domingo, 9 de outubro de 2005

A teimosia de Scolari

Portugal cumpriu os mínimos num triste jogo com o Liechtenstein que valeu o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2006. Para além duma série de erros individuais calamitosos que tornaram tormentoso um jogo que deveria ser fácil, não posso deixar de destacar algumas opções do seleccionador que resultam apenas da sua casmurrice.
A insistência no guarda-redes Ricardo podia ter saído muito cara a Portugal, e só não saiu porque uma bola mal socada por ele e que depois lhe passou por baixo das pernas a caminho da baliza... encontrou um jogador adversário deitado no chão. A presença de Ricardo na baliza é um autêntico calafrio e pode tornar-se trágica se Scolari teimar em pô-lo a jogar. De cada vez que interveio, a acção de Ricardo foi pouco menos que desastrosa. Não foi por ele que Portugal ganhou este jogo.
A outra teimosia incompreensível é a insistência em Pauleta. É verdade que o açoriano marca muitos golos em França, mas desde o Europeu de 2004 que a sua eficácia ao serviço da selecção tem sido quase nula. A obsessão doentia, veiculada pelos media, em ultrapassar o recorde de golos de Eusébio pela selecção transformou este jogo quase numa formalidade de importância secundária, parecendo que a única coisa que interessava eram os golos do Pauleta. A verdade é que, mais uma vez, a sua prestação deixou muito a desejar, o que o golo marcado não disfarça. Era mais que evidente a necessidade de entrar Nuno Gomes, que só entrou a 8 minutos do fim e três minutos depois de estar em campo marcou o golo da vitória, o que Pauleta falhou repetidas vezes.
As opções para a equipa que joga devem ter em conta a eficácia e não as teimosias do seleccionador. E nos lugares mais importantes da equipa (o jogador que deve evitar os golos e aquele que deve marcá-los) as teimosias só podem dar mau resultado.

Kroniketas, sempre kontra as tretas