sexta-feira, 12 de dezembro de 2003

A iliteracia na tugalândia

Se há coisa com que não posso é com as calinadas que se dão no português. Anos e anos de novas técnicas pedagógicas deram nisto: várias gerações seguidas que não sabem escrever português nem entendem frases com mais de três palavras…
Se não fosse tão triste, por vezes seria hilariante: desde os casos de gritante analfabrutismo até às gralhas por evidente ignorância e falta de cultura geral, o tuga iletrado já chegou a todo o lado – da Antártida sovada pela “Antártica” (muito frequente, esta), à “medula-espinhal” que me ficou atravessada na garganta (recorrente, num programa de tv sobre o corpo humano), há de tudo para todos, há gralhas que vão ao encontro do gosto de qualquer um (e não “de encontro ao”, senhores jornalistas!)

Dantes o arquétipo do analfabeto era o do pastor que tinha passado a vida com as cabras (das que dão leite) que, como ele, também não sabiam ler nem escrever. Ou o pobre que teve de ir trabalhar antes de aprender as primeiras letras. Ou seja, analfabetos pelas circunstâncias da vida. Agora é mais grave, porque o analfabeto pode estar à nossa frente a vender-nos um seguro de vida ou um Mercedes último modelo (não faz mal sonhar), de calça de fazenda cara, sapatinho de vela e camisinha de marca! Eles andam entre nós e não se distinguem à primeira vista!!
Ó que saudades dos honestos “há-des” da minha infância (não é que seja velho, mas já tenho algum uso)!
Esta quinta-coluna insidiosa andou nos liceus e até nas universidades e, mais grave, alguns saíram de lá com diplomas. Pensar que podem estar a governar o país daqui a alguns anos causa-me calafrios…
Bem, mas já me estou a alargar, vamos concluir. Podem contar com as Krónikas Tugas para combater as labaredas de ignorância que grassam por esse país fora, qual lança apontada para o sítio onde doer mais a essa gente (aceitam-se sugestões).
É que se, como dizia o poeta, a nossa pátria é a nossa língua, então vamos perder a independência se continuarmos por este caminho…