quarta-feira, 30 de junho de 2004

Agora venha a Taça

A esta equipa de Portugal só falta uma coisa: marcar o número de golos correspondente ao que joga. Se isso acontecer, seremos a melhor equipa da Europa e uma das melhores do Mundo.
Agora só falta conseguir isso na final. Esta equipa deve isso a si própria, para não nos fazer sofrer tanto.

Kroniketas, à beira de um ataque de nervos com tanto golo falhado

Ladrando ao Sol (21) - E agora, José?

Novo Primeiro-Ministro ou Eleições Antecipadas? E agora, José? Escapuliste-te para Bruxelas e deixaste-nos com a batata quente na mão! Ou deverei dizer laranja quente?
Lendo o que diz a Constituição de um modo estrito, o Presidente da República não é obrigado a convocar eleições, desde que o partido no governo lhe consiga apresentar um novo nome que conduza a uma solução estável de governação. E o problema mora aqui: se as eleições europeias ainda não tivessem ocorrido ou o seu resultado fosse confirmativo do apoio da população ao governo, até aceitaria que o PSD continuasse a governar, desde que o nome proposto me inspirasse um mínimo de confiança. Seria melhor para o país – há que não ser demagógico nem ter ataques de partidarite.
Mas não foi isto que aconteceu: as eleições europeias deram um aviso do tamanho de Portugal ao governo e à sua política. É por isso que a ida de Durão Barroso para Bruxelas me cheira a fuga. Ele tinha a cabeça a prémio e a sua validade não passaria das próximas eleições legislativas. Sendo assim, qualquer governo estará à partida fragilizado e limitado na sua acção e, no caso provável de ter Santana Lopes como primeiro-ministro, estará limitado duas vezes, pela situação política e pelo chefe que teria…
Daí que, entre não estar parado, ter governo já e ir aos trambolhões até ao fim da legislatura ou parar por três meses mas ter algo que me dê alguma confiança e que não tenha limitações, prefiro esta hipótese. Façam-se então eleições o mais depressa possível!
Senão, só mudamos de cherne para peixe-palhaço, mas as águas continuarão turvas.

tuguinho, cínico apavorado (pela possibilidade de ver a Cinha como Ministra da Cultura!)

terça-feira, 29 de junho de 2004

Ainda mais do mesmo

Em complemento ao post anterior, e para reforçar a questão das escolhas, o mesmo se pode dizer das uniões de facto. Acho bem que estejam consagradas na lei e que sejam consideradas para efeitos fiscais. Mas pergunto: por que diabo é que devem ter exactamente as mesmas regalias dos casados? Então não querem ter as mesmas obrigações formais e querem os mesmos benefícios? Se as situações não são iguais, porque é que haviam de ser tratadas como tal?
Como diz o tuguinho, é tudo uma questão de escolhas. Quando se opta por um caminho, tem que se assumir as consequências para o bem e para o mal. Quem quer viver junto sem casar tem que aceitar as regras daí decorrentes. Assim como quem casa também tem que aceitar os resultados para o bem e para o mal. E quem está mal, muda-se.
Ninguém pode é querer sempre o melhor de dois mundos, ficar só com as vantagens da situação que escolheu e livrar-se dos inconvenientes. Não se pode ter o sol na eira e a chuva no nabal.

Kroniketas, sempre kontra as tretas e o politicamente correcto

Tolerância não é Bagunça!

1ª Regra do Krónikas: Nós não somos politicamente correctos.
2ª Regra do Krónikas: Nós nunca seremos politicamente correctos.
3ª Regra do Krónikas: Quando formos politicamente correctos, é porque estamos mortos.

E a que vem tão dedicada e explícita doutrina? Por causa do post do Kroniketas sobre a parada gay.
Como já se deve ter depreendido dos nossos escritos, nem ele nem eu somos homossexuais. Mas se fôssemos, a nossa posição sobre a parada seria exactamente a mesma: aquele folclore não tem nada a ver com sexualidade, tem a ver com descaramento; a Love Parade de Berlim, por exemplo, é a mesma treta, só que com mais gente, homo e hetero à mistura, droga à mistura e umas quecas à mistura – pensamos exactamente a mesma coisa sobre ela: folclore!
Quanto ao afirmarmos que a homossexualidade é contra-natura, nem tem discussão: é! Caso contrário as mulheres não precisariam de vagina para nada e o útero estaria ligado ao olho do cu! Perdoem-me o vernáculo, mas não soa bem dizer “ânus” nesta situação. Isto não quer dizer que eu ou o Kroniketas discriminemos ou nos afastemos de alguém por causa da sua orientação sexual, mas não nos façam sentir culpados por sermos heterossexuais! Isso é distorcer as coisas.
Andamos cá todos, e não é este aspecto da nossa vivência que nos faz melhores ou piores. Aceito perfeitamente que existam casais homo e que em termos fiscais e outros possa ser considerada uma união de facto. Mas não metam nem casamentos, nem adopções pelo meio, por favor.
Existem certas opções na vida, ou de vida, que nos levam por caminhos em que ganhamos umas coisas e perdemos outras. Toda a gente tem direito a ser feliz. Mas as opções são isso mesmo, e quando as tomamos sabemos o que vamos ganhar e o que vamos perder.
A nossa opinião é esta, poderia ser outra diferente. Mas nunca será uma opinião de conveniência, só para sermos politicamente correctos.
4ª Regra do Krónikas: Nós não somos politicamente correctos. Somos inconvenientes!

Nota: Minha querida Papoila, obrigado pelo teu comentário. Sabes que as tuas opiniões são sempre consideradas, mesmo que não concordemos com elas. Somos um blog ao teu dispor.

tuguinho, cínico encartado (muito alegre mas não gay)

segunda-feira, 28 de junho de 2004

Orgulho idiota

Vi na televisão as imagens de um desfile na Avenida da Liberdade, em Lisboa, de um grupo intitulado “orgulho gay”. Só o nome é logo de muito mau gosto. Se ser homossexual é contra-natura, exibi-lo orgulhosamente em público é aberrante. Não consta que qualquer heterossexual tenha necessidade de desfilar para a baixa lisboeta a proclamar o seu orgulho em gostar de ter relações com o sexo oposto.
Afinal, de que é que eles têm orgulho? E o que é que eles pretendem? Porque é que hão-de ter todo o tipo de direitos de qualquer casal normal? E se metessem o idiota do orgulho no mesmo sítio em que gostam de meter outras coisas e não nos chateassem? Alguém tem culpa de haver uns maduros que gostam meter no traseiro outras coisas além de supositórios? Então façam-no em casa, que os outros não têm nada com isso.
As escolhas de cada um só ao próprio dizem respeito, mas não queiram impô-las à sociedade. Eu não aceito que um casal homossexual possa ter, por exemplo, o mesmo tipo de direitos parentais que eu e a minha mulher temos em relação aos nossos filhos.
E a propósito, o que é que estava lá a fazer o Miguel Portas? Não faria melhor em preocupar-se em fazer oposição ao governo ou pensar no que vai fazer em Bruxelas, do que andar a desfilar em manifestações ridículas?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 26 de junho de 2004

Durão a caminho de Bruxelas

Pois que vá, vá. Boa viagem. Pena é não levar com ele a Manela.
E já agora, porque é que o Presidente da República não aproveita para convocar eleições? Era a grande oportunidade de nos livrarmos de todos duma vez só…

blogoberto, chico-esperto

Ladrando ao Sol (20) – A Piada do Ano

A silly season este ano atacou mais cedo e em força. Depois das alucinações colectivas que transformaram, para muita gente da coligação, uma derrota expressiva nas eleições europeias num incentivo – presumo que devemos encarar um despedimento, quando nos atingir, como um sinal para melhorarmos o nosso desempenho –, tivemos a grata surpresa de ver Durão Barroso em viagem para Bruxelas e o susto de ver Santana Lopes proposto para Primeiro-ministro.
Escalpelizemos os factos: é notório que ter um português como presidente da comissão europeia só honra o nosso país. Que esse português seja o Durão Barroso é outra das vantagens. Portanto, por este lado não há problema nenhum, só benefícios. E até constitui uma saída airosa para um derrotado recente e em declínio de popularidade (para não lhe chamar outra coisa).
Analisemos agora o lado lunar da coisa, parafraseando o Rui Veloso: Santana Lopes como chefe do governo. Já imaginaram a grande obra deste senhor como primeiro-ministro? O túnel do Marquês prolongado até Santa Apolónia, com cruzamentos semaforizados em várias estações do Metro, talvez? Ou uma auto-estrada sem portagens entre a Kapital e o Clube-T no Algarve!
Nada nos move contra Santana Lopes ou outro político como pessoas, estamos a falar da sua actuação política (bem, talvez possamos excluir o Paulo Portas desta nossa posição, está bem?). Além das permanentes mudanças de rumo e posição, o que é que Santana Lopes já deu ao país? Com excepção dos concertos para violino de Chopin e de um túnel que é um grande buraco sem utilidade, que grande ideia ou benefício para a nação saiu daquela cabecinha? Santana como primeiro? O país ensandeceu!
Se com Durão tínhamos apenas um governo no rumo errado, com Santana+Portas vamos ter um governo cata-vento, a governar de acordo com as audiências e os shares. Vamos ser um imenso e interminável talk-show!

tuguinho, cínico encartado (e com tudo isto alucinado)

sexta-feira, 25 de junho de 2004

Desde que sonhem acordados e a correr muito...

Esqueceste-te do Scolari - faça o que fizer daqui para a frente, já calou os detractores e atingiu os objectivos.
E agora? Almôndegas suecas ou... epá! Os holandeses têm cozinha, mesmo que má? Alguém sabe qual é o prato típico dos holandeses? Tamancos no forno? Menina na montra ao natural? Bem, isso agora não interessa nada - venha quem vier, que faça as reservas do voo para voltar para casa. Isto é nosso! Fomos nós que organizámos, a bola é nossa e queremos ganhar a rifa! Por isso, eles que venham.
Portugal! Portugal! Portugal!

tuguinho, cínico emocionado (com a força da selecção)

quinta-feira, 24 de junho de 2004

Agora o sonho é possível

Foram 14 heróis que mandaram a Inglaterra para casa.
Obrigado, rapazes.

Kroniketas, agora sim, eufórico com a Selecção

quarta-feira, 23 de junho de 2004

Acabar com os passes sociais

- O governo quer acabar com os passes sociais a preço único, passando este a depender da declaração do IRS.
(Um qualquer deputado do PSD veio ao fórum TSF defender esta medida aberrante com uma série de parvoíces, justificando que as empresas privadas de transporte têm vindo a perder clientes. Para ganhar clientes, nada como aumentar os preços dos passes. O mesmo método, como toda a gente sabe, deve ser usado para incentivar os portugueses a usar os transportes públicos e deixar o carro em casa. Será que o sr. deputado do PSD acha que os portugueses são todos atrasados mentais que engolem estas patranhas?)
- O governo acabou com as portagens gratuitas na CREL (o que, como também toda a gente sabe, é outro método excelente para tirar os carros da cidade).
- O governo quer acabar com os descontos para a segurança social pública dos funcionários que tenham um determinado rendimento.
- O governo quer acabar com a presença no sector público de empresas do ramo dos transportes, comunicações, saúde, combustíveis, etc.
- O governo quer acabar com o bem-estar dos portugueses.
- O governo quer acabar com a classe média.
- O governo quer acabar com as condições de vida minimamente dignas da maioria da população.

É altura de sermos nós a acabar com este governo, antes que ele acabe connosco.

Kroniketas, sempre kontra as tretas e farto dos imbecis que nos (des)governam

terça-feira, 22 de junho de 2004

Constituição europeia

Parece que os políticos andam todos contentes porque foi finalmente aprovada uma constituição europeia.
Agora alguém me diga: no que é que isso contribui para a minha felicidade?

Blogoberto, chico-esperto

segunda-feira, 21 de junho de 2004

Scolari afinal é bom

Pois é, os meus receios felizmente não se confirmaram. Ganhámos à Espanha e ganhámos bem.
Agora já toda a gente deve estar com o seleccionador. Aqueles que o têm atacado por todos os lados pode ser que agora se calem e deixem o homem mostrar trabalho. A verdade é que depois do começo desastroso a equipa tem vindo a melhorar e, com retoques de jogo para jogo, vai ficando mais sólida.
Agora, tudo é possível. Tendo ganho o grupo (o que seria impensável há uma semana atrás), pode ser que nos livremos da França para já. Quanto ao resto, não há limites para o sonho. Assim a equipa confirme o seu crescimento e consiga, como agora conseguiu, ser suficientemente madura para não falhar nos momentos decisivos.

Kroniketas, sempre kontra as tretas (e moderadamente optimista)

O Mais Importante de Tudo

O mais importante deste jogo não foi propriamente termos passado aos quartos-de-final - é que depois dele talvez a cambada de ignorantes que mora por esse mundo fora deixe de nos confundir com Espanha!

Blogoberto, chico-esperto

domingo, 20 de junho de 2004

O Chuto na Desgraça

Pelo menos por uma vez demos um chuto na desgraça! Pegámos o touro pelos cornos e fizemos uma pega de caras (juro-vos que não estou a falar de touros e com isso a violar os Princípios do Blog – é apenas uma metáfora)! Largámos a calculadora e enfrentámos as coisas de frente.
Sem embandeirar em arco, sem euforias tolas, que venham os próximos, quaisquer que eles sejam. Prá frente, Portugal!

tuguinho, cínico engalanado (com os símbolos nacionais)

O Jogo do Ano: Krónikas Tugas, 1 – Intelectualóides, 0

Existe uma casta de pessoas que lida mal com certos aspectos mais populares da cultura. São os tais que já não consideram um livro se vendeu mais do que 100 exemplares (contando com os amigos do autor), um filme se foi visto por mais de mil indivíduos (contando com os que dormem no cinema) ou um músico se tiver a mais pequena ideia de se aproximar dos tops (mesmo que a possibilidade seja mais remota do que uma aldeia perdida nas faldas dos Himalaias). Dentro desta casta existem algumas variantes, que normalmente se expressam pela exacerbação de determinada coisa ou assunto: ele é o livro que é o suprasumo da literatura e que só a seita sabe apreciar, ele é o colunista que se eleva acima dos mortais e que só aqueles eleitos são dignos de admirar, etc., etc., ad nauseam.
Esta visão elitista das coisas normalmente alarga-se a outras áreas das actividades humanas, com especial incidência no futebol: quem gosta de futebol é a populaça, que horror, gostar dessa coisa era o mesmo que descer ao lúmpen da sociedade! Gostar de futebol é para essa gente sinónimo de comportamento indigno, boçalidade, motivo para ostracismo. Dizer que não nos interessamos por futebol faz-nos logo franquear o portal do clube, embora não possamos ainda aceder à sala de leitura.
Existem certas áreas da actividade humana, física ou mental, que não me interessam minimamente, mas não é por essa razão que as considero indignas ou aviltantes, ou simplesmente desprezáveis. Simplesmente não me interesso ou não gosto. Não me aponho atitudes de arrogância intelectual em relação a elas, como a casta dos intelectualóides o faz, como referi, ao futebol.
Por que não há-de ser a vitória num campeonato europeu ou mundial de futebol tão importante como a atribuição de um prémio Nobel? Vá, livrem-se lá desses fios de nylon barato dos preconceitos e pensem um bocadinho: há alguma razão para estabelecer uma escala de valores tão díspar entre estes dois, digamos, cometimentos? Não envolvem ambos mérito, esforço, genialidade mesmo? É mesmo uma diferença que um seja alcançado por manipulação exímia duma bola com os pés e o outro por manipulação das pequenas células cinzentas (obrigado, Monsieur Poirot)?
Não me quero armar em educador do povo, nem com isso estar a cair na mesma arrogância dos intelectualóides, mas neste tempo de campeonatos europeus de futebol, de febre dos fenos e de outras alergias, causam-me mais pruridos estas posições hieráticas deste escol de auto-iluminados…

tuguinho, cínico encartado (e armado em intelectual de bancada)

sábado, 19 de junho de 2004

Melhor defesa direito da Europa?

E já agora tomem nota: o Paulo Ferreira em Inglaterra vai ser mais um barrete que o Porto consegue enfiar nos estrangeiros, tipo Secretário. Já dizem por aí que ele é um dos melhores laterais da Europa, mas eu não vi nada que o justificasse. Posso estar enganado, mas é cá um palpite.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

À volta da selecção

Parece que desde as 19h45 da passada 4ª feira o seleccionador Luís Felipe Scolari passou rapidamente de besta a bestial. Tudo por causa de três mudanças na equipa que entrou em campo para defrontar a Rússia. Tal como a nação portista exigia, Ricardo Carvalho, Nuno Valente e Deco jogaram de início. Assim ficou reconstituído o núcleo duro do Porto e o trio-maravilha do meio-campo. E como ganhámos, agora é tudo óptimo, quando antes era péssimo.
Aquilo que alguns “entendidos” se esqueceram de dizer foi que a Rússia foi uma equipa extremamente macia, que nos deixou jogar, ao contrário da Grécia, que pura e simplesmente nos atropelou a meio-campo e não nos deixou ter a bola durante a primeira meia-hora (sim, continua a ser verdade que uma equipa joga o que a outra deixa jogar). Portanto as análises feitas à equipa pecam por estar incompletas ao não levar em conta o adversário, por um lado, e ao ignorar que o trio-maravilha esteve em campo na 2ª parte contra a Grécia e não se viu nada de particularmente bom. E afinal, a exibição contra a Rússia também não foi o esplendor que alguns por aí apregoam.
Mais importante do que saber se deve jogar Deco ou Rui Costa, Simão ou Cristiano Ronaldo, Pauleta ou Nuno Gomes, o que todos pareceram ignorar foi que, contra a Grécia, Costinha não existiu. Só apareceu em destaque duas vezes: quando levou um cartão amarelo (pois é, no Europeu não se pode jogar com a dureza com que se joga no Porto) e quando fez uma assistência magnífica para um grego que deu origem à jogada do penalty. E durante meia-hora, ele e Maniche foram um meio-campo que não conseguiu segurar o jogo. Agora digam lá: o problema era estar em campo o Rui Costa?
Cá para mim, a alteração fundamental, e aquela que não foi feita, era a entrada do Petit, para dar consistência defensiva ao meio-campo e travar a avalanche grega. E provavelmente contra a Espanha vai ser esse, novamente, o busílis da questão, porque os espanhóis não são macios como os russos e o problema será aguentar a fúria espanhola. Veremos então se o trio-maravilha o consegue fazer, ou se eu tenho razão naquilo que digo.
E já agora: o Rui Costa deu uma grande bofetada nos seus coveiros com aquela jogada do 2º golo.

Kroniketas, sempre kontra as tretas (e armado em treinador de bancada)

sexta-feira, 18 de junho de 2004

A Banhos

Pedimos desculpa pelos parcos posts. Estamos todos a banhos... de futebol! Não dá para escrever grande coisa...
O tuguinho e o Kroniketas porque gostam, a Mónica porque o namorado a obrigou, o Valter porque quer ver as russas e os outros borrachos que aparecem nos jogos, o Blogoberto porque é maluco e o Idálio porque sim.

tuguinho e kroniketas, os diletantes preguiçosos

quarta-feira, 16 de junho de 2004

O cherne está frito!

Tal como tinha prometido num “post” anterior, não votei nestas eleições (até porque não estava cá), mas gozei à farta com os resultados. E que ridículas foram as reacções dos PSD’s e PP’s perante a hecatombe eleitoral. O que mais me impressionou foi ver como um tipo culto e inteligente como o Vasco Graça Moura perde completamente o raciocínio quando se trata do PSD (afinal, ele é o cavaquista mais cavaquista que o próprio Cavaco)! Utiliza os argumentos mais rebuscados e tortuosos para mascarar a realidade, e mantém-se firme e hirto, como o Alexandrino, no apoio à política do governo, garantindo que não vai haver viragem nenhuma. Foi preciso o Miguel Sousa Tavares lembrar-lhe que a viragem já aconteceu: no eleitorado.
No mesmo sentido foi a declaração do cherne. Ele percebeu os sinais – ó se percebeu! – mas vai manter a mesma linha de rumo, prosseguindo a política de verdade. Depois da verdade que nos apresentaram na guerra do Iraque, já todos percebemos que verdade é essa.
Mas não faz mal, porque a verdade verdadeira é que o cherne… está frito! Depois deste cartão amarelo (isto foi mais um cartão laranja), tem o caminho garantido para o cartão vermelho daqui a 2 anos. E continuando com esta política, então o desastre em 2006 será ainda maior. Pode ser que nessa altura fiquem reduzidos à ínfima expressão.
Podem ir aquecendo o óleo em lume brando…

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 15 de junho de 2004

O País Bipolar

Os Tugas são danados. Tanto embarcam com o maior dos entusiasmos no que lhe propõem, como logo a seguir estão a carpir as suas mágoas, mergulhados na maior depressão. Somos um país bipolar!
Agora entusiasmámo-nos com a selecção nacional de futebol, mas já estaremos provavelmente à beira do abismo da descrença e de tangermos novamente o fado da desgraçadinha… Vá lá que, contrariamente ao que esperava, as bandeiras nacionais não desapareceram após a derrota com a Grécia. Apesar de tudo, estamos a mudar! Mas não tanto que os jogadores e técnicos portugueses não tenham sentido as orelhas quentes no passado sábado, depois dos impropérios e palavrões com que certamente foram mimoseados por toda a tugalândia. E foram bem merecidos, diga-se.
É bom que mudemos. E que as bandeiras do nosso entusiasmo em relação àquilo em que nos empenhamos não sejam recolhidas à menor contrariedade. Fados e destinos traçados ficam bonitos nas canções, mas não caem nada bem a quem se queira aventurar no futuro.
Mas deixemo-nos de tretas: agora o que é preciso mesmo é estraçalhar os russos e esmagar os espanhóis!
Força Portugal! (slogan not affiliated with the political coalition)

tuguinho, cínico encartado

sexta-feira, 11 de junho de 2004

A Iliteracia na Tugalândia (6) – Mais valia darem-me um tiro na nuca…

No Expresso do último sábado:
“Dos milhares de refugiados que passaram por Lisboa não ficou nada se não a imagem de uma ditadura…” – no Expresso não se lêem as Krónikas Tugas, está visto.
“Quando o mestre se imola, cola aos olhos, boca e orelhas um caractere que significa “encerramento”” – quando este jornalista escreve e este revisor lê, colam aos olhos, boca e orelhas um carácter que significa “imbecis”! Além de não lerem as Krónikas, nem o revisor ortográfico do processador de texto usam…
Esta vinha num panfleto de um supermercado de origem alemã, que versava sobre as características de um computador pessoal que punham à venda:
“Através do elevado desempenho do sistema operativo Windows XP Home Edition o processamento de médias digitais é uma brincadeira de crianças” – mas escrever não é, e se bem que a utilização do termo “media” não esteja completamente definida, “médias digitais” de certeza que está errado! Use-se o termo de origem latina (media – que é plural, não se esqueçam), adapte-se o termo à nossa grafia (média – mais uma vez, é plural), como em “multimédia” se faz, ou utilize-se “meio” ou “meios”, ou “suporte” e “suportes”, de acordo com o contexto.
Arre, que são burros!

tuguinho, cínico descoroçoado

quarta-feira, 9 de junho de 2004

O Opúsculo Sarnento

Chegou-me ontem à caixa de correio um folheto anónimo que rezava assim:
“Tem compaixão de nossa senhora. Com o teu voto não permitas que o seu filho seja posto fora da Europa!”
Chegado aqui pensei tratar-se de um problema qualquer com emigrantes clandestinos, mas logo o “Alerta!” escarrapachado no reverso me elucidou sobre o verdadeiro objectivo do opúsculo: contar-me detalhadamente como os deputados dos partidos de esquerda portugueses votaram contra a inclusão de referências ao cristianismo na futura constituição europeia, posição contrária à dos tementes e crentes deputados dos partidos de direita, que votaram a favor…
Pois é, trinta anos depois dos últimos resquícios do botismo (a doutrina política do Botas), ainda há quem não se tenha desenvencilhado de certos tiques paroquianos de outrora, e tente por métodos que nada têm a ver com a democracia conseguir vantagens sobre os adversários. E nem falta o logótipo da coligação “Força Portugal” bem juntinho aos símbolos do PSD e do PP! Fazendo aqui um parêntesis no tema deste post, ao contrário da maioria das pessoas que liga o nome desta coligação ao mundo do futebol, a mim parece-me que a ideia terá sido bastante mais escatológica: imaginem o país com prisão de ventre e o Durão e o Portas junto a ele a berrarem “Força, Portugal! Há-de sair, há-de sair! Força!”. Fim do parêntesis.
Tal como o funesto acontecimento da morte de Sousa Franco não deve influenciar o voto do cidadão esclarecido, também este opúsculo sarnento – do mesmo calibre do outro sobre o aborto distribuído pelas escolas há uns meses – não deve influenciar ninguém no sentido do seu voto, mesmo o daqueles que se dizem cristãos.
Não se está aqui a negar que o cristianismo, umas vezes bem outras vezes mal, constitua uma das bases da matriz que nos define como civilização, mas não se misturem pilares culturais com instrumentos políticos! Pela mesma ordem de ideias, também os alemães poderiam querer uma referência na mesma constituição à cerveja, contributo fundamental da sua identidade como povo! Poucos concordariam, não é? Parece que os ouço: “Mas não são de igual importância, não tem nada a ver!” – o problema é que a argumentação é exactamente a mesma e, dependendo das pessoas, a cerveja pode ser bem mais importante que qualquer religião.
Um autodenominado “Comité para um Portugal livre-Free Portugal” (sic) assina a peça. Desde já adiro e proponho como acção imediata uma cruzada a Sadr City para converter os infiéis! De mãos nuas e sem blindados!
“É triste ver como os da esquerda votaram contra.”, afirma a catilinária de paróquia de província. Eu diria antes: é triste ver como esta padralhada continua a tentar influenciar a vida dos outros, tanto tempo depois de o botas bater as botas…
A nossa sorte é já não terem a Inquisição – churrascos no Rossio, agora, só se forem de carne de vaca!

tuguinho, cínico enojado (por estes métodos fascistas e parolos)

segunda-feira, 7 de junho de 2004

Curioso

Ontem, os tipos que vinham com o Sting tocaram mesmo nos intrumentos, não fizeram "playback". É engraçado, não é?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 6 de junho de 2004

Aditamento

Triunfa sim senhor, digo eu. Nos filmes do James Bond...

blogoberto, chico-esperto

Dia D

Ainda está para surgir alguém que prove que o bem prevalece sempre sobre o mal. E isto leva-nos a pensar nos caminhos que o mundo poderia ter percorrido se certos acontecimentos fulcrais tivessem acontecido de outra forma.
Hoje passam 60 anos sobre o Dia D, o desembarque das forças aliadas na costa da Normandia, e quando se pensa no que sucedeu nesse dia não se pode deixar de equacionar sobre a sua importância para o mundo em que hoje vivemos. Pode sempre afirmar-se que a queda de Hitler e dos seus nazis já seria inevitável nesta altura, faltando apenas saber quanto tempo iria demorar, mas esta é uma afirmação que não se conclui necessariamente verdadeira: certos desenvolvimentos, do avião a jacto à bomba atómica, estavam a meses de serem concretizados pelos alemães e poderiam mudar o curso da guerra de uma forma radical.
O sucesso do Dia D constitui assim um acontecimento charneira da história contemporânea e deve ser celebrado como tal. Ser adversário da actual política externa americana não significa o não reconhecimento dos sacrifícios que o povo americano já fez pela Europa – a sua participação na II Guerra Mundial foi decisiva para a decisão da guerra. Sem os EUA a Grã-Bretanha acabaria por sucumbir às mãos das forças alemãs e provavelmente viveríamos hoje num mundo bipolar dominado pelos descendentes dos nazis e pelos americanos.
Esquecer os que morreram nas praias da Normandia seria, mais do que injusto, imoral. Existem certas coisas que estão para além das posições políticas de cada um. E tal como as actuais posições dos sionistas de Israel não minoram ou deformam o horror do Holocausto que os judeus sofreram, também a actual política dos EUA não ofusca tudo o que fizeram pela Europa durante a II Guerra Mundial e no período subsequente, contendo o totalitarismo comunista de Estaline e dos que se lhe seguiram. Por isso é bom lembrar. É bom não esquecer. Até porque ninguém ainda provou que o bem prevalece sempre sobre o mal.

tuguinho, anti-militarista assumido mas que hoje bate a continência

Banhada no festival

A transmissão na SIC Radical dos concertos do Rock-in-Rio tem-me permitido ir observando alguns nomes que não conhecia e conhecer melhor alguns que só quase conhecia de nome. Depois de ver ao vivo o Ben Harper (uma agradável surpresa) e uns tais Jet (pensava que já não existiam grupos destes, que se limitam a maltratar instrumentos sem que se consiga apreender duas notas musicais seguidas), para além das restantes actuações do 1º e do 2º dia, em que já sabia o que iria encontrar, tenho-me entretido a ver os restantes dias do festival pela televisão.
Grupos como Metallica, Sepultura e outros não me dizem grande coisa, mas ontem tinha alguma curiosidade em relação ao cartaz presente. Não sabia que o alinhamento tinha sido alterado em relação ao que estava anunciado, mas valeu a pena ficar até às 3 e tal a ver a Daniela Mercury, de quem nunca tinha visto um espectáculo completo.
Mas quanto a uma intitulada “rainha da pop”, por amor de Deus! Então a ex-menina-virgem Britney Spears veio cá fazer o quê? Mas ela cantou? Metade do “espectáculo”, cá para mim, foi “playback”, quer de vozes, quer de instrumentos. Estava tudo demasiado certinho e sofisticado para que fosse ao vivo. Nem se via os músicos a tocar (será que eles são músicos?). Depois os comentadores da SIC estavam a dizer o mesmo, e os comentários nos sites vão no mesmo sentido. Já hoje li e ouvi comentários de quem lá esteve a dizer que o concerto foi TODO em “playback” total!!! Mas afinal, quem é que ela quer enganar? Os adolescentes que não ligam à música, talvez?
Pois é, meus amigos, em cima do palco é que se tira a limpo quem é que sabe cantar e tocar. O “velho” Paul McCartney, com os seus 61 anos, não teve pejo em ficar sozinho com a sua viola acústica a cantar o Yesterday, e veio acompanhado dum naipe de músicos excelentes, tal como o Ben Harper, enquanto a pseudo-cantora Britney Spears revelou-se, afinal, uma fraude.
Se é “isto” a rainha da pop, muito mal anda a pop. Uma vergonha!

Kroniketas, sempre kontra as tretas (e com o ouvido apurado)

sábado, 5 de junho de 2004

Ladrando ao Sol (19) - Malditos telemóveis

Um dia destes fui a um funeral. O pai da parte feminina de um casal amigo morreu quase de súbito, e os cuidados hospitalares não chegaram. A minha mulher tirou uma tarde para nos deslocarmos os dois a Palmela para assistir ao funeral.
Não sou religioso, mas respeito as cerimónias religiosas em que estou presente (se não fosse assim não ia lá). Como manda o bom senso e a boa educação, desliguei o telemóvel ao entrar na igreja.
Durante a missa por alma do falecido, com a igreja cheia, foi uma sinfonia de telemóveis a tocar. O padre, ainda jovem, fugindo àquele discurso maçador mais habitual nos padres, lá foi conduzindo a cerimónia com a calma possível. Mas depois de tocar um telemóvel, outro, e outro e mais outro (sempre com aquelas estúpidas musiquinhas irritantes que parecem saídas das barracas de feira), o padre fartou-se e reagiu assim (ainda com a calma suficiente): "o primeiro é distracção; o segundo é desleixo; o terceiro é falta de respeito. E já são 6 ou 7!" Foi preciso tanto tempo para ele reagir, caramba! Eu no lugar dele teria reagido bem mais cedo e de forma bem mais agressiva: teria simplesmente insultado os "distraídos" e, se calhar, posto os mesmos fora de igreja. E o pior é que depois ainda houve mais uns toquezinhos!
É inconcebível que se vá para um sítio destes e, depois de se começarem a ouvir os primeiros toques, as pessoas não tenham o respeito e o discernimento suficientes para imediatamente todas desligarem os seus telemóveis. Afinal, a grande maioria daquelas pessoas são (ou dizem ser) religiosas, católicas, praticantes e tementes a Deus. Parece é que não têm respeito pelos mortos nem pelo templo cujas cerimónias dizem venerar.
Situações destas são relatadas às dezenas. Desde toques em concertos de ópera ou de música clássica, em que se chega ao ponto de o maestro dizer que pára o concerto se não acabarem os toques dos telemóveis, a telemóveis a tocar em reuniões, apresentações, acções de formação ou enquanto se fala para programas de rádio, há de tudo um pouco. Esta utilização absurda dos telemóveis é apenas mais um sintoma do nosso atraso civilizacional. Queremos mostrar que somos evoluídos e modernos, mas não sabemos usar os instrumentos da modernidade de forma adulta, limitando-nos a exibições parvas de tiques de novo-riquismo ou, simplesmente, de estupidez e falta de educação.
É apenas mais um sinal, entre muitos, de que 30 anos depois do 25 de Abril continuamos muito longe de ser um país evoluído.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 3 de junho de 2004

Ponte? E depois?

O socialista António Costa anda muito preocupado com a possibilidade de o governo dar tolerância de ponto aos funcionários públicos a seguir ao feriado de 10 de Junho, alegando que isso é um convite à abstenção nas eleições.
Afinal, que mal faz a ponte? Com ou sem ela, o facto de haver um feriado não convida a que quem quiser (e puder) meta um dia de férias? Quem é que precisa de tolerância de ponto para fazer ponte? E afinal, a quem interessa a porcaria das eleições a não ser aos próprios políticos que querem arranjar um tacho em Estrasburgo, e aos eurocratas que em Bruxelas querem decidir a nossa vida sem nos dar cavaco (lagarto, lagarto)?
Cá por mim, com ou sem ponte, vou-me embora e só volto no dia 13, de preferência a tempo de ver o França-Inglaterra. Quanto às eleições, tanto me faz. E até me vou fartar de rir se a abstenção chegar aos 70 ou 80 por cento, como da última vez. É uma forma de mostrarmos aos senhores políticos o significado que esta Europa feita à força tem para nós. Eles que se governem, mas não nos chateiem.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 1 de junho de 2004

Peixeirada em directo

Ponto prévio: o autor das linhas que se seguem é sócio do Sport Lisboa e Benfica há 27 anos (já com direito a emblema de prata), além dos dois filhos menores, accionista da SAD (modesto, mas há mais onde gastar o dinheiro do que em futebóis), e quando fala do Glorioso expressa as suas opiniões pessoais, segundo a sua consciência e as suas convicções, independentemente da linha de pensamento maioritária existente no clube ou do que alguns considerem o politicamente correcto.
Quero deixar isto bem claro desde já, porque nunca me pronunciei acerca de nenhum assunto relacionado com o meu clube (parece que agora se chama "instituição") com grilhetas impostas pela corrente dominante. Aliás, sempre achei muito perigosas essas correntes que querem impor um pensamento igual a toda a gente. No futebol como na política ou em qualquer aspecto da vida. Por isso, sei que o que vou escrever pode desagradar a quem ache que se tem sempre que estar de acordo com o poder instalado. Eu não vou por aí, porque não abdico da minha liberdade de expressão e pensamento, sobretudo não abdico de pensar pela minha cabeça. Bem ou mal, mas é à minha maneira.
Vem este intróito a propósito do episódio ocorrido na 2ª feira, dia 24 de Maio, no estúdio da SIC Notícias, durante o programa "O dia seguinte".
Tratava-se de discutir uma notícia avançada pela SIC nesse mesmo dia, segundo a qual o jogador Ricardo Rocha estaria mal inscrito. Para quem se lembra, a possibilidade que resultava da notícia - o Benfica perder a Taça de Portugal e o 2º lugar no campeonato - fez manchete em quase todos os jornais do dia seguinte e, pasme-se, até deu origem a um fórum TSF sobre o tema (tive pena de não o ouvir, mas não soube da sua existência antecipadamente).
Pouco depois das 23:30, já com uma hora de programa, estava Fernando Seara no uso da palavra quando o apresentador Pedro Mourinho disse que tinha uma surpresa. Fernando Seara suspendeu o discurso e o presidente do Benfica eleito com mais de 90% dos votos, Luís Filipe Vieira, irrompeu pelo estúdio dentro e sentou-se na mesma mesa do apresentador, onde começou a desfiar a argumentação que achou necessária para defender o Benfica e repor a verdade dos factos que, segundo ele, estava a ser deturpada no debate.
Até aqui tudo bem: como presidente do clube (ou da instituição), pediu para entrar em directo no programa e esclarecer a opinião pública, suportando as explicações numa série de documentos onde se encontrava o contrato de Ricardo Rocha e o registo do jogador na Liga de Clubes, o que não me parece nada de extraordinário.
Pior foi o resto: o estilo e os modos parecidos aos de varina, o atrevimento e a forma deselegante como se dirigiu aos comentadores do programa, em particular a José Guilherme Aguiar, chegando a pedir a Dias Ferreira que lesse qualquer artigo que, segundo o próprio Dias Ferreira, não estava lá escrito da forma que supostamente deveria estar, deixaram o comentador benfiquista Fernando Seara visivelmente embaraçado e sem palavras para comentar aquele episódio. No lugar dele, eu também não saberia o que dizer, mas no conforto de casa, metido com os meus botões, também fiquei embaraçado. Embaraçado com a imagem pouco digna que uma figura do meu clube passou para o país.
É isso que me deixa triste. Um após outro, os presidentes do Benfica não engrandecem a imagem do clube. Depois de um grupo de jet-set liderado (mal) por Manuel Damásio, depois do gatuno Vale e Azevedo e da sua quadrilha (deveriam estar todos presos, e não apenas um), que com despudor arrastou o nome do clube pela lama sem dó nem piedade, temos agora um presidente que, fazendo jus a uma escolaridade pouco letrada, se comporta com a subtileza dum elefante numa loja de porcelana, à boa maneira de Sousa Cintra no Sporting. No meio disto tudo, o estilo muito "soft" de Manuel Vilarinho, quase se apagando propositadamente, é o único que transmite para o exterior uma imagem de seriedade e alguma elegância, de acordo com os pergaminhos do clube.
Quanto à aparição de Luís Filipe Vieira na SIC Notícias, não aprecio o estilo, a forma, nem o conteúdo. Este domingo, o cenário ficou completo com a notícia de que na inauguração de uma casa do Benfica Luís Filipe Vieira disse "se a SIC estiver a filmar não descerro a placa". Daqui aos insultos e aos empurrões foi um passinho. Em menos de nada os repórteres (que estavam a trabalhar) estavam na rua a ser ameaçados pelos jagunços de serviço, sempre com o inevitável homem de bigode à cabeça da matilha a atiçar os cães.
Se para a populaça isto é um festim, e os malandros da comunicação social são sempre os culpados de tudo, eu não me revejo nestes métodos, que se limitam a copiar o que de pior existe no estilo de Pinto da Costa. Parece que todos querem imitá-lo, mas apenas nos piores defeitos. Nos seus méritos, ainda não apareceu ninguém com competência para o fazer. Não seria mais elegante, por exemplo, fazer um comunicado a exigir à SIC um pedido formal de desculpas e anunciar que enquanto o mesmo não fosse feito não seria permitida a presença da SIC em eventos do clube? Ah, mas isso não empolga as massas nem provoca tumultos, não é? Desculpem, era só uma ideia!
Não me revejo nestes métodos nem neste tipo de discurso. Não basta dizer que somos o maior clube português e que queremos ser respeitados. Para isso temos que nos dar ao respeito, mas não é com presidentes que, mesmo quando vestem fatos Armani, se comportam como labregos que vamos consegui-lo. O que é que querem? Não faz o meu género! Acho que a boa educação nunca fez mal a ninguém! Mas se ninguém se preocupou em ensinar o homem a não dar pontapés na gramática e a não dizer "póssamos" ou "ambos os dois", porque é que alguém haveria de ensiná-lo a comportar-se como um senhor?

Kroniketas, sempre kontra as tretas