quinta-feira, 21 de outubro de 2004

A máquina do tempo

Esta noite, quando via televisão, fui obrigado a olhar com atenção para o calendário. Depois de confirmar que continuávamos em 2004, voltei a minha atenção para o guia da programação. Seria aquilo algum documentário sobre as revoltas estudantis da década de 60? Mas não, não podia ser, aquilo era a cores e tudo! E não se viam gnr's a cavalo, só bestas a pé.
Fiquei então rendido à evidência: as imagens dos polícias a malhar em estudantes eram de hoje, 30 anos depois da revolução! Com gente pelo chão, joelhos sobre o pescoço enquanto a vítima era algemada e agressões de agentes à paisana. Insidiosamente, é o passado mais nojento que parece voltar, caucionado por esta regência brutal porque débil e insegura.
Se o governo anterior já possuía aquele germinar encoberto de atitudes de extrema-direita, este é muito mais despudorado, uma vez que não inclui qualquer social-democrata, só liberais de pacotilha sem cartilha definida. E as coisas acontecem.
Tudo o que nos foi transmitido pelo anterior governo como de importância fulcral para haver um futuro, verdadeiro ou não (défice, p.e.), foi esquecido liminarmente para dar a vez ao populismo desbocado, à insensibilidade social (veja-se a eliminação das deduções das contas CPH e PPR no IRS) e à manipulação descarada (vejam-se as afirmações do Morais Sarmento sobre os orgãos de comunicação social do estado). Em 3 meses, é muita merda já feita! A propósito: ó Sampaio, bem podes limpar as mãos à parede com a merda que fizeste, amedrontado pela possibilidade de não ficares bem na foto para a história.

tuguinho, cínico irado