domingo, 16 de novembro de 2008

A morte de James Bond

E ao 22º filme da série, os produtores “mataram” o agente secreto 007. A morte já tinha estado iminente (não confundir com eminente) no filme anterior, Casino Royale, que marcou a estreia de Daniel Craig na pele do agente do MI6 com ordem para matar, bem como no último filme protagonizado por Pierce Brosnan.
Para mim, que me ufano de ter visto todos os filmes da série por mais de uma vez (e alguns mais de 10 vezes) e que tenho todos em DVD, os dois filmes anteriores já prenunciavam uma viragem significativa no perfil da personagem e não foram inteiramente do meu agrado, mas agora, depois de ter visto “Quantum of solace” (já o raio do título não lembra a ninguém), posso dizer que pela primeira vez saí do cinema e não gostei do filme.
Não sei o que é que os produtores pretendem, mas contaram-me que passou na Sic uma entrevista de Mário Augusto ao realizador deste filme e ele referiu que tentaram dar uma volta completa à personalidade de James Bond: torná-lo mais humano, sensível, sofredor, com as mesmas dúvidas e os mesmos sentimentos de qualquer outro mortal. Pois se o querem tornar um comum mortal, estão a matá-lo.
Ao “humanizar” Bond estão a tirar toda a essência que construiu a personagem ao longo de mais de 40 anos e a torná-lo igual a qualquer outro herói de qualquer outro filme de acção e aventuras. Podia lá estar o Tom Cruise, o Mel Gibson, o Harrison Ford a fazer de Indiana Jones ou Jack Ryan, que não se notaria grande diferença. Se querem tornar Bond um comum mortal, então chamem-lhe outra coisa qualquer que ninguém notará. Tudo aquilo que foi construído por Sean Connery e Roger Moore na interpretação deste papel está a ser completamente deitado ao lixo. Para mim, Bond é o herói que nunca se despenteia mesmo quando luta, que tem sempre uma tirada irónica mesmo nos momentos de mais aperto e que sai sempre ileso das situações mais complicadas, quase sempre com a ajuda dos indispensáveis “gadgets” do insubstituível Q. Pois neste filme até o Q desapareceu.
Segundo Daniel Craig, neste filme os “gadgets” não apareceram porque queriam principalmente contar uma história. Pois é, mas o que é que a história tem a ver com um filme de James Bond? Praticamente nada.
Quanto a mim, se continuam por este caminho vão acabar rapidamente com o sucesso dos filmes. O que estão a fazer de 007 é a antítese daquilo que lhe deu o sucesso, porque se todos os filmes tivessem sido como este certamente a série não teria o sucesso que teve até hoje. Tal como na “Guerra das estrelas” ninguém espera que os cavaleiros Jedi lutem com metralhadoras, não é suposto que o agente secreto ao serviço de Sua Majestade seja torturado, sangre abundantemente ou seja trocado por um bandido. Pois foi um pouco de tudo isto que aconteceu nos últimos três filmes. Se continuam por este caminho, o herói invencível vai morrer, não no ecrã, mas fora dele.
E depois... este inexplicável título! Olhando para trás, todos faziam algum sentido e podiam ser traduzidos. Senão vejamos:

Dr. No (Agente Secreto 007)
From Russia with love (007 Ordem para matar)
Goldfinger (007 contra Goldfinger)
Thunderball (007 Operação relâmpago)
You only live twice (007 Só se vive duas vezes)
On her Majesty’s secret service (007 Ao serviço de Sua Majestade)
Diamonds are forever (007 Os diamantes são eternos)
Live and let die (007 Vive e deixa morrer)
The man with the golden gun (007 E o homem da pistola dourada)
The spy who loved me (007 O agente irresistível)
Moonraker (007 Uma aventura no espaço)
For your eyes only (007 Missão ultra-secreta)
Octopussy (007 Operação tentáculo)
A view to a kill (007 Alvo em movimento)
The living daylights (007 Risco imediato)
Licence to kill (007 Licença para matar)
Goldeneye (007 Goldeneye)
Tomorrow never dies (007 O amanhã nunca morre)
The world is not enough (007 O mundo não chega)
Die another day (007 Morre noutro dia)
Casino Royale (007 Casino Royale)
Quantum of solace - ????


O que raio é o “quantum of solace”?

Kroniketas, bondmaníaco desiludido