terça-feira, 4 de abril de 2006

A síndrome da avestruz

A indústria discográfica finalmente acordou! Quando a pirataria na Internet lhes mexeu demais no bolso, finalmente decidiram agir decididos e desatar a prender toda a gente que copie ilegalmente ficheiros de música na net!
Se a pirataria não fosse mesmo um crime, equiparado a roubo, quase me apetecia dizer: bem feito! Quando se enfia a cabeça na areia geralmente sufoca-se.
Cópias ilegais existirão sempre – nenhuma sociedade eliminou alguma vez o crime totalmente -, mas o seu nível ter-se-ia mantido negligenciável se os senhores das editoras não tivessem olhado para a Internet com sobranceria e continuado a cobrar preços artificialmente altos pelos CD físicos. Mal sabiam eles que estavam a querer cavar a sua própria sepultura…
Estou a falar, obviamente, dos “piratas amadores”, miúdos e graúdos que apenas querem ter as músicas para as ouvir e não para ganhar dinheiro com a sua cópia ilegal. Dos outros, da indústria da pirataria, engavetem-nos bem!
Não se consegue parar o progresso! Tal como o vinil quase desapareceu, também a música em formato digital (mp3, wma ou outro formato de codificação) veio para ficar e para “comer” uma boa fatia de mercado ao CD, embora não me pareça que o faça desaparecer. Falo por mim, que gosto de ter a rodela dos discos que mais aprecio.
Se, atempadamente, a indústria discográfica tivesse baixado o preço dos CD para valores razoáveis, podia ter retardado esta crise, ou mesmo evitá-la se na altura tivesse embarcado logo na música em formato digital. Hoje em dia, o preço de um DVD está ao nível do de um CD, embora um filme tenha um investimento muito mais pesado do que um CD. Só não baixam porque os senhores dessa indústria não querem prescindir das percentagens chorudas que lucram sobre cada CD. Ou pensam que são os artistas que a recebem?
Não descarrego músicas ilegalmente. O que puxo da Internet, pago, e são geralmente temas soltos de que gosto e que não compraria o CD inteiro só por causa deles.
É evidente que tenho uns quantos CD em formato WMA copiados dos amigos, coisas que nunca compraria porque não justificam, para mim, os euros que o CD custaria. Os legalistas fanáticos bradam neste momento “pirata!” e eu dir-lhes-ei que é tão pirata como os filmes que todos temos gravados em cassetes vídeo a partir da televisão. Ou as fotocópias de livros que todos tirámos enquanto estudantes. Não se deve cair no exagero e taxar tudo e todos, porque senão ainda chegamos ao ponto de ter de pagar direitos por trautearmos uma canção…
Vá, experimentem baixar o preço dos CD, apostem a sério na Internet com preços atraentes e pacotes de desconto, e vão ver que a crise não é por as pessoas terem deixado de gostar de música.

tuguinho, cínico melómano