segunda-feira, 12 de julho de 2004

Argumentos falaciosos

A propósito do post que escrevi mais abaixo, “Eu votei em Jorge Sampaio e agora sinto-me traído”, recebi dois comentários engraçados que me fazem voltar à carga, porque a minha resposta ao primeiro comentário não foi suficiente.
O primeiro leitor, no seu comentário, diz que eu sou mesmo TUGA e pergunta se eu acho que Jorge Sampaio “devia ter feito um jeitinho aos colegas de partido em vez de cumprir a lei e a Constituição”, ao que eu respondi que ele devia ter feito um jeitinho aos portugueses e deixá-los dizer o que querem. E retorqui perguntando onde é que a Constituição diz isso, qual é o artigo que diz que o PR não pode convocar eleições.
Este argumento do nosso leitor é falacioso. Se Jorge Sampaio tivesse convocado eleições estaria a cumprir a lei e a Constituição, tal como o fez tomando a decisão que tomou. Aliás, foram os especialistas em Direito Constitucional que o disseram (nomeadamente Pedro Bacelar de Vasconcelos), não fui eu. Até porque se o PR não pudesse convocar eleições, não valia a pena estar a perder duas semanas a ouvir pessoas antes de decidir o que iria fazer.
Mais engraçado foi o comentário que o segundo leitor (anónimo) fez ao meu comentário. Pergunta-me ele onde é que a Constituição diz o contrário!!! Não sei se isto é desconversar ou misturar alhos com bugalhos, mas mais uma vez o argumento é falacioso. Dizer o contrário era o quê? Que o Presidente era obrigado a convocar eleições? Mas alguém o referiu? Se alguém acha que convocar eleições é violar a Constituição digam-me qual é o artigo onde isso está escrito, mas argumentar que a Constituição não diz o contrário não só não acrescenta nada à discussão como ainda a deturpa: ninguém usou o argumento da violação da Constituição para obrigar o PR a convocar eleições; os partidários da manutenção do governo é que invocaram essa tese (falsa, como facilmente se comprova).
Portanto, o que está aqui em causa é uma questão de opinião política e não de legitimidade constitucional, porque essa permitia ao PR tomar a decisão que tomou ou tomar a inversa. Por isso insisto no comentário que fiz: um hipotético artigo que impeça Jorge Sampaio de convocar eleições só deve existir na imaginação de alguns.
Sabem, é que nós, aqui nas Kronikas, podemos ser TUGAS e politicamente incorrectos, mas não somos mentirosos. Não gostamos (não gostamos mesmo NADA) de argumentar com base em pressupostos falsos.

Kroniketas, sempre kontra as tretas