domingo, 6 de junho de 2004

Banhada no festival

A transmissão na SIC Radical dos concertos do Rock-in-Rio tem-me permitido ir observando alguns nomes que não conhecia e conhecer melhor alguns que só quase conhecia de nome. Depois de ver ao vivo o Ben Harper (uma agradável surpresa) e uns tais Jet (pensava que já não existiam grupos destes, que se limitam a maltratar instrumentos sem que se consiga apreender duas notas musicais seguidas), para além das restantes actuações do 1º e do 2º dia, em que já sabia o que iria encontrar, tenho-me entretido a ver os restantes dias do festival pela televisão.
Grupos como Metallica, Sepultura e outros não me dizem grande coisa, mas ontem tinha alguma curiosidade em relação ao cartaz presente. Não sabia que o alinhamento tinha sido alterado em relação ao que estava anunciado, mas valeu a pena ficar até às 3 e tal a ver a Daniela Mercury, de quem nunca tinha visto um espectáculo completo.
Mas quanto a uma intitulada “rainha da pop”, por amor de Deus! Então a ex-menina-virgem Britney Spears veio cá fazer o quê? Mas ela cantou? Metade do “espectáculo”, cá para mim, foi “playback”, quer de vozes, quer de instrumentos. Estava tudo demasiado certinho e sofisticado para que fosse ao vivo. Nem se via os músicos a tocar (será que eles são músicos?). Depois os comentadores da SIC estavam a dizer o mesmo, e os comentários nos sites vão no mesmo sentido. Já hoje li e ouvi comentários de quem lá esteve a dizer que o concerto foi TODO em “playback” total!!! Mas afinal, quem é que ela quer enganar? Os adolescentes que não ligam à música, talvez?
Pois é, meus amigos, em cima do palco é que se tira a limpo quem é que sabe cantar e tocar. O “velho” Paul McCartney, com os seus 61 anos, não teve pejo em ficar sozinho com a sua viola acústica a cantar o Yesterday, e veio acompanhado dum naipe de músicos excelentes, tal como o Ben Harper, enquanto a pseudo-cantora Britney Spears revelou-se, afinal, uma fraude.
Se é “isto” a rainha da pop, muito mal anda a pop. Uma vergonha!

Kroniketas, sempre kontra as tretas (e com o ouvido apurado)