terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Prova de Vida *


É esta a primeira vez que festejamos mais um aniversário desde a última vez que o fizemos, parafraseando um conhecido e ancestral idiota da nossa política.

Neste tempo prenhe (por descuido no uso de métodos contraceptivos) de acontecimentos a pedirem comentário e crítica, mantemo-nos calados, não por respeito ou opróbrio**, mas simplesmente por preguiça, essa nobre atitude tão incompreendida. Daí continuar este blog em estado latente, que não lactente porque já faz hoje 9 anos!

Assim, na pior das hipóteses, vemo-nos para o ano no mesmo dia, isto se os Maias*** não tiverem razão.

Bem hajam.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

* Tem de ser, porque senão deixam de nos pagar a pensão.

** Podíamos ter escrito "vergonha" ou mesmo "ignomínia", mas decidimos aumentar o léxico do leitor em mais uma palavra.

*** Desambiguação: Maias, o antigo povo centro-americano; não confundir com a conhecida família cigana nem com os Maias do Eça que, no que é do nosso conhecimento, nunca fizeram calendários.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Os chulos da Polícia Municipal

Desde que António Costa é presidente da Câmara temos assistido a uma ofensiva indecente sobre os automobilistas que têm de se deslocar nesta cidade. Essas duas entidades aberrantes chamadas EMEL e Polícia Municipal só existem para fazer caça à multa e perseguir os automobilistas que são tratados como criminosos. Não se pode estar em lado nenhum descansado ser ter o credo na boca com o risco de ver o carro bloqueado se passar 5 minutos da hora do parquímetro ou se o carro estiver num local em que a Polícia Municipal resolva fazer uma razia só porque lhes apetece.


Ainda hoje pelas 9 da manhã a Polícia Municipal estava a bloquear carros estacionados numa rua lateral à 24 de Julho, ao pé do bingo do Atlético, onde não existe mais nada a não ser um passeio meio desfeito e esburacado por onde ninguém circula e onde apenas existe uma rede a cercar um terreno cheio de ervas. Certamente precisam de fazer a receita do dia, portanto nada como começar logo de manhã a lixar os automobilistas que têm de se deslocar para ir trabalhar. Não existe lá nenhum prédio, nenhum sinal de estacionamento proibido, não atrapalha o trânsito. Simplesmente os chulos da polícia não devem ter mais nada de útil para fazer portanto toca de bloquear toda a gente. Sim, porque regular o trânsito em horas de ponta dá muito trabalho, isso eles não fazem.

FILHOS DA PUTA, CHULOS DE MERDA!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O regresso da ideologia pura à economia ou o PREC da direita mirim

Aqui reproduzimos com a devida vénia.

http://educar.wordpress.com/2012/09/09/o-regresso-da-ideologia-pura-a-economia-ou-o-prec-da-direita/

A ideia nem é muito original, pois tal como me ocorreu há algum tempo, ocorreu a outros.

Tal como em 1975 se governou com base quase total na aplicação de uma ideologia, o mesmo se vai passando em 2012.

Desde 1975 que um grupo de pessoas na sociedade e na vida política que navegam entre o PSD e o CDS culpa o PREC pelo que chamam a destruição económica do país, confundindo o seu despojamento pessoal ou familiar com o do país. e há muito acalentavam a ideia do desforço. De responder aos excessos com outros excessos.

Essa tentação é especialmente visível numa geração mais nova, dos filhos dos que nessa altura sofreram na pele os desmandos da Esquerda mais canhota. Que nem sempre viveu com clareza o que se passou (alguns mal eram nascidos ou nem o eram…) mas ouviu falar em coisas terríveis, truncadas em muitos casos, justificadas em outros.

O engenheiro deu-lhes o pretexto ideal para se vingarem sem parecer que o estão a fazer, pois alegam que foi o socialismo (só porque o PS tem socialista no nome) que nos conduziu aqui.

E, usando esse pretexto, praticam um alegado anti-socialismo. Caracterizando instrumentalmente como socialismo a governação do PS de Sócrates, obliteram quem em pouco ela se distinguiu da governação do PSD de Cavaco.

E passam a uma prática que reputam de liberal, mas que não não passa do que da inversão do papel tradicional do Estado na redistribuição da riqueza numa social democracia. em vez de irem buscar aos que mais têm, para ajudar os mais despojados, optaram por ir buscar à maioria (não digo aos 99% mas pelo menos aos 90%) para dar a uma estreita minoria.

Tudo com base numa perigosa mistura de preconceitos pessoais com a adesão quase acrítica a teorias que parecem atractivas por se oporem a.

Se existir o cuidado de traçar o trajecto pessoal e familiar dos ideólogos do actual Governo (a maioria a parasitar na sombra dos testas de ferro) ou dos principais vultos da governação encontramos traços muito comuns acerca do que faziam e onde estavam os seus pais ou parentes mais próximos no 25 de Abril de 1974 (direitos de autor para Baptista Bastos).

Quase todos estavam a fazer coisas ou em locais que foram obrigados a abandonar no ano que se seguiu.

Isto não significa qualquer insinuação de adesão ao Estado Novo, mas sim de desafeição em relação ao que se passou no PREC, do qual a memória traumática lhes foi transmitida até ao momento que pudessem vingar-se, fazendo a contra-revolução social e económica que sentem ter-lhes sido negada desde então.

As medidas de austeridade anunciadas por Passos Coelho na 6ª feira são o passo mais claro nessa direcção de adesão a um modelo sócio-económico revanchista e baseado em teorias fortemente marcadas pelos princípios bushistas do republicanismo americano mais radical: reduzir os encargos com o trabalho para reforço económico do capital. O pretexto é que assim existe maior competitividade por parte das empresas para competirem no mercado global e, ao crescerem, produzirem a médio prazo mais riqueza e emprego.

Isto é assim em alguns livros e países do sueste asiático com um modelo socio-laboral de quase neo-servidão. Ou o modelo da China e da Índia, para citar os chamados emergentes do núcleo BRIC. Em que a expansão económica foi baseada no comércio externo, com exportações a preços hiper-competitivos, graças a uma mão-de-obra paga a valores irrisórios para os padrões ocidentais.

Mas que dificilmente funcionará na Europa, onde o modelo social (mesmo que em crise) não é o da neo-servidão, pelo menos por enquanto. E onde se sabe de há muito que o crescimento só se sustenta com um consumo interno forte e estável. Qualquer mediano estudioso de História Económica sabe isso e não adianta dizermos que o novo mundo da globalização é diferente de tudo o que conhecemos no passado. A aposta nas exportações faz sentido no sentido de uma dinâmica de expansão, mas é demasiado volátil para servir como base para um crescimento sustentado. Há 200 anos ou agora.

Não adianta apostar apenas na maior competitividade no mercado externo, retraindo por completo o consumo interno, pois isso fará muitas empresas falirem, criando mais e mais desemprego, e aumentando a vulnerabilidade á entrada de produtos orientais de largo consumo e baixo preço.

Para além disso, há uma diferença entre os países que cresceram a partir de pontos muito baixos dos custos de trabalho e a tentativa de empobrecer um país para que ele re-arranque com sucesso. Quando isso fosse possível, já a oportunidade teria passado.

Nem vale a pena ir desempoeirar os manuais de macro-economia do Samuelson e outros ou as clássicas histórias dos arranques industriais contemporâneos para perceber isso...

O sucesso está em protagonizar uma verdadeira mudança das práticas, não em replicar o que já não é inovação.

A vingança dos jotinhas

Lá diz o ditado: atrás de mim virá quem de mim bom fará. Para quem tanto se queria ver livre do Sócrates, o resultado da mudança está à vista.

Acredito piamente que a história não acaba assim e que Passos Coelho não baixará os braços enquanto não acabar o trabalho. De facto o trabalho ainda não está concluído, mas para lá caminha rapidamente. Por este andar, Portugal regressará a um nível de vida e desenvolvimento talvez equiparável ao princípio do século XX e voltará a ter uma população maioritariamente miserável e uma classe dominante que tudo devora. Talvez uma réplica da época dos czares da Rússia ou do xerife de Nottingham das histórias de Robin dos Bosques.

Aí, sim, Passos Coelho já poderá ir para casa descansado, porque já terá entregue todo o poder e riqueza aos seus amigos, terá destruído o tecido social e enterrado todas as conquistas do 25 de Abril. Nessa altura o trabalho já estará concluído.

Para combater um Portugal dos czares e um regime de trabalho neo-esclavagista, é preciso uma tomada da Bastilha e umas quantas cabeças cortadas, como na revolução francesa. Se esta corja que nos desgoverna sentisse o cuzinho apertado e se sentisse na iminência de ter que pôr-se em fuga, talvez fosse obrigada a mudar de rumo.

Razão tinha o Otelo Saraiva de Carvalho. O problema foi ter razão antes de tempo...

Portugal está a precisar de outro 25 de Abril mas agora a sério, sem cravos na ponta das espingardas!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Faca na Língua 1- A Dúvida Metódica

Não sei se o leitor também é daqueles que, como eu, acumula revistas e/ou periódicos com a desculpa de que podem conter algo importante e ainda não lido e que seria dilacerante perder esse naco suculento de informação. Como se depreende, eu sou. A acumulação tem um defeito terrível: ocupa muito espaço. Daí que de tempos a tempos seja necessária uma operação de desencarceramento do espaço ocupado por essas revistas e jornais.
E foi numa dessas operações, que “obrigam” sempre ao folhear atento dos espécimes não vá o tal naco informativo fugir-nos, que descobri uma entrevista a Katy Perry com uma pérola escondida, ou melhor, inventada, pelo jornalista/adaptador/tradutor da peça.

Dizia-se então a páginas tantas que os pais da cantora eram “pastores metódicos”, o que me fez entrever duas situações:

Hipótese A: os pais da Katy eram pastores que retiravam as ovelhas da corte sempre segundo critérios precisos, fossem eles a altura, a quantidade de lã ou a média de leite produzida nos últimos quinze dias; que os animais seguiam para a pastagem em fila indiana e lá chegados degustavam a erva tenra por sectores, indicados atempadamente pelos seus metódicos criadores. Até imagino o entusiasmo expectante dos ovinos, à espera do “Bonita, vais pastar no sector C5, ali junto ao sobreiro e tu, Sapuda, ficas com o L3* ali junto ao penedo grande!”
Não será demais imaginar também a ordenha, feita teta a teta da esquerda para a direita, até que o balde se apresentasse cheio em ¾ da sua capacidade… O leitor pode continuar a imaginar…

Hipótese B: o “pastor” que no artigo se refere é de almas e não de ovinos ou caprinos e segue a variante cristã “metódica”, tal como outros são "islamenses", "judeiros" ou mesmo "mormonetanos"! Esta é a hipótese em que tenho de chamar ignorante ao jornalista/adaptador/tradutor do artigo porque, se a dúvida pode ser metódica, “metodist” é sem dúvida alguma “metodista” neste idioma a que se chama português.
Dir-me-ão, “coitado, também não é assim tão relevante, não veio daí nenhum mal ao mundo e etc.”, e eu responderei que, se quiser ser assim ignorante, o seu lugar é numa qualquer “Casa dos Segredos” e não num jornal como o Expresso, na revista do qual encontrei esta pequena pérola.

Como dizia o outro, “I’ll be back!”.

tuguinho, cínico encartado

*not affiliated with Carris