terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano novo, vida velha



As Krónikas Tugas e as Krónikas Viníkolas desejam a todos os seus fornecedores, clientes, amigos, leitores, visitantes, comparsas, parceiros, colaboradores e mais todos aqueles que têm pachorra para nos aturar, um bom ano de 2015 (como já se prevê que 2014 vai ser ainda pior do que os anteriores, achámos melhor saltar já um ano...).

tuguinho e Kroniketas, os enófilos bandalhos diletantes preguiçosos

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A pessegada do Natal

O que mais me chateia nesta época do ano é a proliferação, até à náusea, dos votos de boas festas em todo o lado, e principalmente aqueles insuportáveis sininhos que TODAS as estações de rádio e televisão põem em todos os seus anúncios e separadores!

Tomara já que chegue depressa o dia 6 de Janeiro para terminar de vez esta pessegada durante os 11 meses seguintes...

Kroniketas, sempre kontra as tretas e farto do Natal antes de este chegar...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Dez Anos


Uma década se passou desde que este blog foi criado. Embora continue em estado catatónico não está morto, e até pode ser que recupere um destes dias, assim a pancada dos autores lhes dê novamente para escreverem aqui. Nesta altura os vinhos levam a primazia, o Facebook leva o protagonismo e aqui não surge nada de novo, por falta de tempo e da chamada “pachorra”. Mas nunca se sabe!

Entretanto cá vamos dando sinal de vida, que mais não seja com o post de aniversário.

Que venham mais dez anos!

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Execução fiscal a mortos

Não consigo deixar de me surpreender com a incompetência, prepotência e estupidez que grassa pelos serviços de Finanças de Odemira, que para além de notificarem pessoas que faleceram há mais de 30 anos e para uma morada onde nunca viveram, ainda se acham no direito de aplicar execuções fiscais a bens que foram alienados há mais de 40 anos e cujos artigos já nem existem.

Atitudes deste género são típicas de quem acha que pode aterrorizar os contribuintes com ameaças de penhoras e a quem tudo é permitido, porque se acham no direito de esmifrar quem lhes apetece e quando lhes apetece, mesmo que isso resulte do péssimo funcionamento dum serviço que, para além de sugar o dinheiro do Estado, mais não faz que assaltar sem dó nem piedade aqueles que, não tendo meios para se defender, se vêem compelidos a pagar ao fisco despesas que não lhes compete.

Neste particular as finanças de Odemira primam pelo destaque, pois qualquer imbecil que resolva chatear um contribuinte que já morreu, até se dá ao desplante de aplicar uma coima e fazer uma notificação para uma morada que não é nem nunca foi a do falecido. De facto, neste serviço parecem ter-se juntado ao longo dos anos os melhores exemplares da estupidez, da imbecilidade, da incompetência e do total desrespeito pelos cidadãos que nada fizeram para ser esbulhados por este bando de gatunos.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Que reforma do Estado?

Fala-se muito por estes dias na necessidade de proceder a uma “reforma do Estado”, invocando quase sempre como motivo o peso excessivo que os salários da função pública têm na despesa pública, sempre sob a alegação de que existe excesso de funcionários. Os números reais contrariam esta tese, pois quer a nível da população activa quer a nível do peso dos salários em relação ao PIB, Portugal não só não está acima da maioria dos seus parceiros europeus como, pelo contrário, até fica abaixo da média da UE-27, da zona Euro e da OCDE nesses indicadores. Acresce que actualmente Portugal tem ao seu serviço cerca de 575.000 funcionários públicos, o valor mais baixo dos últimos 20 anos...

Que o Estado português é ineficiente, lento, pesado, excessivamente burocrático, e que muitas vezes atrapalha mais o cidadão que deveria servir do que ajuda, e que parece muitas vezes existir apenas para se alimentar a si próprio e continuar a subsistir, é uma realidade que todos, utentes dos serviços públicos, conhecemos por experiência própria, independentemente de trabalharmos no público ou no privado. Trabalhando no público, porém, conseguimos perceber melhor porque é que muitas vezes o aparelho burocrático funciona tão mal, e a razão menor não é, seguramente, esse excesso de burocracia. Quase sempre se complica o que é fácil, em vez de simplificar.

A pretexto do gigantismo do Estado, o governo actualmente em funções encetou uma política de requalificações e rescisões amigáveis que mais não visa, em termos objectivos, que ver-se livre de uns quantos milhares de funcionários para poupar nos salários, mas sem que a essa redução corresponda uma efectiva reestruturação dos serviços, uma racionalização de recursos e muito menos um acréscimo da sua eficiência. Na realidade, até à data não se conhece qualquer estudo que indique quantos e quais funcionários existem a mais e em que serviços é que os mesmos são dispensáveis. Alguns especialistas referem mesmo que se corre o risco de, ao fazer cortes cegos no pessoal, pôr em causa o funcionamento dos próprios serviços ao dispensar funcionários administrativos que, mesmo pouco qualificados, são essenciais. O reverso da medalha poderá ser a necessidade de posteriormente ter de contratar os mesmos serviços externamente e, provavelmente, pagando mais, e dessa forma desmantelando toda a poupança em gastos que era pretendida.

Uma reforma do Estado séria e pensada, se fosse realmente essa a intenção, teria de começar muito a montante, por um estudo e debate aprofundados a nível nacional, envolvendo todas as forças políticas e os cidadãos. Se queremos ter “menos Estado e melhor Estado”, temos de começar por equacionar estas questões:

1. Que tipo de Estado queremos? Quais são as suas atribuições, que serviços deve prestar aos cidadãos, quais são aqueles que deve chamar a si, quais são os que deve delegar aos privados? Funções como a segurança, defesa nacional, justiça, educação, saúde, fornecimento de serviços de abastecimento (águas, gás, electricidade), telecomunicações e transportes, ordenamento e protecção ambiental e territorial, entre muitos outros, quais deve o Estado chamar a si e de quais pode ou deve prescindir?

2. Respondida esta questão, outra resulta directamente dela: quantos e quais ministérios devem existir para dar cumprimento às funções que o Estado se propõe efectuar? Deveria ser definida entre todas as forças políticas uma estrutura de ministérios sólida, coerente e, sobretudo, estável. Não faz qualquer sentido que se esteja constantemente a aumentar e diminuir ministérios ao sabor dos caprichos de cada governo ou de cada governante, ora juntando pastas que não devem estar juntas em mega-ministérios, ora pulverizando atribuições em mini-ministérios cuja existência dificilmente se justifica. Esta constante arbitrariedade na reestruturação ministerial, com as próprias e frequentes mudanças de nomes, logotipos e endereços de correio electrónico, que custos têm em termos de gastos em dinheiro, tempo e eficiência? O Ministério da Agricultura, por dar um dos exemplos mais aberrantes, já foi de “Agricultura e Pescas”, da “Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas”, da “Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território”, e agora é apenas da “Agricultura e do Mar”. As próprias designações são por vezes ridículas. Já existiu um Ministério do Mar, tal como agora o antigo Instituto de Meteorologia passou a Instituto do Mar e da Atmosfera. Que sentido fazem estes nomes e o que se ganha com estes constantes ziguezagues? O mesmo se aplica aos Institutos Públicos e Direcções-Gerais, que mudam de nome para continuarem a ser conhecidos pelos nomes antigos, como aconteceu com o “INA – Instituto Nacional de Administração”, que passou a chamar-se “Direcção-Geral da Qualificação dos Trabalhadores em Funções Públicas – INA”! seria cómico se não fosse trágico...

Deveria haver, aqui sim, um pacto de regime a sério, que definisse qual a estrutura dos ministérios existentes e que não poderia ser alterada num prazo de 20 anos, independentemente das mudanças de governo verificadas, o mesmo acontecendo com as respectivas estruturas dirigentes. Para se obter ganhos de eficiência, os organismos devem continuar a funcionar normalmente sem estarem submetidos aos calendários eleitorais, nem serem objecto duma interminável dança de cadeiras sempre que há mudança de governo.

3. Definida a estrutura ministerial, com as respectivas direcções, institutos e todos os organismos realmente necessários, é chegada a hora de determinar qual a dimensão e a missão de cada um. E só aqui chegados faria sentido pensar com rigor e objectividade em quantas pessoas seriam necessárias para levar a cabo a missão que compete a cada organismo. E aí poderia encontrar-se excesso de funcionários nuns locais mas também escassez de funcionários noutros. Aí, sim, faria todo o sentido uma requalificação de funções, de modo a permitir o aproveitamento de funcionários excedentários num local noutro onde fizessem falta, e não a falsa requalificação que actualmente se pretende, apenas com o objectivo de lhes pagar menos e finalmente despedi-los.

Finalmente poderia chegar-se a um modelo em que estava perfeitamente definido o papel que se pretende do Estado e em que cada posto de trabalho existiria com um objectivo e uma missão. Isto era o que seria uma reforma séria e verdadeira, que permitiria redimensionar o Estado dum modo racional e pensado com lógica. Um governo sério que pretendesse efectivamente reformar o Estado e torná-lo mais leve e mais eficiente teria obrigatoriamente de ir à raiz do problema e começar o debate pelo início. Aquilo que se pretende fazer não passa duma operação de cosmética, de ganhos altamente duvidosos e, possivelmente, com resultados a prazo mais onerosos para as contas públicas.

Publicado em Fórum de Reflexão Económica e Social

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Os reformados da hierarquia do Estado



A Sra. Presidente da Assembleia da República comportou-se de forma mais indigna do que os manifestantes cujo comportamento verberou. A sua frase é indecorosa e vergonhosa, e se alguma coisa precisa de ser revista é quem se põe a dirigir a casa da democracia. Pelos vistos, para a Sra. Presidente a democracia só funciona se for musculada e se o Zé Povinho se limitar a obedecer à lei do chicote e bico calado.

Bem pode vir agora justificar-se com a metáfora: pior a emenda que o soneto. Chamar "carrascos" no sentido em que o fez citando Simone de Beauvoir, que se referia aos nazis, ainda é pior do que se tivesse ficado calada.

Não é só o governo que precisa de demissão: a Sra. Presidente também. Faça um favor aos portugueses e à democracia que supostamente pretende defender e vá gozar a reforma que o Estado Português lhe paga para casa. Quem ofendeu a democracia não foi o povo que exerceu o seu direito de liberdade de expressão, mas sim a Sra. Presidente.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Provar do próprio remédio

Se Cavaco Silva fosse primeiro-ministro e estivesse na oposição, aceitaria a solução proposta pelo Cavaco Silva presidente? É bom que se lembre do que fez quando era primeiro-ministro. Depois da maioria absoluta de 1987, nas eleições de 1991 o então líder do PSD avisou que, se não tivesse novamente maioria absoluta, "assumirá o que é normal: a oposição" - palavras textuais.

Desde que é PR, os seus discursos de Estado são das coisas mais lamentáveis e vergonhosas a que tenho assistido na nossa democracia. O discurso de vitória foi uma vergonha para alguém digno do cargo, coisa que Cavaco não é. Tem mostrado à saciedade que é vingativo, revanchista.

Acho muito bem que o PS não alinhe numa solução de fantochada. Ele que forme um governo de iniciativa presidencial com a maioria existente ou convoque eleições. Pois é, democracia também é isso, ninguém é obrigado a fazer parte duma solução com que não concorda.

Cavaco quis entalar o PS, mas foi o PS que o entalou com a resposta que deu... Quero ver como é que ele vai descalçar esta bota. Que prove do seu próprio remédio a ver se gosta.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Estamos mais pobres

  
Um dos elementos fundadores do núcleo duro daquilo a que chamámos o Grupo gastrónomo-etilista “Os Comensais Dionisíacos” já não está connosco. Mestre Mancha, em cuja casa realizámos inúmeros repastos e incontáveis provas, em que passámos tardes e noites longas a falar de tudo e de nada, de nós e da vida, e também de vinho e comida, partiu sem nos dar tempo para nos despedirmos dele.

Ainda há poucos dias estivemos todos juntos à mesa, a degustar o que ele mais gostava, os tintos clássicos da Bairrada, numa das muitas ocasiões registadas mas ainda não contadas (e ainda há tantas para contar), mas já não poderemos contar com ele para dar a sua opinião sobre aqueles que tínhamos comprado e que ainda estão à espera de ser provados...

Há uma frase feita que diz que ninguém é insubstituível e que os cemitérios estão cheios de insubstituíveis. Mas na verdade ninguém é substituível, porque o lugar que ele ocupava não pode ser ocupado por mais ninguém, e porque quando perdemos um dos nossos perdemos também uma parte de nós próprios.

Neste momento de luto e de pesar, curvamo-nos respeitosamente perante a memória do nosso amigo e fazemos também o nosso luto, interrompendo as publicações neste blog durante a próxima semana.

Resta-nos apenas brindar em sua homenagem... com um tinto velho da Bairrada, naturalmente.

Para ti, Zé, de todos nós.

Os diletantes preguiçosos, tuguinho e Kroniketas, mais o caçador, o pirata, o fotógrafo, o Politikos, o bandeira e o marmelo

PS: Quando nos encontrarmos, tem um copo de Bairrada á nossa espera.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25



Nestes tempos de desânimo e em que o objectivo dos nossos “líderes” é fazer-nos empobrecer, que significado tem comemorarmos mais uma vez a revolução do 25 de Abril?

Será que falhou? Será que falhámos? Podemos não ter chegado onde desejávamos, mas basta comparar as situações política, social e económica no antes e no depois para nos deixarmos de falácias e de invocar dons sebastiões, chamem-se salazar ou outra porcaria qualquer.

Sim, temos um governo que nem sequer possui o pingo de vergonha que ainda restava aos anteriores e um presidente da República mesquinho, que nem para amanuense obscuro devia servir, mas Portugal vai muito para além disso e é muito para além disso. No futuro, assim daqui a umas décadas, ler-se-á certamente Saramago mas poucos saberão quem foi este cavaco.

Costuma dizer-se que os cães ladram mas a caravana passa – deixemos então estes cães sarnentos ladrar e integremos a caravana que passa. E se a caravana não for a ideal, modifiquemo-la, e não liguemos aos cães.
Já dizia o Manuel Alegre:

"Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não."

Haveria muito mais a dizer? Certamente. Fica para outros dias…

tuguinho, cínico adiado