sábado, 13 de dezembro de 2003

Futebolices

Como não podia deixar de ser, lá vem o futebol. Portanto, quem não gostar pode parar de ler por aqui. E quem não for benfiquista nem devia ter começado a ler...
Então agora está na moda a renovação do jovem João Pereira. Parece que o rapazinho (19 anos) não está agradado com os números do contrato que lhe é proposto (ele ou o empresário, claro). Parece que 900 contos é pouco.
Esperem lá. Eu disse 900??? E disse que ele tem 19 anos? Há qualquer coisa aqui que está mal. O puto até é promissor, e está em alta. Mas ainda não passa disso mesmo, uma promessa, um projecto de jogador. Tal e qual como Laszlo Boloni disse do Ricardo Quaresma. E já estar a armar aos cucos, a armar em vedeta? Mas quem é que ele pensa que é?
Dão 900 contos? Parece que entretanto a parada já subiu. Mas digam-me lá onde é que pagam 900 contos, que eu vou já para lá sem discutir.
Esta história da renovação começa a parecer uma novela, e já começa a cheirar mal. Parece a renovação do Camacho. Passam semanas e semanas e não aparece outra coisa nos jornais. Será que não há um contrato que se faça no Benfica que não tenha que ser discutido na praça pública? Não será isto mais um sintoma da inabilidade dos dirigentes para tratar destes assuntos? (descansem que eu prometo voltar à carga em relação a isto...)
Mas afinal, porque é que o jovem João Pereira não renova? Estará já a sonhar com o estrangeiro? Ou tem propostas de outros clubes? Quererá ele ir para o Porto, para depois dizer, como o Maniche, que 1 ano nas Antas valeu mais que 15 na Luz? Se quer ir, que vá. Ele que veja o que está a acontecer aos últimos emigrantes do futebol tuga: fazem uma boa época e aí ficam eles, aos 18 anos, de cabeça no ar a sonhar com a Espanha, a Itália, a Inglaterra. Resultado: o Hugo Viana vai ser recambiado para ver se cresce, o Cristiano Ronaldo joga aos bochechos e já foi repreendido pelo hábito das simulações, o Ricardo Quaresma está muito longe de se afirmar no Barcelona. Qualquer jovem que se destaque durante 6 meses já pensa que é o maior, quando afinal ainda não provou nada. O Figo teve que correr muito e ter uma grande força mental para se aguentar no Barcelona e se ir impondo até chegar a capitão. Depois, foi o que se viu. Mas Figos não aparecem todos os dias. Veja-se a carreira da maior parte dos nossos emigrantes, mesmo os considerados grande jogadores. Humberto Coelho, Alves, Oliveira, Chalana, Fernando Gomes, Jordão, Futre, Simão Sabrosa. Quem fez uma carreira ao nível do Figo? O próprio Futre, afinal, nunca passou de um clube mediano como o Atlético de Madrid, para acabar a saltitar de clube em clube todos os 6 meses. O próprio Rui Costa brilhou inutilmente durante anos na Fiorentina, um clube sem a expressão que o seu talento merecia. Fernando Couto e Sérgio Conceição jogam de vez em quando. Só o Pauleta brilha com os golos que marca em França. Dos outros nem vale a pena falar, porque muitos deles não se sabe sequer onde estão. Seria melhor que os “conselheiros” dos jogadores (os empresários, essa classe parasita que é o grande cancro do nosso futebol) lhes abrissem os olhos, em vez de os iludir com transferências milionárias que redundam quase sempre em fracasso.

Kroniketas, sempre kontra as tretas