segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Chumbita chumbado



Degradante e vergonhoso o que se passa no Vitória de Setúbal, um dos clubes mais antigos e um histórico do futebol português. Os futebolistas da equipa principal não recebem os ordenados há 3 meses e meio, e desde o princípio da época, em Agosto, só receberam uma vez.
A crise ameaçou rebentar há várias semanas, mas os jogadores têm aguentado a situação com grande coragem, continuando a jogar e mantendo o Vitória numa posição invejável (actualmente 3º classificado no campeonato) e com a melhor defesa da Europa. Só que a paciência tem limites e dois jogadores já rescindiram o contrato com justa causa. Seguiu-se o treinador Norton de Matos, o primeiro a alertar para a situação e que ainda foi acusado de desestabilizador pelo presidente e obrigado a pedir desculpa. Agora, depois de ter mantido uma postura de grande dignidade em todo este processo, bateu com a porta porque “chegou o momento de dizer basta às promessas por cumprir”. Entretanto, pela segunda vez os jogadores ameaçam fazer greve e não comparecer ao próximo jogo com o Benfica, na 4ª feira, o que obrigaria o Vitória a apresentar a equipa B, os juniores ou, mais simplesmente, perder por falta de comparência.
Enquanto isso, o presidente do clube e da SAD, Chumbita Nunes, assobia para o lado, vai para o banco de suplentes fumar cigarrilha durante os jogos e mantém-se refastelado a ganhar os seus 6000 euros por mês. Mas não toma a única decisão decente que poderia tomar, se tivesse um pingo de vergonha na cara: demitir-se. Pelo contrário, ameaça o treinador, diz que este quis demiti-lo e assiste impávido e sereno ao desmoronar duma equipa. Parece Nero a tocar lira enquanto Roma ardia.
Perante a gravidade da situação, fica patente aos adeptos de futebol em Portugal que estamos perante mais um vigarista, um sem-vergonha, um escroque, espécimes em que o nosso futebol é pródigo. Consta que o indivíduo é advogado, pelo que não deve ser falta de lucidez que o impede de perceber que, não sendo parte da solução, é parte do problema. Aliás, ele tornou-se o principal problema, porque não resolve nem passa a pasta a alguém que resolva.
O mais espantoso no meio disto é os sócios e os restantes órgãos sociais terem dado um voto de confiança ao indivíduo. Mas estão à espera de quê para correr com ele? Dum milagre que já se viu que ele não traz? Ou será do Pai Natal?
Por mim, só há uma saída para tentar resolver a crise: é mostrar a porta de saída ao Chumbita. Já o deviam ter chumbado há muito tempo.

Kroniketas, sempre kontra as tretas