domingo, 27 de novembro de 2005

O milagre da Ota

Ora aqui está uma notícia curiosa:
“Um dos grandes beneficiados com a escolha da Ota para o novo aeroporto é o santuário de Fátima, um dos principais destinos turísticos do País. Já em 1999, o então reitor do santuário, Monsenhor Luciano Guerra, enviou uma carta ao então ministro das Obras Públicas, o socialista João Cravinho, manifestando o apoio da Igreja Católica à construção de um novo aeroporto na Ota.
No documento enviado ao Governo, salientava-se a proximidade do Santuário face à nova infra-estrutura e o facto de Fátima receber, por ano, mais de cem mil peregrinos que se deslocam de avião. A missiva dava como exemplo o santuário de Lourdes, em França, próximo de um aeroporto.”

Realmente, era só o que nos faltava: a Igreja Católica a meter o bedelho na questão do aeroporto. É mesmo do que o país precisa é dum aeroporto ao pé dum santuário por causa dos peregrinos. Então eles não vão a pé, de rastos, de joelhos ou de marcha-atrás? Para que precisam dum aeroporto?
E a que propósito é que o monsenhor não-sei-quantos tem que dar palpites sobre a construção do aeroporto? Apoia? E o que é que o apoio da Igreja Católica é para aqui chamado? Num Estado dito laico, a Igreja não tem que se meter no que não lhe diz respeito, mas infelizmente em Portugal não há assunto nenhum em que não se meta e o poder político fica todo acagaçado. Já opina sobre o preservativo, o aborto e a contracepção, que tanto quanto sei são questões vedadas ao clero, agora ainda vem opinar sobre um aeroporto? Porque é que não se limitam a rezar missas e dar a hóstia às beatas?

Kroniketas, ateu convicto