domingo, 20 de novembro de 2005

De volta à base




Uivo pelo teletransporte! Scotty, please beam us up and down and everywhere!!
Depois de passar mais de 24 horas enjaulado dentro de aviões em menos de 5 dias, anseio pelo dia em que a ciência finalmente nos apresente uma solução de teletransporte. Era mesmo capaz de fundar uma fundação (olha, um pleonasmo!*) para auxiliar na pesquisa, se fosse rico. Não estou a falar de viajar na 1ª classe, com direito a caminha e espaço para pestanejar, estou a falar da classe "normal" onde vamos entalados numa espécie de cadeira de tortura que se inclina aí uns 5 cm, só para ficarmos cientes da diferença entre o nosso ser e os indivíduos da primeira classe que se podem estirar na horizontal mais legítima.
Já imaginaram ter uma reunião na Austrália e poder vir almoçar a casa? Melhor ainda, já imaginaram ter uma reunião na Inglaterra e poder vir almoçar a casa?
Mas teria de ser um serviço fiável, porque pior do que nos perderem as malas seria perderem-nos os átomos - ou baralharem-nos, o que seria pelo menos tão mau! Imaginem a cena: em vez de um gabinete para reclamação de bagagem transviada haveria uma sala em que faríamos queixa das perdas ou das trocas. "Do que é que se queixa", perguntaria a diligente funcionária; ao que retorquiríamos "dão é ebidante? berderam-be o dariz!", ou "acha que se este par de pernas fosse meu continuaria como caixeiro-viajante?". E a resposta seria invariável: "Deixe-nos os seus dados e assim que os seus orgãos genitais forem encontrados nós levamos a casa. Se não aparecerem, pagaremos o prejuízo em função do peso do que perdeu..." - quantos John Holmes ocultos se revelariam nestas circunstâncias, ahn?
Todos os inconvenientes das actuais viagens seriam eliminados - só os casais em lua de mel, ainda em estupor pós-amarração, e uns quantos saudosistas encarquilhados usariam os antigos transportes. Uma nova era se iniciaria!
É certo que haveria tumultos no início por parte de quem perdesse os empregos e quiçá algumas sabotagens avulsas que fariam alguns globos oculares sairem da órbita e entrarem em órbita**, mas onde estaríamos se se tivesse dado voz aos trabalhadores têxteis quando apareceram os teares mecânicos durante a primeira revolução industrial? (fim do parágrafo de análise sociológica, no seguinte continua a bandalheira)
Acreditem que seria um salto tão grande como passar da carne crua ao tornedó, com a vantagem de não engordar. Em breve as agências de viagem proporiam promoções do estilo: "Volta ao mundo em sete saltos com oferta de lipoaspiração às coxas no 6º salto" ou "Ir e vir às praias do nordeste em menos tempo do que a sua esposa se veste!"; o resto deixo-o à vossa imaginação (sim, eu sei que é limitada, mas que raio, alguma coisa há-de sair!).
Se o leitor nunca sofreu com viagens de avião, que me atire a primeira pedra - mas de bem longe, para não correr o risco de me acertar...

tuguinho, cínico visionário

* Se o leitor olhou para o lado ou para cima e exclamou "onde? onde?", por favor, deixe de ler os meus posts. Assim evitaremos males maiores para qualquer dos lados.

** Se percebeu esta, por favor, peço-lhe, continue a ler os meus posts, e se as suas medidas forem 90-60-90 num corpo do sexo certo (feminino) - assim descartam-se tentativas de travestis brasileiros - pode, além de os ler, enviar o número do telemóvel; fomos feitos um para o outro...