sábado, 10 de julho de 2004

Crime e Castigo

Entrámos definitivamente no período cómico-patético da nossa história.
Já aqui tinha dito que pensava ser melhor para o país haver eleições antecipadas.
Já aqui tinha dito que até poderia aceitar que não houvesse eleições, se um nome credível fosse proposto ao Presidente da República.
Já aqui disse que Santana Lopes não é credível.
Nunca disse aqui que o Sampaio é um coninhas, mas é. Os meninos não ficam na História por comer a papa toda. Para ficar na História há que ousar, que arriscar. Voos tão altos como a barriga de um crocodilo não colocam ninguém no mapa das altas considerações.
Tudo isto nos apanhou após um isolamento de três horas para meditação no interior do Restaurante XL, num debate arriscado com um bife diluído em duas garrafas de Trincadeira da Casa Cadaval (calma, que éramos quatro! O senhor aí atrás que nos chamou alcoólicos pode sair, por favor). Ou seja, depois do paraíso vimo-nos caídos no duro inferno da realidade.
E o mais cómico de tudo isto é que esta situação em que estamos seria apenas uma anedota se fosse contada há um mês atrás! Não sei se estão a apanhar o ridículo da situação.
A única coisa boa disto tudo (há sempre um lado positivo mesmo na mais absoluta das adversidades) é que o Ferro Rodrigues se demitiu! Haja uma boa notícia no meio deste turbilhão de alarvidades.
Em suma: o Sampaio cometeu o crime de aceitar Santana como primeiro-ministro, mas nós é que vamos pagar o castigo por ele estar à frente do governo…

tuguinho, cínico encartado (e a pensar seriamente em emigrar pela primeira vez...)