikas Vinícolas estão em plena produção de provas (passe a alusão jurídica) aproveitando algumas incursões gastronómicas da época natalícia. Temos duas novas apreciações: Frei João e Duas Quintas. À vossa!

tuguinho e Kroniketas, dedicados ao halterocopismo

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

Comentários

Já estão disponíveis os comentários nas Krónikas Vinícolas, depois de resolvidos os problemas técnicos. Sirvam-se dum copo.

Kroniketas

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Notas de prova (1)

As Krónikas Vinícolas apresentam a primeira apreciação a um vinho, no caso o Dão Quinta dos Carvalhais, Touriga Nacional 2000.

tuguinho e Kroniketas, enófilos sóbrios

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Não morreu

Ariel Sharon hospitalizado, mas livre de perigo.
Olha que pena. Era menos um canalha...

blogoberto, chico-esperto

Chumbita chumbado



Degradante e vergonhoso o que se passa no Vitória de Setúbal, um dos clubes mais antigos e um histórico do futebol português. Os futebolistas da equipa principal não recebem os ordenados há 3 meses e meio, e desde o princípio da época, em Agosto, só receberam uma vez.
A crise ameaçou rebentar há várias semanas, mas os jogadores têm aguentado a situação com grande coragem, continuando a jogar e mantendo o Vitória numa posição invejável (actualmente 3º classificado no campeonato) e com a melhor defesa da Europa. Só que a paciência tem limites e dois jogadores já rescindiram o contrato com justa causa. Seguiu-se o treinador Norton de Matos, o primeiro a alertar para a situação e que ainda foi acusado de desestabilizador pelo presidente e obrigado a pedir desculpa. Agora, depois de ter mantido uma postura de grande dignidade em todo este processo, bateu com a porta porque “chegou o momento de dizer basta às promessas por cumprir”. Entretanto, pela segunda vez os jogadores ameaçam fazer greve e não comparecer ao próximo jogo com o Benfica, na 4ª feira, o que obrigaria o Vitória a apresentar a equipa B, os juniores ou, mais simplesmente, perder por falta de comparência.
Enquanto isso, o presidente do clube e da SAD, Chumbita Nunes, assobia para o lado, vai para o banco de suplentes fumar cigarrilha durante os jogos e mantém-se refastelado a ganhar os seus 6000 euros por mês. Mas não toma a única decisão decente que poderia tomar, se tivesse um pingo de vergonha na cara: demitir-se. Pelo contrário, ameaça o treinador, diz que este quis demiti-lo e assiste impávido e sereno ao desmoronar duma equipa. Parece Nero a tocar lira enquanto Roma ardia.
Perante a gravidade da situação, fica patente aos adeptos de futebol em Portugal que estamos perante mais um vigarista, um sem-vergonha, um escroque, espécimes em que o nosso futebol é pródigo. Consta que o indivíduo é advogado, pelo que não deve ser falta de lucidez que o impede de perceber que, não sendo parte da solução, é parte do problema. Aliás, ele tornou-se o principal problema, porque não resolve nem passa a pasta a alguém que resolva.
O mais espantoso no meio disto é os sócios e os restantes órgãos sociais terem dado um voto de confiança ao indivíduo. Mas estão à espera de quê para correr com ele? Dum milagre que já se viu que ele não traz? Ou será do Pai Natal?
Por mim, só há uma saída para tentar resolver a crise: é mostrar a porta de saída ao Chumbita. Já o deviam ter chumbado há muito tempo.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Chocante!

1 - Não sei se as palavras chegam para exprimir a raiva, a revolta, a indignação que senti com a notícia de mais uma criança maltratada pelos pais. 7 semanas de vida, 7. Nada, nada mesmo, pode justificar ou explicar, sob qualquer ponto de vista, que se faça isto a um ser que não se pode defender. Um bebé com 7 semanas não fala, não anda, não responde. Apenas, dorme, mama... e chora!
Quem é capaz disto não são pessoas, são monstros, estão abaixo dos irracionais no reino animal. Os irracionais protegem e acarinham as crias.
Por norma costumo ter uma posição crítica e de censura em relação às forças policiais, porque acho que muitas vezes não cumprem a sua missão essencial, que é zelar pela segurança dos cidadãos, e limitam-se a fazer o que é mais fácil que é chatear quem está mais à mão, por pequenas coisas sem importância. Mais ainda quando abusam da sua autoridade impunemente e sem justificação. Mas em casos destes, acho que os que os pais mereciam ser fechados num calabouço da polícia e levar um enxerto de porrada até confessarem o que fizeram. Como aconteceu, ao que parece, com a mãe da Joana no Algarve. A “senhora” apareceu nos jornais com nódoas negras na cara. Bateram-lhe? Se calhar ainda foram poucas! E não me venham com a treta dos direitos dos arguidos, porque aí esquecem-se sempre do mais importante: os direitos das vítimas.

2 - Qual é o papel das comissões de protecção de menores nestes casos? Porque é que de cada vez que aparece uma criança morta ou maltratada, vem sempre a saber-se que uma comissão qualquer fez umas visitas à família e acabou por deixá-la com quem depois se verifica que a maltratou? Fizeram umas visitas e não viram nada de anormal? Então esperavam o quê? Ver os pais a bater-lhe quando eles lá iam?
Será que estas “comissões” são competentes e responsáveis naquilo que fazem? Como é que se justifica que estas situações se repitam sistematicamente? O ministro veio dizer que o sistema neste caso funcionou. Acha? Funcionou depois do bebé estar em coma? E qual é o papel destes avós a quem as crianças são confiadas e que é suposto supervisionarem a situação? Não serão muitas vezes cúmplices, como aconteceu com a criança que apareceu a boiar nas águas do Douro? Ridículas as afirmações do presidente da comissão, de que “nada falhou” e “a coordenação entre o hospital e a CPCJ foi perfeita”! Olha se não fosse!!!
Porque é que, aos primeiros sinais de violência, a criança não é desde logo retirada da alçada dos pais? E porque é que muitas vezes acabam por devolvê-la precisamente àqueles que depois a matam? Os próprios hospitais deveriam desde logo reter uma criança vítima de maus tratos e chamar a polícia. Como é possível que a criança tenha sido hospitalizada 3 vezes e tudo tenha ficado na mesma? Entretanto, ninguém sabia que o pai está referenciado por violência, furtos e abuso sexual de menores?
Em pouco mais de um ano, desapareceu uma criança no Algarve sem que se saiba o que lhe aconteceu; outra apareceu a boiar no rio Douro, com sinais de queimaduras, suspeitando-se que era colocada numa banheira com água a ferver; um miúdo surdo-mudo e amblíope foi morto em casa e violado por um padrasto de 16 anos; uma rapariga morreu em Coimbra depois de andar a saltar de casa em casa, entre a mãe e a avó e uma família adoptiva. Em todos estes casos, o que andaram a fazer os técnicos das comissões? A dormir? Andamos a brincar às famílias?

3 - Como sempre acontece nestas situações dramáticas, há sempre quem se aproveite para lançar a confusão com argumentos retorcidos. Ontem vi no Portugal Diário um comentário acerca desta situação em que uma leitora se insurgia contra o facto de não ser permitida a adopção por casais homossexuais, dizendo que é uma hipocrisia continuar a apostar-se num único tipo de família porque a pedofilia é de pais (heterossexuais) para filhos. Como se isto fosse argumento. Como se o facto de haver heterossexuais que maltratam crianças torne aconselhável entregá-las a homossexuais. À partida não podem maltratá-las porque não as têm, mas o que é que garante que sejam melhores? Se já têm um desvio, quem garante que junto a esse não venham outros? O Bibi, da Casa Pia, é um heterossexual? E um casal homossexual é um bom exemplo para educar uma criança? Com que princípios?

4 - Diz uma das notícias que a mãe é intelectualmente débil. O pai já se viu o que é: violento, ladrão e violador. Tem processos pendentes em tribunal. O bebé já antes apresentava sinais de negligência paterna. Não seria melhor que tivessem abortado? Que direito tem esta gente de pôr uma filha no mundo para a tratar assim, deixando-lhe marcas físicas e psíquicas porventura irreversíveis? É este o “direito à vida” de que falam todos aqueles que impedem que se despenalize o aborto? O que terão a dizer sobre este caso?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

A certeza do erro

“Bush admite que argumentos para a guerra do Iraque estavam errados” (manchete do Público).
E agora? Aqueles que defenderam “à outrance” a invasão, não terão nada a dizer? Não terão vergonha das posições então tomadas, acusando de anti-americanos os que estavam contra a invasão por a considerarem injustificada e ilegítima? Não lhes apetece pintar a cara de preto?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

O que os outros disseram (XIII)

“Não percebo esta rivalidade. Nalguns jogos em que o Sporting estava a ganhar, os cânticos que se ouviam no estádio eram contra o Benfica, mesmo não sendo o Benfica o adversário. Isto para mim não faz sentido”.
(Jorge Gabriel, apresentador de televisão, comentador sportinguista no “Trio de ataque”, RTP N, 13-12-2005)

Sem comentários. É um clube diferente.

blogoberto, chico-esperto

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Gang à solta

Parece que umas câmaras de vigilância filmaram os assassinos do agente da PSP num posto de combustível. Segundo o Público, já são conhecidas as identidades dos "heróis".
Agora, se forem apanhados, dava jeito que fosse numa barragem de estrada ou numa perseguição. Assim sempre havia justificação para a polícia atirar a matar e fazer picadinho deles. Caso contrário vai ter que ser o erário público a sustentá-los na cadeia e ainda se "arriscam" a ser postos em liberdade por bom comportamento. Estes crimes começam a parecer-se com os filmes americanos, mas só da parte dos criminosos. Era bom que também começassem a dar-lhes caça como nos filmes. Talvez começasse a haver uma "limpeza". Com gente desta só se perdem as que caem no chão.
O problema é que em Portugal os bandidos podem atirar a matar mas a polícia não pode. É mais fácil pôr a polícia a chatear os automobilistas que estacionam mal o carro do que a proteger-nos dos facínoras que assaltam bombas de gasolina e caixas multibanco e matam pessoas... que às vezes são os próprios polícias.
Se a polícia não se consegue defender, como pode defender a população?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

O vómito



O presidente do FC Porto vomitou mais umas boçalidades contra o Benfica a propósito da vitória dos encarnados sobre o Manchester United.
Com o estilo insolente que o caracteriza, Pinto da Costa fez o habitual discurso para atrasados mentais que faz as delícias dos seus prosélitos, logo secundado por alguns sabujos e lambe-botas travestidos de jornalistas que chamam a todas as suas alarvidades “ironias”.
Mais uma vez Pinto da Costa, a propósito de coisa nenhuma, meteu-se com o Benfica e com os benfiquistas, fazendo comentários parolos e idiotas acerca do jogo do Benfica, minimizando o mérito da vitória e mascarando a realidade com alusão ao atraso de 10 pontos do Manchester United no actual campeonato em relação ao Chelsea, mas “esquecendo-se” convenientemente que ficou em último lugar no seu grupo, eliminado por uma equipa que ninguém conhecia (um tal Artmedia) e pelo Glasgow Rangers que, também convenientemente, se esqueceu de referir que está a 16 pontos do Celtic no campeonato da Escócia. Sem falar no nível competitivo de um e outro campeonatos.
As constantes investidas deste indivíduo contra o seu ódio de estimação são um verdadeiro vómito e só num país com uma grande densidade de moços de recados se pode apelidar de “fina ironia” aquilo que não passa de insolência e má-criação.
Como não sou religioso, não digo que do céu lhe venha o remédio, mas espero que quando chegar a sua hora vá arder no inferno em lume brando.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Relações

Tudo é relativo - nomeadamente o tempo e os números, pequenos e grandes

tuguinho, demasiado novo para ter tido aulas de latim no liceu

domingo, 11 de dezembro de 2005

In Illo Tempore



Hoje é dia de aniversário. As Krónikas Tugas perfazem dois anos de constante (mais ou menos) linguajar em postas. Tal como os cães e outros bichos menos prolixos nos anos de vida, também para um blog é muito tempo de vida. As semelhanças também não ficam por aqui: já ladrámos à lua, espumámos de raiva e urinámos numas quantas pernas. Pensando bem, um blog é melhor que um cão: gasta-se menos em alimentação e não é preciso levá-lo à rua, conquanto, qual tamagotchi de 3ª geração, seja preciso alimentá-lo continuamente, senão morre.
Nos tempos que correm existe uma pressão enorme para as coisas crescerem, sob a pena de acabarem. Esta lógica de fuga para cima fustiga as empresas, as pessoas e até os blogues (aqui usei a grafia tuga…). Não conseguindo escapar-lhe, resolvemos abrir a nossa primeira excrescência, uma espécie de franchise de nós próprios (já o Fernando Pessoa adoptou uma estratégia semelhante que se revelou ganhadora, embora tarde demais para lhe proporcionar vantagens pessoais), que resolvemos denominar, num assomo de inspiração avassaladora, Krónikas Vinícolas.
E do que trata este blogue (outra vez a tuguidade!...) associado, perguntar-se-ão? Embora o nome não o denote, vai tratar de vinhos e dos assuntos a ele ligados. Nada melhor que um começo cambaleante para uma marcha que se quer triunfante! O link está aqui ao lado, sirvam-se.
Mas falava eu, no início desta prosa épica, no nosso segundo aniversário. Pois é, foi a 11 de Dezembro de 2003 que se iniciou esta manhosa publicação de bem saber e mal dizer, com um rubicundo post que assim versava:

"Olá a todo o universo tuga! Isto é só para abrir as hostilidades! O sumo aparecerá nos próximos dias.
tuguinho"


Dois anos depois ainda não estamos preparados para parar. Já nos trataram mal, já nos fizeram festinhas no lombo e nos coçaram a barriga, já tivemos confusões zoológicas e outras que não, enfim, já somámos alguma coisa à nossa existência. Vamos continuar a somar – é que, ao contrário de muita gente, ainda sabemos fazer contas, até com números grandes.
Parabéns a vocês.
Parabéns a nós!

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Efeméride e inauguração

Assinalando a passagem do nosso 2º aniversário (sim, foi há dois anos que saiu a primeira posta de pescada neste blog), as Krónikas Tugas inauguram hoje uma nova secção, que funciona como uma espécie de extensão do blog original: as Krónikas Vinícolas, já devidamente assinaladas no painel de ligações à esquerda.
Vai ser um espaço menos dinâmico que este, onde os nossos enófilos de serviço vão, esporádica ou frequentemente, verter as suas sugestões e apreciações acerca dos vinhos que vão encontrando e provando.
Para marcar a estreia, apresentamos um artigo que vai funcionar como referência permanente, que é a lista de sugestões pacientemente elaborada pelo Kroniketas, onde estão escolhidos os vinhos verdes, brancos e tintos da nossa preferência, separados em patamares de preços e organizados alfabeticamente por regiões, com a referência ao preço mais barato encontrado nas feiras de vinhos.
Como termo de comparação apresentamos também os preços encontrados este ano na feira de vinhos da Makro (com IVA incluído).
Esta lista será actualizada sempre que os cronistas de serviço considerarem pertinente, mantendo sempre a mesma estrutura. Começamos com 99 vinhos, mas esperamos encontrar rapidamente o 100º para compor a lista.
Temos assim um leque para todos os gostos e todos os bolsos, que esperamos poder ajudar os mais desatentos a fazer compras acertadas.

Idálio Saroto, provedor do blog

Portugal no Mundial-2006

Grupo D: México, Irão e Angola. Mais fácil era difícil.

blogoberto, chico-esperto

sábado, 10 de dezembro de 2005

O Regresso



Tenho para mim que não há alegria como a do regresso! É certo que não fui a lugar nenhum, mas também é certo que voltei. Aos posts. Não é às postas, é aos posts! Não, não é aos postes, porra! Não sou guarda-redes, jogo a ponta direita do sofá!
Voltei para vos perturbar com publicações sem interesse, jogos de palavras da treta e assuntos inqualificáveis. Eu sei que gostam. Todos os três leitores, mais coisa, menos coisa.
Portanto vou tentar arranjar assunto e pespegar com mais um post descabido aqui no sítio do costume. Talvez amanhã, talvez depois - com esta incerteza sempre passam por aqui mais vezes.
Então até amanhã (ou depois).

tuguinho, cínico regressado (claro que não fui, mas é certo que voltei, percebem?)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Ah, nós estivemos lá

Por coincidência, ficámos a saber que um dos blogs presentes nas nossas ligações, o Sound+Vision, é da autoria dos promotores das sessões que durante a última semana decorreram nas lojas Fnac de Lisboa, numa evocação da carreira dos Beatles e em particular da vida e carreira de John Lennon, tristemente morto por 3 balas assassinas há 25 anos.
Conhecendo antecipadamente a existência dessas sessões, as Krónikas Tugas deslocaram-se a duas das realizadas no Colombo, no passado dia 3 e hoje, dia 8, esta dedicada à memória de Lennon.
Verificámos agora que aquele blog tem vindo a promover as referidas sessões ao longo da semana, apresentando muita informação acerca dos conteúdos das sessões. É uma leitura que vale a pena.

Kroniketas

25 anos depois



John Winston Lennon
9/10/1940 – 8/12/1980


A nossa singela homenagem à memória dum génio

Kroniketas

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Grande vitória




Esta noite o Benfica matou mais um borrego, ganhando pela primeira vez ao Manchester United (o clube mais rico do mundo) nas competições europeias e qualificando-se para a segunda fase da Liga dos Campeões, atirando os ingleses para fora da Europa.
Foi um jogo sofrido, com uma exibição adulta e segura duma equipa que soube superar as adversidades resultantes de ausências de jogadores importantes e dum golo caricato sofrido a frio. A reacção que levou à vitória foi notável e o espírito colectivo e de luta demonstrados fizeram esquecer os craques ausentes, mostrando que a equipa é sempre mais importante que as individualidades. Até o treinador acertou na táctica desta vez.
Esta vitória merece ser dedicada a todos os anti-benfiquistas primários e frustrados que vêm para os sites festejar os golos do adversário e fazer-nos o funeral aos 5 minutos de jogo; aos portistas que com a sua habitual arrogância andaram a anunciar que o Benfica ia envergonhar o país na Liga dos Campeões (afinal não fomos nós que ficámos em último lugar no grupo); e ao merdoso advogado do jogador Miguel, que tem um ódio de morte ao Benfica e que ontem à noite na SIC Notícias não teve coragem que dizer que estava contra o Benfica, limitando-se a dizer que o Manchester tem o Ronaldo e o Carlos Queirós, de quem ele é amigo. Tomem umas pastilhas Rennie que isso passa. E não mordam a língua porque a raiva pode matar.
Quanto a Cristiano Ronaldo, fez uma triste figura no Estádio da Luz e limitou-se a fazer palhaçadas e uns quantos números de circo mal sucedidos, terminando da pior forma com um gesto provocatório para o público. É melhor que cresça em vez de vir para o seu país fazer espalhafatos. Quanto ao dedo que mostrou ao público, bem o pode enfiar num sítio que eu cá sei...

Kroniketas, sempre kontra as tretas e orgulhoso do Benfica

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Xaropada

Isto não é um debate, são entrevistas cruzadas. Com este formato americano não há debate nem confronto, há uma xaropada...

blogoberto, chico-esperto

domingo, 4 de dezembro de 2005

O que os outros disseram (XII)

“A hipocrisia é um dos grandes princípios do dogma católico”
(Clara Ferreira Alves, “O eixo do mal”, Sic Notícias, 3-12-2005)

sábado, 3 de dezembro de 2005

Os habituais abusos duma empresa detestável

Vale a pena ler esta notícia.

Comentários para quê? É a Portugal Telecom!

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Restauração

Hoje também é dia de restauração da independência. Há 365 anos a dinastia dos Filipes foi corrida de Portugal, Miguel de Vasconcelos foi atirado da varanda e proclamou-se a independência.
Na Praça dos Restauradores, em Lisboa, um daqueles eventos a que só alguns saudosistas septuagenários assistem (como comemorar a implantação da República a 5 de Outubro e outras coisas assim) obrigou ao corte do trânsito provocando o pandemónio na Avenida da Liberdade (e os pobres dos automobilistas, que se calhar só queriam ir passear ou fazer compras, a gramar aquilo debaixo duma chuva incessante).
Vendo o estado a que Portugal e Espanha chegaram 365 anos depois, o que apetece perguntar é se valerá mesmo a pena comemorar...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Blog on the rooftops...



Hoje é o dia mundial de luta contra a SIDA.
Não há muito a dizer sobre isto.
Não é praga bíblica.
Nem castigo divino.
Ou experiência biológica descontrolada.
Nem componente de conspiração global.
É só a vida.
Se fosse fácil até as pedras respirariam…

tuguinho, cínico solidário

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Cruci-ficção ou realidade?

Confesso que a notícia me apanhou desprevenido. Ao que parecia, o Ministério da Educação tinha enviado uma circular às escolas para serem retirados os símbolos religiosos que estivessem presentes nas salas de aula. O quê? Mas esses símbolos não foram retirados na altura em que os retratos do Tomás e do Caetano foram para a arrecadação? Parece que não… e parece incrível como 30 anos depois do estabelecimento da democracia ainda se esbarram nestes restos do antigo regime!
O Estado é laico, as escolas são laicas e não devem conter símbolos que não os nacionais. Quem tem religião são as pessoas (se quiserem) e não as instituições!
Colocar numa sala de aula um símbolo de qualquer religião é flirtar com uma situação que tão maus resultados já deu no passado – mais recente e mais longínquo – um casamento que só produziu aberrações, privilégios, injustiças e crimes.
Se se critica a promiscuidade entre religião e estado na esmagadora maioria dos países muçulmanos, com que direito se vem protestar contra a retirada de símbolos religiosos nas nossas escolas, como fez a igreja católica sem perder tempo?
Quem quer usar véu vai a uma mesquita, quem quer rezar o terço vai a uma igreja. E quem quer estudar vai para uma escola.
Não sou anti-religioso (isso é do foro íntimo de cada um) mas sou anti-clerical! A padralhada, com algumas honrosas excepções, não passa de uma cambada que ao longo dos séculos se habituou a mamar nas tetas do poder ou se tornou nele mesmo. Essa foi uma situação que no nosso país a igreja perdeu há 30 anos, mas de que ainda restaram uns quantos anacronismos, como os crucifixos na sala de aula e alguns padres caciques no interior mais esquecido. Ah! E o cónego Melo, que ao que parece ainda não pagou pelo que fez neste mundo mas, se acreditar realmente na sua religião, pagará no próximo durante muito tempo…
As saudades que muitos têm do tempo em que o povo era simples (leia-se iletrado, ignorante, pobre de espírito, manipulável), já não fazem sentido porque, por muito que lhes custe, esse tempo acabou. É certo que o analfabetismo, oficial e funcional, ainda é elevado mas, nem que seja por conta das telenovelas brasileiras, as pessoas não se deixam levar tão facilmente.
O Portugal bucólico do Botas, das paredes caiadas e do cheirinho a alecrim já não existe. Apesar de tudo e felizmente.

tuguinho, cínico crucificado (pela ignorância)

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

O julgamento da praxe

Finalmente houve alguém que teve coragem para levar a tribunal os calões que andam a arrastar o cu pelas universidades anos a fio para infligir práticas de autêntica tortura nos caloiros. Depois da bronca de há uns anos em Mirandela, agora esta em Santarém. As notícias que aparecem acerca destas praxes violentas e degradantes são sempre reveladoras duma mentalidade imbecilóide por parte dos seus autores. Imagine-se que até há uma “comissão da praxe”!
Estes “veteranos”, que na maior parte dos casos não são mais que preguiçosos repetentes, divertem-se a enfiar a cara dos caloiros em bosta de vaca, pergunto eu, para quê? É uma necessidade? É uma forma de integração dos novos? Ou é apenas uma alarvidade reveladora da estupidez dos seus autores?
Segundo a notícia, os autores da brincadeira acabaram por chumbar o ano, o que é muito bem feito. Assim tornam-se ainda mais veteranos e têm mais um ano para praxar outros. Agora arriscam-se a uma pena que pode ir até aos quatro anos de prisão. Mas antes disso deviam ser expulsos da universidade. Vão praxar pró raio que os parta!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 27 de novembro de 2005

Crucifixos?

O Ministério da Educação mandou retirar os crucifixos das escolas, o que já está a gerar polémica junto da Igreja.
Eu acho que a questão está posta ao contrário: a ideia é de tal forma absurda que eu não fazia ideia é que as escolas tinham crucifixos!

blogoberto, chico-esperto

O milagre da Ota

Ora aqui está uma notícia curiosa:
“Um dos grandes beneficiados com a escolha da Ota para o novo aeroporto é o santuário de Fátima, um dos principais destinos turísticos do País. Já em 1999, o então reitor do santuário, Monsenhor Luciano Guerra, enviou uma carta ao então ministro das Obras Públicas, o socialista João Cravinho, manifestando o apoio da Igreja Católica à construção de um novo aeroporto na Ota.
No documento enviado ao Governo, salientava-se a proximidade do Santuário face à nova infra-estrutura e o facto de Fátima receber, por ano, mais de cem mil peregrinos que se deslocam de avião. A missiva dava como exemplo o santuário de Lourdes, em França, próximo de um aeroporto.”

Realmente, era só o que nos faltava: a Igreja Católica a meter o bedelho na questão do aeroporto. É mesmo do que o país precisa é dum aeroporto ao pé dum santuário por causa dos peregrinos. Então eles não vão a pé, de rastos, de joelhos ou de marcha-atrás? Para que precisam dum aeroporto?
E a que propósito é que o monsenhor não-sei-quantos tem que dar palpites sobre a construção do aeroporto? Apoia? E o que é que o apoio da Igreja Católica é para aqui chamado? Num Estado dito laico, a Igreja não tem que se meter no que não lhe diz respeito, mas infelizmente em Portugal não há assunto nenhum em que não se meta e o poder político fica todo acagaçado. Já opina sobre o preservativo, o aborto e a contracepção, que tanto quanto sei são questões vedadas ao clero, agora ainda vem opinar sobre um aeroporto? Porque é que não se limitam a rezar missas e dar a hóstia às beatas?

Kroniketas, ateu convicto

sábado, 26 de novembro de 2005

Provérbios para gente culta

Não deixem de ler esta lista de provérbios no Pólis&etc. Está genial!

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

O aviltamento da língua portuguesa (II)

Carácter, s. m. – marca; sinal gravado ou escrito; impressão; tipo de imprensa; sinal distintivo; aspecto; sinal indelével impresso na alma pelos sacramentos do baptismo, confirmação e ordem, devido ao qual não podem ser recebidos senão uma vez; psicol: maneira habitual e constante de reagir, própria de cada indivíduo; expressão; índole; génio; energia; firmeza; força de ânimo; a carácter: com propriedade.

Caracteres, s. m. (plural de carácter) – letras escritas; tipos de imprensa.

(Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por J. Almeida Costa e A. Sampaio e Melo, 5ª edição, 1979)

Ainda na passada semana (16 de Novembro) o nosso muito estimado José Pedro Gomes, na sua rubrica “Cromos TSF”, se insurgia contra os atropelos à língua praticados diariamente, quer nas conversas quer nos órgãos de comunicação social. Nos anúncios de rádio, então, é um fartote. Isto vinha a propósito do uso e abuso de estrangeirismos injustificados, quando há palavras em português para dizer exactamente o mesmo. Dava como exemplo o “now” da Vodafone, o “wireless” dos computadores (quando há muitos anos já existe a expressão “sem fios”, por exemplo a TSF é “Telefonia sem fios”), a “ladies night” e a “happy hour”, entre outros, e as deturpações irritantes como o “númaro”, o “treuze”, a “runião”, o “pugrama”, etc. E eu acrescento: o “hades” ou “hadem”, o “vistes”, “fostes”, “fizestes” e “dissestes”, o “póssamos”, “tênhamos” e “supônhamos”. Será que estas expressões se podem considerar consagradas pelo uso? E as pronúncias regionais? Será que a frase “tou a ber uma baca”, dita com pronúncia do norte, pode ser consagrada pelo uso, como o “lête” e o “caféi” ditos com pronúncia do Alentejo?
O caso mais flagrante de deturpação é o famigerado “carácter”. Não por causa do “carácter” em si, mas por causa duma mutação (assim como as mutações dos vírus) surgida do desconhecimento da língua, para “caractér”. No início dos anos 90, quando a utilização dos computadores começou a vulgarizar-se, comecei a ouvir aqui e ali o “caractér” para cá e “caractér” para lá, e aquilo não me soava bem. Falava-se nos caracteres e quando se ia para o singular lá vinha o “caractér”. Nada como consultar um dicionário, pensei na altura, vindo a confirmar as minhas suspeitas: estávamos perante uma deturpação injustificável duma expressão devidamente consagrada na língua portuguesa, “carácter”, cujo plural, “caracteres”, fez (e continua a fazer) muita gente pensar que a pronúncia do singular é igual.
Daí para cá tem sido uma cruzada que eu e o Tuguinho (que éramos colegas de trabalho na altura) temos levado a cabo para esclarecer as pessoas de que se está a praticar um atentado à língua. O problema, muitas vezes, não é só o desconhecimento, é sobretudo a ausência de critério e de sentido crítico na escolha das palavras: as pessoas ouvem um disparate e tomam-no como bom. Uma vez houve até quem me tentasse demonstrar a existência do “caractér” por causa de no plural se pronunciar “caractéres”: se no plural se acentua a letra “E”, então no singular é igual. Como se o singular se formasse a partir do plural e não o contrário!
Será este um caso de consagração pelo uso? De modo nenhum, nem o facto de muita gente o dizer (erradamente) pode servir como argumento. O carácter já existia muito antes dos computadores e já tinha esse significado, desde os caracteres de imprensa inventados pelo Guttenberg. Logo, não há qualquer justificação para, a pretexto de o distinguir do carácter das pessoas, se inventar outra palavra e tentar metê-la a martelo no vocabulário. Se vamos incorporar na língua oficial todas as burrices consagradas pelo uso, qualquer dia deixamos de ter uma língua e passamos a ter um dialecto em que ninguém se entende.
No que respeita aos estrangeirismos a situação já é diferente, porque muitas palavras entraram realmente na linguagem comum e justifica-se o aportuguesamento da grafia, como é o caso do ecrã, derivado do “écran” francês. Embora com inicial relutância, porque existem significados em português como tela ou monitor, acabei por me render à nova grafia porque esta é, de facto, a palavra mais usada para designar tanto os ecrãs de computador como os de cinema ou televisão. Já não concordo que se tente aportuguesar o “croissant”, porque aí teríamos que mudar toda a palavra. Escrever “croissã” não faz sentido, e mudar para “cruassã” seria ridículo, portanto este é daqueles estrangeirismos que mais valia ficarem como estão. O mesmo se passa com o “software” e o “hardware”. Se toda a gente percebe o que querem dizer mais vale não lhes mexer, senão teríamos que inventar um “sofetuére” e um “arduére”, o que seria uma anedota!
Por outro lado, não me choca absolutamente nada chamar “browser” ao programa de navegação na “Web” (não soa muito bem chamar-lhe “teia”) porque “pesquisador”, “varredor” ou “vasculhador” não melhorava nada, nem mandar um “e-mail” em vez de “uma mensagem de correio electrónico” (aqui é evidente a simplificação da linguagem se usarmos a expressão inglesa). Mas já me chateia ouvir chamar “headphones” a uns vulgares... auscultadores.
Também me aborrece ouvir as invenções de palavras caras, saídas sabe-se lá de onde: “contraditar” para “contradizer”, “recepcionar” para “receber”, “percepcionar” para “perceber”, “contratualizar” para “contratar”... Sem esquecer o detestável “enfoque”, outro brasileirismo que pode ser substituído com vantagem (e correcção) por “ênfase”.
Portanto, tudo na sua conta e em função do contexto, mas usar como único critério a consagração pelo uso é que não. Não contem connosco para assimilações forçadas e, nalguns casos, aberrantes. Sim, meu caro Pólis, acho o “bué” aberrante. Por muito que o Prof. Malaca Casteleiro ache o contrário.

Kroniketas, defensor da língua portuguesa

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

O que os outros disseram (XI)

“...E eu desminto o líder.”
(Manuel Alegre, candidato á Presidência de República, acerca do desmentido de José Sócrates, 22-11-2005)

terça-feira, 22 de novembro de 2005

O aviltamento da língua portuguesa (I)

“A nossa pátria é a língua portuguesa”
(Fernando Pessoa)


Ponto prévio: as Krónikas Tugas não são contra a evolução da língua portuguesa. São contra a sua deturpação, o que é uma coisa bem diferente.
Dito isto, passemos à história da “estória”, que tem merecido algumas considerações do Pólis&etc depois do meu post inicial sobre o tema.
Não está em causa a introdução de novos termos quando isso é pertinente, muito menos a assimilação de estrangeirismos, em que aliás a nossa língua é fértil. Se assim não fosse não teríamos o restaurante nem o futebol, o basquetebol e o andebol, entre outros, e se calhar diríamos como os espanhóis “balompié”, “baloncesto” e “balonmano”. O que não concordamos é com a tentativa de introdução à pressão ou a martelo de expressões que, longe de enriquecerem a língua, antes a deturpam, e isso é um fenómeno a que se tem assistido ultimamente com frequência inusitada.
A utilização do termo “estória”, que como já foi demonstrado é um arcaísmo há muito arrumado no fundo do baú e reimportado do Brasil, não constitui uma evolução mas, pelo contrário, uma involução. Nada justifica a reintrodução duma expressão caída em desuso, quando a que está em uso serve para todas as situações, como foi referido no Ciberdúvidas. Eu, na escola, aprendi que na língua portuguesa havia palavras homónimas, homógrafas e homófonas, exactamente para os diversos casos em que o som e/ou a grafia iguais podiam ter mais de um significado. Assim se compreende que se use a mesma palavra para dizer que tenho uma mesa ao “canto” da parede, que gosto de ouvir o “canto” dos pássaros ou que “canto” até que a voz me doa. São sentidos diferentes e creio que ninguém os confunde. O mesmo se passa com a história. Aliás, a introdução de “estória” para certas situações, longe de facilitar, só complica, porque gera uma tremenda confusão acerca dos casos em que deve ser usada. Por exemplo, existe um livro chamado “Estórias de Alvalade”, acerca do antigo estádio do Sporting. Mas afinal, que “estórias” são essas? São “estórias” de ficção ou verdadeiras? São relatos de factos ali ocorridos; sendo assim a palavra está ou não mal usada? Porque não chamar-lhe “Histórias de Alvalade”?
Acresce a isto que, pessoalmente, me recuso a ser colonizado linguisticamente por quem não tem língua. No Brasil não há uma língua mas uma amálgama de vocábulos misturados, sem nexo nem critério, a partir de todas as expressões estrangeiras que vão aparecendo. Por isso acho de todo despropositado que se tentem introduzir à força expressões usadas naquele país, quando temos cá outras bem mais apropriadas para o mesmo efeito.
O mesmo se passa com o “bué”, que o Pólis&etc justifica como assimilado pelo português a partir do crioulo porque provém das inúmeras comunidades africanas residentes em Portugal. Acontece que durante os séculos em estivemos em África essas expressões nunca entraram na nossa língua corrente. Então porquê agora? A bem da interacção entre culturas temos que começar a aprender crioulo? E se, antes, fossem eles a aprender a falar português? É que, segundo reza a tradição, “em Roma sê romano”. Se temos que assimilar o “bué”, então deveremos também assimilar o “ya man”, o “bué da people” e o “ganda nice”?
Para mim isto é brincar com a língua portuguesa. Há expressões usadas na gíria e no calão das conversas de café, mas que não devem ser confundidas com o português correctamente falado ou escrito, por isso as pessoas não andam por aí a dizer “merda” e “porra” a torto e a direito; por isso se diz “tás a ver?” ou “tás a morder?” mas não se escreve.

(continua)

Kroniketas, defensor da língua portuguesa

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Barrela na SIC

Na sequência das últimas mudanças na SIC, Francisco Penim, novo director do canal, tem vindo a levar a cabo uma autêntica barrela na programação. Depois de ter acabado com o “Senhora Dona Lady” e ter posto na rua os mariconços que enxameavam os programas de entretenimento da estação no “SIC 10 horas” e no “Às 2 por 3”, agora chegou (finalmente!) a vez do Herman Sic, que era, desde há muito tempo, a imagem acabada da degradação e do mau gosto. Ora vejam:
Francisco Penim, director de programas da SIC, resolveu baixar a bola ao ‘Herman SIC’, retirando, do canto superior direito do ecrã, a bolinha vermelha que indica conteúdos menos apropriados para crianças. O objectivo, diz Herman José, é ter um programa no qual “pai algum tenha a necessidade de tirar os seus filhos da frente do ecrã a partir das 23 horas”.
Depois de ter sido o responsável pelo lançamento do “Gato fedorento” na SIC Radical (honra lhe seja), espero que Francisco Penim consiga devolver à SIC a dignidade que há muito tinha desaparecido dos programas do canal. Mas parece-me que para limpar tanta porcaria que por lá anda vai precisar duma grande dose de lixívia...
Só uma pergunta: se Herman partilha das ideias do director, porque é que ele próprio não tomou antes a iniciativa e levou o programa aos limites do asqueroso e insuportável?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 20 de novembro de 2005

BatOTA



Sob esta sugestiva manchete, o semanário “O Independente” apresenta esta 6ª feira uma revelação deveras interessante acerca dos estudos sobre o aeroporto da Ota, estudos esses que o governo não divulgou porque são arrasadores para as suas pretensões.
Segundo a consultora Roland Berger & Partners, a que o governo pagou 400.000 euros, mudar o aeroporto para a Ota e encerrar o da Portela “terá consequências desastrosas para o turismo de Lisboa”.
“No documento, entregue em 2000 e cujas conclusões o governo nunca divulgou, a empresa estima uma perda de 16% do total de turistas na região de Lisboa. E um prejuízo directo superior a 96 milhões de euros por ano só no sector hoteleiro. O efeito negativo multiplica-se nos sectores das viagens aéreas, restauração, comércio em geral e, entre outros, agências de viagens”.
Ainda segundo o mesmo estudo, “as estimativas apontam para uma perda de 50% dos turistas estrangeiros do segmento de ‘estadas curtas’, conhecidas por ‘short-breaks’ e ‘city-breaks’.” Segundo a Roland Berger & Partners, “metade desses turistas deixariam de visitar Lisboa.” Esse mercado, que representa cerca de 60% na economia do turismo lisboeta, sofrerá graves perdas devido à “perda de proximidade do aeroporto em relação à cidade”.
Segundo um relatório de 2004 da Direcção-Geral do Turismo, “Lisboa constitui hoje um dos principais destinos para o ‘turismo de negócios’, que representa cerca de 20% do total de dormidas em estabelecimentos hoteleiros, aldeamentos e apartamentos turísticos. É a cidade dos congressos. Além disso, a Região de Turismo de Lisboa ultrapassou no ano passado a Região de Turismo do Algarve quando contabilizado o seu peso sectorial no produto interno bruto”, e recebe o maior número de navios de cruzeiro.
O estudo revelado pelo Independente refere ainda o efeito de “dupla periferia” provocado pela mudança do aeroporto da Portela para a Ota: este resulta da “distância que separa Lisboa do ‘centro de marcado’ definido pelo cruzamento dos eixos de Barcelona, Madrid, Paris, Londres, Amesterdão, Roma, Milão, Munique e Berlim”, cujo ponto central está a 2h32 de voo; e da distância do novo aeroporto à cidade, que será de 53 quilómetros. Apenas uma capital europeia, Dublin, tem um aeroporto mais longe (56 quilómetros). Acresce ainda que a Ota fica fora da área metropolitana de Lisboa, o que tornará a capital um caso único na Europa ao não ter um aeroporto na sua área metropolitana.

Perante estes dados arrasadores, impõe-se a pergunta: a quem interessa, afinal, a construção do aeroporto na Ota, contra tudo e contra todos?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

De volta à base




Uivo pelo teletransporte! Scotty, please beam us up and down and everywhere!!
Depois de passar mais de 24 horas enjaulado dentro de aviões em menos de 5 dias, anseio pelo dia em que a ciência finalmente nos apresente uma solução de teletransporte. Era mesmo capaz de fundar uma fundação (olha, um pleonasmo!*) para auxiliar na pesquisa, se fosse rico. Não estou a falar de viajar na 1ª classe, com direito a caminha e espaço para pestanejar, estou a falar da classe "normal" onde vamos entalados numa espécie de cadeira de tortura que se inclina aí uns 5 cm, só para ficarmos cientes da diferença entre o nosso ser e os indivíduos da primeira classe que se podem estirar na horizontal mais legítima.
Já imaginaram ter uma reunião na Austrália e poder vir almoçar a casa? Melhor ainda, já imaginaram ter uma reunião na Inglaterra e poder vir almoçar a casa?
Mas teria de ser um serviço fiável, porque pior do que nos perderem as malas seria perderem-nos os átomos - ou baralharem-nos, o que seria pelo menos tão mau! Imaginem a cena: em vez de um gabinete para reclamação de bagagem transviada haveria uma sala em que faríamos queixa das perdas ou das trocas. "Do que é que se queixa", perguntaria a diligente funcionária; ao que retorquiríamos "dão é ebidante? berderam-be o dariz!", ou "acha que se este par de pernas fosse meu continuaria como caixeiro-viajante?". E a resposta seria invariável: "Deixe-nos os seus dados e assim que os seus orgãos genitais forem encontrados nós levamos a casa. Se não aparecerem, pagaremos o prejuízo em função do peso do que perdeu..." - quantos John Holmes ocultos se revelariam nestas circunstâncias, ahn?
Todos os inconvenientes das actuais viagens seriam eliminados - só os casais em lua de mel, ainda em estupor pós-amarração, e uns quantos saudosistas encarquilhados usariam os antigos transportes. Uma nova era se iniciaria!
É certo que haveria tumultos no início por parte de quem perdesse os empregos e quiçá algumas sabotagens avulsas que fariam alguns globos oculares sairem da órbita e entrarem em órbita**, mas onde estaríamos se se tivesse dado voz aos trabalhadores têxteis quando apareceram os teares mecânicos durante a primeira revolução industrial? (fim do parágrafo de análise sociológica, no seguinte continua a bandalheira)
Acreditem que seria um salto tão grande como passar da carne crua ao tornedó, com a vantagem de não engordar. Em breve as agências de viagem proporiam promoções do estilo: "Volta ao mundo em sete saltos com oferta de lipoaspiração às coxas no 6º salto" ou "Ir e vir às praias do nordeste em menos tempo do que a sua esposa se veste!"; o resto deixo-o à vossa imaginação (sim, eu sei que é limitada, mas que raio, alguma coisa há-de sair!).
Se o leitor nunca sofreu com viagens de avião, que me atire a primeira pedra - mas de bem longe, para não correr o risco de me acertar...

tuguinho, cínico visionário

* Se o leitor olhou para o lado ou para cima e exclamou "onde? onde?", por favor, deixe de ler os meus posts. Assim evitaremos males maiores para qualquer dos lados.

** Se percebeu esta, por favor, peço-lhe, continue a ler os meus posts, e se as suas medidas forem 90-60-90 num corpo do sexo certo (feminino) - assim descartam-se tentativas de travestis brasileiros - pode, além de os ler, enviar o número do telemóvel; fomos feitos um para o outro...

Campanha anti-Ota

As Krónikas Tugas lançam aqui um repto ao país: desencadear uma campanha nacional contra o aeroporto da Ota.
Quem estiver em desacordo com este aeroporto, escreva no seu blog, manifeste-se onde e quando puder contra aquilo que cada vez mais se afigura ser mais um atentado contra o país, sabe-se lá a soldo de que inconfessáveis interesses.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 19 de novembro de 2005

Notícias do dia (II)

1 – Há hospitais com mais médicos do que camas para doentes.
Positivo.

2 – Ontem houve greve (mais uma) dos professores. O meu filho teve 1 das 5 aulas que deveria ter tido.
Positivo.

3 – Segundo o Instituto Nacional de Estatística, no último ano as graves dos professores resultaram num total de 9000 horas de aulas a menos, o que equivale a cada aluno ter, em média, 3 furos por semana!
Positivo.

Estas sucessivas greves dos professores já me começam a fazer lembrar os protestos dos estudantes por causa das propinas: protestam constantemente sem ter razão nenhuma. Fico à espera que um dos meus amigos professores me explique as razões de ser desta. Estejam à vontade.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Nova entrada no dicionário de Língua Portuguesa

Otário - indivíduo que defende com ardor, mas sem argumentos, a construção do Aeroporto da Ota.

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Notícias do dia

1 - Hoje é “Dia do não-fumador”. O realizador Fernando Lopes disse na rádio que era uma chatice e não percebe porque é que o hão-de proibir de fumar onde quer que seja.
Se não percebe é porque é estúpido como um penedo (o que até não admira, tendo em conta que conseguiu desvirtuar um excelente livro como a “Crónica dos bons malandros” e fazer dele um filme de merda).

2 - As câmaras de Sesimbra e Palmela vão impugnar o plano de ordenamento do parque natural da Arrábida.
Se a impugnação vem de câmaras municipais, é porque o plano deve ser bom. Quando estas contestações partem das estruturas que representam os maiores atentados que Portugal sofreu à sua paisagem, é de ficar sempre de pé atrás.

3 - Na auto-estrada A1, acidente com 80 carros de manhã, donde resultaram 3 mortos. O trânsito esteve cortado até às 2 da tarde.
Claro que a culpa, como sempre, foi do nevoeiro. Se não fosse do nevoeiro, era da chuva, do piso ou de outra coisa qualquer.
Eu nunca vi um bloco de nevoeiro chocar contra um camião. Os imbecis do volante que pululam pelas estradas de Portugal armados em Schumacher’s são burros demais para aprender com os erros dos outros. Faça chuva, nevoeiro, neve ou granizo, os anormais que andam nas suas pseudo-bombas como se estas fossem carros de corrida e a estrada uma pista de Fórmula 1 conduzem à mesma velocidade, colados ao carro da frente, tentando ultrapassar tudo o que lhes aparecer à frente. Depois dá nisto. Mas não aprendem. Apesar de terem passado no exame de código, não conseguiram aprender que quando a visibilidade é reduzida a velocidade também deve ser, porque se tem que conseguir parar o carro dentro do espaço visível. Com nevoeiro, não é certamente a 140 km/h que o conseguem. Mas como há muitas cabeças de abóbora por aí, é impossível meter-lhes algum juízo lá dentro.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

O que os outros disseram (X)

“Beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro”
(Macário Correia, uma frase recordada a propósito do dia do não-fumador)

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Um urso ao sol




Que querem que vos diga? O tempo está bom, tanto que os ursos ainda andam pela praia a apanhar banhos de sol em vez de estarem a dormir numa caverna escurinha.
O pessoal anda eufórico porque viram o sol durante dias seguidos. Uma aberração, ao que parece...
Eu tenho sono às dez da noite e acordo às seis da manhã. Não deviam ter inventado esta coisa dos fusos horários. Aliás, a própria palavra "confuso" deve ter origem na expressão "estar com fuso", ou seja, não saber muito bem o que se está a fazer. Como este post, aliás! Já tinha dito aliás atrás, não tinha?
Enfim... os ursos... espera, já tinha falado dos ursos! E do sol? Também já!?
.................
Amanhã vamos às docas aqui do sítio, parece. Espero que haja Alaskan Amber.
É uma cerveja. Daqui. Só daqui. Aí não há. Microbrew, ao que parece. Não tem a ver com método de fabrico, é mesmo com a quantidade.
Acho que vou procurar uma cavernita dos ursos que esteja vaga. Estou a ficar com sono.

tuguinho, cínico deslocado

Jet Lag

Bolas do carcanhol, anda um homem nos lampos a precar calofas para depois se ver subido à malhatofa! Assim não se consegue culanhar a sitra nem se vê como eliminar a narecada… Porca de vida!

taraguinho, séneca empalhado

terça-feira, 15 de novembro de 2005

A pílula

Parece que a pílula do dia seguinte vai começar a ser distribuída gratuitamente a partir de Dezembro. A “Associação Portuguesa de Famílias Numerosas” acha que é um completo disparate.
Eu acho que a existência da “Associação Portuguesa de Famílias Numerosas” é que é um completo disparate.

blogoberto, chico-esperto

domingo, 13 de novembro de 2005

Estória? Qual história!

A propósito duma forma de escrita que tem começado a ver-se por aí, com a palavra “estória” em substituição de “história”, fui ao Ciberdúvidas da Língua Portuguesa procurar o que eles lá dizem a este respeito. Há variadas perguntas e respostas sobre o tema, mas a primeira pesquisa que fiz remeteu-me para um resultado veio ao encontro do que eu pensava. Ora vejamos:

“Não são sinónimos. É a mesma palavra com dupla grafia, e derivada do latim «historia(m)». No português medieval, escrevia-se historia, estoria, istoria, assim como homem, omé, omee (com til no 1.º e), ome. Compreende-se, porque a ortografia ainda não estava fixada.
No Brasil, talvez por influência do inglês «story» (conto, novela, lenda, fábula, anedota, etc.) e «history» (narração metódica dos factos notáveis ocorridos na vida dos povos), começaram a empregar o português antigo estória para significar o mesmo que o inglês «story». É uma palermice, porque, até agora, nunca confundimos os vários significados de história. O contexto e a situação têm sido mais que suficientes para distinguirmos os vários significados. A estória só vem confundir as pessoas.
Seria ridículo começarmos, por exemplo, a empregar homem para indicar o ser humano em geral, isto é, a espécie humana, a humanidade; e omem, para designar qualquer ser humano do sexo masculino, como por exemplo em «aquele omem que está ali», «o omem (= marido) da Joana», «sanitários para omens», etc.
Alguém teria cara para abraçar esta ridicularia? Mas têm-na para escrever história e estória.
Sigamos o nosso Camões, que escreveu histórias na estância 39 do Canto VI de Os Lusíadas:
«Remédios contra o sono buscar querem,
Histórias contam casos mil referem».”


Perante isto, estou esclarecido: já suspeitava que a sua utilização actual é uma “brasileirice” que, como quase todas as que importamos para a nossa língua (porque os brasileiros não têm língua), não passa de disparate. Portanto, vou continuar a usar a “história” como sempre usei e continuar a recusar-me a escrever “estória”, como sempre recusei.
Só me resta dizer, portanto: deixem-se de histórias!

Kroniketas, defensor acérrimo da língua portuguesa... de Portugal

Ninguém é responsável

O Estado português vai deitar 15 milhões de euros pelo cano por causa duma indemnização à construtora Teixeira Duarte, devido ao abandono dum projecto de construção da nova sede da Polícia Judiciária em Caxias.
À boa maneira portuguesa, a ex-ministra da justiça Celeste Cardona lançou o projecto de construção duma cidade judiciária, os cidadãos do concelho de Oeiras interpuseram uma providência cautelar contra a obra por violação do PDM e o actual governo vai indemnizar a Teixeira Duarte por não concluir o projecto.
À boa maneira portuguesa, nem este governo nem o anterior são responsáveis por mais esta barraca. Ninguém vai responder pelo esbanjamento do dinheiro dos contribuintes. Ninguém vai querer saber porque foi escolhido o local em causa com as consequências que agora vêm a público. Ninguém vai chamar Celeste Cardona à pedra para justificar tamanho atentado aos dinheiros públicos, deixando-a viver refastelada a fazer não se sabe o quê na Caixa Geral de Depósitos como prémio pelo seu brilhante desempenho.
À boa maneira portuguesa, os chulos que nos (des)governam vão continuar a receber as suas reformas douradas com os tachos arranjados pelos amigos para lugares onde são incompetentes, e ninguém vai pagar do seu próprio bolso todas as tropelias cometidas sabe-se lá com que obscuras intenções.
À boa maneira portuguesa, vamos continuar a ser comidos por uma classe política indecente e sem vergonha, enquanto somos perseguidos se não pagarmos meia-dúzia de cêntimos ao Estado dentro do prazo.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 12 de novembro de 2005

Notícia de abertura

No Telejornal das 13 h na RTP 1: a imagem de Nossa Senhora de Fátima vai sair da capelinha das aparições e desfilar por Lisboa esta tarde, com direito a transmissão em directo.
Mas a quem é que isso interessa? Uma transmissão televisiva para mostrar uma estátua a andar pela rua?
ARRE! Que estupidez de país!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Peseiro treinador do ano?

Só pode ser a piada do ano. É o que se chama premiar o fracasso.

blogoberto, chico-esperto

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Esta vida de marinheiro



Que me desculpem os excelsos leitores esta nefasta ausência, mas a culpa foi do trabalho... É que enquanto não me sair o euromilhões o sustento continua a sair do meu bestunto. É a vida!, diria o outro.
Agora que já marquei o ponto posso dormir descansado.
Para a semana o Kroniketas continuará galhardamente a defender o forte durante a minha ausência por terras do american idiot. Se der, de lá postarei o que for na mona e outras considerações pertinentes.
Então até já.

tuguinho, cínico exaurido

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

E agora os doces

Continuando num registo gastro-etílico, depois dos comes no Festival de Gastronomia de Santarém (onde fui no dia 1, mais de 10 anos depois da última vez) e dos bebes no Encontro com o Vinho, falta agora a sobremesa. Para isso nada melhor que o Festival do Chocolate que já está a decorrer em Óbidos até ao próximo domingo. É o tal onde parece que vai tanta gente que chegam a cortar o trânsito na auto-estrada e nos acessos a Óbidos.
Não sei se será desta que as Krónikas Tugas (ou parte delas) lá irão, mas fica desde já a promessa de manter essa possibilidade em aberto... mais ano ou menos ano. Ainda por cima cá em casa o pai e os filhos são doidos por chocolate...

Kroniketas, já com água na boca

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Foi no sábado

Dado a descrição anterior ter ficado incompleta, aqui vão mais umas achegas para o rol.
Destaco o Redoma, da Niepoort, o Quinta do Poço do Lobo Cabernet Sauvignon, o Borba Tinta Caiada & Pinot Noir (uma surpresa) e, principalmente, a desconhecida Quinta de Alcube, situada em Azeitão, em cujo stand parámos quase por acaso, que apresentou três vinhos bastante promissores (um Reserva, um Castelão e um Trincadeira) que ameaçam fazer concorrência aos gigantes da zona, a José Maria da Fonseca e a J.P. Vinhos, agora rebaptizada Bacalhôa Vinhos. Da José Maria da Fonseca também apreciei um espumante Lancers Bruto, bastante agradável, e um Domini Plus.
Não me convenceram os 3 vinhos que provámos da recém lançada Unicer, que pretende estender-se das cervejas para o vinho mas tem muito que andar. O Planura (Reserva e Syrah) não acrescenta nada de especial às centenas de vinhos alentejanos que já existem, enquanto o Vinha de Mazouco, do Douro, peca pela falta de corpo e estrutura na boca. Um vinho demasiado delgado para encantar. Também o Borba.pt, que pretende ser um DOC superior, ficou aquém das expectativas, muito longe do seu parente do rótulo de cortiça e mesmo do referido Tinta Caiada & Pinot Noir.
Como sempre, e como não podia deixar de ser, o grande destaque vai para a Sogrape (isto porque passámos ao lado da Herdade do Esporão e deixámos para os outros convivas deliciarem-se com o Quatro Castas, porque nas Krónikas Tugas a gama já é conhecida de ponta a ponta), que maravilhou os passantes com os fabulosos Quinta da Leda e Herdade do Peso, já para não falar no Callabriga e no Casa Ferreirinha Colheita, que apesar da excelência acabam por ficar quase na sombra daqueles seus congéneres de excepção. Estes são realmente os vinhos que nos fazem perder o apego a 20 euros, porque um néctar dos deuses (como lhes chamou o Politiko) quase não tem preço!

Kroniketas, já recomposto das investidas no reino de Baco

domingo, 6 de novembro de 2005

Foi hoje...

Mantendo uma notável compostura na presença de tantos excelsos néctares, as Krónikas Tugas e convidados mantiveram-se estoicamente de pé até ao fim das provas no Encontro com o Vinho e Sabores.
Ainda nos estão entranhados no palato e em demais sítios esconsos um Quinta da Leda, um Herdade do Peso Reserva 2003, um Quinta do Boição Pisa a Pé e um Dado, entre outros.
Um bem haja para os senhores da Revista de Vinhos, por não se denominarem Revista de Águas...

tuguinho, cínico entaramelado

sábado, 5 de novembro de 2005

É hoje

As Krónikas Tugas vão em excursão ao “Encontro com o vinho e sabores”. Vamos disfarçados para não sermos reconhecidos.
Prometemos fazer depois um relato das impressões recolhidas (quando estivermos em condições de fazê-lo, obviamente, que não deve ser ainda este sábado, palpita-me...)

Kroniketas, pronto para o copo de prova

O que os outros disseram (IX)

“A diferença cultural entre Cavaco e Soares - essencialmente uma diferença de época, de família e dinheiro - pesa num Presidente da República? E a resposta é “não”. Pesa num almoço, não pesa em Belém.”
(Vasco Pulido Valente, “Público”, 4-11-2005)

Comparação curiosa, esta. Vindo do Vasco Pulido Valente, tinha que ser assim uma coisa... fora do comum. Poderemos concluir daqui que um almoço é mais importante que a presidência da República?

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Para começar bem o dia

Parece que esta manhã há 13 quilómetros de fila para a ponte 25 de Abril.
É por isso que eu sempre disse: viver na margem sul, nem morto!

Kroniketas

Agora digo eu



“A Bárbara Guimarães é muito talentosa e tem de estar no ‘prime-time’ e na SIC generalista”, assegurou Francisco Penim, director de programas do canal.

Eu também acho: aliás, acho que ela devia mostrar mais todo o seu talento! E mesmo que não tivesse nenhum, devia estar sempre no “prime-time”. Digo eu...

Kroniketas, adepto dos talentos da Bárbara

terça-feira, 1 de novembro de 2005

O que os outros disseram (VIII)

“Eu acho que aquilo é um monstro que vai ficar por aí”

(Belmiro de Azevedo, “Diga lá Excelência - Rádio Renascença”, 30-10-2005, a propósito dos projectos Ota e TGV)

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Serviço de vinhos

No próximo fim-de-semana as Krónikas Tugas vão deslocar-se, pelo 3º ano consecutivo, ao “Encontro com o vinho e sabores”, na Feira das Indústrias (antiga FIL), que decorre durante os dias 5 e 6 de Novembro.
É organizado pela Revista de Vinhos e é uma grande oportunidade para os enófilos provarem vinhos de todo o país e alguns do estrangeiro, conversar com os representantes das empresas produtoras e às vezes até com os próprios enólogos. Lá podemos descobrir algumas pomadas que não se vêem por aí todos os dias.
Dou dois exemplos.
Há 2 anos provámos lá, ainda sem rótulo, uma recente produção da Casa Ferrerinha (Sogrape) de nome Quinta da Leda. O meu comentário, que costumo dizer “ainda não bebi um vinho da Sogrape que não fosse bom”, foi este: “foi o melhor vinho da Sogrape que já provei”. Depois disto, vimo-nos compelidos a abrir os cordões à bolsa e comprar uma garrafa do dito Quinta da Leda assim que o vimos no mercado. Este ano duplicámos a dose: comprámos 2 garrafas na Feira de Vinhos da Makro, que decorre ainda até 15 de Novembro. É caro (17 €) mas é um néctar dos deuses.
O ano passado provámos o Dão Quinta dos Carvalhais, Touriga Nacional, também da Sogrape (para variar), e lá tivemos de acrescentar mais um vinho excepcional à nossa lista.
Para os apreciadores de vinho e para os que não são mas querem ser, é um evento a não perder sob pretexto nenhum. Até há uns petiscos para atenuar o efeito da bebida...

Kroniketas, enófilo amador

PS: entretanto convém lembrar que ainda decorre, até domingo, o Festival de Gastronomia de Santarém.

Homenagem singela



As Krónikas Tugas têm o prazer de comunicar ao mundo que o actor José Pedro Gomes foi nomeado Tuga Honorário por este blog.
Bem haja!

Idálio Saroto, provedor deste blog

Serviço cultural

Este domingo as Krónikas Tugas deslocaram-se à Casa do Artista para assistir à peça “Coçar onde é preciso”, interpretada por José Pedro Gomes.
Com a acutilância e o espírito aguçado que o caracteriza e que sempre apreciamos nos Cromos TSF, às 4ªs feiras, José Pedro Gomes faz um retrato cru (ou se calhar cruel) do pior do portuga. Atrevo-me mesmo a dizer que é uma verdadeira krónika tuga.
Recomenda-se vivamente a quem tiver possibilidade de assistir à peça, em Lisboa ou no resto do país quando entrar em digressão. Aprende-se alguma coisa.
Ah, e não tirem fotografias durante o espectáculo. O actor não gosta e acha uma falta de respeito... e com razão.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

PS: Segue-se “O Chato”, no teatro Villaret. Pelo elenco deve valer bem a pena.

A música é sempre um Novo Mundo

A música popular funciona por ciclos, como sabem. Mais do que modas, vagas de fundo que acabam por influenciar todos os tipos de música que se produzem, mesmo a má.
Tive a sorte de já ter assistido ou participado (como ouvinte e nas atitudes) em duas delas (também não sou assim tão velho!):
- a vaga de rock progressivo dos anos 70, que apanhei já em fase descendente - mas como tudo chegava cá sempre atrasado, deu para apanhar o que de melhor se fez nessa altura;
- a revolução punk e as suas reverberações, da qual a primeira foi a New Wave, e que continua a influenciar tudo o que se fez desde 1977 na música popular;
Depois de cada revolução, segue-se a normalização e depois a modorra - quer-me parecer que esta última já durava há anos demais...
Acontece que nos últimos anos, primeiro de forma quase anónima e agora a tomar conta das correntes alternativas, se têm evidenciado um conjunto de grupos, dos dois lados do Atlântico (EUA e Inglaterra, do que é que estavam à espera?), que denotam um manifesto conjunto de características comuns, que não sei explicar por palavras.
É evidente que vão beber as suas influências ao que antes se fez, mas sempre foi assim. Digamos que são bem bebidas.
Se querem encontrar os nomes e conhecer as canções, nada como ir ao Sound+Vision e usarem a informação.
Podia dizer mais coisas, mas estou ocupado a ouvi-los...

tuguinho, cínico auditor

Boca certeira II

Era tão benfiquista, mas tão benfiquista, que só tomava banho no mar... Vermelho!

blogoberto, chico-esperto

Boca fatela I

Era um castelão tão, mas tão melómano, que em vez de um fosso normal o seu castelo tinha um fosso de orquestra...

blogoberto, chico-esperto

domingo, 30 de outubro de 2005

Deve ser das lentes



Anda a parecer-me que a lei que corta a direito nas mordomias da politicada só vai ter efeitos práticos em relação aos netos dos actuais dinossauros...
Nestas alturas lembro-me sempre de Sir Humphrey e da forma como ele solucionava os pequenos problemas da governação do seu ministro. Por que será?

blogoberto, chico-esperto

sábado, 29 de outubro de 2005

A palhaçada da justiça à portuguesa

Esta semana a minha indignação com este triste país em que vivemos atingiu um novo patamar com a ocorrência de dois factos sobrepostos: a greve dos juízes e a anulação das provas contra Fátima Felgueiras pelo Tribunal da Relação de Guimarães. Nada poria mais a ridículo as razões espúrias duma greve injustificável do que, ao mesmo tempo que esta decorria, saber-se que todo o processo do “saco azul” de Felgueiras voltou à estaca zero, por douta decisão dos doutos juízes que em dois dias consecutivos se entretiveram a fazer greve por acharem que ter um mês de férias em vez de dois e um sistema de saúde que todos os funcionários públicos têm lhes tira a independência! Ridículo!
Foram estes mesmos juízes que, do alto da sua independência, da sua inimputabilidade (porque não respondem perante ninguém pelas constantes machadadas que a justiça leva em Portugal, nem pelo atrasos intermináveis na resolução dos processos) e da sua douta sapiência mandaram às malvas todo o trabalho de obtenção de provas que levou Fátima Felgueiras a fugir para o Brasil. Mais uma vez, em lugar de se preocuparem em apurar a verdade dos factos, os juízes deram prevalência às questões processuais que, bem vistas as coisas, servem para anular tudo. Mais importante do que apanhar um criminoso, o que vale é saber como é que ele foi apanhado. Ah, roubou? Matou? Bom, as provas não foram validadas em tempo útil, por isso vai em paz, meu filho. O mesmo tempo útil que eles não usam para resolver os processos, que se arrastam até à prescrição.
De repente lembrei-me do despacho dum juiz que considerou que a ponte de Entre-os-Rios tinha caído por causas naturais! Como se fosse natural uma ponte cair e a sua função não fosse estar lá para se poder atravessar o rio sem cair nele!
Com esta decisão, os senhores juízes mataram, se calhar, a pouca credibilidade que restava à justiça portuguesa e deram uma grande força à actividade dos vigaristas, dos gatunos, de todos os pulhas e chicos-espertos que enxameiam as instituições deste país, de que o mais recente exemplo é o caso das nomeações cruzadas CP-Refer. Como diz Miguel Sousa Tavares no seu artigo do Público desta sexta-feira, “a lição foi esta: o único crime que não se perdoa é a falta de esperteza”.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

O que os outros disseram (VII)

“A convicção mítica de que em campanha Soares arranca e ninguém o agarra tem um desmentido óbvio: quanto mais aparece mais perde votos nas sondagens (quatro pontos percentuais de Setembro para cá). Soares faz um percurso ao contrário. Cada aparição em público confirma o que já se sabia. O que leva muita gente, incluindo altos responsáveis do PS, a colocarem a questão: não seria melhor desistir? Todos aqueles que admiram a personalidade de Soares e que querem o melhor resultado para a esquerda e o PS dirão que sim. Mesmo que alguns ainda não tenham a coragem de dizer o que já começaram a pensar.”

(Eduardo Prado Coelho, “Público”, 28-10-2005)

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

A paciência democrática

Sui generis a declaração de José Sócrates a explicar que o PS vai esperar um ano para propor um novo referendo para a despenalização do aborto, com uma justificação original: devemos ter “paciência democrática”.
Eu acho é que eles têm “cobardia democrática” por não quererem resolver o problema no parlamento. Todo este processo foi uma monumental trapalhada porque:
1 - O PS, em vez de esperar pela melhor altura para propor o referendo (que seria precisamente agora), quis entalá-lo à força no calendário, antes das férias de verão, o que levou o Presidente da República a considerar, e com alguma razão, que não havia tempo nem condições para debater o assunto serena e seriamente. Tivesse sido realizado nessa altura e se calhar voltaríamos a ter os 30% de votantes que houve há 7 anos;
2 - Aquando da realização do anterior referendo, António Guterres e seus pares entregaram-se nas mãos do PSD, a bem dos cozinhados e trocas de favores entre os partidos do bloco central. Quando podia ter mudado a lei logo naquela altura, o PS não quis assumir a responsabilidade de tomar a decisão a seu cargo (se calhar com medo da igreja católica) e conduziu o processo ao desastre.
Agora está na mesma. Mais uma vez parece que quer mas tem medo de enfrentar a situação de frente, por isso refugia-se no referendo e entretanto vai somando revezes que, no fim de contas, só contribuem para uma coisa: a manutenção desta ignomínia que é pôr as mulheres em tribunal depois de passarem pela provação de abortar...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Na minha caixa do correio



Ontem encontrei este papel, sem identificação da origem. Reparem no pormenor.
Pude-se? Que verbo será este? Procurei, procurei, e não encontrei em lado nenhum.
Que bem se escreve na minha terra!

Kroniketas, sempre defensor da língua portuguesa

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Decisão



Hoje não me apetece postar! "Prontos"!*

tuguinho, cínico encartado

* Sim, eu sei que isto nada tem de original, mas por que raio havia de o ser? Ora vão lá prá caminha e bico calado!

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Mais escutas que vão ser dispensadas



tuguinho, cínico complicado

Extractos relevantes das escutas à dona Fátima...

"...oh si! oh si! mi cariño! damelo..."

"...e mais 2 dúzias de carcaças...
...mando-as num saco?
...sim, pode ser daqueles azuis que aí tem."

"Magali, não me faças isso!
...cê num mi cónhéci! éspéra só prá verrr..."

"...cavalo branco para C-5..."

"...e então Jesus disse para Lázaro: Lázaro, levanta-te e anda! E Lázaro levantou-se e..."

"...boa noite, estou a falar da TV Cabo. Queria saber se não estaria interessado...
...aarrrrrrghhhhhh!!!!"

...tudo isto vai para o lixo por decisão do tribunal!
Assim se vê o estado da justica em Portugal!

tuguinho, cínico indignado

domingo, 23 de outubro de 2005

E se isto continua assim...

...ainda vamos ter um tuguinhicídio neste blog!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Por falar em repastos...

Está a decorrer o 25º Festival de Gastronomia em Santarém, na Casa do Campino. Acaba a 6 de Novembro. É uma excelente oportunidade para provar iguarias de todas as regiões do país.
Quem quiser saber mais detalhes pode consultar o endereço http://www.cm-santarem.pt/santarem/NoticiasEventos/Eventos/Gastronomia.htm

Kroniketas, já com água na boca

Declaração

Como o Kroniketas me está a cascar por causa destes posts deprimentes, aqui vai outro do Munch ligado a melhores coisas. Chama-se "The Morning After"...


tuguinho, cínico ameaçado

Bzzzzz....



Estou um bocado afónico da alma. Alguém tem Mebocaína transcendental à mão?

tuguinho, cínico lixado

O que os outros disseram (VI)

“Ninguém quer o aeroporto na Ota: é longe, é caro, é acanhado, tem problemas enormes de construção, não há nada que justifique a sua localização naquele sítio. DESISTAM!!!”

(Francisco Van Zeller, presidente da CIP, “TSF”, 21-10-2005)

A brigada do reumático

Foi o que pareceu o grupo de apoiantes de Mário Soares aquando da apresentação da comissão de candidatura.

blogoberto, chico-esperto

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

...é assim mais como eu me sinto...


...como se estivesse por baixo do rolo compressor...

tuguinho, cínico espalmado

A reserva




Tenho-me mantido um pouco à margem das discussões ocorridas neste blog, constituindo uma espécie de reserva moral da nação. E isto porque nos últimos tempos, ele é borregos, ele é cabritos, ele é lagartos, ele é águias... eu sei lá! Kroniketas, isto está a parecer um jardim zoológico!
Vamos fazer reset e arranjar temas novos como, atrevo-me a sugerir, as gralhas do Código Da Vinci ou a problemática do plantio do ananás, temas aliás bem mais interessantes.
Espero também que a fotografia que utilizei para ilustração deste post não cause qualquer confusão sobre a natureza dos animais representados...

tuguinho, cínico meio afastado

O direito ao contraditório

O Polis&Etc voltou à liça acerca da questão dos caprinos e ovinos, que nos últimos dias tem provocado uma troca de galhardetes entre estes dois blogs, com comentários sucessivos num e noutro.
Ao contrário do que o meu amigo Politiko afirma, o facto de nós benfiquistas termos uma roda de bicicleta no emblema do nosso clube não significa que queiramos ficar sempre com o velocípede. Aliás, já tive oportunidade de, altruisticamente, oferecer desde logo a roda, o quadro e a campainha ao Pólis&etc, para que fique a constar do seu espólio. Simplesmente, quando não estou convencido dos argumentos contrários não abdico dos meus, porque não gosto de passar por parvo, de cair no ridículo nem dar razão a quem não a tem. Não quero ter razão contra as evidências, mas exijo que me mostrem as evidências. Muitas vezes já abdiquei da oportunidade de ganhar apostas quando o meu interlocutor disse “aposto contigo o que tu quiseres”, sabendo eu que ele estava completamente errado. Uma vez até me dei ao trabalho de andar de fita métrica na mão a medir duas salas, para ficar com a certeza de que, ao contrário do que o outro queria apostar, uma não tinha o dobro da área da outra. Quando eu sei que tenho razão, não abro mão dela de forma nenhuma e dá-me, até, um certo gozo ver o engasgo de quem antes teimava no erro, quando este lhe é colocado à frente do nariz.
O que me levou a afirmar “fim de conversa” num dos últimos comentários foi o facto de não estarmos a ter uma conversa, mas uma desconversa, porque o Politiko não retorquiu ao que eu afirmei quando disse ter obtido a informação de que o animal da foto era, efectivamente, um borrego. O Politiko, em vez de ter feito o que fez agora, com um post com princípio, meio e fim e com argumentos fundamentados, enveredou pelo caminho do absurdo, rebatendo o que eu disse duma forma que não cheguei a perceber se pretendia ser irónica, brincar com as palavras, confundir-me ou pôr a ridículo o que eu escrevi, trazendo para a discussão questões completamente descabidas e que nada tinham a ver com o que estava em causa, com comparações despropositadas e insinuações pouco simpáticas em relação às minhas fontes. Dispenso-me de citá-las porque estão nos comentários dos últimos artigos.
No meio de tudo isto, nunca vislumbrei da parte do Pólis&etc a tentativa de demonstrar como e porquê as Krónikas Tugas estavam erradas ao dizerem, após um período de dúvida razoável, que aquela imagem representa um borrego: limitou-se a repetir (e fê-lo mais de uma vez) que nós tínhamos feito o milagre de transformar um cabrito num borrego. Como muito bem refere, a questão suscitou-nos dúvidas. Quer que eu o reconheça? Pronto, está reconhecido (já está, também já tem os pedais do velocípede...). Se há coisa que não tenho é a mania de que sou omnisciente (nem ninguém o faz neste blog). Quando não estou seguro das minhas afirmações tento confirmá-las ou corrigi-las, e quando meto água acho que não me fica mal assumi-lo. Como disse num comentário a um artigo no Polis&Etc, grave não é errar mas persistir no erro, e assumo este princípio como válido para mim próprio (a este propósito, aproveito para lhe oferecer o guiador da bicicleta porque meti água com o “lamb”, e só me apercebi disso tarde demais: de facto “lamb” é para o cordeiro, e a minha confusão veio de associar “sheep” ao carneiro; sim, porque as Krónikas também viram o “Silence of the lambs”, também usam o IMDB como fonte de informação e têm o “The lamb lies down on Broadway”). Daí a minha preocupação – por acaso o blogoberto, autor do post “Borregada”, não está nem para aí virado, deixando para mim as despesas da polémica – em assegurar-me que tipo de animal era aquele, o que motivou sempre a mesma reacção: o ripostar pelo absurdo.
A última resposta mereceu da minha parte um pouco simpático “fim de conversa” porque achei-a tão absurda e sem sentido que cheguei ao limite da paciência para continuar este tipo de desconversa. Quando não encontramos do outro lado argumentos para rebater, não vale a pena continuar. Devo dizer que esperava outro tipo de argumentação da parte do Pólis&etc., porque neste registo eu recuso-me a participar.
Para esclarecer a questão duma vez por todas, ainda fui repescar a fotografia do animal e colocar no post a informação que pude recolher das minhas “fontes” (cujos conhecimentos o Politiko tanto questionou). Não sei se foi este último post ou o “fim de conversa” que motivaram a reacção que eu esperava que tivesse tido 3 dias antes, mas parece que finalmente caiu em si e também foi investigar. Saúdo o facto de ter admitido que a lã que tem nas camisolas é de ovelha (ou borrego, ou cordeiro). Aceito que neste caso até pode haver lugar à “dúvida razoável” mas não aceito que, sem demonstrar o contrário, afirme repetidamente que o erro é nosso. Não se trata, da nossa parte, duma questão de teimosia, mas de rigor: todos os dados apontam para que nós tenhamos razão. Sendo assim, ou deixávamos passar a questão em claro e ficava a pairar a sensação de que somos uns ignorantes, que nem sabemos o que estamos a pôr no blog; ou optávamos pela solução mais trabalhosa, que era demonstrar pelos meios possíveis que a foto correspondia àquilo que pretendia ilustrar. Porque, ao contrário do anunciado-possível-futuro-presidente-da-república, também nós temos dúvidas e nos enganamos, mas gostamos de fazer jus ao nosso lema: “blog de bem saber e mal dizer”.
Dito isto, pela minha parte encerro as “hostilidades” acerca do gado ovino e caprino, fazendo votos para que da próxima vez que falarmos num destes animais seja mais no ambiente ilustrado na 2ª foto do postCaprinos no forno”.

Kroniketas, sempre kontra as tretas e a favor dos caprinos e ovinos no forno

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Alê Cavaco, alê?

Está uma pessoa a assistir ao momento que mantinha todo o país em suspenso (pronto, o homem já falou, já está toda a gente satisfeita), à espera que aquilo acabe depressa para ir jantar, quando o homem desce as escadas em direcção à rua com os jornalistas a rodeá-lo e de repente, lá no alto, levanta-se um par de mãos e sai o grito fulminante: “Alê Cavaco, alê”!
Não acredito! Será que os imbecis das claques já chegaram às candidaturas presidenciais? Por este andar, durante a campanha ainda vamos ouvir cânticos como “Ninguém pára o Cavaco, olé ó”, “Força Cavaco, alê, lá lá lá lá lá”, “Glorioso, Cavaco Silva” ou “Só eu sei porque não fico em casa”.
Por favor, tirem-me deste filme!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

PS: Mas por que raio é que os jornalistas insistiram tanto nas perguntas sobre a dissolução da Assembleia da República? Não há nada mais interessante para perguntar a quem ainda nem sequer foi eleito?

O que os outros não disseram

No Sporting não há eleições: há cooptações.
De facto é um clube diferente.

blogoberto, chico-esperto

Demissões no Sporting

Para fazer a vontade ao Pólis&etc., que pelos vistos já não pode passar sem as nossas reflexões sobre a atribulada existência do leão, queremos dizer aqui que sobre as demissões do treinador, do administrador da SAD e do presidente da leonina agremiação... não temos nada a dizer!!!
Reservamo-nos, contudo, o direito de continuar a observar de fora e de longe (e de cadeirão) os desenvolvimentos que se seguirão, sempre com o sentido crítico aguçado e incisivo que é apanágio das Krónikas Tugas.

Idálio Saroto, provedor do blog

O que os outros disseram (V)

“Qualquer um dos defesas-centrais do Benfica (Luisão, Anderson e Ricardo Rocha) jogava de caras na equipa do Porto.”

(João Ricardo Pateiro, “TSF”, 15-10-2005, após o relato do jogo FC Porto-Benfica)

Seis mil no hospital

Segundo esta notícia, “os abortos realizados em condições de risco são uma das principais causas de morte materna no Mundo. Nos casos não mortais, as consequências são quase sempre danos físicos e psicológicos de extrema gravidade. A conclusão é do relatório anual do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), segundo o qual cerca de 500 mil mulheres perdem anualmente a vida por problemas relacionados com a saúde reprodutiva.”
“Duarte Vilar, director executivo da Associação para o Planeamento da Família (APF), cita os números mais recentes do Ministério da Saúde para dizer que seis mil mulheres são atendidas anualmente nos serviços de saúde pública por complicações com abortos mal realizados. Cerca de mil são consequência de intervenções ilegais.”
Um caso a apreciar pelos auto-denominados “defensores da vida”, que continuam a obstruir a alteração da lei do aborto. Certamente estes casos não os impressionam. Bom, mas mesmo bom, é que depois deste petisco as mulheres vão parar ao tribunal.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Para acabar de vez com a teimosia...



Isto é um borrego da raça Suffolk, originária de Inglaterra. Uma das suas características distintivas são as patas pretas. Quem não estiver de acordo que demonstre o contrário... se conseguir.

Kroniketas

Caprinos no forno





Uma questão suscitada por um dos nossos posts acerca do aspecto destes animais, tão saborosos quando assados no forno (guisados com batatas também vão bem, ou mesmo em costeletas grelhadas), obrigou-nos, aqui nas Krónikas, a uma aturada pesquisa de imagens sobre cabras, bodes, carneiros, ovelhas e respectivas crias.
No meio de tanto animal para abrir o apetite a esta hora da manhã, já estávamos a ficar confusos, mas lá acabámos (pensamos nós) por encontrar um representante daquela que é geralmente a mais apreciada variedade de gado caprino: o cabrito.
Assim, e se as nossas fontes (e os motores de busca) não nos enganaram, eis aqui um apetitoso par de exemplares de cabritos da beira.
E para tornar a coisa mais apetitosa, ainda vos deixamos uma travessa do petisco, com uma garrafa de Dão Grão Vasco no fundo a acompanhar.

Idálio Saroto, provedor do blog

O que os outros disseram (IV)

“O momento do Sporting é muito fomentado pela comunicação social. Não tem nada a ver com as pessoas que fazem a cobertura do trabalho diário do Sporting, mas parte dos resultados são consequência da comunicação social que temos.”

(Dias da Cunha, presidente do Sporting, 17-10-2005)

terça-feira, 18 de outubro de 2005

O que os outros disseram (III)

“O grau zero do futebol foi atingido ontem em Alvalade num jogo entre um Sporting morto e uma Académica a dominar do cadeirão.”

“O Sporting que se viu ontem em Alvalade ultrapassou os limites do admissível. Os jogadores de Peseiro não ganharam uma bola dividida, um pique, não acertaram mais de dois passes seguidos, não se apoiaram... Perante tamanho escândalo, Dias da Cunha só pode fazer uma de três coisas: ou os jogadores estão mesmo de gatas e despede o treinador; ou fizeram greve de zelo para forçar a chicotada e deviam ser eles os despedidos; ou demite-se ele mesmo por ser incapaz de resolver o problema.”

(António Tadeia, “Correio da manhã”, 17-10-2005)

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

O que os outros disseram (II)

“O problema do Sporting não é falta de sorte: é falta de engenho”
“Ao Sporting falta quase tudo”

(Rui Santos, “Tempo extra – SIC Notícias”, 17-10-2005)

Frase do dia:
“Quem é o Adriaanse? Dizem-me: é o treinador que conseguiu ser eliminado pelo Peseiro nas meias-finais da Taça UEFA do ano passado!”

(Leonor Pinhão, “Correio da manhã”, 16-10-2005)

Imbecilidade do dia:
“Neste momento a minha perplexidade é que o jogo já acabou há 20 minutos, ainda não pensei noutra coisa e não consigo arranjar uma boa desculpa. Uma boa desculpa podia ser estar convencido de que o Benfica era uma boa equipa. Não estou. O Benfica é uma equipa vulgar.”

(Manuel Serrão, “Correio da manhã”, 16-10-2005)

PS: se o Benfica é vulgar, o Porto é o quê?