quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Louvada seja a ERC!



Ao que parece já evoluímos um pouco desde o risível episódio do filme “Pato com Laranja”!
A ERC decidiu, por unanimidade, não dar razão aos 122 cidadãos vigilantes da boa moral, dos bons costumes e da heresia abjecta que fizeram queixa por se sentirem melindrados pela exibição do sketch “Louvado sejas ó Magalhães” no programa “Zé Carlos”.
Fico agora à espera das 122 queixas contra o sketch do “Chato e o Padre” (aqui e aqui), do programa “Contemporâneos”, bem mais engraçado e acutilante que o dos Gatos.
Isto se, entretanto, não falecer nenhum dos 122...

tuguinho, cínico encartado (regressado à pregação nesta freguesia)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mais do mesmo

Esta noite a “grande equipa” do Benfica deu mais uma “alegria” aos benfiquistas. Isto mostra bem o declínio dum clube. Antes as nossas derrotas europeias em casa antes eram com o Liverpool, o Manchester, o Ajax, o Bayern, o Roma, a Fiorentina. Agora são com esses colossos como o Dínamo de Bucareste, o Paok, o Shaktar, o Metalist, o Galatasaray, o Villareal, o Getafe. Já não há cão nem gato da 3ª divisão europeia que não nos venha cá ganhar com a maior limpeza. Este ano foram 2 derrotas em casa em 3 jogos, na época passada mais 2 derrotas em casa.
Agora querem fazer um empréstimo obrigacionista, mas antes diziam que a não ida à Champions não era problema para as finanças e até deram prémios de resultados aos administradores. É brilhante, não é? E depois a culpa é da Lusa porque deu a notícia nesses termos: que deram prémios aos administradores apesar do 4º lugar. Este Benfica não tem remédio com este tipo de política.
Agora a única coisa que nos pode salvar a época é ganhar os 5 jogos antes da ida ao dragão, para chegar lá à frente deles e, eventualmente, aproveitar alguma escorregadela para aumentar o avanço, senão chegamos lá e levamos uma ripada e adeus campeonato.

Kroniketas, benfiquista cansado de tretas

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Uma mão cheia



Foi há 5 anos que nos lançámos nesta aventura de escrever num blog. Como em todos os novos amores, começámos cheios de força e entusiasmo, e os textos proliferavam a um ritmo frenético. Por vezes publicávamos vários posts por dia, e o dia-a-dia deste rectângulo tuga, principalmente nas suas vertentes mais… tugas, era alvo frequente de crítica.

O frenesim e a inspiração eram tantos que, para além dos dois escribas que começaram, outros se foram juntando ao leque à medida que começavam a surgir temas com alguma especificidade que passaram a ser objecto de tratamento por escribas... especializados!

O leque de assuntos foi sendo alargado até chegar à vertente gastronómica e vínica. Começámos a escrever algumas sugestões sobre vinhos, a falar sobre aqueles que íamos bebendo e gostando e a certa altura surgiu a ideia (quiçá peregrina, quiçá oportuna) de abrir uma nova secção no blog que se dedicasse especificamente a essa vertente, pois já começavam a aparecer posts em número suficiente para serem publicados autonomamente.

E foi assim que no dia do segundo aniversário das Krónikas Tugas abrimos um blog temático chamado Krónikas Vinícolas. Inicialmente com pouco destaque, quando começou a ser visitado por outros bloguistas dedicados ao mesmo tema (e depois de ter sido referenciado na Revista de Vinhos de Junho de 2006) e quando começámos a interagir com esses mesmos blogs, as visitas dispararam a tal ponto que a certa altura as KV passaram a ter o dobro da audiência diária das KT, não tardando que o blog-filho ultrapassasse o blog-pai em número total de visitas.

Como resultado desta maior atenção dada às Krónikas Vinícolas, as Krónikas Tugas foram ficando um pouco à parte e enquanto aquele crescia este definhava. Os posts foram rareando a partir de certa altura e quando o tuguinho resolveu virar a sua atenção para outras actividades mais artísticas fiquei praticamente sozinho com os dois blogs a meu exclusivo cargo. Se manter um com regularidade já é difícil, manter dois ainda é pior. Neste momento faço o que posso por manter este blog vivo mas só conto comigo: os últimos posts do tuguinho em ambos os blogs datam de Maio deste ano! (Olá! Eu sou o tuguinho! Apesar de tudo ainda ando por aqui.)

No dia do 5º aniversário, a continuidade das Krónikas Tugas é uma incógnita. Já pensei em fechar (fecharmos!) para balanço. Um blog não se pode manter vivo apenas com um post por mês. A verdade é que tudo tem a sua época e a inspiração e o entusiasmo para escrever já não são as mesmas. Quando a escrita deixa de ser um prazer e passa a ser uma obrigação, então é porque o projecto chegou ao fim.
Não quero decretar (ainda) (decretarmos!) o fim das Krónikas Tugas, mas não garanto a sua continuidade por tempo indefinido, nem sei em que moldes. Cinco anos já fazem uma boa história e durante este tempo vimos aparecer e desaparecer outros blogs que não se aguentaram, tivemos algumas polémicas e alguns desafios interessantes que ajudaram a dinamizar este blog. Chegámos a ter 51 posts num mês e 350 num ano; neste momento vamos em 67 em 2008, e só em Janeiro e Março tivemos mais de 10 posts. Em consequência, no último ano a curva de visitas tem sido sempre em descida. Em contrapartida, as Krónikas Vinícolas estão bem e recomendam-se, atingindo novos máximos de visitas com alguma frequência: o mês de Novembro de 2008 teve o máximo do último ano.

Como disse o outro (ou quase), vou (vamos!) estar por aqui e vou (vamos!) andar por aí... até ver.

Kroniketas, ainda e sempre kontra as tretas (e tuguinho, escondidito mas vivinho!)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Um Benfica em grande

Costuma-se dizer que em futebol as verdades duram uma semana, ou o tempo que medeia entre um jogo e o jogo seguinte.
Em semana e meia, o Benfica passou de uma derrota por 5-1 em Atenas a uma vitória por 6-0 no Funchal. A dúvida que me fica é sempre a mesma: porque é que eles não jogam sempre assim? A resposta entronca no post abaixo: por falta de cultura de exigência. Tanto podem fazer uma grande exibição como logo a seguir andar a arrastar-se pelo campo.
Agora que, ao fim de 3 anos, voltámos ao primeiro lugar do campeonato, mantém-se a dúvida sobre o que irão eles fazer no próximo jogo. Como benfiquista, “só” peço que se mantenham assim durante mais 19 jogos…

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 7 de dezembro de 2008

O que os outros disseram (XLV)

(A propósito da avaliação dos professores): “E pergunto eu: quando é que há avaliação para os políticos? Porque as eleições são uma avaliação viciada à partida – só nos dão a escolher entre «maus» e «piores»!...”
(José Pedro Gomes, actor, jornal “Sexta”, 21-11-2008)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Um Benfica da treta


Esta equipa do Benfica é sempre a mesma miséria. Como é que isto pode ser sempre tão previsível? Há quanto tempo é que o Benfica só joga metade do jogo? Este é um filme já visto vezes demais e sempre com o mesmo final. SERÁ QUE NÃO HÁ NINGUÉM QUE PONHA MÃO NISTO?
Um dos problemas do Benfica é o nível de exigência, próximo do zero. Pagam-se ordenados milionários a pseudo-craques que nada produzem, a não ser espectáculos deprimentes e frustrações para os adeptos. Continuamos com a mania que somos os maiores do mundo e arredores, mas quando é preciso prová-lo no local próprio (dentro do campo) o que se vê é nada. Basta-nos continuar embalados na lenga-lenga das "equipas-maravilha" e do "maior clube do mundo" e de mais uma série de tretas que só servem para enganar os incautos.
Mas a mim já deixaram de me enganar há muito tempo, por isso é que este ano deixei o meu lugar cativo no estádio e não ponho lá os pés. Para ver isto e chatear-me a 6 graus de temperatura, chateio-me em casa, no quentinho. E francamente, já estou com a paciência tão esgotada que nem sei se valerá a pena continuar a ver os jogos do Benfica mesmo pela televisão. ESTOU FARTO!!!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 29 de novembro de 2008


Começou hoje e vai decorrer até ao dia 5 de Dezembro em várias localidades do distrito de Beja (Aljustrel, Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Odemira, Ourique e Serpa), onde diversos restaurantes apresentam pratos alusivos ao tema, à volta de perdiz, lebre, coelho, veado e javali.
No Portal do caçador podem ver mais detalhes e consultar a lista de restaurantes participantes e respectivas ementas. É de fazer crescer água na boca.

Kroniketas, caçador só no prato

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Um bando de facínoras no meu clube


11,5 quilos de haxixe, 115 gramas de cocaína, 70 gramas de ecstasy e 187 gramas de liamba, três armas, munições de vários calibres, quatro soqueiras, cinco embalagens de gás de defesa (spray), três bestas, três armas eléctricas, quatro bastões extensíveis, seis tacos de basebol, nove tochas, cinco potes de fumo e um very-light.
Foram também apreendidas seis viaturas e cerca de 15.300 euros em dinheiro. Segundo a polícia, «os suspeitos dedicavam-se ao tráfico de produto estupefaciente como forma de financiamento da claque».
17 de Fevereiro de 2008 - roubo, dano e ofensas corporais no Montijo.
25 de Fevereiro de 2008 - ofensas corporais qualificadas a adepto de outra claque.
7 de Abril de 2008 - incêndio em instalações da claque «Juve Leo» de apoio ao Sporting Clube de Portugal, no complexo desportivo deste Clube.
12 de Abril de 2008 - agressão a um jornalista nas imediações do Centro de Estágios do Benfica, no Seixal.
21 de Junho de 2008 - incêndio provocado num autocarro usado por adeptos da claque Super Dragões, afecta ao Futebol Clube do Porto.
21 de Junho de 2008 - agressão e injúrias a Agentes de Autoridade junto ao Estádio da Luz, com utilização de material pirotécnico.
21 de Junho de 2008 - roubo e agressões a adeptos do Futebol Clube do Porto, na estação de serviço de Alcochete, na Ponte Vasco da Gama.
30 de Agosto de 2008 - tentativa de agressão a Agentes de Autoridade com utilização de garrafas e pedras.
31 de Agosto de 2008 - ofensas à integridade física qualificadas e danos praticados contra adeptos do Futebol Clube do Porto e respectivas viaturas, com recurso a uma tocha incendiária que foi lançada para o interior da viatura de uma vítima, tendo esta sido impedida de sair da mesma por acção dos suspeitos.


É este o curriculum da claque No Name Boys, suposta apoiante do Benfica. Os dados indicados acima respeitam às apreensões feitas pela PSP e aos actos imputados a elementos daquela claque. Perante isto, dizer-se que estamos perante um grupo de apoiantes dum clube é um eufemismo, porque na realidade eles são um bando de facínoras e malfeitores.
Este panorama é extensível a outras claques de outros clubes, o que só reforça a ideia que tenho acerca desta gente: são os marginais da sociedade que deviam ser definitivamente banidos dos campos de futebol. São autênticos selvagens à solta, cujo lugar não é num estádio de futebol mas numa jaula para feras.
Entretanto, o fala-barato do presidente do meu clube, sempre tão pronto a dizer baboseiras quando lhe põem um microfone à frente, está calado que nem um rato. Não tem nada a dizer desta vez, sr. Presidente Vieira?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 16 de novembro de 2008

A morte de James Bond

E ao 22º filme da série, os produtores “mataram” o agente secreto 007. A morte já tinha estado iminente (não confundir com eminente) no filme anterior, Casino Royale, que marcou a estreia de Daniel Craig na pele do agente do MI6 com ordem para matar, bem como no último filme protagonizado por Pierce Brosnan.
Para mim, que me ufano de ter visto todos os filmes da série por mais de uma vez (e alguns mais de 10 vezes) e que tenho todos em DVD, os dois filmes anteriores já prenunciavam uma viragem significativa no perfil da personagem e não foram inteiramente do meu agrado, mas agora, depois de ter visto “Quantum of solace” (já o raio do título não lembra a ninguém), posso dizer que pela primeira vez saí do cinema e não gostei do filme.
Não sei o que é que os produtores pretendem, mas contaram-me que passou na Sic uma entrevista de Mário Augusto ao realizador deste filme e ele referiu que tentaram dar uma volta completa à personalidade de James Bond: torná-lo mais humano, sensível, sofredor, com as mesmas dúvidas e os mesmos sentimentos de qualquer outro mortal. Pois se o querem tornar um comum mortal, estão a matá-lo.
Ao “humanizar” Bond estão a tirar toda a essência que construiu a personagem ao longo de mais de 40 anos e a torná-lo igual a qualquer outro herói de qualquer outro filme de acção e aventuras. Podia lá estar o Tom Cruise, o Mel Gibson, o Harrison Ford a fazer de Indiana Jones ou Jack Ryan, que não se notaria grande diferença. Se querem tornar Bond um comum mortal, então chamem-lhe outra coisa qualquer que ninguém notará. Tudo aquilo que foi construído por Sean Connery e Roger Moore na interpretação deste papel está a ser completamente deitado ao lixo. Para mim, Bond é o herói que nunca se despenteia mesmo quando luta, que tem sempre uma tirada irónica mesmo nos momentos de mais aperto e que sai sempre ileso das situações mais complicadas, quase sempre com a ajuda dos indispensáveis “gadgets” do insubstituível Q. Pois neste filme até o Q desapareceu.
Segundo Daniel Craig, neste filme os “gadgets” não apareceram porque queriam principalmente contar uma história. Pois é, mas o que é que a história tem a ver com um filme de James Bond? Praticamente nada.
Quanto a mim, se continuam por este caminho vão acabar rapidamente com o sucesso dos filmes. O que estão a fazer de 007 é a antítese daquilo que lhe deu o sucesso, porque se todos os filmes tivessem sido como este certamente a série não teria o sucesso que teve até hoje. Tal como na “Guerra das estrelas” ninguém espera que os cavaleiros Jedi lutem com metralhadoras, não é suposto que o agente secreto ao serviço de Sua Majestade seja torturado, sangre abundantemente ou seja trocado por um bandido. Pois foi um pouco de tudo isto que aconteceu nos últimos três filmes. Se continuam por este caminho, o herói invencível vai morrer, não no ecrã, mas fora dele.
E depois... este inexplicável título! Olhando para trás, todos faziam algum sentido e podiam ser traduzidos. Senão vejamos:

Dr. No (Agente Secreto 007)
From Russia with love (007 Ordem para matar)
Goldfinger (007 contra Goldfinger)
Thunderball (007 Operação relâmpago)
You only live twice (007 Só se vive duas vezes)
On her Majesty’s secret service (007 Ao serviço de Sua Majestade)
Diamonds are forever (007 Os diamantes são eternos)
Live and let die (007 Vive e deixa morrer)
The man with the golden gun (007 E o homem da pistola dourada)
The spy who loved me (007 O agente irresistível)
Moonraker (007 Uma aventura no espaço)
For your eyes only (007 Missão ultra-secreta)
Octopussy (007 Operação tentáculo)
A view to a kill (007 Alvo em movimento)
The living daylights (007 Risco imediato)
Licence to kill (007 Licença para matar)
Goldeneye (007 Goldeneye)
Tomorrow never dies (007 O amanhã nunca morre)
The world is not enough (007 O mundo não chega)
Die another day (007 Morre noutro dia)
Casino Royale (007 Casino Royale)
Quantum of solace - ????


O que raio é o “quantum of solace”?

Kroniketas, bondmaníaco desiludido

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Richard Wright


O mês passado fui surpreendido com a notícia de que o teclista e fundador dos Pink Floyd tinha morrido aos 65 anos após uma breve luta contra o cancro. Caiu assim por terra, definitivamente, a ténue esperança que os fãs dos Pink Floyd ainda alimentavam de ver os quatro membros do grupo voltarem a juntar-se depois daquela breve aparição em palco no Live 8.

Richard Wright terá sido, porventura, o menos valorizado dos músicos do grupo. Com o brilhantismo de David Gilmour nas guitarras e o protagonismo de Roger Waters na composição a partir de certa altura, com ambos a repartirem a parte vocal, sabendo-se que a figura do baterista (Nick Mason) nunca é posta em causa, sobrava o teclista de que ninguém falava. O seu papel sempre foi mais discreto e na sombra, dedicado sobretudo à composição e aos arranjos. Wright teve uma acção preponderante nos arranjos de “Dark side of the moon” e marcou indelevelmente a sonoridade de “Wish you were here” e “Animals”. Um dos temas míticos dos Pink Floyd, “Shine on you crazy diamond”, que abre e fecha “Wish you were here”, tem a suportá-lo, por trás duma das melhores peças de guitarra do grupo, os teclados de Wright a dar ao tema o enchimento que lhe confere uma atmosfera quase cósmica. Em “Dark side of the moon” é da sua autoria um dos temas mais badalados do grupo, “The Great gig in the sky” onde a fabulosa voz de Clare Torry acompanha o piano de Wright.

Quando Roger Waters começou a assumir um protagonismo crescente e a querer dirigir o grupo segundo a sua vontade, Richard Wright foi uma das vítimas. Nas gravações de “The wall” e na digressão que se lhe seguiu, Wright participou não como membro do grupo mas como… empregado, porque Waters o tinha despedido. A sua saída foi inevitável e já no sucessor “The final cut”, o ponto máximo das paranóias de Waters que foi uma espécie de refugo do “The wall”, Richard Wright não participou e nota-se a sua falta na sonoridade do disco. Há ali um vazio que só Wright parecia saber preencher. Foi o fim dos Pink Floyd como os conhecíamos, e acabou por ser o fim de Waters no grupo em conflito com os restantes, tentando inclusive impedir que estes continuassem a usar o nome do grupo, o que resultou num processo judicial. Felizmente Roger Waters perdeu, porque o grupo não era ele.

O ano passado foi editado um DVD de David Gilmour em concerto onde contava com a presença de Richard Wright nos teclados. Era, portanto, uma espécie de metade dos Pink Floyd, o que sempre é melhor que nada. Mas não chega. Cerca de um quarto de século depois da saída de Roger Waters ainda havia quem esperasse que os quatro se voltassem a juntar em concerto para matar saudades aos fãs. Com a morte de Richard Wright ficaram sepultadas, também, todas as possibilidades de isso acontecer. Por culpa, essencialmente, de Waters.

Shame on you, Roger.

Kroniketas, floydista militante

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A música está mais pobre



Richard William Wright
(28/7/1943 - 15/9/2008)
Fundador e teclista dos Pink Floyd


Kroniketas, floydista militante

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Um mar... de gente


Uma tarde de Agosto na Praia da Rocha.

Kroniketas a banhos

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Por falar em turismo à portuguesa

Aqui há tempos passei na Herdade dos Grous, ao pé de Albernoa, um dos nomes em destaque no panorama de vinhos do Alentejo.
Fui lá só para ver como era. Pedi uma lista de preços dos alojamentos e deram-me uma… em alemão!
Eu quero aplaudir!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 9 de agosto de 2008

“Guilho” shrimps


Esta imagem está à porta de um restaurante em Alvor. Reparem bem no pormenor do “guilho” shrimps. Presume-se que são camarões à “Guilho”. O que eu não sei é que raio é o “guilho”, e presumo que os estrangeiros que passarem também não fazem ideia.
Isto mostra o rigor com que certas coisas são tratadas em Portugal, e no turismo é o que se sabe. O que eles querem dizer, mas na sua infinita ignorância nem imaginam, é que isto tudo começou com camarões “al ajillo”, ou seja, ao alhinho ou coisa que o valha. Mas como ninguém faz a mínima ideia daquilo que está a fazer, vai de começar a escrever que os camarões “al ajillo” são “à la guilho”, seja lá isso o que for.
Então sai esta maravilhosa tradução para inglês ver: temos os famosos “guilho” shrimps.
Como diria o Jô Soares, eu quero aplaudir.

Kroniketas a banhos

sábado, 2 de agosto de 2008

O que os outros disseram (XLIV)

“80% das famílias ciganas recebem o Rendimento de Reinserção Social, vivem em casas cedidas pelas autarquias com rendas simbólicas, que muitas vezes nem sequer pagam, como se viu na Quinta da Fonte, dispõem de escola grátis para os filhos e assistência médica. Isto é o que a comunidade lhes dá. E o que dão eles em troca? Nada: não trabalham, não pagam impostos, não cumpram as leis do Estado que os acolhe. Reclamam-se uma diferença sociocultural que os exime de responsabilidades semelhantes às de quaisquer cidadãos, mas estão sempre na primeira linha a exigir tudo e mais alguma coisa a que se acham com direito.”
(Miguel Sousa Tavares, “Expresso”, 2-8-2008)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Benfica - realidade ou ficção?

Escreve o Luso no blog Pontapé na atmosfera acerca do plantel benfiquista para a nova época e termina com uma pergunta: realidade ou ficção?
A minha resposta é esta: toda a estrutura do futebol do Benfica é uma ficção. Época após época, descarrega-se no estádio da Luz mais um contentor de jogadores. Depois da tragédia da época passada, este ano é mais do mesmo. Com tanto "reforço" já devíamos ser a melhor equipa da galáxia... e arredores, pois todos os dias mais alguém vem "reforçar" o plantel. Expectativas, já não as tenho, a não ser talvez conseguir ir à Taça Intertoto. Por isso em boa hora resolvi poupar os 160 € que me custaria a renovação do lugar cativo para ver espectáculos deprimentes. As grandes apostas nos talentos emergentes há um ano (Freddy Adu, Fábio Coentrão) agora transformaram-se em empréstimos provavelmente para nunca mais voltar. O que se pode dizer para já desta nova era com Rui Costa ao comando do futebol encarnado é que mudaram as moscas mas a merda é a mesma. A começar pela cadeira presidencial.
Vou mas é para a praia e não quero pensar mais nisto até começarmos a perder os jogos a sério do início do campeonato. Oxalá eu me engane e esteja a ser demasiado pessimista nesta altura, mas palpita-me que à 4ª jornada já vamos estar a uns 6 ou 8 pontos de distância do primeiro lugar.
É esperar para ver.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Obrigado, JVP

João Vieira Pinto, o “menino de oiro”, como foi chamado, pôs fim à carreira de futebolista. É mais um da “geração dourada” do futebol português que pendura as botas. Agora só resta mesmo o Figo e o Fernando Couto.
Como benfiquista não quero deixar de agradecer a João Pinto tudo o que deu ao Benfica nos oito anos em que lá esteve, antes de ser vergonhosamente escorraçado para fora do clube por um vigarista e gatuno que em má hora os benfiquistas elegeram como presidente do Benfica e que mesmo passados oito anos de ter sido corrido pelos mesmos sócios ainda está a contas com a justiça.
João Pinto escreveu de águia ao peito algumas das páginas mais brilhantes da sua longa carreira e da história do clube. Enquanto teve companheiros à altura das toneladas de talento espalhou o perfume do seu futebol pelos campos do país arrastando consigo a equipa para alguns (infelizmente poucos) feitos que na altura não pareciam possíveis. Na memória de todos os adeptos ficará para sempre a inesquecível exibição no estádio de Alvalade (onde depois ainda viria a brilhar com a camisola do Sporting) que ajudou o Benfica a demolir o Sporting com uns inimagináveis 6-3, com ele a colaborar com os 3 primeiros golos só à sua conta ainda na primeira parte do jogo. Uma página de glória que marcaria o início da crise do clube que o levou a ao mais longo jejum de títulos da sua história.
Quando no final dessa época de 1993/94 o presidente Manuel Damásio despediu o treinador campeão Toni e foi buscar Artur Jorge ninguém imaginaria as consequências trágicas para o clube que a entrada do “rei Artur” teria. Com a conivência do presidente, Artur Jorge reduziu a pó em poucos meses uma equipa campeã nacional e décadas de mística e mentalidade vitoriosa. Se um furacão tivesse passado pelo estádio da Luz os estragos não teriam sido maiores. Mais de 10 anos passados o clube ainda não se recompôs do trabalho de demolição que Artur Jorge (talvez a mando do seu amigo Pinto da Costa) tão minuciosamente executou.
Durante os 6 anos seguintes a 1994 João Pinto ficou a pregar no deserto, tão medíocre era qualidade da equipa montada por Artur Jorge. Até à sua incompreensível saída em 2000 João Pinto carregou a equipa às costas ano após ano, ainda por cima com a responsabilidade acrescida de usar a braçadeira de capitão. Foi um esforço inglório porque andou todo aquele tempo muito mal acompanhado. Mas ninguém poderá apagar a carreira que o “menino de oiro” fez com a camisola encarnada vestida, entrando para a galeria dos 20 jogadores com mais golos marcados e dos 25 com mais jogos realizados (mais de 300).
Por tudo isto, obrigado João Pinto. A nação benfiquista não te esquecerá.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 27 de julho de 2008

Paraísos prostituídos

Mais um artigo notável de Miguel Sousa Tavares no Expresso desta semana. Com a devida vénia deixamos aqui a transcrição do mesmo.

“A primeira vez que passei uns dias de Verão em Porto Covo, ainda o Rui Veloso não tinha imortalizado a aldeia e a sua ilha do Pessegueiro, pouco mais havia do que aquela simpática praceta central, de onde irradiavam três ou quatro ruas para baixo, em direcção ao mar, e duas ou três para os lados. Tinha nascido uma pequena urbanização de casas de piso térreo, uma das quais me foi emprestada por um amigo para lá passar uns quinze dias. Havia a praia em frente, magnífica, e a angustiante dúvida de escolher, entre três restaurantes, em qual deles se iria comer peixe, ao jantar.
Nos dois anos seguintes, arrastado pela paixão pela caça submarina, aluguei uma parte de casa em Vila Nova de Milfontes, com casa de banho autónoma e duche no pátio interior, ao ar livre. Instalei-me com o meu material de mergulho e um pequeno barco de borracha, no qual ia naufragando quando o motor pifou e comecei a ser arrastado pela corrente do rio Mira em direcção aos vagalhões à saída da baía. Mas não era o sítio adequado para caça submarina e rapidamente troquei a incerteza da minha destreza pelo esplendor de uma tasquinha branca, de quatro mesas apenas, onde escolhia de manhã o peixe que iria comer à noite. Foram dias de deslumbramento, naquela que eu achava ser provavelmente a mais bonita terra do litoral português.
Mas foi Lagos, claro, a primordial e mais duradoura das minhas paixões. Tudo o que eu possa escrever sobre a fantástica beleza da cidade caiada de branco, com ruas habitadas por burros e polvos secando ao sol pregados aos muros, uma gente feita de dignidade e delicadeza, praias como nenhumas outras em lado algum do mundo, a terra vermelha, pintada de figueiras e alfarrobeiras, prolongando-se até às falésias que ficavam douradas ao pôr-do-sol, enquanto as traineiras passavam ao largo em direcção aos seus campos de pesca nocturnos, tudo isso parece hoje demasiadamente belo para que alguém possa simplesmente acreditar. Se eu contasse, diriam que menti - e eu próprio, olhando hoje Lagos, também acho que seguramente foi mentira.
A partir de Lagos, fui descobrindo todo o barlavento algarvio, cuja luz é tão suave que parece suspensa, como se não fizesse parte do próprio ar. Descobri a solidão agreste de Sagres, onde se ia aos percebes ou apenas olhar o mar do Cabo de S. Vicente, na fortaleza, que era rude como o vento e o mar de Sagres, e hoje é uma casamata de betão que, ao que parece, se destina a homenagear a moderna arquitectura portuguesa. Descobri o charme antiquado da Praia da Rocha, onde se ia à noite ver as meninas de Portimão, ou o «souk» em cascata de Albufeira, onde se ia ver as inglesas e dançar no Sete e Meio. E descobri outras terras de pescadores e veraneantes, como Armação de Pêra ou Carvoeiro, praias de areia grossa e mar transparente como eu gosto, cigarras gritando de calor nas arribas, polvos tentando amedrontar-me quando os olhava debaixo de água.
Não vale a pena contar. Quem teve a sorte de viver, sabe do que falo; quem não viveu, não consegue sequer imaginar. Porque esse Sul que chegava a parecer irreal de tão belo, esse litoral alentejano e algarvio, não é hoje mais do que uma paisagem vergonhosamente prostituída. Sim, sim, eu sei: o desenvolvimento, o turismo, a balança comercial, os legítimos anseios das populações locais, essa extraordinária conquista de Abril que é o poder local. Eu sei, escusam de me dizer outra vez, porque eu já conheço de cor todas as razões e justificações. Não impede: prostituíram tudo, sacrificaram tudo ao dinheiro, à ganância e à construção civil. E não era preciso tanto nem tão horrível.
Podiam, de facto, ter escolhido ter menos turistas em vez de quererem albergar todos os selvagens da Europa, que nem sequer justificam em receitas os danos que em seu nome foram causados. Podiam ter construído com regras e planeamento e um mínimo de bom gosto. Podiam ter percebido que a qualidade de vida e a beleza daquelas terras garantiam trezentos anos de prosperidade, em vez de trinta de lucros a qualquer preço.
E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta ‘escultura’ do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como “preservação do ambiente” e “crescimento sustentado” e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.
Eu sei que não serve de nada. Ando a escrever isto há trinta anos, em batalhas sucessivamente perdidas - ontem por uma praia, hoje por um rio, amanhã por uma lagoa. E lembro-me sempre da frase recente de um autarca algarvio contemplando a beleza ainda preservada da Ria de Alvor e sonhando com a sua urbanização: “A natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca!”. Está tudo dito e não adiante dizer mais nada.
Acordo às oito da manhã destas férias algarvias, longamente suspiradas, com o ruído de chapas onduladas desabando, martelos industriais batendo no betão e um pequeno exército de romenos e ucranianos construindo mais um projecto PIN numa paisagem outrora oficialmente protegida. “É o progresso!”, suspiro para mim mesmo, tentando em vão voltar a adormecer. Sim, o progresso cresce por todos os lados, sem tempo a perder, sem lugar para hesitações, como um susto. Tenho saudades, sim, dos sustos que os polvos me pregavam no silêncio do fundo do mar. E tenho saudades de muitas outras coisas, como o polvo do mar. Sim, eu sei: estou a ficar velho.”


E eu passo férias em Portimão há quase 40 anos e da ano para ano aquela cidade fica mais irreconhecível e mais insuportável. O que fizeram ali e na outrora belíssima Praia da Rocha, ainda hoje a minha praia preferida no Algarve, é um crime pelo qual alguém (ou muitos alguéns) devia ser preso!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 21 de julho de 2008

De luto pela língua portuguesa

Hoje é um dia triste para a língua portuguesa. O Presidente da República promulgou o malfadado Acordo Ortográfico que assassina a essência da língua e lança o caos nas regras que andamos a aprender há décadas. Simplesmente porque agora deixa de haver regras, é o vale tudo. Não há acentos, não há hífenes, não há “H”, e ainda há o pequeno pormenor de cada um poder escrever como fala.
Há algumas semanas José Pedro Gomes perguntava num artigo de jornal se vamos conseguir impingir aos brasileiros o “treuze”, a “runião” e o “pugrama”. Porque com este acordo eles é que nos vão impingir todas as tropelias que fazem à língua. Aliás, não sei mesmo se a partir de agora ainda valerá a pena ter um dicionário à mão porque os erros ortográficos praticamente vão deixar de existir. Que sorte para os alunos e para os que legendam os filmes e as notícias nos rodapés dos telejornais...
Por mim vou continuar a distinguir “fato” de “facto”, “ato” de “acto”, “pato” de “pacto”, “ora” de “hora”. E “homem”, passará a ser “omem”??? “Humano” passará a “umano”? Mas o “bonde” não passará a ser “eléctrico” (ou “elétrico”) e um “ónibus” não será um “autocarro”. Porque estas diferenças não há (ou “á”?) acordo que resolva.
Perdoai-lhes, senhor, porque eles não sabem o que fazem.

Kroniketas, sempre kontra as tretas e contra o acordo ortográfico

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tentámo-zo demover

Com a pré-época futebolística a começar vive-se agora o folclore das contratações em catadupa anunciadas diariamente nos jornais, a maioria das quais acabam em nada. Para o Benfica já foi anunciada para aí uma dezena de jogadores que não vieram, tal como aconteceu com o treinador após a saída de Camacho. Mas para começar já levámos um murro, ao deixar sair para o Porto o uruguaio Rodriguez, um dos melhores jogadores no desastre que foi a época passada, cuja situação se deixou arrastar até este desfecho.
Não pude estar na assembleia-geral do Benfica da passada semana mas li nos jornais que acabou de forma tumultuosa, com o presidente Luís Filipe Vieira a ser vaiado e escoltado pela polícia. Devo dizer que não me surpreende o sucedido porque tem havido um acumular de erros de gestão que se metem pelos olhos dentro e cada vez são mais as vozes contestatárias ao presidente que foi eleito com mais de 90% dos votos em 2003. As sucessivas asneiras, acrescidas de um discurso errático e demagógico, estão a fazer perder a paciência aos benfiquistas. E agora que a época futebolística terminou com um balanço quase trágico, Luís Filipe Vieira, sempre tão pressuroso a sacudir a água do capote enquanto ataca os críticos perante as câmaras da televisão, não foi capaz de enfrentar os benfiquistas no local próprio e responder às questões com que foi confrontado. O seu estado de graça acabou e a sua posição é cada vez mais frágil perante a massa associativa, e a saída do treinador Camacho pode ter anunciado o princípio do seu fim.
Visto agora à distância e já com mais frieza, o processo que culminou na saída de José António Camacho do Benfica suscitou-me algumas reflexões acerca do que se tem passado no meu clube.

1 - O momento escolhido por Camacho para sair pode não ter sido inocente. Ao bater com a porta com a equipa ainda no 2º lugar do campeonato mas em plano inclinado, afundando-se de jogo para jogo, e antes do 2º jogo com o Getafe para a Taça Uefa, Camacho parece ter-se preocupado sobretudo em salvar a pele. Evitou ser eliminado (quiçá humilhado) no seu próprio país por uma equipa quase desconhecida, o que prejudicaria a sua imagem, e assim pode sempre invocar a seu favor que deixou a equipa “ainda” no 2º lugar e “ainda” a lutar na Europa. Todas as perdas subsequentes não lhe poderão assim ser imputadas directamente, mas a verdade é que o desastre final era apenas uma questão de tempo. Assim, Camacho saltou do barco a tempo de salvar a pele antes de este se afundar.

2 - Ao sair pelo seu próprio pé, Camacho foi amigo do presidente. Evitou ao Benfica o gasto da indemnização (que seria a segunda na mesma época, depois da rocambolesca saída de Fernando Santos à 1ª jornada) e evitou que, numa fase mais adiantada da época, a situação chagasse a um ponto de tal forma insustentável que obrigasse o presidente a despedi-lo e porventura arrastasse o próprio presidente na enxurrada. Mas como se vê agora, Vieira não passou incólume pela tempestade.

3 - Em todo este processo, o menos inocente é o próprio Luís Filipe Vieira. Foi ele o responsável pela contratação de Fernando Santos (um claro erro de “casting”, apesar do seu apregoado benfiquismo que ele se apressou a renegar quando foi para o Porto em 1999 e voltou a renegar na hora da saída), pela sua manutenção no início da época passada, depois duma época anterior sem qualquer sucesso, e pelo seu imediato despedimento logo após o começo do último campeonato. Se o treinador não servia, não devia ter começado a época. Se servia para começar, não devia sair após um jogo. Assim, construiu-se um plantel à volta dos planos dum treinador para depois ser orientado por outro treinador. Isto faz algum sentido?

4 - Da mesma forma, foi Vieira que recuperou o amigo Camacho, que era tido entre uma facção dos benfiquistas (nunca foi o meu caso) como uma espécie de salvador da pátria. O tempo e os factos encarregaram-se de demonstrar que os regressos raramente são bem sucedidos, porque o tempo não volta para trás e não se pode repetir a história. Na sua anterior passagem pelo clube, em que ganhou uma Taça de Portugal contra o Porto de Mourinho, Camacho nunca mostrou ser um treinador capaz de virar um jogo a partir do banco, não ter soluções alternativas para lançar durante o jogo, uma espécie de “plano B” para a equipa (não sei porquê, mas parece-me que já disse isto em relação a Scolari...). Se não o tinha antes, não seria agora que o teria, e foi isso que voltou a acontecer. Só que à segunda vez o discurso da garra e de “muchas ganas” não foi suficiente para pôr a equipa a praticar um futebol minimamente aceitável. E com uma equipa que foi das que pior jogaram em Portugal na época passada (até o último classificado União de Leiria foi à Luz jogar melhor que o Benfica), só o querer e a garra podem chegar para ir ganhando alguns jogos aqui e ali à beira do fim, mas não resultam sempre, e quando se pede algum conteúdo àquele futebol (isto é, quando se joga contra equipas de alguma qualidade) o fracasso é inevitável. E quando é o próprio treinador a dizer que não sabe as causas para tanta mediocridade e a pior época de sempre em casa, nem consegue encontrar solução para o problema, então o próprio treinador torna-se parte do problema. Logo, só resta uma saída, que é a sua própria saída. E de quem é a culpa, em última análise? Do presidente que o foi buscar.

5 - Quando Luís Filipe Vieira disse que foi apanhado de surpresa com a demissão de Camacho e que “tentámo-zo” demover da sua decisão, só uma de duas coisas podem ser verdade: ou estava a dourar a pílula para parecer que estava muito solidário com o treinador, ou então estava muito distraído e foi o único a ser apanhado de surpresa. A saída de Camacho era apenas uma questão de tempo e só pecou por tardia.

6 - De repente, Luís Filipe Vieira descobriu que era preciso ter alguém a fazer a ponte entra a equipa técnica e a direcção. Vai daí, foi buscar Rui Águas à prospecção e promoveu-o a uma espécie de “José Veiga com funções mitigadas”. Foi buscar Shéu e de secretário-técnico promoveu-o a treinador-adjunto de Chalana. Ou seja, já com mais de metade da época decorrida promoveu uma mini-revolução na estrutura da equipa de futebol. Pergunta-se: se aquela estrutura era necessária, porque é que só se lembrou disso em Março? Onde é que isto se viu? Pelo meio desta trapalhada monumental, foi-se cozendo o Rui Costa em lume brando, dando-lhe um papel do tipo-pescada (antes de ser já o era) nas suas novas-futuras funções de director-geral para o futebol. Com essa destemperada promoção de Rui Costa fora de tempo ainda antes de ele estar fora do campo, o “maestro” foi tendo a sua imagem desgastada ainda antes de assumir qualquer função efectiva, sujeitando-se a todo o tipo de especulações (certamente injustas e imerecidas) que chegaram ao ponto de lançar a suspeição de que ele teria contribuído para a saída de Camacho (até houve quem falasse no abraço ao treinador após o empate com o Sporting em Alvalade como uma espécie de “beijo de Judas”). Depois disso Rui Costa, a par do seu papel de melhor jogador do Benfica dentro do campo, ao que se disse já foi tendo um papel relevante fora dele na escolha do futuro treinador e na definição de toda a estrutura do futebol do clube. Alguém já viu isto acontecer nalgum clube com um jogador em funções? Não terá Rui Costa ficado algo “queimado” ainda antes de começar? E não correrá o risco de também ele vir a ser triturado pela engrenagem, como resultado da postura errática do presidente, se as coisas correrem mal daqui para a frente?

7 - Luís Filipe Vieira tem-se especializado em sacudir a água do capote e atirar as suas próprias responsabilidades para cima de outros, supostos inimigos não identificados dentro e fora do clube. Sabe-se lá porquê, após o fracasso da operação-Getafe veio, mais uma vez, disparar em todas as direcções, invocando o nome de Vale e Azevedo a propósito de coisa nenhuma. Curioso é o facto de ele próprio se parecer cada vez mais com Vale e Azevedo na sua ânsia de agitar a bandeira dos inimigos internos e externos. Se se lhe pode creditar a reabilitação financeira do clube bem como um peso decisivo para a construção do novo estádio, a verdade é que após a saída de José Veiga da SAD o futebol caiu no caos. Depois disso lançou acusações em todas as direcções sobre os oportunistas, os demagogos e sobre os descarregamentos de jogadores, como se ele não tivesse lá estado o tempo todo e não fosse com o seu consentimento que tal aconteceu. E invocar Vale e Azevedo para desviar as atenções de si próprio só pode servir para enganar papalvos, porque Vale e Azevedo foi corrido do clube (em boa hora) em 2000, já lá vão quase 8 anos, e Vieira já vai quase em 5 anos de presidente, além de mais 2 como director da SAD. A quem é que ele quer atribuir culpas? Quem é que ele quer enganar? Deste tipo de conversa já basta, já dei para esse peditório.

8 - O plantel para a época passada foi construído de forma completamente anárquica, sem qualquer critério perceptível. De repente havia 7 esquerdinos e nenhum extremo-direito! Gastaram-se 9 milhões de euros em Cardozo quando por muito menos se podia ter mantido Miccoli. Vendeu-se Simão por um valor inferior à cláusula de rescisão (agora até o Bosingwa rendeu o mesmo ao Porto). Deixou-se sair Karagounis (o único jogador que podia substituir Rui Costa como verdadeiro organizador de jogo) e Manuel Fernandes em cima da hora da pré-eliminatória da Liga dos Campeões. E depois o director financeiro disse que havia 20 milhões de euros para gastar em aquisições. Então porque deixaram sair Simão? No meio deste caos, entre Janeiro de 2007 e Janeiro de 2008 saíram do clube nada menos que Alcides, Anderson, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes, Karagounis, Karyaka, Simão, Miccoli, Kikin Fonseca. Resultado desta anarquia: a pior época de sempre em casa, o maior número de empates de sempre, a primeira vez em que houve menos vitórias do que empates e derrotas juntos, 2ª pior classificação de sempre e falhado o acesso à Liga dos Campeões. E o que disse o presidente? Que a presença na Liga dos Campeões não era fundamental!

9 - Toda esta barafunda mostra um clube sem rumo, um barco à deriva, em que as decisões parecem ser tomadas casuisticamente ao sabor dos acontecimentos. Não se percebe qual é a estratégia, que caminho se pretende seguir, que objectivos se pretende alcançar e qual é o plano para lá chegar. Segue-se uma rota completamente errática que se vai mudando conforme os obstáculos que surgem no caminho, ao invés de se traçar um rumo bem definido e delinear uma estratégia clara para o seguir.

10 - Vieira diz aos benfiquistas para estarem tranquilos porque “no futuro” iremos ganhar muitas vezes. Só não diz quando será esse futuro, se é amanhã ou daqui a 10 anos. O discurso é sempre para amanhã. Também diz que sabe muito bem o que pretende para o Benfica. Pois então já agora, se não se importa, conviria explicar aos benfiquistas o que é, porque eu não sei o que ele pretende para o Benfica e duvido que alguém saiba. Será que é só vender kits de sócio, encher a boca com o “maior clube do mundo” e continuar a perder? Já em tempos disse que se quisesse podia ganhar 3 campeonatos seguidos mas estaria a prejudicar o clube. Devermos chegar à conclusão de que perdê-los é que está a beneficiar o clube? Porque é que não respondeu aos benfiquistas na assembleia-geral? Terá perdido o pio? E pelo meio disto surgem notícias que dão conta da nova intenção de acabar com as modalidades, que ainda nos vão conseguindo dar algumas alegrias fracamente compensatórias?

Eu estou tudo menos tranquilo... e estou farto deste presidente.

Kroniketas, benfiquista sempre kontra as tretas

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O que os outros disseram (XLIII)

“Há uma verdadeira quadrilha que se apodera do Estado para benefício próprio.”
(Clara Ferreira Alves, “O eixo do mal”, Sic Notícias, 8-6-2008)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O triste fado português



Há coisas que nunca mudam, e o modo de ser português é uma delas. Não compreendo que qualquer português possa estar contente com a derrota da Selecção Nacional de futebol só porque não gosta do treinador. Mas isso é o espelho da nossa mediocridade e dum país de invejosos...
Portugal caiu nos quartos-de-final do campeonato da Europa aos pés (e cabeça) da Alemanha (como disse Gary Lineker, no futebol são 11 contra 11, há uma bola e no fim ganham os alemães) e mais uma vez ficou pelo caminho quando muitos já faziam a festa antecipada. Passamos sempre do 8 para o 80 e rapidamente da euforia para a depressão. Tão depressa somos os melhores do mundo como logo a seguir tudo é mau. É este o nosso fado, ficamos sempre aquém da glória esperada.
O adeus de Scolari à Selecção Nacional reflecte uma carreira em regressão: em 2004 fomos à final do Europeu, em 2006 ficámos pela meia-final do Mundial, em 2008 não passámos dos quartos-de-final do Europeu. Foi sempre em marcha-atrás e acaba por marcar o tempo certo para a despedida. Já quando ele perdeu a cabeça e deu um “tapa” no sérvio Dragutivonic eu tinha dito que o seu prazo em Portugal se esgotara. E confirmou-se agora, terminando tristemente sem honra nem glória. Se continuasse, o mais provável é que entrássemos numa fase de fracasso, pelo que saiu na altura certa.
Não deixa contudo de ser irónico que a despedida da Selecção do Europeu, e de Scolari da Selecção, fique assinalada por mais uma fífia monumental do guarda-redes Ricardo, um dos protegidos pela teimosia de Scolari. A sua falha clamorosa no terceiro golo alemão, quando a equipa perdia por 2-1 e tentava reerguer-se, afundou-nos de vez e matou as nossas hipóteses. O guarda-redes fetiche do seleccionador, que tantas vezes tinha ameaçado dar barraca, acabou por carimbar a nossa despedida e a de Scolari. Alguma vez as consequências acabariam por ser funestas, e como quase sempre acontece as maiores falhas ocorrem nas piores alturas.
Neste jogo do tudo ou nada Portugal falhou onde e quando não podia. Deu dois golos de avanço na primeira parte e sofreu dois de bola parada. Depois de ter sido analisado exaustivamente na televisão o golo sofrido contra a República Checa, também de bola parada, hoje acabámos por sofrer dois quase iguais, com falhas clamorosas a nível colectivo, o que mostra que não aprendemos nada com os erros anteriores e, ao contrário da Alemanha, não fizemos o trabalho de casa. Esta é uma das principais pechas do trabalho de Scolari, que sempre me pareceu muito limitado em termos técnico-tácticos. Nunca há um plano B para quando as coisas correm mal, os erros sistemáticos continuam a suceder e quando começamos a perder nunca conseguimos dar a volta a nosso favor. Basta lembrarmos que já tínhamos perdido a final de 2004 com a Grécia num golo de bola parada, outra vez com erros colectivos e individuais simultâneos, e agora voltámos a cair da mesma forma.
Também podemos questionar o porquê dos oito dias de descanso dados aos habituais titulares. Vendo as velocidades deste jogo, pergunta-se para que serviram, se os alemães foram sempre mais rápidos. No primeiro golo, 2 alemães conseguiram correr mais que 4 portugueses. Será que não acabou por ser descanso a mais? É que nunca conseguimos meter a 3ª velocidade.
Como se tudo isto não bastasse dentro do campo, ainda tivemos um verdadeiro folclore à volta da selecção durante a permanência na Suíça. Desde o anúncio da saída de Scolari na pior altura, “em cima” da passagem aos quartos-de-final, até ao folhetim Cristiano-Ronaldo-vai-para-Madrid-fica-em-Manchester (onde estava o melhor jogador do mundo quando mais precisávamos dele? Passou completamente ao lado deste campeonato), mais a ida de Deco a Barcelona fazer não se sabe o quê, parece que o hotel se transformou num centro de negociatas quando o que importava era ganhar os nossos jogos. Os nossos pseudo-craques que só querem contratos milionários nos grandes clubes da Europa, quando entram em campo e têm de mostrar o que valem nos jogos a sério, ficam reduzidos à sua insignificância. Muitos deles só são bons a jogar contra a Naval, o Paços de Ferreira ou o Estrela da Amadora...
Agora vem aí outro seleccionador e é altura de arranjar outro guarda-redes. Scolari deixa um legado de vice-campeão europeu e semi-finalista do mundial, o que é muito mais do que estávamos habituados. Mas também deixa a sensação de que nunca conseguiria ir mais além. Para mim já tinha atingido o seu limite de competência. O que alguns nunca lhe perdoaram foi ele não ter ido ao beija-mão do Papa e não se ter agachado perante os poderes instituídos. Esse foi o seu grande mérito. O meu grande receio é se com o próximo não voltaremos ao tempo da sabujice e da bandalheira habituais.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

PS: Por esta hora, o verme deve estar a abrir uma garrafa de champanhe...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Torrente de imbecilidades


Um destes fins-de-semana desloquei-me a uma localidade do Alentejo para um aniversário de familiar ancião. Até aqui nada de novo, pois já o ano passado o evento tinha ocorrido. Desta vez o restaurante do ano passado não estava aberto, pelo que o almoço foi realizado noutro espaço tipo-tenda, onde estava também uma excursão com pessoas de... Lisboa.
Até aqui também nada de novo, pois o espaço é grande e permite a realização de festas para muita gente (casamentos, baptizados, etc.), e há que rentabilizá-los.
Pior foi quando resolveram dar-nos música. Havia um espaço amplo parta dançar e a organizadora tem um acordeão electrónico que dá para uns bailaricos, e até aqui também nada de novo, pois música popularucha nestas festas é o que está a dar... Só que antes da dona entrar em cena, e para acompanhar o almoço, puseram a tocar uma compilação de músicas do Quim Barreiros! E aqui é que ficou tudo estragado.
Ouvir o “quero cheirar teu bacalhau, Maria” ainda passa e até tem alguma piada. O pior é que tivemos que levar com umas 20 músicas do indivíduo, o que estraga qualquer almoço. A torrente de imbecilidades naquelas “letras” é verdadeiramente dramática, e ouvindo-as todas de seguida é que nos apercebemos da verdadeira dimensão da insanidade daqueles “versos”. Mais grave ainda, à hora do lanche fomos brindados com uma segunda dose, como se a primeira não tivesse chegado!
Só que desta vez tive a paciência para ir registando algumas pérolas daquelas canções, que passo a transcrever, para que se perceba bem onde chega a vulgaridade e a brejeirice. Uma coisa é uma conversa de café entre amigos onde se usam todo o tipo de expressões mais libertinas. Mas fazer canções unicamente à base de trocadilhos fáceis sempre com insinuações brejeiras das mais vulgares é absolutamente insano.

Aqui ficam para que cada um possa apreciar:

“cada um lava o que quer, e há quem goste de lavar no rego”
“eu comi a sobra”
“há quem não goste de cuuuba, mas eu gosto, qual é a capital de cuba, habana meu amor”
“hoje de noite vou dar uma, vou dar uma, vou dar uma voltinha por aí”
“eu gosto de mamar nos peitos da cabritinha, mamo à hora que quero porque a cabrita é minha”
“Ó tio Quim, dê-me um autógrafo desses...”
“todos querem ver a greta, ou então tocar na greta, quem sabe beijar a greta, mas que grande sensação, ou fotografar a greta, ou até pintar a greta, queremos rever a greta, mesmo na televisão”
“quem pode pode, quem nao pode sai de cima”


Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Camionistas em greve

Este país está a precisar dum levantamento popular. Por muito menos, um buzinão na ponte 25 de Abril precipitou o início do fim do cavaquismo. Agora o governo mais reaccionário desde a revolução está a pedir que alguém o encoste à parede.
Parece que o primeiro-ministro não se impressionou com as 200 mil pessoas que desfilaram na Avenida da Liberdade, pode ser que se impressione com um país paralisado. Se começarem a faltar abastecimentos e houver uma revolta da população, pode ser que então José Sócrates e os seus “boys” saiam do seu autismo e comecem a olhar para os problemas reais do país e sejam obrigados a fazer marcha-atrás nas suas políticas ultra-liberais. Nem Cavaco Silva em 10 anos ousou ir tão longe no ataque às conquistas de Abril.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 28 de maio de 2008

6 milhões de idiotas e um imbecil


Esta eu não sabia, mas fiquei a saber agora. Rui Reininho, vocalista dos GNR, festejou o tri-campeonato do FC Porto, após a vitória por 6-0 sobre o Estrela da Amadora, com uma frase que revela bem o tipo de mentalidade trauliteira que caracteriza aquele clube: “Foi um golo por cada milhão de idiotas que há neste País”. Como foram 6 golos dá 6 milhões.
Pois aqui somos 2 que fazem parte dos 6 milhões de idiotas que acham que o Rui Reininho, além dum cantor medíocre, é um imbecil e um merdoso, que tem tanta classe como o corrupto do seu presidente.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 24 de maio de 2008

Notícia do outro dia

A novidade é que depois de não ter aumentado no dia anterior, o preço da gasolina aumentou hoje...

blogoberto, chico-esperto

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Notícia do dia

A novidade é que o preço da gasolina não aumentou...

blogoberto, chico-esperto

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Confissões de um benfiquista

Pronto, tenho de o dizer... hoje o meu coração foi verde!... Espera, o coração não! O baço. Hoje o meu baço foi verde! Assim está melhor.

tuguinho, cínico encarnado

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Rui Costa vai ser “rectificado”

Rui Costa foi apresentado como director desportivo do Benfica. Na conferência de imprensa de apresentação, o presidente Luís Filipe Vieira disse que o nome de Rui Costa como administrador da SAD será “rectificado” na próxima assembleia-geral.
Esperemos que ao ser “rectificado” não obriguem o Rui a mudar de nome.
Assim vai o meu clube. Já tivemos como presidente um pedreiro, depois um gatuno e agora temos um analfabeto.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 8 de maio de 2008

As músicas da minha vida 4 - 1977 / 1979 - Seventy seven, nearly heaven: o surgir do Punk Rock/New Wave


Antes de começar a escrever sobre o assunto, são devidos alguns esclarecimentos já prestados em comentário, mas nunca aqui na rua principal: estas krónikas são sobre as músicas da minha vida, por isso as datas referidas dizem respeito ao ano em que o disco ou as músicas chegaram aos meus ouvidos, não tendo nada a ver com a data de edição; outra questão diz respeito à própria cronologia dos artigos – não vão sair necessariamente numa ordem cronológica. Posto isto, vamos ao que interessa.

Nos fins da década de 70 a música chegara a um impasse: os grupos de rock progressivo já não conseguiam progredir mais, os grupos de hard rock estavam encalhados nos mesmos riffs de sempre, e levara-se a execução para tão altos voos que era impossível a um grupo de miúdos com vontade de fazer música fazerem-na efectivamente – era preciso ser perfeito, tocar sem falhas, ser quase um erudito do instrumento respectivo, coisa que obviamente só se consegue com muitos anos de estudo e prática, e não se coadunava minimamente com o imediatismo dos desejos da juventude.
Isso, antes de qualquer outra coisa, foi o que fez agitar a modorra! Em certos meios de Londres e de Nova Iorque começaram a surgir grupos de putos que antes de tudo queriam tocar. Não tinham dinheiro para instrumentos caros nem tempo para aprenderem a ser virtuosos da guitarra. No cru início, tinham mais vontade do que jeito, e foi uma espécie de aprendizagem com a prática que fez guindar muitos deles a voos maiores.

Como sempre nestas coisas, a música não veio só: toda uma iconografia e forma de vestir, uma atitude provocatória e penteados pouco consentâneos com a Old England se mostraram numa Londres pouco preparada para o ciclone que se seguiu, uma espécie de Maio de 1968, mas cínico e nihilista e completamente anti-flower power e hippiezada rançosa. Ou seja, de Maio de 1968 só a força radical da ruptura! (mas desse Maio falaremos noutro post)
Grupos que hoje nada dizem a quase toda a gente, como Slaughter and the Dogs, X-Ray Spex, The Damned, e outros que quase todos conhecemos, como The Cars, The Clash, os Sex Pistols ou os Ramones, surgiram nessa altura. A pressa era muita porque o mundo já era rápido. Esta explosão de sons sucedeu em 1977 e passou como um rolo compressor sobre a música existente. Uma boa parte do que hoje ouvimos provém, de uma forma ou doutra, dessa revolução sem líderes e da evolução desse grito básico de há 31 anos.
É óbvio que o Punk Rock não surgiu do nada: tirou a energia ao rock’n’roll inicial e foi buscar muito do seu estilo a grupos como New York Dolls ou The Who, que nem todos andavam na batida rua principal dos sons.
Mas o Punk foi o estado puro da revolução e, como todos sabemos, as revoluções acalmam sempre depois de cortarem umas cabeças, real ou virtualmente. Por isso o punk como punk durou pouco. Aliás, e pensando bem, nunca foi puro - na sua própria natureza libertária e contestatária já continha os germes que o modificaram e adoçaram e no-lo trouxeram já baptizado como New Wave.
Com o nosso proverbial atraso, só se começou a ouvir por cá pelo ano de 1978 e com maior força em 1979. As primeiras tropelias dos Sex Pistols foram relatadas pela revista Música & Som (de que sou feliz proprietário de colecção completa) e foram-nos dadas a ouvir, na vertente New Wave, por Luís Filipe Barros no seu programa radiofónico Rock em Stock, uma verdadeira pedrada no charco da rádio desse tempo, quando ainda não havia playlists e não se tinha de esgravatar o húmus do solo para descobrir grupos novos e interessantes.
Foi nessa altura que apareceram grupos e artistas como Blondie, Police, Joe Jackson, Elvis Costello, The Jam e etc. Muitos etc.!
Não é possível num singelo post num blog esmiuçar as implicações e analisar tudo o que trouxe ou provocou, nem isso se pretende nestas romagens músico-saudosas (mas no bom sentido!). Por isso vamos tentar assim:
Imaginem o seguinte. Estão num quarto fechado. Cheira a bafio (ou a mofo, como quiserem). Parece que lá fora o sol brilha. Resolvem abrir a janela. Quando a abrem, entra cor por todo o lado, os horizontes expandem-se até ao infinito e tudo parece possível! O Verão de 1979 há-de soar-me aos ouvidos da memória sempre assim, cheio de luz e de liberdade, ao som de “Art-I-Ficial” dos X-Ray Spex, de “11:59” dos Blondie ou de “Can’t Stand Losing You” dos Police…
Espero que tenham compreendido.


Para foto deste artigo usei a capa de um registo histórico do punk/new wave, uma colectânea registada no Roxy London Theatre e que na altura foi uma espécie de ponto da situação na frente londrina. A álbuns específicos voltarei depois, e prometo não esquecer o icónico “Pink Flag” dos Wire, obra-prima do género e do minimalismo, com 21 temas arrumados nos dois lados da velha rodela de vinil.
Portanto, se for caso disso, relembrem. Se forem tenrinhos, vão conhecer! Porque nunca ter ouvido The Clash equivale a não saber quem foi o primeiro rei de Portugal...


tuguinho. cínico de crista

sábado, 3 de maio de 2008

Fumar mata

Um dia destes ardeu um lar de idosos, ao que parece devido a um cigarro mal apagado. Se alguém ainda tinha dúvidas de que fumar mata...

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 24 de abril de 2008

25-ABRIL-2008




L I B E R D A D E !

Usem-na bem porque custou muito a ganhar.

tuguinho e Kroniketas, de cravo vermelho ao peito

domingo, 20 de abril de 2008

O lado parvo de Miguel Sousa Tavares

Na sua coluna do Expresso deste sábado, Miguel Sousa Tavares manifesta-se contra os habituais dislates de Alberto João Jardim, dizendo que faz parte do grupo, porventura escasso, dos que não acham Jardim “engraçadíssimo”. Eu também não acho, portanto também faço parte desse grupo.
É pena que MST não demonstre a mesma lucidez quando fala do seu querido FC Porto e do idolatrado Pinto da Costa. Neste país em que também a comunicação social é subserviente perante o poder (ou certos poderes), andamos há 30 anos não só a ler e ouvir alguns sabujos repetir até à náusea que Jardim é "engraçadíssimo", mas também que Pinto da Costa fala com "fina ironia", quando o que ele é, é um insolente e um boçal, um indivíduo sem respeito por nada nem ninguém, com insinuações miseráveis e execráveis que já o deviam ter levado à barra dos tribunais há muito tempo. É pena que MST não se disponha a repudiar as frases inqualificáveis que o “melhor presidente do mundo e arredores” vomitou nas últimas semanas, desde os vermes ao pó branco passando pela morgue. Um nojo acerca do qual MST não consegue opinar como homem íntegro e recto que julgo que ele seja.
Mas, como diz o tuguinho em relação ao MST quando toca ao FC Porto, “é o lado parvo dele...” E, por favor, não lhe falem de tabaco...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 12 de abril de 2008

Vergonha 54 anos depois

Benfica, 0 - Académica, 3

Em tempos não muito distantes, já teria havido um tumulto no estádio da Luz e um cerco ao presidente e aos jogadores. Por causa da saída de Mourinho invadiram a sala de imprensa. Agora parece que os benfiquistas estão anestesiados e resignados com a mediocridade crescente da equipa de futebol, que se afunda semana a semana perante os olhos de todos. É preciso um tratamento de choque a este clube, a começar pelas esferas superiores.

Sr. Presidente, faça um favor aos benfiquistas: DEMITA-SE!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 8 de abril de 2008

Anúncio importantezito

O nosso amigo Palmer do Pó de Estrelas, pediu-nos que avisássemos possíveis leitores do seu blog (NR: mas se são leitores do blog dele, que sentido faz este anúncio aqui?) de que vai começar a publicar em fascículos uma noveleta de FC chamada Impérios de Vento.
Pronto, já dissemos!

tuginho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Rui escondido com Santos de fora

Mensagem enviada ao comentador Rui Santos, que no passado Domingo se absteve de comentar:

"Desta vez não viu bem o que se passou...

…e por isso, e para que continue a acreditar que realmente vale a pena ouvi-lo, espero que volte a comentar o lance em que Mateus derruba primeiro Petit na área e, seguidamente, impede Leo de prosseguir pisando-lhe o pé direito. Quero acreditar que não viu bem as imagens da jogada – que foram aliás profusamente repetidas, e de vários ângulos, pela reportagem da SporTV, porque elas são totalmente elucidativas.
No lance da presumível mão, a bola muda de trajectória quando chega ao jogador axadrezado – e para que isso aconteça teve de lhe tocar! Ora no peito dele não tocou, o que me leva a concluir que foi com o braço, visto que a bola não se lhe aproximou de outras partes do corpo. Mas como não há imagens de outra câmara, não tenho 100% de certeza e até concedo o benefício da dúvida.

Ver futebol desapaixonadamente pode ser muito bom, mas para proteger os árbitros não se devem branquear os seus erros.
O Benfica podia e devia ter ganho sem precisar das consequências desses lances? Pois devia! Mas é no mínimo ardiloso que se elidam esses erros pelo demérito nas outras jogadas.
E para que não pense que sou só mais um adepto faccioso, digo-lhe que achei muito bem que o penalti contra o SLB fosse marcado, porque existiu! Vejo futebol apaixonadamente, mas tenho cérebro suficiente para saber que a classe dirigente do futebol (nos clubes, federação e liga) é do piorzinho que gerámos neste rectângulo mal plantado à beira-mar, e que há culpas distribuídas por muitas capelinhas e poucas virgens inocentes no meio. Mas aborrece-me muito ver a verdade desportiva distorcida, por muito mal que o futebol ande no país e no meu clube.
Obrigado"

tuguinho, cínico encarnado (de coração e de indignação!)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A Quercus é contra


O Governo decidiu construir a nova ponte em Lisboa entre Chelas e Barreiro. A Quercus é contra.
O Governo decidiu que a nova ponte será rodo-ferroviária. A Quercus é contra.
O Governo decidiu, depois de enorme polémica nacional, construir o novo Aeroporto de Lisboa no campo de tiro de Alcochete. A Quercus é contra.
O Governo construiu a Via do Infante no Algarve para se poder circular sem ser a passo de caracol na EN 125. A Quercus foi contra.
O Governo construiu, após décadas, uma auto-estrada a ligar Lisboa ao Algarve. A Quercus foi contra.
Tudo o que se faça neste país para facilitar a vida às pessoas que têm de se deslocar sem ser a 10 à hora e sem demorar uma eternidade para chegar ao destino, a Quercus é contra.
Se a Quercus decidisse, ainda andávamos todos de carroça.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 31 de março de 2008

Pérolas do futebolês (1)

“Jogámos numa toada lenta...”
“O nosso último reduto...”
“Claudicámos na parte final...”
“Os índices de motivação baixaram...”
(José Mota, treinador do Paços de Ferreira, após o jogo no Estádio da Luz)

Gabriel Alves dos Santos, tanto comenta livres como cantos

sábado, 29 de março de 2008

Pensamento da semana

Um dia destes, ao observar a indumentária acabada de entrar num café, enquanto tomava o pequeno-almoço, passou-me esta ideia pela cabeça: as mulheres vestem-se bem... para se despirem melhor.

Valter Rego, observador desassombrado

quarta-feira, 26 de março de 2008

Telemóvel (3) - E que tal pelas goelas abaixo?


Recebi esta por mail, e não resisti a reproduzi-la aqui.

blogoberto, chico-esperto

segunda-feira, 24 de março de 2008

Telemóvel (2) - E que tal um par de estalos?

A caricata cena do telemóvel entre a professora e a aluna, para além de levantar mais uma vez a já velha questão do esvaziamento da autoridade dos professores, fruto dumas mentes iluminadas responsáveis pela instauração do eduques e do facilitismo para os alunos, aos quais caixa de diálogo vez mais é permitido e menos é exigido, levanta outras questões pertinentes como saber que raio de pais são estes que estão a criar filhos selvagens (além de burros e preguiçosos), que se permitem estar a usar o telemóvel na aula e ficam histéricos quando o professor lho retira.
A jovenzinha histérica que só queria o telemóvel de volta merecia era um par de lambadas bem aplicadas na fuça para ver se se acalmava. E como isso certamente acarretaria um processo disciplinar contra a professora (quiçá até a perda do posto de trabalho), a melhor solução, ao contrário do que sugere o tuguinho, teria sido levá-la para a casa de banho e, longe dos olhares alheios, aplicar-lhe dois valentes tabefes nas trombas e enfiar-lhe a porcaria do telemóvel pelas goelas. Ou então atirá-lo contra a parede até ficar feito em migalhas.
Desde que uns amigos me contaram que a mãe duma colega duma das filhas disse que a sua filhota não queria falar com a outra porque ela não usava telemóvel, fiquei esclarecido sobre o bando de idiotas em que muitos pais (eles próprios uns idiotas chapados) estão a transformar os filhos. Perdeu-se todo o senso do ridículo, parece que só interessa ter telemóveis último modelo e vestir roupa de marca. E depois se calhar são estes mesmos imbecis que vêm reclamar do governo.
Com governados assim, que governo se pode esperar?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 22 de março de 2008

A Solução para a criminalidade

Se todos os criminosos, no acto da captura, tivessem de pagar uma multa como os condutores que prevaricam, era ver a PSP e a GNR a correrem atrás deles, esquecendo as barrigas de cerveja e o reduzido treino de tiro!
A criminalidade reduzir-se-ia a valores residuais, não pela acção dos tribunais, mas por os meliantes se fartarem da caça à multa…

blogoberto, chico-esperto

Uns versitos neste dia

Hoje é o Dia Mundial da Poesia. Assim, sem mais palavras, as palavras de Álvaro de Campos:

"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!..."

Álvaro de Campos - "Aniversário"


tuguinho, cínico em verso

Telemóvel (1) - E um pontapé na boca?

A já famosa cena da luta pelo telemóvel na sala merece-me uma rápida consideração: mais do que pedagogia, o que era mesmo bom era ter um especialista em artes marciais em cada sala!
Por exemplo, neste caso, um rápido pontapé na boca da aluna resolveria o caso e quaisquer reincidências nas semanas seguintes, por óbvia impossibilidade em falar…

P.S. – é claro que fizemos muita porcaria nos nossos tempos, a maioria brincadeiras de garotos que nunca magoaram ninguém, nunca a balda e o desrespeito dos dias de hoje!

tuguinho, cínico encartado

quarta-feira, 12 de março de 2008

As músicas da minha vida 3 - Setembro de 1975: Genesis - "Nursery Cryme"


Quem se queixa das dificuldades da actualidade, provavelmente não conheceu ou já não se lembra como era noutros tempos, quando o problema, mais do que não poder, era não haver. Vem isto mais uma vez a propósito da diferença com que se encarava o valor de uma coisa que hoje está banalizada, mas que na época era considerada de forma muito diversa. Ou seja, tudo isto para dizer que cada disco comprado ou oferecido era um pequeno tesouro que se ouvia vezes sem conta.
Já aqui me referi à primeira peça da minha colecção. A que hoje é tema deste post foi a terceira. A que fica no meio das duas ainda será tema um dia destes, porque os primeiros ficam sempre na memória…
Mas falemos agora desta obra que, não sendo a primeira que conheci do grupo, foi das que mais me marcou. Trata-se de “Nursery Cryme” dos Genesis, terceiro álbum do grupo, depois da estreia com “From Genesis to Revelation” – um disco em que já se detectavam algumas pistas do som característico da banda, mas ainda demasiado ténues e mascaradas – e de “Trespass”, o primeiro com ideias já bem alinhadas e som definido.
“Nursery Cryme” é um conjunto de canções ligadas por um certo universo onírico, mais do que por uma história conceptual bem definida. Logo a abrir apresenta o maior hino do grupo, que é quase uma declaração de intenções do que fizeram nos álbuns posteriores, com a excepção de “The Lamb Lies Down on Broadway”. “The Musical Box” é assim um espelho do que se tornaria o tema-tipo do grupo, com andamentos rápidos conjugados com instantes mais suaves e lentos, com a tradicional união da guitarra eléctrica de Steve Hacket com as teclas de Tony Banks, e a voz de Peter Gabriel a criando ambientes por si só – e nesta canção a terminar com o grito “Why don’t you touch me?” repetido até à exaustão. Aliás, e apesar de todos os membros serem músicos de primeira água e comporem também, foi Peter Gabriel a verdadeira alma dos Genesis. Ao abandonar o grupo após o álbum “The Lamb Lies Down on Broadway”, foi apenas uma questão de tempo até seguirem por caminhos que nada tinham a ver com o tipo de rock progressivo que até aí tinham desenvolvido – e isto não obstante ser posterior à saída de Peter uma das melhores obras do grupo, “Trick of the Tail”, em que ainda se exploravam os ambientes sonoros e as letras surreais típicos dos Genesis.
Mas “Nursery Cryme” tem um lugar especial na minha memória, tanto pelo momento em que o recebi (trazido da Alemanha pelo meu primo mais velho), como pela força da música que contém. E o próprio objecto em si, pois o álbum tinha capa dupla e no interior uma série de desenhos alusivos às histórias contadas cercavam as letras das canções – pois, há coisas que se perderam com os CD’s…
Além do tema referido, mais seis canções compõem o disco: “For Absent Friends”, balada curta e quase acústica, mas deliciosa, acaba por servir como ligação entre os outros dois temas que compunham o lado um; “The Return of The Giant Hogweed” é outro dos hinos dos Genesis, com uma sonoridade que faz lembrar “The Knife”, do álbum “Trespass” – vê-se aqui um Gabriel nas suas sete quintas, soltando a voz sobre um ritmo muito marcado, ilustrando mais uma estranha história sobre exploradores e plantas maléficas trazidas dos confins do império (britânico, of course!).
O lado dois abria com uma canção que nos fala de marinheiros, “Seven Stones”, e que quase parece um prólogo a “Firth of Fifth”, que surgiria dois álbuns depois em “Selling England by the Pound”; segue-se uma espécie de brincadeira, tanto na letra como na melodia, fazendo lembrar um pouco o Vaudeville – “Harold the Barrel”; depois vem outra balada curta e deliciosa, “Harlequin”, cheia de harmonias vocais típicas de algumas das canções do grupo, e que cintila como as chamas de uma lareira nos nossos olhos; o álbum fecha com outro tema de fôlego, espécie de contraponto a “The Musical Box”, bastante teatral, centrada numa história da mitologia grega, grand finale de 7 minutos que nos leva ao encerrar do pano – “The Fountain of Salmacis”!
Convém aqui salientar que os Genesis foram sempre o meu grupo favorito até ao advento do punk e da new wave, no fim dos anos 70 – e que depois da poeira assentar e nos deixarmos de radicalismos estéticos, olhando com atenção o que tínhamos ouvido no passado (passe a confusão entre os dois sentidos), voltou a ser considerado no lugar que devia.
Este para mim será sempre das melhores músicas da minha vida…


tuguinho, cínico musicado

domingo, 9 de março de 2008

Notícia de última hora! Camacho em Alvalade! Paulo Bento na Luz!

Instados a comentar esta troca, ambos os presidentes responderam:
"Esperamos que com esta acção o Benfica passe a ganhar em casa e o Sporting fora, o que resolveria uma parte dos nossos problemas..."
Não conseguimos saber qual seria a outra parte.

Mateus Bichoso, repórter horroroso

Uma questão de trombas


Na passada 5ª feira foram avistados alguns elefantes no Porto. Parece que após a eliminação do FC Porto pelo Schalke 04 no desempate por “penalties” o pessoal andava de trombas...

blogoberto, chico-esperto

A rua e o beco

Com a devida vénia, transcrevemos aqui o artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso deste sábado, 8 de Março de 2008. Sem mais comentários.

“Setenta mil professores, segundo a Fenprof, estarão hoje nas ruas de Lisboa a manifestar-se. Querem a morte de todas as reformas ensaiadas nos últimos dois anos por Maria de Lurdes Rodrigues e, obviamente, querem também a cabeça de Maria de Lurdes Rodrigues. Desde que há Ministério, desde que há Educação, desde que há democracia, que não me lembro de a Fenprof e os sindicatos da Educação terem deixado de exigir a cabeça do ministro ou ministra em funções. Começou há muitos anos, quando Sottomayor Cardia se lembrou de fazer uma lei de gestão das escolas e Universidades em que (vejam lá a ironia e o escândalo) os conselhos directivos eram maioritariamente compostos por professores e não por funcionários e alunos. Na altura, gritou-se que o fascismo estava de volta e hoje quase que se grita o mesmo, porque a ministra se lembrou de propor a figura de um director para as escolas.
Julgou-se, a certa altura, que o problema poderia estar em os ministros da Educação serem homens, ditando ordens e instruções a um universo essencialmente feminino. Seguindo à letra o discurso feminista oficial de que as mulheres são melhores para a governação porque têm maior capacidade de diálogo, entendimento, etc., e tal, entrou-se na moda dos ministros mulheres, a ver se a coisa acalmava. Não acalmou: o problema não estava aí. E, a menos que se siga a sugestão ditada há dias ironicamente por Maria de Lurdes Rodrigues - experimentar uma loira burra - há que procurar as origens do confronto em outras razões.
Durante muitos anos, e para garantir uma paz podre no sector, todos os governos, incluindo os socialistas, renunciaram a tentar mudar o que quer que fosse. A política de educação estava entregue aos professores e as escolas aos sindicatos. O grosso dos ministros foi do PSD e os sindicatos estavam nas mãos da facção do PSD dirigida por Manuela Teixeira, e a do PCP e companheiros dirigida pelo crónico Paulo Sucena. Como nada de essencial no «statu quo» estava em causa, o confronto centrou-se na ineficácia funcional do Ministério. Anos a fio fomos confrontados com o espectáculo confrangedor de ver os dirigentes sindicais deleitados com as dificuldades e problemas crónicos da colocação de professores e os dramas reais dos professores “não efectivos” que viviam com a casa e a vida às costas, um ano no Algarve outro no Minho. Sem nenhum pudor, tornou-se claro que, quanto pior funcionasse o Ministério e mais problemas viessem para os professores desse mau funcionamento mais felizes andavam os sindicatos. Hoje, são ambos problemas resolvidos e cuja resolução ninguém se lembrou de enaltecer: os professores são colocados a tempo e horas e têm contratos que lhes garantem três anos de permanência no mesmo local.
Essa frente de luta sindical acabou, mas os trinta anos que ela durou deixaram marca. Os sindicatos da Educação tiveram uma contribuição decisiva para sucessivas gerações de alunos prejudicados e para a derrota nacional na frente educativa. Nunca tivemos falta de professores, falta de escolas, falta de dinheiro para a Educação. Gastámos como em nenhum outro sector e, em percentagem do PIB, mais do que a maioria dos países europeus. E tudo isso serviu para nada, para formar gerações de ignorantes, sem préstimo no mercado de trabalho de hoje ou para acumular taxas terceiro-mundistas de abandono escolar. Eu, se fosse professor, estaria, no mínimo, incomodado com os resultados. Porque é preciso muita má fé para sustentar que a culpa foi apenas dos ministros da Educação que tivemos - todos, sem excepção, incompetentes.
Nesta altura do campeonato já toda a gente percebeu que o problema não está em Maria de Lurdes Rodrigues, como também não estava no sacrificado ministro da Saúde Correia de Campos. O problema é mais fundo, mais antigo e mais complicado de enfrentar: Portugal é, de há muito, um país mental e estruturalmente corporativo e qualquer reforma que qualquer governo intente esbarra sempre contra uma feroz resistência da corporação atingida. E para que serve uma corporação? Para proteger os medíocres, não os bons. Acontece com os professores, com os médicos, com os magistrados, com os agentes culturais, com os empresários encostados ao Estado.
Certo que aquele labiríntico organigrama da avaliação dos professores parece, à primeira vista, uma obra-prima de burocracia. Certo que a ministra parece demasiado precipitada e intransigente, adepta de uma atitude de fazer primeiro e avaliar depois. Certo que, como tantas vezes sucede, ela parece ter perdido já a paciência para discutir o pormenor, se não lhe concederem o essencial. Mas, no essencial, ela tem razão e todos nós, que não estaremos hoje a desfilar em Lisboa, já o percebemos. Ela quer mudar as coisas, recusa conformar-se com os resultados de trinta anos a nada fazer; a corporação quer que tudo o que é determinante continue na mesma.
Todos percebemos que a gestão das escolas não pode ser tarefa única dos professores, mas de grande parte da sociedade civil interessada e isto é o que mais atinge uma corporação cuja sobrevivência depende da auto-regulação desresponsabilizadora - vejam como os magistrados ficam logo abespinhados de cada vez que alguém sugere invadir o que chamam a sua sagrada “independência”, que é causa primeira da total falência da justiça. Todos percebemos que um professor que falta às aulas ou vê os seus alunos nada aprenderem e não se preocupa com isso não pode e não deve progredir na carreira e ganhar o mesmo que outro que se preocupa com os seus alunos e com as suas aulas. Todos percebemos que um professor que falta a uma aula pode e deve ser substituído por outro que está na escola, sem aula para dar e dentro do seu horário de trabalho - como sucede todos os dias e com a maior naturalidade cá fora, no mundo ‘civil’, em qualquer empresa ou qualquer local de trabalho. É isto o essencial.
Infelizmente, Maria de Lurdes Rodrigues não tentou ou não conseguiu cativar para o seu lado e para as suas reformas os bons professores, que seriam os maiores interessados e beneficiários delas. Deixou que ficassem isolados e que, pouco a pouco, fossem arrastados pela onda de ‘bota-abaixo’ da Fenprof. Talvez seja este o destino inevitável de qualquer tentativa que se faça de quebrar o poder paralisante das corporações. Talvez haja sempre uma maioria de acomodados que vejam em qualquer mudança um sinal de perigo para a paz podre em que se habituaram a viver. Estas coisas vêm de longe e estão entranhadas: no tempo de Salazar, o grande sonho do português era arranjar emprego para a vida no Estado - o ordenado era garantido assim como a progressão por antiguidade e a reforma ao fim de 36 anos; não lhe era exigido nem mérito nem resultados e jamais seria despedido, a menos que ousasse contestar o Governo. Com a democracia, se a fé no Estado e no emprego público se mantiveram, a única coisa que mudou é que as corporações do sector público já podem contestar os governos. Mais: fazem-no sempre que acham que os governos pretendem mudar o Estado, de que eles se julgam os guardiões.
E é por isso mesmo que a queda de Maria de Lurdes Rodrigues teria o efeito de um toque a finados por qualquer futura tentativa de reformar o Estado e mudar o país.”

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Cultura linguística (para sportinguistas)

Como é que se diz “merda” em sueco?
- Farnerud.
E em sérvio?
- Purovic.

blogoberto, chico-esperto

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O que os outros disseram (XLII)

“Para acabar de vez com a sua linda obra só falta a este Governo e a este ministro [Nunes Correia, Ministro do Ambiente] darem a machadada final que têm em estudo: transferir para as autarquias a faculdade de decidir a delimitação das Áreas de Reserva Agrícola e Ecológica. Seria como confiar a um assaltante de bancos a guarda das reservas de ouro do Banco de Portugal.”
(Miguel Sousa Tavares, “Expresso”, 23-2-2008)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

As músicas da minha vida 2 – Outubro de 1975: Van Der Graaf Generator – “Godbluff”



Mais uma declaraçãozita: Nestes idos dos setentas as coisas, como já disse, eram bastante diferentes no que toca à disponibilidade dos discos que ouvíamos no mercado nacional. Não, não havia Internet, portanto não dava para encomendar online… O mais próximo disso eram os catálogos de casas inglesas que enviavam discos à cobrança, mas era tudo feito pelo correio e demorava semanas. Mas valia a pena, porque as prensagens nacionais de vinil eram tudo menos perfeitas, com muito grão que causava ruído na leitura dos discos. Coisas do analógico…
O panorama da rádio nos anos 70 também era muito diferente. Desvantagem: a maioria das rádios fora nacionalizada e só existiam meia dúzia de emissoras. Vantagem: não existiam Play-lists nem tretas desse estilo, pelo que havia maior liberdade no que se ouvia e a rádio de autor não era apenas um mito. Talvez a implosão anunciada das editoras nos propicie de novo essa liberdade.
No Rádio Clube Português (o original, não a treta que existe agora) havia um programa chamado Dois Pontos, seguido avidamente sempre que as aulas o permitiam. Tinha duas horas de duração e transmitia álbuns completos, sem interrupções que não fossem as necessárias no início e no fim, para que soubéssemos o que íamos ouvir e porquê. Muita coisa nos foi dado a descobrir nesse espaço que hoje, com a ditadura dos tops e das audiências, será impossível recriar. É mais fácil alimentar a turba com DZRT’s e Just Girls… mas pronto, para quem sai da universidade sem saber interpretar um texto e muito menos escrevê-lo dar mais também seria um desperdício – é a tal questão das pérolas a porcos.
Mas nesse longínquo Outubro de 1975 foi passado nesse programa um grupo com um nome bem estranho: Van Der Graaf Generator. O álbum divulgado já era o seu quarto, mas foi aquele que expandiu a sua fama e com o qual os conheci. O nome? Godbluff!
Com nítidas influências de jazz – que por mais que tente não consigo ouvir (pronto, no geral detesto mesmo), mas cuja influência no rock e na pop aprecio – e um line-up que incluía baterista, teclista, saxofonista e guitarrista-vocalista, a música dos VDGG movia-se por terrenos inovadores, cruzando o rock progressivo com uma liberdade de criação característica do melhor jazz, dando origem a algo tão específico que não mais se repetiu, por ser impossível replicá-lo. A forte personalidade dos executantes, principalmente do saxofonista David Jackson e do vocalista-guitarrista Peter Hammil , que era também o principal compositor, não era passível de reprodução.
Com apenas 4 canções, o disco faz-nos viajar por variadas paisagens sonoras, mas com traços de união evidentes. Desde o amanhecer distópico de The Undercover Man à desolação sem regresso de Scorched Earth. Do suspense de Arrows até à força contida de Sleepwalkers, que fecha a obra com chave de ouro. Um disco que nos marca a fogo, inesquecível e irrepetível…
Sendo estupendo, ainda assim não foi esta a obra-prima maior da carreira dos VDGG – o álbum seguinte, Still Life, conseguiu ir mais além, mas desse falaremos depois.
Portanto, quando me lembro de Outubros invulgarmente cálidos em que a noite já cai às cinco da tarde, é deles que me lembro, e da gravação feita da rádio para uma cassete num radiogravador Orion de boa memória. Lembrem-se de que não é preciso ter grandes aparelhagens e som 5.1 para se apreciar música – bastam dois ouvidos (ou um, mas não vamos chegar a esses extremos).
tuguinho, cínico dó-ré-mi

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O sinal que eu gostaria de ver nos cinemas


Agora vê-se por todo o lado o sinal de proibição de fumar. É pena que nos cinemas não haja este: proibido comer pipocas.
Este fim-de-semana fui ao Colombo ver o novo filme do Rambo e, como sempre, apanhei com uma manada de ruminantes imbecis na sala que, além do habitual ruído de fundo ao filme que fazem com a sua furiosa mastigação às malfadadas pipocas, ainda deixaram uma lixeira na sala. Por mais voltas que dê à minha cabeça não consigo perceber qual é a necessidade (nem o gozo) de ter que estar a mastigar pipocas enquanto se vê um filme.
Somos mesmo um país de atrasados!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Lei do tabaco

“A lei do tabaco está a alterar profundamente as relações sociais da população portuguesa. Agora, os melhores amigos dos fumadores são os arrumadores, pedintes, Testemunhas de Jeová, mendigos, toxicodependentes, dementes, vendedores de lotarias e prostitutas. É tudo malta que passa imenso tempo à porta dos prédios.”

Citado com a devida vénia do Biscoito interrompido.

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O estrebuchar histérico dos fumadores

Eu não perco um artigo do Miguel Sousa Tavares desde há muitos anos, no Público, no Expresso e na Bola, assim como não perco as suas opiniões às 3ªs na TVI. Mas a sua insistência na lei do tabaco, nos artigos que escreve no Expresso, já começa a cansar. Ao contrário do que afirma na edição do último sábado, os fumadores perderam a batalha e perderam-na em toda a linha. Ao contrário do que se apregoa por aí, os restaurantes, bares e cafés continuam cheios, os centros comerciais idem. Ainda na passada semana estive em Portalegre em 3 bares diferentes e o único que era de não fumadores estava tão cheio que não se podia lá entrar, havendo mais do dobro das pessoas na rua, enquanto os dois de fumadores estavam menos de meios. E a diferença do que se respira agora é abismal: finalmente pode-se entrar em qualquer sítio sem ficar a tresandar a tabaco em dois minutos.
Também as reacções quase histéricas nos debates da rádio e da televisão (onde uma professora fez uma triste e lamentável figura, cobrindo-se de ridículo) têm deixado clara a fraqueza dos argumentos dos fumadores inveterados e empedernidos, que apenas reclamam o seu direito continuado a poluir os seus pulmões e incomodar o próximo. A sua fúria pseudo-libertária resume-se sempre a um “eu hei-de fumar enquanto quiser e vou fumar até morrer e ninguém me pode obrigar a ser saudável”, porque não conseguem ir mais longe, tão fraca é a argumentação. Para além da própria imbecilidade do acto em si, maior estupidez é defender furiosamente a vontade de fumar “até à morte”. Claro que o direito dos não fumadores a não fumarem o fumo alheio continua a passar-lhes completamente ao lado, pois é um assunto para o qual se estão completamente nas tintas.
Pois é, só que agora vão fazê-lo sem incomodar o próximo, porque quem não é fumador tem muito mais direito a não levar com o fumo alheio, e isso é que eles nunca conseguirão entender.
Desistam, porque não há volta para trás. Esta lei só peca por tardia. E já agora, um conselho: aproveitem para deixar de fumar.

Kroniketas, sempre kontra as tretas