terça-feira, 16 de dezembro de 2003

Ladrando à Lua (2) - O Post Eléctrico

Somos um país do caraças! Qual é a outra nação do mundo, por mais rançosa ou atrasada, das profundezas do terceiro mundo ao aglomerado insalubre de barracos mais pobre, que tem um poste eléctrico plantado a meio duma estrada?
Qual é o povo que concluiria que um acidente provocado por esse poste teria certamente origem no excesso de velocidade (espécie de aspirina que explica tudo em matéria de acidentes de viação) e não na colocação inaudita do referido mastro? Bem, é certo que estava no eixo da via, que só deve ser cruzado para ultrapassar, portanto, tecnicamente, não devia estorvar a condução (meu deus, isto pega-se!).
Andava ali a boa da EDP, naquele ritmo característico “chove não molha” tão do agrado dos nossos serviços públicos, a braços com o poder local que também não arranjou melhor solução do que asfaltar à volta, quando vieram os intrometidos da tv a estragar a situação! Aquilo resolvia-se, mais ano menos ano, qual era a pressa? O poste não ia fugir, a estrada também não…!
Às vezes, até a tv trabalha por uma boa causa. E não é que o raio do poste, um par de dias depois de ter aparecido na televisão, já tinha fugido para a berma, eliminando assim duma penada o assunto de reportagem e uma possível atracção de interesse turístico? Realmente, ser famoso dá jeito…
Agora pergunto: se foi possível resolver o problema assim tão rápido, porque não tinha ainda sido resolvido? Porque o português só resolve os problemas com o cão a morder-lhe os calcanhares (ou o chefe, ou o patrão – os animais são intercambiáveis), e se puder deixar para daqui a 6 meses, resolve-se nessa altura, porque agora não dá jeito e um poste no meio da estrada não é um assunto urgente. Ainda se fosse uma conta em atraso!
tuguinho, cínico encartado