sexta-feira, 7 de abril de 2006

Agora é que os apanhámos!



Parece que o governo quer baixar ainda mais a taxa máxima de álcool no sangue. Ao que parece, a partir de agora, quem se borrifar de perfume ou desinfectar uma ferida está feito! A pele absorve o álcool e tau! , lá estamos acima da taxa máxima, com direito a prisão e sabe-se lá que mais.
Quem nos governa fez ainda outra esfusiante descoberta, que de tão evidente parece impossível que ninguém ainda o tivesse notado! Os verdadeiros culpados pelas mortes na estrada e por outros acidentes menos graves em que o álcool intervém são os viticultores, vinicultores e semelhantes espécies de energúmenos associados, como enólogos, agrónomos e outros divulgadores da pinga. Mas é tão evidente! Se são eles que fazem o vinho, são os culpados, porque o álcool vai do vinho para a veia! Aliás, é ver pelas discotecas e bares deste país os jovens, bêbedos que nem uns cachos (aqui está outra prova: “cachos”!; não se diz bêbedos que nem uma cana, ou bêbedos que nem um cereal!), de copo de vinho na mão (geralmente são schott-wiesel ou de outra marca de prestígio), pedindo em magotes nos balcões um aragonês jovem, um chardonay fresquinho ou mesmo um Barca Velha para os mais endinheirados! Depois vão para a estrada e pumba! A culpa só pode ser do vinho.
Aliás, na mesma senda, o governo prepara-se para responsabilizar as Águas de Portugal e as outras empresas do ramo por todos os afogamentos em rios e albufeiras, bem como no mar, até 5 milhas da costa. Também se diz, mas são só rumores, que as peixeiras do Mercado do Bulhão vão ser inculpadas pelas mortes provocadas por espinhas na garganta e por alergias a marisco na zona do grande Porto. E a igreja católica que se cuide, porque é por demais visível que a culpa pelos divórcios é dos padres!
Agora podemos viver mais descansados porque isto se está a compor! Os culpados estão a ser apanhados.
Já agora, só uma última pergunta: há quanto tempo é que o senhor secretário de estado não vai a uma discoteca ou um bar?

tuguinho, cínico culpado