segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Futebolices – O roubo do costume

O jogo Benfica-FC Porto confirmou aquilo que já se esperava: o Benfica é quase sempre roubado. Para além das nossas próprias fraquezas e dos nossos próprios erros, há sempre uma mãozinha amiga a empurrar-nos para baixo enquanto puxa os outros para cima. Seria fastidioso enumerar todas as situações que há mais de 15 anos têm acontecido nos jogos entre estes clubes, mas se calhar um dia destes vou-me dar a esse trabalho. Não têm conta os jogos decisivos que o Benfica perdeu com decisões prejudiciais da arbitragem. Pelo contrário, não encontro na memória jogos com carácter decisivo perdidos pelo Porto contra o Benfica com erros de arbitragem. Eles queixaram-se da final da Taça de Portugal, mas depois de ter visto o jogo no estádio e revisto a gravação duas vezes, até hoje estou sem saber de que é que eles se queixam. Certamente é porque estão habituados à cultura da batota que lhes permite ganhar a qualquer custo e por quaisquer meios. Quando perdem ficam assim.
Desta vez, as situações são por demais evidentes para sequer precisarem de repetição televisiva. Nós (das Krónikas) assistimos ao jogo pela televisão e vimos, à primeira e sem repetição, que houve um penalty sobre o Karadas e uma bola que entrou na baliza do Porto (mais um grande momento do melhor guarda-redes da Europa), sem que a equipa de arbitragem assinalasse.
Agora podem dizer que o Porto fez o melhor jogo da época e que o Benfica não jogou nada. A verdade é que marcámos um golo limpo que não valeu e daria o empate. O penalty não assinalado poderia dar a vitória. Em resumo, e à boa maneira portista, foi mais um roubo praticado pelos campeões europeus da vigarice. Eu também já tinha previsto que isto iria acontecer depois das decisões da última jornada. O Papa tinha botado faladura e os efeitos fizeram-se sentir de imediato. Agora foi a altura oportuna para dar o golpe fatal: ganhar no campo do primeiro classificado porque a derrota significaria 7 pontos de atraso. É o sistema no seu melhor. Podem entregar já mais um título de campeão por antecipação porque o filme já está visto.
Como se não bastassem os roubos dentro do campo, o inefável Pinto da Costa ainda tem o desplante de vir a nossa casa provocar-nos fora do campo. A época passada foi a namorada do dito cujo que na tribuna presidencial deixou o presidente do Benfica de mão estendida, alegando que não tinha obrigação de o cumprimentar. Questões de educação. Agora foi o próprio que, depois de ter entrado no tipo de discurso de baixo nível que o caracteriza, falando sobre Luís Filipe Vieira na casa do FC Porto em Lisboa em tom de regatice e de peixeira, contando episódios de quando este estava no Alverca (é o mesmo tipo de conversa de quem vem para a praça pública contar conversas privadas), dirigiu-se à mesa de conferências na sala de imprensa, passando à frente de Nuno Gomes que estava à espera para uma cerimónia qualquer, e ainda veio dizer que não responde a qualquer um. Isto na casa do adversário. Tal como desta vez a dita “senhora” foi para a bancada, a este “senhor” devia ter sido fechada a porta da sala de imprensa. Na minha casa não admito pessoas que me vêm desconsiderar.
Para completar o ramalhete, ainda veio falar de histórias pessoais que conhece de Luís Filipe Vieira. Pois então, se é assim acho bem que cada um conte aquilo que sabe. Vamos ver quem tem mais podres, a começar pela namorada que ele foi buscar ao bar de alterne do Reinaldo Teles. E contem-se as histórias dos quinhentinhos, da viagem do árbitro Carlos Calheiros (aliás José Amorim) ao Brasil paga pelo Porto, do marfim enviado de Angola e por aí fora. Nessa altura se verá quem é Pinto da Costa. E já agora, se Pinto da Costa quer falar de cenas passadas no túnel, talvez também seja altura de contar muitas cenas passadas no túnel das Antas. Os jogadores do Benfica conhecem-nas bem.
Há 20 anos que Pinto da Costa provoca, insulta, goza e faz ironias bacocas com tudo o que diz respeito ao Benfica. Este “senhor”, o maior pirómano do futebol português, que já esteve em guerra com quase todos os clubes do campeonato e com todos os presidentes que em qualquer momento lhe fizeram frente, é o grande responsável pelo clima de guerra permanente que se vive no futebol português, e desde que ele apareceu nunca mais houve sossego. Desta vez, as suas provocações e a sua insolência (que alguns moços de recados eufemisticamente chamam “ironia”) levaram a conversa para um lamentável baixo nível, que parece que é onde se sente bem, apesar dos poemas de José Régio.

Kroniketas, sempre kontra as tretas