domingo, 30 de abril de 2006

Os CAPos di tutti CAPi


Tem sido uma lufa-lufa nas últimas semanas! Os senhores da CAP têm revelado uma capacidade de persuasão inaudita junto de centenas, direi mesmo dezenas, de agricultores, arregimentados contra o ministro! Só espero que não sejam todos como um que vi ser entrevistado e que nem sabia porque estava ali – o patrão é que tinha mandado… Mas que fez o pobre homem para merecer sanha tão viva dos “trabalhadores da terra”? Pelo que me constou, e assim grosso modo, mexeu em alguns dos subsídios que o estado concede aos agricultores. Ou devo dizer “a alguns agricultores”? Ou devo dizer “a algumas empresas ligadas ao sector e a alguns senhores que recebem para não produzir”? Porque quem recebe o grosso da fatia são meia dúzia de empresários agrícolas, não é a miríade de lavradores com 2 ou 3 courelas que pulula por esse país fora e que deveriam ser os destinatários desses subsídios.
Acho que agora, por exemplo, e devido a esta sacanice do ministro, o presidente da CAP não vai poder trocar de jipe nem pagar a muita electricidade que gasta no seu magnífico monte no Alentejo! Isto não se faz! E como este desgraçado estarão dezenas de outros que vão ter de esvaziar as piscinas, trocar os jipes por tractores e, o que é pior, terem de cultivar mesmo as suas terras! Não há direito!
Sabem, quando nos mexem no bolso refilamos muito mais. Quando essa mexida pode acabar com a vida de nababos que alguns levam à custa de nós todos e dos desgraçados que realmente trabalham a terra e são por eles enganados, refila-se muito mais. E até se gasta algum do dinheirito dos subsídios na organização de manifestações contra o ministro da agricultura.

tuguinho, cínico da lavoura

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Reles


A televisão mostrou, os jornais fizeram eco. Nos festejos da conquista do campeonato nacional de futebol, os adeptos do FC Porto entoaram o seu habitual cântico de vitória (SLB! SLB! Filhos da puta SLB!), tendo os jogadores, na varanda do Estádio do Dragão, feito coro com os adeptos (com Ricardo Quaresma em destaque).
Deixando de lado o desrespeito para com os colegas de profissão e de selecção (como reagirão um Simão, um Nuno Gomes ou um Petit quando se encontrarem num estágio da equipa nacional?), a atitude dos jogadores do Porto só vem confirmar aquilo que qualquer pessoa mais atenta já sabe: o único objectivo deles é atacar e achincalhar o Benfica. As vitórias deles não valem nada por si próprias, só valem por ser contra o Benfica, tanto assim que as festejam insultando o Benfica. Que a maioria dos adeptos (felizmente ainda há honrosas excepções, como o comentador Rui Moreira no “Trio de ataque” da RTP N, que tomou uma posição digna em relação a isto) são um bando de imbecis já se sabia. Quando são os próprios jogadores a comportar-se assim, apenas demonstram mais uma vez a sua pequenez. Demonstram que não sabem ganhar porque não é essa a sua natureza.

A minha avó costumava dizer: “se querem ver um pobre soberbo, dêem-lhe a chave de um palheiro”. Estes, por muito que ganhem campeonatos, taças e taças europeias, continuarão sempre a ser pobres. Querem-se fazer grandes mas não sabem porque não nasceram para isso, de tal forma que até aldrabaram a data de fundação. Com estas atitudes só mostram que nunca serão um clube grande a nível nacional, mas apenas um reles clube de província com gente reles. A começar pelo presidente, que é o grande profeta inspirador deste espírito belicoso que os caracteriza.
Tenho dito.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 25 de abril de 2006

Vinte e cinco do quatro



Não sei se repararam, mas o que vos concedeu esta ponte (a bastantes, com certeza) ou, pelo menos, esta terça-feira de descanso, foi uma coisita chamada 25 de Abril. Tende a ser esquecida por cada vez mais indivíduos: alguns, porque ainda o têm atravessado na garganta e não o conseguem engolir; outros, por motivo da data de nascimento inscrita no BI. Como já aqui escrevi, esse é o futuro de todas as efemérides – o tempo não perdoa, e tal como hoje em dia só vemos meia dúzia de grunhos (monárquicos e/ou fascistas) a festejar a restauração pelos motivos errados, e que o próprio 5 de Outubro já caiu no rame-rame do dia para político discursar e para o vulgo descansar, também esta data que tanto nos deu acabará por ser apenas um dia bem passado com os amigos ou a pontezita jeitosa que deu para ir espairecer para o Algarve…

Tudo bem, é a vida. Mas mesmo aproveitando para descansar, mesmo não indo para a rua de cravo vermelho na mão, mesmo que pensemos que muito do prometido não se cumpriu (e que revolução o fez?), deveríamos meditar durante cinco minutos sobre o que temos à nossa volta, sobre os gestos e acções do quotidiano que de tão rotineiros não são novidade para ninguém, ou sempre foram assim para os mais novos. Gestos tão banais como comprar jornais que não foram censurados, como poder protestar contra o que consideramos injusto sem sermos fichados por uma polícia política, coisas tão simples como podermos juntar-nos com um objectivo qualquer sem termos a tutela governativa a querer controlar-nos, ou simplesmente podermos sonhar sem que ninguém nos venha dizer que esse sonho é proibido.

Quando ouço um imbecil qualquer bradar para as audiências de circunstância que “do que precisávamos era de outro salazar”, apetece-me esmagar-lhe as ventas mesmo ali ou mantê-lo sem dormir por dias a fio, como se fazia noutros tempos! O que precisamos é de eliminar o fascismo bucolizante do botas que ainda paira nas nossas mentes e avançar para o futuro! O choque tecnológico somos nós, é cada um de nós querer fazer mais do que beber rotinas de funcionário público à espera da reforma, é querer ser melhor que o vizinho, não para ele ter inveja de nós mas simplesmente para nos sentirmos bem e sermos melhores do que éramos!

Não consigo acreditar que quem se lançou por caminhos mais desconhecidos do que uma viagem da Terra à Lua esteja 500 anos depois transformado num ser amorfo que não faz nem deixa fazer! Eu por mim tento sempre melhorar-me e melhorar o que me rodeia, e não concebo outra forma de viver. Problemas certamente que os há e sempre existirão, mas certamente conhecerão a velha história, sejam religiosos ou não, do parzinho que foi expulso do paraíso há um ror de anos e que desde então tivemos de resolver os nossos problemas sem ajuda externa. É a vida, para quem não sabe ou anda distraído.

Este ano não quero dizer “25 de Abril Sempre”. Quero dizer “25 de Abril Hoje”, “25 de Abril Amanhã”, “ 25 de Abril Todos-os-dias”! A liberdade e o futuro não têm dia marcado.

tuguinho, cínico libertado

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Blake e Mortimer a brincar


Continuando no domínio das artes, uma referência mais leve e menos hermética. Trata-se do livro “Ameaças ao império”, de Pierre Veys e Nicolas Barral, integrado na colecção “As aventuras de Philip e Francis”, em que, segundo os autores, “as personagens de Philip e Francis inspiram-se de forma muito livre em Philip Mortimer e Francis Blake, os inolvidáveis heróis criados pelo genial Edgar P. Jacobs, a quem este álbum é respeitosamente dedicado”.

Num registo mais humorístico, Blake e Mortimer aparecem-nos nesta história revelando outras facetas mais mundanas no meio das habituais investigações por conta do MI5, cuja designação e semelhança com o MI6 também serve para fazer paródia. Desde o peso de Mortimer, cujo criado Nasir o impede sistematicamente de comer, a par com algumas revistas suecas para investigação dos mistérios da feminilidade, até algumas escapadelas libertinas de Blake e o seu intrigante conhecimento sobre a constituição dos cintos de ligas do exército, passando pelo nome do cão de Blake que é igual ao do primeiro-ministro (Winston), todo o livro é uma sucessão bem disposta de “gags” e incidentes que nos dão outra face que os originais não apresentam. Vale a pena para descontrair das histórias densas e complexas dos Blake e Mortimer originais.

Kroniketas, de olho na banda desenhada

domingo, 23 de abril de 2006

A dança da luz


Le Moulin de la Gallete

Pierre-August Renoir foi outro dos expoentes máximos do impressionismo. Muito próximo de Monet, embora com estilo distinto, possui vários quadros com os mesmos temas, como o de La Grenouillère e o da família Monet no Jardim (que, curiosamente, Manet também pintou), e várias das suas obras são célebres.
A que apresentamos aqui é a mais célebre de todas: Le Moulin de la Gallete, espécie de “café-concerto com espaço de baile”, célebre na altura na boémia parisiense. Existem duas versões deste quadro: a que é apresentada e que é considerada a “final”, e outra de menor dimensão e de características mais esboçadas, mas nem por isso menor.
O que impressiona antes de mais nos quadros de Renoir, de que este é o melhor exemplo, é a forma como o pintor trata os jogos de luz nas superfícies, concedendo-lhes o estatuto de protagonistas das obras e não apenas de mero efeito pictórico. O quadro não seria o mesmo sem estas manchas de luz que povoam as vestes e o rosto das personagens. Olha-se para esta tela e fica-se com a sensação de que quase podemos sentir o calor dos raios de sol repartidos pela folhagem das árvores no recinto.
Deve ser por este e outros motivos de igual importância que se lhe chama obra-prima…

tuguinho, cínico pictórico

Os festejos dos vencedores

Depois de se ter sagrado campeão nacional de futebol, os adeptos do FC Porto que festejavam na Avenida dos Aliados mais uma vez cantaram o seu slogan preferido: “filhos da puta SLB”. Só mostra o quanto são pequeninos. Nasceram assim e vão ser sempre assim. Não sabem ganhar sem insultar os adversários que não são para ali chamados. Quem nasce anão nunca chega a gigante, tal como a rã que rebentou de tanto inchar porque queria ser boi.
Entretanto, na Avenida da República, em Lisboa, eram tantos a festejar que não enchiam sequer o passeio em frente à delegação do FC Porto em Lisboa…

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Desligai, pecadores!

Só nos faltava esta. Fazendo jus à sua conhecida aversão ao progresso e à modernidade, um representante da igreja católica resolveu criar uma nova categoria de pecados: televisão, Internet e jornais em excesso.
Claro que já estou a ver os católicos mais empedernidos a desligarem os computadores, a deitarem os jornais para o lixo e a desistir dos canais por cabo. Claro que o acesso è informação é perigoso porque abre o espírito às pessoas e elas podem começar a pôr em causa os dogmas que lhes instilaram. Tal como durante a longa noite salazarista, o que convém à igreja é manter as pessoas na ignorância e no medo de que tudo o que façam possa fechar-lhes as portas do céu. E como a doutrina da igreja católica é baseada num Deus que não é protector mas antes castigador, há que incutir o medo do pecado para continuar a ter na mão os beatos e os pobres de espírito que acreditam em todas as patranhas que ouvem na igreja.
Só assim a igreja católica poderá continuar a fazer valer o seu poder, alimentando-se da ignorância dos seus fiéis. Para tal há que criar novas categorias de pecados, porque os tradicionais parece que já não chegam. Afinal, há cada vez mais divórcios e casos de adultério, o que quer dizer que o princípio afirmado na igreja do “até que a morte nos separe” está esgotado.
Portanto, façam favor: os católicos apostólicos romanos que estão a ler isto façam favor de benzer-se imediatamente, ir rezar 2 pais-nossos e 3 ave-marias e amanhã ir confessar-se ao padre. Nós, por aqui, vamos continuar a pecar muitas horas na Internet, na tv e nos jornais.
Felizmente não sou católico…

Kroniketas, ateu convicto

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Brevemente nas Krónikas Vinícolas

Krónikas duma viagem ao Douro

Kroniketas

terça-feira, 18 de abril de 2006

O pintor da luz e da água


Impressão - Nascer do sol


Bordighera


La Grenoulliére


Ora vamos lá fazer outra pausa nas desgraças e nas futebolites e olhar para o que vale a pena.
Num post publicado já há alguns dias falei de Èdouard Manet como precursor da modernidade na pintura. Mas se Manet foi o precursor, Claude Monet foi a alma.
Figura de proa dos impressionistas, a quem indirectamente deu o nome, ele é o mestre da água e da luz, cuja impressão refulgente nos consegue transmitir com as suas pinceladas livres de academismos.
A primeira obra apresentada, Impressão – Nascer do Sol, mostra-nos um porto francês ao amanhecer (Le Havre, se não me engano) de uma forma que escandalizou – eles nesse tempo escandalizavam-se facilmente – as mentes formatadas do tempo. Quase parece um esboço se olhado menos atentamente, mas o que parece inacabado mostra-se, numa análise atenta, um portento de economia de meios para transmitir emoções. Foi um jornalista, ao falar sobre o movimento, e tomando como exemplo este quadro e o seu título, que os baptizou como impressionistas.
O segundo quadro, Bordighera, foi pintado no mediterrâneo, numa das muitas viagens em grupo que estes pintores fizeram para procurar novos temas e outra luz, e consegue transmitir-nos toda a luz cálida de uma tarde do sul.
A terceira tela glosa um tema muito utilizado pelos impressionistas (Renoir tem uma obra com o mesmo tema e um enquadramento semelhante, o que é óptimo para verificar as diferenças de estilo entre os artistas), uma zona fluvial perto de Paris, onde os assalariados da pequena burguesia buscavam a diversão e o repouso nos fins-de-semana, num assomo do que se chamaria depois turismo.
Monet foi sempre um pintor da água, chegando mesmo a possuir um barco-estúdio, salvo erro em Argenteuil, para poder pintar essas superfícies estando dentro delas. Algumas das suas últimas obras são precisamente a representação de nenúfares pousados na água.
Também posso dizer que é o meu preferido. Se quiser conhecer mais, existem livros da Taschen (uma versão mais resumida, mas muito boa, aí pelos 9 euros, outra mais grossinha que deve andar pelos 15) e também uma colecção da FNAC (7 ou 8 euros) que nos fornecem muita informação sobre a sua vida, carreira e obra.
Voltarei a atacar brevemente com outro artista ou assim.

tuguinho, cínico impressionado

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Para lamentar

Se ainda dúvidas houvesse sobre o carácter de uma boa parte dos eleitos da nação, elas ficariam dissipadas com o último episódio lamentável passado no parlamento.
Os senhores deputados concederam a si próprios uns diazinhos extra de férias e deixaram a câmara sem quorum… A minha turma de liceu tinha mais responsabilidade do que este bando de chupistas possui. Desculpem a dureza, mas estou farto de ler nas notícias episódios deste cariz e parece-me que as moscas mudam mas o resto (vocês sabem do que estou a falar!) é o mesmo.
Estes senhores são pagos, e bem pagos, para estarem presentes no hemiciclo no decorrer dos trabalhos – sim, porque a maioria não faz mais nada do que isso, fazer figura de corpo presente e votar de acordo com o que o partido lhes diz. Quando nem isto fazem a contento, o que é que se pode dizer de semelhantes criaturas? Que o que lhes interessa é o tacho, que se estão a lixar para o país e para nós todos? Porque isto é gozar com todos nós, que até votamos em consciência e na esperança de estarmos a escolher pessoas responsáveis e realmente interessadas no progresso do país! Somos uns ingénuos…
Parece que os meninos vão levar falta. Porra, estamos a falar dos deputados! E o pior disto tudo é que eles nem se envergonham com a situação e irão repeti-la quando tiverem uma oportunidade idêntica!
Nem sei por que é que me aborreço com isto. Acho que vou desistir e arranjar um lugar de deputado. O meu problema é que tenho uma língua sensível que não se dá com o couro das botas…

tuguinho, cínico inconstitucional

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Sexta-feira é sempre santa...

Coisas para fazer neste dia:
- Escolha uma aldeia bem recôndita e irrompa pela missa a comer umas febras ou uma entremeada de porco. Opcionalmente, babe-se junto ao pároco quando trincar os secretos de porco preto.
- Vá fazer caricaturas de Maomé nas paredes da mesquita de Lisboa, quando os fiéis estiverem a entrar para as orações. Se tiver dinheiro, faça o mesmo em Bagdade.
- Passeie-se por Jerusálem com um lindo cinto de bombas fingidas, se possível junto ao muro das lamentações. Vai ver que vão gostar. Leve bastantes sandes de couratos, para comer e para oferecer.
- Vista umas calças escuras e uma camisa branca e gravata e transforme os pares de mórmons em trios sem que eles percebam. Use uma placa com o nome Hélder Zorg.
- Infiltre-se numa assembleia de testemunhas de jeová e diga a todos que só veio dizer que nem viu o acidente.
Enfim, divirta-se!

tuguinho, cínico encartado de guarda ao forte

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Afinal, para que serve a polícia de trânsito?

Localidade – Lisboa
Hora – 18:00
Local – Av. República

Situação – trânsito completamente entupido a subir a Av. República e a congestionar os vários cruzamentos. Na Av. Elias Garcia, cruzamento completamente tapado pelos que entram e ficam lá porque não conseguem avançar. Para atravessar a Av. República é preciso estar a fazer gincana entre os que ficaram a bloquear o cruzamento.
Polícias presentes no local – nenhum
Resultado – quem quer passar para o outro lado demora tanto tempo que o semáforo da Av. da República abre novamente.
E há um automobilista que leva em cheio com um táxi que entretanto arrancou e vem a descer a Av. República.
Pergunta inocente – onde é que andariam os polícias àquela hora? Estariam a chatear o pessoal que estacionou com uma roda na passadeira, ou com duas rodas no passeio?

Localidade – Lisboa
Hora – 17:30
Local – Bairro junto ao Jardim das Amoreiras

Um cidadão sai do seu trabalho e dirige-se ao carro que deixou estacionado longe, neste bairro com pouco trânsito mas onde ainda se consegue encontrar estacionamento nesta zona do coração da cidade. Como muitos outros, deixou o carro com duas rodas em cima do passeio para não ocupar a faixa de rodagem e pagou o parquímetro da zona em causa. Uma parte do bairro está em obras, a construir mais uns prédios novos, e como os lugares de estacionamento estão reduzidos há que recorrer a este meio para conseguir pôr o carro em qualquer lado.
Depois da subida íngreme desde o Largo do Rato até ao dito bairro, o cidadão dirige-se ao carro, que agora está quase sozinho naquele local. Sem nenhum carro à frente, vislumbra ao longe um papelinho rectangular no pára-brisas. Não é da EMEL, porque o parquímetro está pago. Andou por ali a polícia.
Habituado a estas andanças citadinas, o cidadão perscruta rapidamente a rua com o olhar e na esquina contrária lá está ele: o polícia de trânsito conversa tranquilamente com alguém, enquanto coça a micose e aparentemente “vigia” a obra que decorre na esquina em frente e que possivelmente justifica a sua presença ali. Ao aperceber-se da presença da autoridade, vira para uma esplanada mesmo antes de chegar junto do carro, para não ser apanhado em flagrante a entrar na viatura, e dirige-se para um pátio enquanto pensa por uns instantes o que fazer. Dá uma volta ao quarteirão e volta ao princípio da rua, tentando perceber onde está o polícia. A situação piorou. Alguém mais desprevenido entrou no carro e o polícia, de bloco na mão, já está a aplicar-lhe o devido correctivo, no carro imediatamente atrás. A decisão está tomada: não se aproximar do carro enquanto o polícia ali estiver. Um telefonema para casa avisa a família de que o regresso não se fará enquanto o polícia não se for embora, mesmo que seja preciso esperar até ao jantar. Mas como entretanto se vão fazendo horas, abandona o local e procura um café para lanchar tranquilamente. Pelo caminho há mais carros com duas rodas em cima do passeio e o parquímetro pago, mas com a multa da ordem.

Passou cerca de meia-hora. Terminado o lanche, volta ao quarteirão, por outro caminho, desta vez por trás do carro, tentando descobrir logo ao longe por onde anda a autoridade. Ao passar pela esquina onde anteriormente o polícia se encontrava, procura nas ruas transversais. Está com sorte: o polícia afastou-se para uma dessas ruas, onde está agora a chatear o condutor dum Mercedes que caiu na mesma esparrela. É a altura certa. O carro está apenas dez metros à frente. Porta aberta, chave na ignição e sair dali rapidamente antes que o polícia volte a aparecer. Só pára na rua seguinte para tirar a multa do pára-brisas.
O cidadão verifica então que tão grave contravenção lhe poderia custar logo ali uns singelos 60 €, por ter cometido o grave delito de estacionar com duas rodas no passeio num local onde há anos toda a gente estaciona, onde não atrapalha o trânsito porque só passa um carro na rua, onde quase não há trânsito a não ser daqueles que precisam mesmo de se dirigir àquela zona de ruas estreitas. E fica a pensar se este não será um dos tais que, em vez de estar ali a chatear o pessoal, deveria estar a regular o trânsito nas confusões da Avenida da República para evitar acidentes, ou até muito mais perto, ali a dois passos, no cruzamento junto às Amoreiras, onde impera o caos desde que começaram, há dois anos, as obras do túnel do Marquês.

De tudo isto, resulta apenas uma pergunta:
AFINAL, PARA QUE É QUE SERVEM OS INÚTEIS DA POLÍCIA DE TRÂNSITO, A NÃO SER PARA A CAÇA À MULTA E ROÇAR O CU PELAS PAREDES E ESTAR ONDE NÃO FAZEM FALTA NENHUMA? QUE TAL METEREM AS MULTAS NO CU?

Kroniketas, sempre kontra as tretas e os inúteis fardados

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Curtas do fim-de-semana desportivo

Em Leiria um adepto do V. Guimarães exibiu um cachecol onde se dizia “Benfica odeio-te”. Na próxima época podem ir odiar o Benfica na 2ª divisão, e é muito bem feito.

Na Luz, 45 mil pessoas para ver o Benfica-Marítimo. Em Alvalade, 48 mil pessoas para ver o “jogo do título”.

Em Alvalade tocaram o tema “Barcelona”, de Freddie Mercury e Montserrat Caballé, na instalação sonora do estádio antes do Sporting-Porto. No final gritava-se “SLB! SLB! Filhos da puta SLB!”. Só prova que os adversários dão mais importância ao Benfica do que aos seus próprios clubes. Para quem acha que os benfiquistas têm a mania da grandeza, talvez fosse interessante explicar este fenómeno. De facto, a grandeza do Benfica é tanta que os outros estão sempre a pensar em nós. São eles que nos fazem ainda maiores.

No final do jogo, para se manterem no mesmo registo, deviam ter posto o tema “We are the champions”. Afinal, muitos sportinguistas devem sentir-se felizes neste momento pois também ganharam o seu campeonato, que era o Benfica não ser campeão. Quem estava mais preocupado em que o Porto ganhasse os seus jogos para que o Benfica não fosse campeão teve o que merecia. Mas podem sentir-se felizes, pois o campeão vai ser o amigo do norte e não o clube que eles mais odeiam. No fim podem ir todos para a rua festejar com cachecóis metade verdes e metade azuis.

Ah, já me esquecia: com este resultado, o Sporting fica em branco no ano do centenário e soma o 4º ano sem ganhar nada. Mas que interessa isso, se o grande objectivo, que era o Benfica não ser campeão, foi atingido? Que se lixe o centenário! Parabéns, portanto, a todos os sportinguistas que passaram o ano a desejar as derrotas do Benfica.

Só mais uma coisa: FILHOS DA PUTA SÃO ELES!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Agora é que os apanhámos!



Parece que o governo quer baixar ainda mais a taxa máxima de álcool no sangue. Ao que parece, a partir de agora, quem se borrifar de perfume ou desinfectar uma ferida está feito! A pele absorve o álcool e tau! , lá estamos acima da taxa máxima, com direito a prisão e sabe-se lá que mais.
Quem nos governa fez ainda outra esfusiante descoberta, que de tão evidente parece impossível que ninguém ainda o tivesse notado! Os verdadeiros culpados pelas mortes na estrada e por outros acidentes menos graves em que o álcool intervém são os viticultores, vinicultores e semelhantes espécies de energúmenos associados, como enólogos, agrónomos e outros divulgadores da pinga. Mas é tão evidente! Se são eles que fazem o vinho, são os culpados, porque o álcool vai do vinho para a veia! Aliás, é ver pelas discotecas e bares deste país os jovens, bêbedos que nem uns cachos (aqui está outra prova: “cachos”!; não se diz bêbedos que nem uma cana, ou bêbedos que nem um cereal!), de copo de vinho na mão (geralmente são schott-wiesel ou de outra marca de prestígio), pedindo em magotes nos balcões um aragonês jovem, um chardonay fresquinho ou mesmo um Barca Velha para os mais endinheirados! Depois vão para a estrada e pumba! A culpa só pode ser do vinho.
Aliás, na mesma senda, o governo prepara-se para responsabilizar as Águas de Portugal e as outras empresas do ramo por todos os afogamentos em rios e albufeiras, bem como no mar, até 5 milhas da costa. Também se diz, mas são só rumores, que as peixeiras do Mercado do Bulhão vão ser inculpadas pelas mortes provocadas por espinhas na garganta e por alergias a marisco na zona do grande Porto. E a igreja católica que se cuide, porque é por demais visível que a culpa pelos divórcios é dos padres!
Agora podemos viver mais descansados porque isto se está a compor! Os culpados estão a ser apanhados.
Já agora, só uma última pergunta: há quanto tempo é que o senhor secretário de estado não vai a uma discoteca ou um bar?

tuguinho, cínico culpado

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Match point


Há muito que eu defendo esta ideia: há coisas que nos acontecem na vida sem que nós façamos nada por isso, e muitas vezes é o acaso a decidir por nós. Tenho, até, algumas ideias aparentemente rebuscadas a esse respeito, mas que fazem todo o sentido.
Fez no mês passado 15 anos, se uma rapariga não tivesse saído da empresa em que trabalhava, hoje não existiriam as Krónikas Tugas nem as Krónikas Vinícolas. Porquê? Porque não teriam vindo procurar-me para eu ocupar esse lugar e eu não teria ido trabalhar para o lado do Tuguinho! Aí está como dois factos aparentemente impossíveis de ligar acabam, remotamente, por estar intimamente associados e um dá origem a outros que doutra forma nunca aconteceriam.
“Match point” é uma expressão usada no ténis para designar o serviço que pode dar a vitória no encontro ao jogador que está em vantagem. Também se utiliza o termo “set point” para designar o ponto que decide um “set”, assim como o “break point” designa aquele em que o jogador em vantagem pode ganhar o jogo quando o adversário está a servir. Noutras modalidades jogadas aos pontos, como o voleibol ou o ténis de mesa, também é habitual falar na “bola de set” ou “bola de encontro”.
O que é que isto tem a ver com o filme de Woody Allen? É que o tema do filme está relacionado precisamente com os acasos da vida, como esse de, num jogo de ténis, a bola bater na tela da rede e, por um momento, poder cair para lá da rede e dar a vitória ao jogador, ou cair do lado de cá e derrotá-lo. A história começa precisamente assim.
Com a habitual sagacidade, Woody Allen cria um enredo em que uma série de acontecimentos se vão sucedendo por factores absolutamente casuais. Desta vez não filmou em Nova Iorque mas em Londres, onde um jogador de ténis que não conseguiu derrotar os grandes viu-se confinado a ser professor de ténis. O acaso leva-o a ter um novo aluno com quem rapidamente descobre uma afinidade no gosto pela ópera. Esta coincidência leva o aluno a convidar o professor para partilhar o camarote da família para assistir à ópera. A partir daqui, tudo se sucede: ele conhece a família do aluno, choca com a noiva americana deste (a fabulosa Scarlett Johansson) por quem rapidamente se percebe que fica fascinado (e quem não ficaria?), envolve-se com a irmã, é convidado para um lugar numa empresa da família, até que acaba por casar com a irmã do aluno. Mais um acaso leva-lhe ao conhecimento que o amigo rompeu com a noiva americana, e percebemos que se tivesse sido antes provavelmente ele não teria casado. Mas o acaso troca-lhe outra vez as voltas: numa galeria de arte que procurava para a mulher, reencontra a americana, por quem continua fascinado e que não larga mais, dando início a um romance furtivo e tórrido.
Até que a situação foge ao seu controlo e ele vê-se encurralado de tal modo que resolve planear um crime. E o filme acaba como começou: uma aliança atirada ao rio vai decidir o seu destino ao bater na grade de protecção e, tal como a bola de ténis que bate na tela, pode cair na água e desaparecer, ou cair no chão e ficar à mercê de quem a encontre… Mais uma vez, é o acaso que determina o resultado.
Um filme que vale a pena ver. Mostra-nos que, afinal, há tanta coisa que foge ao nosso controlo…

Kroniketas, cinéfilo interessado

terça-feira, 4 de abril de 2006

Insólitos

O Vitória de Guimarães tem um futebolista chamado Geromel. E eu que sempre pensei que quem geromel são as abelhas…

blogoberto, chico-esperto

A síndrome da avestruz

A indústria discográfica finalmente acordou! Quando a pirataria na Internet lhes mexeu demais no bolso, finalmente decidiram agir decididos e desatar a prender toda a gente que copie ilegalmente ficheiros de música na net!
Se a pirataria não fosse mesmo um crime, equiparado a roubo, quase me apetecia dizer: bem feito! Quando se enfia a cabeça na areia geralmente sufoca-se.
Cópias ilegais existirão sempre – nenhuma sociedade eliminou alguma vez o crime totalmente -, mas o seu nível ter-se-ia mantido negligenciável se os senhores das editoras não tivessem olhado para a Internet com sobranceria e continuado a cobrar preços artificialmente altos pelos CD físicos. Mal sabiam eles que estavam a querer cavar a sua própria sepultura…
Estou a falar, obviamente, dos “piratas amadores”, miúdos e graúdos que apenas querem ter as músicas para as ouvir e não para ganhar dinheiro com a sua cópia ilegal. Dos outros, da indústria da pirataria, engavetem-nos bem!
Não se consegue parar o progresso! Tal como o vinil quase desapareceu, também a música em formato digital (mp3, wma ou outro formato de codificação) veio para ficar e para “comer” uma boa fatia de mercado ao CD, embora não me pareça que o faça desaparecer. Falo por mim, que gosto de ter a rodela dos discos que mais aprecio.
Se, atempadamente, a indústria discográfica tivesse baixado o preço dos CD para valores razoáveis, podia ter retardado esta crise, ou mesmo evitá-la se na altura tivesse embarcado logo na música em formato digital. Hoje em dia, o preço de um DVD está ao nível do de um CD, embora um filme tenha um investimento muito mais pesado do que um CD. Só não baixam porque os senhores dessa indústria não querem prescindir das percentagens chorudas que lucram sobre cada CD. Ou pensam que são os artistas que a recebem?
Não descarrego músicas ilegalmente. O que puxo da Internet, pago, e são geralmente temas soltos de que gosto e que não compraria o CD inteiro só por causa deles.
É evidente que tenho uns quantos CD em formato WMA copiados dos amigos, coisas que nunca compraria porque não justificam, para mim, os euros que o CD custaria. Os legalistas fanáticos bradam neste momento “pirata!” e eu dir-lhes-ei que é tão pirata como os filmes que todos temos gravados em cassetes vídeo a partir da televisão. Ou as fotocópias de livros que todos tirámos enquanto estudantes. Não se deve cair no exagero e taxar tudo e todos, porque senão ainda chegamos ao ponto de ter de pagar direitos por trautearmos uma canção…
Vá, experimentem baixar o preço dos CD, apostem a sério na Internet com preços atraentes e pacotes de desconto, e vão ver que a crise não é por as pessoas terem deixado de gostar de música.

tuguinho, cínico melómano

segunda-feira, 3 de abril de 2006

O português, esse desconhecido - 1



tuguinho, cínico observador

A verdadeira artista



Nos últimos dias têm surgido notícias na comunicação social sobre um livro que vai ser lançado por estes dias, da autoria de João Pedro George, sobre a escrita de Margarida Rebelo Pinto. O seu título é "Couves e Alforrecas, os segredos da escrita de Margarida Rebelo Pinto".
Perguntar-se-ão: mas então já se escrevem livros analisando a escrita dessa “insigne” escritora? Sim, mas não é o que estão a pensar. O livro é de crítica literária, e várias coisas analisará, mas a notícia destacava uma assaz pertinente e que já criou polémica: o facto de que Margarida Rebelo Pinto, de livro para livro, repete frases, parágrafos e páginas ipsis verbis (para os que não gostam de latim: “literalmente”; para o povo: “tim-tim por tim-tim” – espero que tenham percebido todos)!
A autora e a sua entourage editorial já ameaçaram o autor com processos judiciais e tentaram uma providência cautelar para suspender a edição do livro. No entanto, os factos não são refutáveis e na peça jornalística que vi na SIC João Pedro George leu alguns dos auto-plágios descobertos.
Perguntar-se-ão número dois: mas então não foi ela que escreveu tudo? Sim, é verdade. Não está a cometer nenhum crime, porque os textos originais são da sua autoria, mas é no mínimo de uma grande desonestidade intelectual este tipo de repetições. Escrever livros não é a mesma coisa do que fazer salsichas de porco! No caso das salsichas a repetição faz a perfeição, mas quando falamos de livros é precisamente o contrário. Mas são estes factos que revelam mais o tipo de autor de que se está a falar, o que não abona nada a favor dos seus milhares de leitores. Escrita pastilha-elástica, que se mastiga e deita fora (como diziam os outros na canção) e que espera que os seus leitores tenham o mesmo nível de memória de um ratinho branco (e o mesmo nível de exigência, já agora).
Que fique claro que não vem mal ao mundo por se lerem livros deste tipo, principalmente se se estiver consciente do que se está a ler! Quando vou a uma discoteca espero ouvir música para dançar, mesmo sabendo que é feita a metro e fora daquele contexto o seu valor como música é muito baixo. Mas sei porque estou ali e ninguém me está a dar gato por lebre!
Já era bastante mau estes livros serem o que eram, sem este embuste adicional tipo linha de montagem. E querer esconder a verdade com um golpe jurídico-censório – que invoca violação dos direitos de personalidade, de autor e de propriedade industrial (por o seu nome ser também uma marca) – não edifica autora e editora, a Oficina do Livro.
Margarida Rebelo Pinto não estará certamente só na utilização deste artifício, mas maior visibilidade deveria significar maior responsabilidade e não maior descaramento. Mas estamos na Tugalândia…

tuguinho, cínico original

sábado, 1 de abril de 2006

A mania do silicone



Ainda a propósito da importação de hábitos americanos, outra coisa que me faz uma tremenda confusão, e que talvez alguma leitora me possa explicar. Por que diabo é que agora as mulheres têm a mania de pôr silicone nas mamas?
Ainda não há muito tempo assistia a um programa na TVI chamado ABSexo, a que já me referi noutra ocasião, e a convidada era a actriz Patrícia Tavares. Lembro de vê-la aparecer há uns 10 anos na novela Roseira Brava, uma adolescente muito bem constituída que fazia a cobiça do malandro interpretado por Virgílio Castelo, que a trazia do Alentejo para a prostituição lisboeta.
No meio da conversa, a apresentadora, a sexóloga Marta Crawford, que conduz o programa de forma bastante didáctica e descomplexada, pergunta à Patrícia Tavares: “Então e agora as maminhas…”. Fiquei à espera do que se seguiria. “Puseste silicone, não foi?”. Eu ia caindo da cadeira, porque nunca imaginei que aquele corpo pudesse precisar de silicone onde quer que fosse. Depois veio a explicação: a boa da Patrícia achou que como o traço que à vista mais diferencia os homens das mulheres é o peito precisava de marcar mais a diferença, talvez com medo de ser confundida com um homem!!! Vai daí, aumentou-lhes o tamanho.
Como a surpresa ainda não tinha sido total, ela depois acrescentou que as pessoas que a conhecem agora acham que aquelas mamas sempre fizeram parte dela e já não a imaginam doutra maneira. Por acaso, olhando para ela agora é que parece que aquelas não fazem parte daquele corpo, porque há ali qualquer coisa de excessivo!
O que me surpreende mais nisto tudo é as próprias pessoas ficarem tão contentes com uma mudança no seu corpo que é conseguida com algo artificial, que não lhes pertence, e que continua a não fazer parte desse corpo. Que se retire a gordura em excesso donde ela não faz falta, que se façam correcções em zonas esteticamente menos agradáveis, acho muito bem. Que se corrija até uma flacidez excessiva após a amamentação, porque não? Mas aumentar as mamas só porque se acha que têm que ser maiores, não sei à luz de que critério, parece-me completamente disparatado. Na maior parte dos casos nem sequer melhora, porque os corpos quase sempre têm as proporções adequadas à sua própria estrutura. A não ser em casos aberrantes, acho que estas intervenções não se justificam.
Isto entronca no que referi no post anterior: a mania de importar modas. Não sei porquê, parece estar instalada agora a convicção de que os homens gostam de mamas grandes. Só que o que se vê por aí, nomeadamente na Internet, são autênticas aberrações, coisas completamente disformes, que além dum tamanho descomunal em que não vejo, de todo, uma ponta de erotismo, desde logo apresentam um aspecto completamente artificial, porque a forma normal não é aquela, completamente redonda e igual em cima e em baixo, como se fosse uma bola de futebol. Isto é estética? Definitivamente não. E o erotismo não tem que passar pelo gigantismo dos órgãos, pois não? Se todos os homens fossem da minha opinião, de certeza que as clínicas que fazem estas “obras de arte” fechavam para férias permanentes.
De vez em quando recebo umas fotos via e-mail de corpos nus, com grandes elogios da parte do remetente. A primeira coisa em que reparo é nas mamas de silicone. Fico a pensar que graça é que os meus correspondentes acham àquilo…
Realmente, só me apetece perguntar aos homens: acham assim tão interessante olhar para as mamas da Pamela Anderson? Pessoalmente, achava muito mais interessantes as da Patrícia Tavares. Antes do silicone…
Olhem bem para as fotografias (façam clique para ampliar a imagem): acham “aquilo” normal?

Kroniketas, sempre kontra as tretas