terça-feira, 29 de julho de 2008

Obrigado, JVP

João Vieira Pinto, o “menino de oiro”, como foi chamado, pôs fim à carreira de futebolista. É mais um da “geração dourada” do futebol português que pendura as botas. Agora só resta mesmo o Figo e o Fernando Couto.
Como benfiquista não quero deixar de agradecer a João Pinto tudo o que deu ao Benfica nos oito anos em que lá esteve, antes de ser vergonhosamente escorraçado para fora do clube por um vigarista e gatuno que em má hora os benfiquistas elegeram como presidente do Benfica e que mesmo passados oito anos de ter sido corrido pelos mesmos sócios ainda está a contas com a justiça.
João Pinto escreveu de águia ao peito algumas das páginas mais brilhantes da sua longa carreira e da história do clube. Enquanto teve companheiros à altura das toneladas de talento espalhou o perfume do seu futebol pelos campos do país arrastando consigo a equipa para alguns (infelizmente poucos) feitos que na altura não pareciam possíveis. Na memória de todos os adeptos ficará para sempre a inesquecível exibição no estádio de Alvalade (onde depois ainda viria a brilhar com a camisola do Sporting) que ajudou o Benfica a demolir o Sporting com uns inimagináveis 6-3, com ele a colaborar com os 3 primeiros golos só à sua conta ainda na primeira parte do jogo. Uma página de glória que marcaria o início da crise do clube que o levou a ao mais longo jejum de títulos da sua história.
Quando no final dessa época de 1993/94 o presidente Manuel Damásio despediu o treinador campeão Toni e foi buscar Artur Jorge ninguém imaginaria as consequências trágicas para o clube que a entrada do “rei Artur” teria. Com a conivência do presidente, Artur Jorge reduziu a pó em poucos meses uma equipa campeã nacional e décadas de mística e mentalidade vitoriosa. Se um furacão tivesse passado pelo estádio da Luz os estragos não teriam sido maiores. Mais de 10 anos passados o clube ainda não se recompôs do trabalho de demolição que Artur Jorge (talvez a mando do seu amigo Pinto da Costa) tão minuciosamente executou.
Durante os 6 anos seguintes a 1994 João Pinto ficou a pregar no deserto, tão medíocre era qualidade da equipa montada por Artur Jorge. Até à sua incompreensível saída em 2000 João Pinto carregou a equipa às costas ano após ano, ainda por cima com a responsabilidade acrescida de usar a braçadeira de capitão. Foi um esforço inglório porque andou todo aquele tempo muito mal acompanhado. Mas ninguém poderá apagar a carreira que o “menino de oiro” fez com a camisola encarnada vestida, entrando para a galeria dos 20 jogadores com mais golos marcados e dos 25 com mais jogos realizados (mais de 300).
Por tudo isto, obrigado João Pinto. A nação benfiquista não te esquecerá.

Kroniketas, sempre kontra as tretas