sábado, 19 de junho de 2004

À volta da selecção

Parece que desde as 19h45 da passada 4ª feira o seleccionador Luís Felipe Scolari passou rapidamente de besta a bestial. Tudo por causa de três mudanças na equipa que entrou em campo para defrontar a Rússia. Tal como a nação portista exigia, Ricardo Carvalho, Nuno Valente e Deco jogaram de início. Assim ficou reconstituído o núcleo duro do Porto e o trio-maravilha do meio-campo. E como ganhámos, agora é tudo óptimo, quando antes era péssimo.
Aquilo que alguns “entendidos” se esqueceram de dizer foi que a Rússia foi uma equipa extremamente macia, que nos deixou jogar, ao contrário da Grécia, que pura e simplesmente nos atropelou a meio-campo e não nos deixou ter a bola durante a primeira meia-hora (sim, continua a ser verdade que uma equipa joga o que a outra deixa jogar). Portanto as análises feitas à equipa pecam por estar incompletas ao não levar em conta o adversário, por um lado, e ao ignorar que o trio-maravilha esteve em campo na 2ª parte contra a Grécia e não se viu nada de particularmente bom. E afinal, a exibição contra a Rússia também não foi o esplendor que alguns por aí apregoam.
Mais importante do que saber se deve jogar Deco ou Rui Costa, Simão ou Cristiano Ronaldo, Pauleta ou Nuno Gomes, o que todos pareceram ignorar foi que, contra a Grécia, Costinha não existiu. Só apareceu em destaque duas vezes: quando levou um cartão amarelo (pois é, no Europeu não se pode jogar com a dureza com que se joga no Porto) e quando fez uma assistência magnífica para um grego que deu origem à jogada do penalty. E durante meia-hora, ele e Maniche foram um meio-campo que não conseguiu segurar o jogo. Agora digam lá: o problema era estar em campo o Rui Costa?
Cá para mim, a alteração fundamental, e aquela que não foi feita, era a entrada do Petit, para dar consistência defensiva ao meio-campo e travar a avalanche grega. E provavelmente contra a Espanha vai ser esse, novamente, o busílis da questão, porque os espanhóis não são macios como os russos e o problema será aguentar a fúria espanhola. Veremos então se o trio-maravilha o consegue fazer, ou se eu tenho razão naquilo que digo.
E já agora: o Rui Costa deu uma grande bofetada nos seus coveiros com aquela jogada do 2º golo.

Kroniketas, sempre kontra as tretas (e armado em treinador de bancada)