domingo, 1 de agosto de 2010

Isto não é um epitáfio

Ontem foi o funeral de António Feio.
Nestas horas somos sempre levados a relativizar a morte. Que foi para um sítio melhor, que não vai desaparecer porque tudo o que realizou vai ficar entre nós. Mas verdade nua e crua é que nem sabemos se foi para um sítio melhor. A única certeza é que perdemos alguém que, pela sua idade, ainda tinha muito para fazer por aqui e não o vai fazer… e perante isto qualquer discussão ou consideração mais ou menos metafísica perde o sentido.
Por isso estamos tristes. Que raio de treta! (sem conversa)

Os diletantes preguiçosos

domingo, 20 de junho de 2010

Os feriados e os deputados inúteis

O 25 de Abril pode-se festejar a 27, disse o imbecil do Ricardo Rodrigues, aquele troglodita do PS que roubou os gravadores aos jornalistas (cada vez mais o PS parece estar reduzido a um bando de “yes men” e atrasados mentais).

Pois eu digo: VÃO PARA A PUTA QUE OS PARIU! A começar pelo próprio Ricardo Rodrigues e pelas senhoras deputadas que parece não terem nada de útil com que se preocupar. Deve ser a única forma de alguém saber quem são, mas não a ouvi falar contra a ridícula tolerância de ponto concedida por ocasião da visita do Papa. Aí já não fez mal nem prejudicou a produtividade?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 6 de junho de 2010

Palhaçadas, paineleiros e patetices

Finalmente acabou a época futebolística em Portugal e, com ela, um ano penoso de comentários televisivos em diversos canais. Distribuídos pela SIC Notícias, TVI 24 e RTP N, temos três painéis de comentadores afectos aos três maiores clubes portugueses, que têm à sua disposição um veículo privilegiado, ainda por cima pago a bom preço, para despejarem os seus conhecimentos ou a sua ignorância futebolística.

Neste aspecto, o pior cenário é o que se passa na TVI 24, no programa “Prolongamento”, onde estão Pôncio Monteiro (FCP), Fernando Seara (SLB) e Eduardo Barroso (SCP). Desde o primeiro programa que foi para o ar, no início de 2009, ficou patente que, mais que um programa de comentário desportivo, aquilo era um programa cómico. Logo na primeira emissão foram evidentes as palhaçadas de Pôncio Monteiro, que já devia estar sossegado em casa a tratar dos netos em vez de estar a fazer a triste figura que faz na televisão.

Fazendo uso da cassete que todos usam lá no burgo, põe aquele ar alarve enquanto olha para o ar como se fosse sair dali uma grande tirada, e depois lá sai mais uma atoarda contra o Benfica e a dizer que o Porto é o melhor do mundo e arredores, porque ele não dá para mais. Durante a última época repetiu até à náusea a conversa do túnel, à falta de melhor argumento, e entre todas as palhaçadas que fez atingiu o auge a seguir ao Porto-Benfica da penúltima jornada do campeonato (3-1), levantando-se várias vezes e indo para o meio do estúdio para demonstrar um túnel que o Belluschi teria feito ao Aimar na jogada do 3º golo. Um autêntico palhaço.

Do lado oposto ao palhaço temos o cirurgião Eduardo Barroso, homem certamente competente e respeitado no seu meio, mas que se comporta como um verdadeiro tontinho, um indigente, com o comportamento mais primário que se possa imaginar, um verdadeiro pateta. Neste campo consegue ser ainda mais obtuso que o Miguel Sousa Tavares, que ao menos fundamenta aquilo que diz, apresentando um discurso tão primário que até mete dó. Debita banalidades e disparates com o ar mais compenetrado do mundo, convencido que está a prestar um grande serviço ao “seu querido Sporting”, sem ter a menor noção do ridículo em que cai. Passa o tempo a dizer que não percebe nada de futebol e a comparar os seus conhecimentos com os de António Pedro Vasconcelos, a citar o que o filho mais velho lhe diz, e a lembrar à saciedade que é antibenfiquista. Pela indigência das suas intervenções, o seu antibenfiquismo primário deve ser, seguramente, o único motivo por que lá está. Só sabe dizer que o Rui Patrício é o melhor guarda-redes português (vá lá saber-se porquê), a vociferar contra o seleccionador pelos jogadores do Sporting que não convoca, a dizer que se não tivessem perdido os pontos todos que perderam estariam a lutar pelo primeiro lugar e a alimentar patéticas esperanças que os adversários do Benfica o derrotem, o que seria a sua grande alegria da época, aliás a única. Até já confessou que os amigos lhe perguntam porque é que é tão troglodita nos seus comentários e não pode com Rui Santos, porque este fala do que de mal se passa no Sporting, tendo classificado de palhaçada a petição entregue pelo jornalista na Assembleia da República. Se o Porto está representado por um imbecil, o Sporting está representado por um pateta.

No meio destas duas anémonas, um Fernando Seara punhos de renda enrola, enrola, enrola, ameaça falar disto e daquilo mas nunca chega a lado nenhum. Parece aquelas equipas que mastigam o jogo a meio-campo mas nunca conseguem concretizar. Como se não bastasse o azar que lhe caiu na rifa no programa, para onde foi para fugir do insuportável Dias Ferreira, ainda tem o azar de ter uma mulher portista e um filho sportinguista… É muito azar para uma pessoa só.

Na SIC Notícias, em “O dia seguinte”, temos dois dos comentadores mais antigos, José Guilherme Aguiar (FCP) e Dias “cão raivoso” Ferreira, um sportinguista que tem um ódio de morte ao Benfica e que chega a ficar vermelho… de cólera com o seu ódio contra o rival da 2ª circular. Enfurece-se quando falam do Sporting e queixa-se quando não falam do Sporting porque não lhe dão atenção. Tem também um ódio de estimação por Rui Santos, contra quem vocifera quase todas as semanas, mas como todas as pessoas de maus fígados não consegue aguentar a resposta e perde-se em longas diatribes contra o jornalista quando este, no “Tempo extra”, riposta aos seus ataques de fúria. José Guilherme Aguiar, apesar de tudo, ainda é dos mais equilibrados nas suas intervenções, fundamentadas e mesmo assim ponderadas. Comparado com os outros, é um oásis de esclarecimento. Entre estes tubarões, o benfiquista Sílvio Cervan costuma ser mais ou menos cilindrado.

No meio desta tristeza, o painel da RTP N no “Trio de ataque” ainda é o mais equilibrado. Rui Moreira (FCP), António Pedro Vasconcelos (SLB) e Rui Oliveira e Costa (SCP) ainda conseguem falar de futebol e discutir as questões técnico-tácticas do jogo e debater taco-a-taco. Neste painel, António Pedro Vasconcelos é o único benfiquista que leva o trabalho de casa preparado para atirar a munição contra os outros com as mesmas armas, o que às vezes tira do sério Rui Oliveira e Costa, que perde a calma perante a frontalidade do cineasta.

Agora vamos estar livres destes “paineleiros” (como lhes chamou Alfredo Farinha) até à próxima época, mas infelizmente começou um mês de indigência televisiva com reportagens diárias da selecção nacional na África do Sul, com os repórteres a fazerem perguntas imbecis a espectadores imbecis para respostas imbecis, com directos do hotel, do treino, do almoço, da ida à casa de banho ou dos jogadores a coçarem o rabo…

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 30 de maio de 2010

O lado parvo de Miguel Sousa Tavares (2)

Começa a não haver paciência para as crónicas de Miguel Sousa Tavares no jornal “A Bola”. De facto, chega a parecer quase inverosímil como é que um homem com o prestígio que ele tem, um dos comentadores e fazedores de opinião mais proeminentes do país, com lugar garantido como colunista nos jornais mais importantes (Público e Expresso), jornalista e escritor com vários livros publicados, consegue tornar-se tão primário, irracional e obtuso quando toca a futebol (à semelhança do que acontece quando o assunto é tabaco ou caça). Aí, perde a razão e a capacidade de análise e envereda pelo fundamentalismo mais primário que se possa imaginar, conseguindo ver o que não existiu e não vendo o que realmente aconteceu em campo. Aliás, estas crónicas n’A Bola têm sido um manancial para a paródia por parte de Ricardo Araújo Pereira, que anda há meses a compilar todos os dislates dos anti-benfiquistas para depois desmontar com grande eloquência todo o argumentário mais delirante.

Nas últimas jornadas do campeonato, perante a inevitabilidade que se anunciava de o Benfica ser campeão e perante a luta entre Cardozo (SLB) e Falcão (FCP) pelo troféu de melhor goleador do campeonato, MST entreteve-se a descobrir irregularidades nos golos marcados pelo Benfica que só existiram na sua imaginação.

Primeiro foi no jogo na Madeira perante o Nacional (0-1, golo de Cardozo), onde MST descobriu um fora-de-jogo no golo da vitória que, para além dele, só o esclerótico Pôncio Monteiro vislumbrou (dessa anémona falarei em próxima ocasião). As imagens televisivas mostraram bem que o golo foi limpo.

Depois foi no jogo com o Olhanense (5-0, três golos de Cardozo), onde MST mais uma vez vislumbrou um golo de Cardozo em fora-de-jogo que voltou a não existir. Acresce ainda que, no primeiro golo de Cardozo, marcado de penalty por mão de um defesa do Olhanense na grande área, MST conseguiu descobrir que o penalty foi mal marcado quando o defesa tinha os braços abertos, mas já considerou irregular uma hipotética mão de Aimar no 5º golo, em que beneficiou de um ressalto quando a bola foi chutada contra si a um metro de distância e ele tinha os braços encolhidos junto ao peito. Ou seja, na sua análise “sui generis” MST considera irregular uma jogada em que a bola é chutada à queima-roupa contra um jogador que não pode evitar o contacto, mas acha regular uma jogada em que a bola é interceptada pela mão de um jogador que tem os braços abertos…

Finalmente, no jogo da última jornada com o Rio Ave (2-1, dois golos de Cardozo), que foi o da consagração do Benfica como campeão, MST ainda foi mais longe no seu delírio analítico anti-Benfica. Começou a sua crónica com a afirmação espantosa de que Falcão foi o melhor marcador do campeonato mas que lhe roubaram esse troféu! Depois foi desenvolvendo uma narrativa quase digna de Agatha Christie, tão misteriosos são os acontecimentos relatados. Nem Hercule Poirot conseguiria decifrar esta intrincada trama.

Primeiro, na jogada do 1º golo, começou por descobrir, mais uma vez, um fora-de-jogo de Saviola, que fez um primeiro remate que o guarda-redes repeliu para a frente, para mostrar que houve irregularidade. Contudo, esqueceu-se convenientemente duma coisa: a bola chegou aos pés de Saviola vinda dum defesa que tentou aliviar a bola para fora da grande área com o pé esquerdo mas fê-lo tão desastradamente que chutou contra si próprio e a bola ressaltou da sua perna direita na direcção oposta, para a sua própria baliza. Assim a posição de fora-de-jogo deixa de existir, porque a bola vem de um defesa adversário.

Em seguida, quando a bola ressalta do guarda-redes e é amortecida pela coxa de outro defesa, virado para a sua baliza, antes que este tivesse tempo para aliviar a bola Cardozo levantou a perna esquerda e chutou a bola para a baliza, marcando assim o 1º golo. Mais uma vez MST descobre um facto inexistente para provar a sua delirante tese de que Falcão foi privado do troféu de melhor marcador: é que, pelo seu ecrã azul, MST conseguiu ver que não foi Cardozo que marcou o golo, mas sim que este resultou dum pontapé que Cardozo deu na perna do defesa, fazendo este marcar um golo na própria baliza. Ou seja, para MST o golo é 3 vezes falso: porque foi precedido dum fora-de-jogo de Saviola, porque não foi marcado por Cardozo e porque este cometeu uma falta sobre o defesa que supostamente marcou o golo. Aqui chegado, fiquei a pensar se MST estaria lúcido ou a delirar! Chega a parecer que o cérebro lhe congela quando pensa no foculporto!

Perante tamanho arrazoado de disparates, só me resta deixar duas sugestões a MST: não uma vacina contra o anti-benfiquismo, porque essa doença não tem cura e afecta a grande maioria dos adversários do Benfica. Mas sugiro-lhe que, caso não o tenha, compre um gravador de DVD onde possa gravar as imagens dos jogos, passá-las ao ralenti, pará-las nos momentos críticos e ampliá-las para ver melhor; e que, caso também não o tenha, compre um livro com as regras do futebol para ver se consegue aprender o que é o fora-de-jogo e não vir para os jornais inventar irregularidades que não aconteceram, porque só lhe fica mal.

As melhoras, Miguel. Espero que continue a escrever com a qualidade e lucidez que é habitual noutras áreas.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 23 de maio de 2010

Rock in Rio Lisboa 2010 - O regresso do Trovante



Fotos: os primeiros tempos do Trovante com uma formação que durou pouco, entre os álbuns “Baile no bosque” (1981) e “Cais das colinas” (1983): José Martins, Artur Costa, Fernando Júdice, Luís Represas, Manuel Faria, João Gil e João Nuno Represas. Falta o baterista José Salgueiro (2ª foto), que entrou depois da saída de João Nuno Represas.
3ª foto: capa do álbum "Terra firme" (1987), com a formação mais estável e que mais tempo se manteve: Manuel Faria, José Martins, João Gil, Fernando Júdice, Artur Costa, José Salgueiro e Luís Represas. José Martins esteve quase até ao fim mas já não participou no último álbum, "Um destes dias" (1990).


Podem chamar-me saudosista. O Trovante (como eles gostam de ser chamados, e não “os” Trovante) foi um dos grupos mais importantes da música portuguesa nas duas últimas décadas do século 20, com grande influência na chamada música popular (não confundir com música pimba, que não é popular mas popularucha). Ao mesmo nível de importância só coloco o Rui Veloso.
Fundados em 1976 por um grupo de amigos em Sagres (Artur Costa, João Gil, Manuel Faria e os irmãos João Nuno e Luís Represas), terminaram a carreira como grupo em 1991, só voltando a reunir-se em 1999 no Pavilhão Atlântico a convite do Presidente Jorge Sampaio. Nós estivemos lá e foi um momento único, com o pavilhão a abarrotar e o público a sair no fim do concerto entoando em coro o “Perdidamente”!
Agora, nos 25 anos do Rock in Rio, nova reunião para gáudio dos fãs, onde desta vez não estive com muita pena. Limitei-me a ver pela televisão alguns momentos musicais sublimes dos oito grandes músicos que, em diversos momentos de entradas e saídas, foram fazendo a história da banda:

1. Luís Represas – voz e bandolim
2. João Gil – guitarras e voz
3. Manuel Faria – piano e sintetizador
4. Artur Costa – flauta e saxofone
(o núcleo duro, que esteve no grupo do princípio ao fim)
5. João Nuno Represas – percussão
(os cinco fundadores)
6. Fernando Júdice – baixo
7. José Martins – bateria, percussão e sintetizadores
8. José Salgueiro – bateria e percussão

Para quem não conheceu, ou não se lembra, aqui fica o registo dos álbuns de originais editados:

1. Chão nosso – 1977 (músicos: 1, 2, 3, 4, 5)
2. Em nome da vida – 1978 (músicos: 1, 2, 3, 4, 5)
3. Baile no bosque – 1981 (músicos: 1, 2, 3, 4, 5)
4. Cais das colinas – 1983 (músicos: 1, 2, 3, 4, 6, 7)
5. 84 – 1984 (músicos: 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8)
6. Sepes – 1986 (músicos: 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8)
7. Terra firme – 1987 (músicos: 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8)
8. Um destes dias – 1990 (músicos: 1, 2, 3, 4, 6, 8)

No final da carreira, em 1991, foi editada a colectânea “Saudades do futuro - O melhor dos Trovante que reúne ” em duplo CD os grandes e mais emblemáticos temas da banda.
Após o final do grupo os seus elementos seguiram diversos caminhos, destacando-se a carreira a solo do cantor Luís Represas, que no entanto nunca mais conseguiu ter canções tão belas como no Trovante, porque o compositor da maioria dos temas era… João Gil, enquanto Represas era mais escritor de letras que de músicas.
João Gil, por sua vez, enveredou por diversos projectos em grupo como Moby Dick, Filarmónica Gil, Rio Grande (com Rui Veloso, Jorge Palma, Vitorino e Tim dos Xutos e pontapés), Cabeças no ar (os mesmos menos Vitorino) e aquele onde fez mais sucesso e onde finalmente sobressaiu o papel como compositor que no Trovante sempre passou despercebido: Ala dos Namorados, com o piansita Manuel Paulo e o cantor Nuno Guerreiro. Foram os tempos gloriosos da relação de Gil com Caratina Furtado, que fez a letra da famosa canção “Solta-se o beijo”, magistralmente interpretada por Sara Taveres em dueto com Nuno Guerreiro.
Fernando Júdice transitou para os Madredeus, de Teresa Salgueiro e Pedro Ayres Magalhães, com passagem também pelo grupo de guitarras Resistência, com Olavo Bilac, Miguel Ângelo, Tim e Pedro Ayres Magalhães.
Os restantes músicos dividiram-se por projectos diversos em colaboração e produção, como Manuel Faria, enquanto José Salgueiro fez uma incursão pelo jazz.

Na noite do Rock in Rio, tal como em 1999, voltaram a juntar-se os 8 músicos que nunca estiveram juntos no Trovante ao mesmo tempo, mais um grupo de metais com 4 elementos, para tocarem estes temas:

Xácara das bruxas dançando (álbum: 84)
Namoro II (álbum: Sepes)
Travessa do poço dos negros (álbum: 84)
Comboio (álbum: Cais da colinas)
Noite de verão (álbum: Terra firme)
Memórias de um beijo (álbum: Terra firme)
Um caso mais (álbum: Terra firme)
Perdidamente (álbum: Terra firme)
Balada das sete saias (álbum: Baile no bosque)
Fizeram os dias assim (álbum: Sepes)
Saudade (álbum: Cais das colinas)
125 azul (álbum: Terra firme)
Timor (álbum: Um destes dias)

Infelizmente desta vez não estive lá, mas se houver outra reunião daqui a 10 anos não vou faltar.

Kroniketas

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O ataque dos porcos - parte 4: os relatos do terror

F.C. Porto-Benfica: o filme de longas horas de tensão

Clássico foi marcado por apedrejamentos, cargas policiais e detenções

O jogo entre o F.C. Porto e o Benfica viveu de uma tensão enorme dentro e fora do relvado. Uma tensão alimentada numa rivalidade que conduziu, por exemplo, ao apedrejamento dos autocarros oficiais. O autocarro do Benfica foi apedrejado à chegada ao Dragão, o F.C. Porto diz que lhe aconteceu o mesmo em Granja.
Os apedrejamentos começaram, de resto, por ser negados pelas Relações Públicas da Polícia de Segurança Pública, mas acabaram depois por ser reconhecidos. O que levou João Gabriel, director de comunicação do Benfica, a criticar o Subcomissário Marco Almeida e a exigir responsabilização «pela infeliz declaração».
O autocarro do Benfica foi apedrejado já no acesso ao Dragão, acabando os ferimentos por atingir Aimar na cara e Kardec na mão. Não foi essa a razão, porém, que levou Jesus a deixar o argentino no banco, como admitiu. O F.C. Porto diz que um adepto do Benfica estilhaçou um vidro do autocarro oficial na zona da Granja.
Antes da chegada dos autocarros, já tinha havido incidentes na chegada dos adeptos do Benfica. As claques viajaram para o Porto de comboio e foram escoltadas pela polícia no trajecto a pé da Estação de Campanha para o Dragão. Os adeptos do F.C. Porto pensaram esperar por eles já muito perto do estádio.
Ora a presença de cerca de duas mil pessoas nas imediações do caminho levou as forças de segurança a disparar tiros de aviso e a distribuir bastonadas para limpar a zona. Houve pedras pelo ar e cabeças partidas. Um adepto foi detido, depois de tentar esconder-se no acesso às garagens, e ainda reagiu com agressões a um polícia.
Muitos petardos, bolas de golfe e até telemóveis no relvado
Durante o jogo manteve-se o clima de guerrilha: rebentaram petardos, foram lançados foguetes para o relvado (alguns rebentaram muito perto de Quim), atirou-se com tudo para o terreno de jogo, isqueiros, bolas de golfe, até telemóveis. Luisão reagiu e lançou um isqueiro contra os adeptos portistas: arrisca-se a um castigo por isso.
Também a claque do Benfica, aliás, lançou foguetes e petardos. Um deles foi dirigido para a bancada de adeptos portistas logo ao lado, o que provocou a raiva de quem lá estava. Algumas dezenas de pessoas, que não estavam ali para morrer, abandonaram o estádio logo que o petardo rebentou naquela zona.
Antes disso já tinha havido uma carga policial sobre os adeptos encarnados, o que levou um deles a ser retirado da zona pelos bombeiros. O clássico teve ainda agressões a um carro da comunicação social e a um jornalista na bancada de imprensa, prontamente sanada com a retira do responsável da bancada.
Refira-se, por fim, que o autocarro do Benfica abandonou o Estádio do Dragão cerca de hora e meia após o final da partida. No exterior do recinto havia nessa altura bem menos adeptos. Escoltadas pelas forças de segurança, a comitiva encarnada seguiu para o aeroporto, de onde apanhou um avião para Lisboa.

(Mais futebol)

Jorge Jesus desentende-se com funcionário do F.C. Porto

Treinador do Benfica chegou à sala de imprensa acompanhado pela polícia

A saída de Jorge Jesus da sala de imprensa do Dragão foi atribulada. Tudo começou com palavras de desafio à passagem do técnico: «toma», «embrulha» e «vão lá para Lisboa», ouviu-se da parte de um funcionário do F.C. Porto. Jorge Jesus já tinha passado a porta de saída, quando deu dois passos atrás.
Foi então que agarrou o funcionário pelo braço com agressividade: «Por que é você está aqui a provocar as pessoas?», questionou. O desentendimento durou apenas alguns segundos, o tempo necessário para o director de comunicação João Gabriel puxar o treinador para longe daquela zona.
Refira-se, de resto, que Jorge Jesus fez o trajecto até à sala de imprensa, e o caminho inverso, escoltado por dois agentes da Polícia de Segurança Pública, que acompanharam o técnico o tempo todo e ficaram à sua espera no exterior da sala de imprensa. Um sinal também da tensão que se viveu no Estádio do Dragão.

(Mais futebol)

Um clássico insuportável

Um jogo que custou a ver

O jogo foi tão insuportável como era de prever.

Ele já nasceu insuportável, de resto, tão rasteiro foi o ambiente criado em redor da partida. Um ambiente que resulta da doentia rivalidade que benfiquistas e portistas têm construído nas últimas décadas.

Uma rivalidade que se tem feito muito mais de declarações de dirigentes, de processos judiciais e desportivos, de livros e de amizades/inimizades do que propriamente de jogos de futebol inesquecíveis.

Foi doloroso ver o autocarro de uma equipa ser atingido durante dois dias, como se se deslocasse para território inimigo. Foi doloroso ver centenas de polícias suar para manter à distância milhares de adeptos dos dois clubes. Foi, enfim, doloroso assistir a um jogo sempre envolto numa tensão inexplicável.

O futebol não é nada disto. Ainda bem que acabou o clássico. Não deixará saudades.

(Luís Sobral, Maisfutebol)

domingo, 2 de maio de 2010

O ataque dos porcos - parte 3

O nojo continuou no estádio do Ladrão. Bolas de golfe e paus foram sistematicamente atirados para dentro do campo, junto à baliza onde estava o guarda-redes Quim e na saída dos jogadores do Benfica para o balneário ao intervalo. E como sempre, até a polícia do Porto faz vista grossa.
Como de costume, nenhum dirigente porquista veio lamentar o sucedido, e como de costume vai passar tudo impune, tal como aconteceu em 1991 quando os dirigentes do Benfica Jorge de Brito e Fezas Vital tiveram que sair do estádio escondidos numa ambulância e após a queixa do Benfica ao Ministério da Administração Interna o processo foi oportunamente arquivado pelo conivente ministro Dias Loureiro.
Para voltarmos a esses tempos só faltou, esta noite, outro guarda Abel.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

O ataque dos porcos - parte 2

Agora foi à chegada ao Estádio do Ladrão que o autocarro do Benfica foi atacado com pedras e bolas de golfe, provocando ferimentos na cara de dois jogadores com estilhaços de vidro.
Que gentinha nojenta!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Os porcos, os vermes e os sabujos


Os porcos do clube dos corruptos do norte, como se esperava já espalharam a porcaria de que são feitos à chegada do autocarro do Benfica a Vila Nova de Gaia. Depois de terem vandalizado quatro casas do Benfica na região, o autocarro não escapou do ataque, nem sequer os batedores da polícia.
Daquele clubezeco de merda já se sabe que não se pode esperar nada de bom, uma vez que é constituído na sua maioria por vermes, mafiosos e marginais. Espero que os benfiquistas não respondam a provocações fora do campo e dêem a devida resposta dentro do campo.
Claro que não podiam faltar os jornalistas sabujos a ir logo entrevistar esse malfeitor encartado que dá pelo nome de Fernando Madureira, líder desse gang de terroristas chamados super dragões. Sempre muito veneranda e obrigada para com os esbirros do papa, a comunicação social sempre que pode presta vassalagem ao mafioso-mor, não vão precisar de algum favorzinho.
Enfim, tudo na mesma como nos últimos 25 anos. Esta noite os jogadores do Benfica deviam entrar em campo vestidos com armadura.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 16 de abril de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

sábado, 27 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Regresso do Trio Maravilha!

O entusiasmo grassa no bairro quando se sabe que Torcato e Marcelino vão voltar às lides...





por Eládio Cardíaco, BD-Maníaco

domingo, 24 de janeiro de 2010

O regresso do verme


Não há ninguém que lhe dê um tiro nos cornos?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Acordo ortográfico - a discórdia acesa

O blog “Pérola de cultura” relança o desafio sobre o acordo ortográfico e pede opiniões. Já tivemos oportunidade de escrever sobre o assunto aqui nas KT, e aproveito este tema para manter alguma actividade antes que isto feche por completo.
Eu estou em desacordo com o acordo e recuso-me a subscrever qualquer das alterações feitas, por várias ordens de razões:
1 – Isto não é um acordo de unificação, é uma capitulação total perante os brasileiros. Alguém sabe de alguma palavra que os brasileiros passem a escrever como nós?
2 – A língua não é estática e evolui, até aí estamos todos de acordo. Mas uma coisa é evoluir naturalmente, por assimilação de novos termos que são incorporados pelo uso (o que acontece muito com as novas tecnologias, em que o “clique” do rato já é usado com naturalidade porque se vulgarizou na informática), ou por um aportuguesamento da grafia de certos estrangeirismos (não me choca que o abat-jour passe a abajur); outra coisa é meter alterações a martelo porque um grupo de sábios, do alto da sua sapiência resolveu que “facto” é igual a “fato” e que “acto” é igual a “ato”, ao mesmo tempo que considera que “bué” já faz parte da língua. Olha, merda também e não a encontro no meu dicionário.
3 – Por muitas unificações que queiram fazer, o que nos separa do brasileiro não é a grafia, é a semântica, porque um eléctrico (ou elétrico) nunca será um bonde e um autocarro nunca será um ónibus. E é um facto que eu às vezes vou trabalhar de fato.
4 – O argumento do número de falantes não colhe. A Inglaterra também tem menos falantes que os EUA e (como disse o professor de inglês) não consta que tenha acordo algum com os americanos. E ninguém deixa de perceber que “colour” é igual a “color” e que “centre” é igual a “center”, e que se pronunciam da mesma forma. E o inglês é só a língua mais espalhada pelo mundo.
5 – Quanto às consoantes mudas, aí até sou capaz de compreender, porque apesar da sua função de abrir a vogal seguinte, a pronúncia não terá grande tendência a alterar-se. Essa ainda será a mudança que menos me incomoda, apesar de tornar difícil distinguir um “corrector” ortográfico dum “corretor” da bolsa de valores. O que já não faz sentido é uma série de alterações que, longe de trazerem algum ganho, só vêm lançar a confusão, nomeadamente ao nível dos hífenes. Qual é a vantagem de transformar mini-saia em minissaia? E director-geral em director geral? Isto é que é o caos, porque há hífenes que desaparecem e as palavras separam-se, enquanto noutros casos dobram a vogal.
6 – Mas a grande aberração ainda vem a seguir: é que ao admitir a escrita de acordo com a pronúncia entra-se no domínio do vale tudo. Se cada um escreve como fala, então tudo é legítimo, até um portuense escrever que “eu beijo o cu daquela baca” enquanto um lisboeta escreve “eu vejo o cu daquela vaca”! Pior que isso, com a obsessão de fazer cair consoantes mudas, a “uniformização” cria situações de dupla grafia quando antes e grafia era igual. Como os brasileiros lêem o “c” de “perspectiva” ficam com ele. Como os portugueses não o lêem o “c” cai, e assim se tornou diferente o que antes era igual.
A verdade é que perante este forrobodó, eu cada vez sei escrever pior em vez de melhor, porque já não se sabe quais são as regras. E para terminar, ainda não consegui perceber que benefícios efecitvos é que advêm para Portugal deste malfadado acordo. Se alguém beneficia, era bom que se soubesse. Parece que o único é o de uns senhores muito importantes e muito inteligentes ficarem babados a admirar o brilhante trabalho que produziram mas que ninguém lhes pediu.

Kroniketas