quarta-feira, 12 de abril de 2006

Afinal, para que serve a polícia de trânsito?

Localidade – Lisboa
Hora – 18:00
Local – Av. República

Situação – trânsito completamente entupido a subir a Av. República e a congestionar os vários cruzamentos. Na Av. Elias Garcia, cruzamento completamente tapado pelos que entram e ficam lá porque não conseguem avançar. Para atravessar a Av. República é preciso estar a fazer gincana entre os que ficaram a bloquear o cruzamento.
Polícias presentes no local – nenhum
Resultado – quem quer passar para o outro lado demora tanto tempo que o semáforo da Av. da República abre novamente.
E há um automobilista que leva em cheio com um táxi que entretanto arrancou e vem a descer a Av. República.
Pergunta inocente – onde é que andariam os polícias àquela hora? Estariam a chatear o pessoal que estacionou com uma roda na passadeira, ou com duas rodas no passeio?

Localidade – Lisboa
Hora – 17:30
Local – Bairro junto ao Jardim das Amoreiras

Um cidadão sai do seu trabalho e dirige-se ao carro que deixou estacionado longe, neste bairro com pouco trânsito mas onde ainda se consegue encontrar estacionamento nesta zona do coração da cidade. Como muitos outros, deixou o carro com duas rodas em cima do passeio para não ocupar a faixa de rodagem e pagou o parquímetro da zona em causa. Uma parte do bairro está em obras, a construir mais uns prédios novos, e como os lugares de estacionamento estão reduzidos há que recorrer a este meio para conseguir pôr o carro em qualquer lado.
Depois da subida íngreme desde o Largo do Rato até ao dito bairro, o cidadão dirige-se ao carro, que agora está quase sozinho naquele local. Sem nenhum carro à frente, vislumbra ao longe um papelinho rectangular no pára-brisas. Não é da EMEL, porque o parquímetro está pago. Andou por ali a polícia.
Habituado a estas andanças citadinas, o cidadão perscruta rapidamente a rua com o olhar e na esquina contrária lá está ele: o polícia de trânsito conversa tranquilamente com alguém, enquanto coça a micose e aparentemente “vigia” a obra que decorre na esquina em frente e que possivelmente justifica a sua presença ali. Ao aperceber-se da presença da autoridade, vira para uma esplanada mesmo antes de chegar junto do carro, para não ser apanhado em flagrante a entrar na viatura, e dirige-se para um pátio enquanto pensa por uns instantes o que fazer. Dá uma volta ao quarteirão e volta ao princípio da rua, tentando perceber onde está o polícia. A situação piorou. Alguém mais desprevenido entrou no carro e o polícia, de bloco na mão, já está a aplicar-lhe o devido correctivo, no carro imediatamente atrás. A decisão está tomada: não se aproximar do carro enquanto o polícia ali estiver. Um telefonema para casa avisa a família de que o regresso não se fará enquanto o polícia não se for embora, mesmo que seja preciso esperar até ao jantar. Mas como entretanto se vão fazendo horas, abandona o local e procura um café para lanchar tranquilamente. Pelo caminho há mais carros com duas rodas em cima do passeio e o parquímetro pago, mas com a multa da ordem.

Passou cerca de meia-hora. Terminado o lanche, volta ao quarteirão, por outro caminho, desta vez por trás do carro, tentando descobrir logo ao longe por onde anda a autoridade. Ao passar pela esquina onde anteriormente o polícia se encontrava, procura nas ruas transversais. Está com sorte: o polícia afastou-se para uma dessas ruas, onde está agora a chatear o condutor dum Mercedes que caiu na mesma esparrela. É a altura certa. O carro está apenas dez metros à frente. Porta aberta, chave na ignição e sair dali rapidamente antes que o polícia volte a aparecer. Só pára na rua seguinte para tirar a multa do pára-brisas.
O cidadão verifica então que tão grave contravenção lhe poderia custar logo ali uns singelos 60 €, por ter cometido o grave delito de estacionar com duas rodas no passeio num local onde há anos toda a gente estaciona, onde não atrapalha o trânsito porque só passa um carro na rua, onde quase não há trânsito a não ser daqueles que precisam mesmo de se dirigir àquela zona de ruas estreitas. E fica a pensar se este não será um dos tais que, em vez de estar ali a chatear o pessoal, deveria estar a regular o trânsito nas confusões da Avenida da República para evitar acidentes, ou até muito mais perto, ali a dois passos, no cruzamento junto às Amoreiras, onde impera o caos desde que começaram, há dois anos, as obras do túnel do Marquês.

De tudo isto, resulta apenas uma pergunta:
AFINAL, PARA QUE É QUE SERVEM OS INÚTEIS DA POLÍCIA DE TRÂNSITO, A NÃO SER PARA A CAÇA À MULTA E ROÇAR O CU PELAS PAREDES E ESTAR ONDE NÃO FAZEM FALTA NENHUMA? QUE TAL METEREM AS MULTAS NO CU?

Kroniketas, sempre kontra as tretas e os inúteis fardados