domingo, 2 de outubro de 2005

Apit'ó combóio!...

Ao chegar ao rectângulo tuga no dia de ontem, fui confrontado com a notícia da iminente demissão de administradores da Refer, diz-se que por causa de má gestão, com contornos de dolo. Qual é a admiração? Quando os critérios para nomeação de gestores de empresas públicas e afins são os do compadrio e do amigalhismo (puro ou político), o que causa admiração é que nem todos acabem assim, demitidos.
Estes parasitas que saltitam de empresa para empresa, à nossa custa e sem controlo, têm geralmente competência para esfregar escadas ou entregar pizzas, sem ofensa para os profissionais da área, mas como têm os amigos certos ou estão no partido adequado, lá continuam alegremente a passear a sua incompetência sem serem minimamente responsabilizados.
Também li que o Jorge Coelho é de opinião que deviam acabar as candidaturas independentes às autarquias, porque elas eram usadas pelos desalinhados dos partidos para se candidatarem contra eles. Ó amigo Coelho, eu até julgava que os partidos eram organizações que partiam da necessidade do povo ser representado, visto que não existem edifícios que comportem 10 milhões numa assembleia! Agora fiquei a saber que existem porque sim e que as pessoas devem ficar quietinhas e obedecer-lhes.
Lá porque a lei foi usada por meia dúzia de sacanas oportunistas que não querem largar os tachos, não se deve tomar a parte pelo todo! Mas isto não é mais do que outra manifestação da aparelhística usada por todos os partidos, que se transformaram há muito em agências de emprego e de distribuição de benesses. E mais do que nos atarem as mãos a eles, devemos cada vez mais poder sair desse espartilho e poder fazer ouvir a nossa voz fora dos esquemas estabelecidos.
E é assim que vamos sobrevivendo, numa espécie de ópera bufa em que é o próprio rei que grita que vai nu, mas nada faz para se cobrir...

tuguinho, cínico encartado