sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Chocante!

1 - Não sei se as palavras chegam para exprimir a raiva, a revolta, a indignação que senti com a notícia de mais uma criança maltratada pelos pais. 7 semanas de vida, 7. Nada, nada mesmo, pode justificar ou explicar, sob qualquer ponto de vista, que se faça isto a um ser que não se pode defender. Um bebé com 7 semanas não fala, não anda, não responde. Apenas, dorme, mama... e chora!
Quem é capaz disto não são pessoas, são monstros, estão abaixo dos irracionais no reino animal. Os irracionais protegem e acarinham as crias.
Por norma costumo ter uma posição crítica e de censura em relação às forças policiais, porque acho que muitas vezes não cumprem a sua missão essencial, que é zelar pela segurança dos cidadãos, e limitam-se a fazer o que é mais fácil que é chatear quem está mais à mão, por pequenas coisas sem importância. Mais ainda quando abusam da sua autoridade impunemente e sem justificação. Mas em casos destes, acho que os que os pais mereciam ser fechados num calabouço da polícia e levar um enxerto de porrada até confessarem o que fizeram. Como aconteceu, ao que parece, com a mãe da Joana no Algarve. A “senhora” apareceu nos jornais com nódoas negras na cara. Bateram-lhe? Se calhar ainda foram poucas! E não me venham com a treta dos direitos dos arguidos, porque aí esquecem-se sempre do mais importante: os direitos das vítimas.

2 - Qual é o papel das comissões de protecção de menores nestes casos? Porque é que de cada vez que aparece uma criança morta ou maltratada, vem sempre a saber-se que uma comissão qualquer fez umas visitas à família e acabou por deixá-la com quem depois se verifica que a maltratou? Fizeram umas visitas e não viram nada de anormal? Então esperavam o quê? Ver os pais a bater-lhe quando eles lá iam?
Será que estas “comissões” são competentes e responsáveis naquilo que fazem? Como é que se justifica que estas situações se repitam sistematicamente? O ministro veio dizer que o sistema neste caso funcionou. Acha? Funcionou depois do bebé estar em coma? E qual é o papel destes avós a quem as crianças são confiadas e que é suposto supervisionarem a situação? Não serão muitas vezes cúmplices, como aconteceu com a criança que apareceu a boiar nas águas do Douro? Ridículas as afirmações do presidente da comissão, de que “nada falhou” e “a coordenação entre o hospital e a CPCJ foi perfeita”! Olha se não fosse!!!
Porque é que, aos primeiros sinais de violência, a criança não é desde logo retirada da alçada dos pais? E porque é que muitas vezes acabam por devolvê-la precisamente àqueles que depois a matam? Os próprios hospitais deveriam desde logo reter uma criança vítima de maus tratos e chamar a polícia. Como é possível que a criança tenha sido hospitalizada 3 vezes e tudo tenha ficado na mesma? Entretanto, ninguém sabia que o pai está referenciado por violência, furtos e abuso sexual de menores?
Em pouco mais de um ano, desapareceu uma criança no Algarve sem que se saiba o que lhe aconteceu; outra apareceu a boiar no rio Douro, com sinais de queimaduras, suspeitando-se que era colocada numa banheira com água a ferver; um miúdo surdo-mudo e amblíope foi morto em casa e violado por um padrasto de 16 anos; uma rapariga morreu em Coimbra depois de andar a saltar de casa em casa, entre a mãe e a avó e uma família adoptiva. Em todos estes casos, o que andaram a fazer os técnicos das comissões? A dormir? Andamos a brincar às famílias?

3 - Como sempre acontece nestas situações dramáticas, há sempre quem se aproveite para lançar a confusão com argumentos retorcidos. Ontem vi no Portugal Diário um comentário acerca desta situação em que uma leitora se insurgia contra o facto de não ser permitida a adopção por casais homossexuais, dizendo que é uma hipocrisia continuar a apostar-se num único tipo de família porque a pedofilia é de pais (heterossexuais) para filhos. Como se isto fosse argumento. Como se o facto de haver heterossexuais que maltratam crianças torne aconselhável entregá-las a homossexuais. À partida não podem maltratá-las porque não as têm, mas o que é que garante que sejam melhores? Se já têm um desvio, quem garante que junto a esse não venham outros? O Bibi, da Casa Pia, é um heterossexual? E um casal homossexual é um bom exemplo para educar uma criança? Com que princípios?

4 - Diz uma das notícias que a mãe é intelectualmente débil. O pai já se viu o que é: violento, ladrão e violador. Tem processos pendentes em tribunal. O bebé já antes apresentava sinais de negligência paterna. Não seria melhor que tivessem abortado? Que direito tem esta gente de pôr uma filha no mundo para a tratar assim, deixando-lhe marcas físicas e psíquicas porventura irreversíveis? É este o “direito à vida” de que falam todos aqueles que impedem que se despenalize o aborto? O que terão a dizer sobre este caso?

Kroniketas, sempre kontra as tretas