domingo, 21 de janeiro de 2007

Os loucos de Lisboa

“São os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
A terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar”
(João Monge/João Gil)

Não sei porquê, lembrei-me desta letra duma canção da Ala dos Namorados quando li no Portugal Diário um comentário à notícia de que o Ministro da Saúde “se sente «orgulhoso» por ter «resistido ao facilitismo e à demagogia» de abrir um inquérito ao socorro a um acidentado em Odemira e por defender esta sua posição no Parlamento, onde quinta-feira foi fortemente criticado”. O comentário tinha o título “são os loucos que nos governam”.
Perante tamanha estupidez, só se pode concluir que o homem é louco ou idiota. Devia era sentir vergonha de o sistema de saúde que ele deveria gerir ter permitido a morte dum cidadão por ter demorado a chegar ao hospital o mesmo tempo que demora um voo a chegar ao Brasil. Aliás, hoje deve sentir-se ainda mais orgulhoso porque o sistema de saúde que orgulhosamente dirige deixou morrer mais um cidadão, por acaso no mesmo concelho, 4 horas depois de ter sido chamado o INEM. Também deve sentir-se orgulhoso por só haver uma ambulância de assistência em todo o Alentejo (1/3 do território nacional). Deve ser porque os alentejanos são poucos, contribuem pouco para os cofres do Estado e ainda votam no Partido Comunista... É deixá-los morrer, não é, sr. Ministro? Cabrões dos comunas, quanto mais depressa morrerem melhor. O problema é que ao Alentejo também vão turistas...
Oxalá, sr. Ministro, que nunca precise de esperar tanto tempo por assistência médica. Tenha um pingo de dignidade e DEMITA-SE. O que aconteceu deveria fazer corar de vergonha todos os governantes e a sua afirmação é o exemplo da irresponsabilidade e da falta de pudor que grassa neste triste país.
São os loucos de Lisboa...

Kroniketas, sempre kontra as tretas