quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

Os Faquistas

Ressurgindo resoluta dos antigos romances de cordel a naifa está outra vez na moda, agora no selecto (?!?) círculo político social-democrata.
Ele é o líder a dizer que anda a servir de almofada de alfinetes, cheio de facadas nas costas.
Ele é Cavaco Silva a lançar um autêntico facalhão e a mandar para o lixo centenas de cartazes novinhos em folha porque não gostou de se ver na fotografia, o que só lhe fica bem – quem gostaria de se ver retratado na companhia de um morto, um fugitivo, um desaparecido e um idiota?
Agora foi o próprio Lopes que, depois de afagar o lombo ao Pôncio Monteiro (certamente para encontrar o melhor sítio), lhe cravou uma faca que, azar dos azares, estava romba. E ainda lhe pediu – por interposta pessoa, é certo – para não dizer nada a ninguém, mas parece que Pôncio lavou daí as suas mãos (seguindo o clássico exemplo) e pôs a boca no trombone (menos clássico, mas efectivo), chamando-lhe traidor.
Nem Shakespeare conseguiria ser mais shakespeariano que isto, com facções desavindas, naifadas nas costas, agressões a petizes nas incubadoras, traições desaforadas, complexos de inferioridade, inveja, vitimizações, enfim, tudo o que faz uma boa tragédia! Penso inclusive que o próprio Santana seria o veículo ideal de recuperação do Parque Mayer, pois peça com ele chamaria multidões ao recinto.
Só não percebi muito bem o objectivo desta última jogada: se foi uma manobra saloia que pretendia fazer as pazes com o FCP e ganhar os votos dos seus adeptos estava condenada ao fracasso, devido ao número um da lista ser quem era. Se quis avaliar a força de Rui Rio no partido, estatelou-se ao comprido. Se foi mais uma trapalhada sem pés nem cabeça, foi coerente.

tuguinho, cínico armado (com naifa, para autodefesa)