quinta-feira, 27 de julho de 2006

Simão sai, Simão fica; Scolari sai, Scolari fica; Nuno Gomes sai, Nuno Gomes fica; Queirós entra, Queirós não entra...


É assim que funciona a imprensa desportiva em Portugal. Através da fabricação de não-notícias, anunciando uma coisa para logo a seguir a desmentir. É um completo embuste para os leitores que são tentados a ir atrás da manchete bombástica e comprar o jornal que conseguiu a grande “caixa”. E no final, a montanha acaba por parir um rato.
Desde o princípio do ano que se lê regularmente que Simão Sabrosa está vendido pelo Benfica, ou está garantido num clube qualquer. A fazer fé nas notícias vindas a público, Simão já esteve certo no Liverpool, que depois desistiu; garantido no Chelsea, até Mourinho desmentir categoricamente e assegurar que não havia lugar para o jogador no plantel; negociado em Israel com um empresário; e agora está há 3 dias para ir para o Valência mas até agora ainda não foi. Entretanto o presidente do clube disse que quem interessava era Crisitano Ronaldo. Ou seja, há 7 meses que, segundo os jornais, Simão está fora do Benfica, embora continue dentro... Esta 4ª feira garantiam que “é hoje”, mas já entrámos na 5ª e ele ainda cá está.
Durante o Campeonato do Mundo foi um fartote. Transferências às catadupas. Poucos dias depois do início da prova, mais um embuste na capa: meia Europa estava atrás de Nuno Gomes, que não tinha ainda jogado um minuto. Porque raio é que meia Europa andaria atrás dum jogador que ainda não se tinha estreado? Entre essa meia Europa contava-se essa nova potência do futebol que dá pelo nome de Portsmouth... Poucos dias depois, a grande revelação de primeira página: NUNO GOMES NÃO SAI. Mais um embuste, mais uma não notícia. Só os jornais disseram que ele saía, depois tiveram que desmentir o que eles próprios inventaram. É mais uma não-notícia, porque nunca ninguém disse que ele sairia.
O mesmo se passa agora com Manuel Fernandes, que já foi garantido novamente no colosso Portsmouth (o que é que ele iria para lá fazer?), mas afinal parece que não...
Pelo meio disto, a novela Scolari. Andaram a massacrar o presidente da Federação Portuguesa de Futebol para o homem dizer se já tinha renovado o contrato com o seleccionador, e Gilberto Madaíl sempre se refugiou na mesma resposta: não era a altura oportuna para falar do assunto. Estava no seu direito. Mas eles insistiam. Até que veio a revelação: já havia acordo e o BES subsidiava o contrato. Mas o Mundial não acabou sem que saísse mais um embuste em caixa alta: SCOLARI SAI. Afinal ficou, sem que o jornal que publicou a notícia “corasse” de vergonha ou pintasse a primeira página de preto...
O máximo da falta de vergonha foi o processo do treinador do Benfica: andaram 3 dias a relatar o processo negocial de Carlos Queirós com o Benfica e a anunciar os entraves para que o professor viesse para a Luz. Mesmo depois das partes interessadas terem desmentido. De repente, conferência de imprensa para anunciar... Fernando Santos! No meio disto tudo, os leitores enganados diariamente não deveriam ter o direito de ser ressarcidos do dinheiro que gastam a comprar mentiras???
Todas estas fantochadas (porque outro nome não lhes posso dar) ensinaram-me uma coisa, como diz Luís Filipe Vieira: a só acreditar nas notícias quando for o próprio Benfica a anunciá-las. Não quero saber se contrataram A, B ou C. Quando ele aparecer no Estádio da Luz ao lado do presidente com a camisola do clube vestida, aí é verdade. Até lá, nenhuma notícia de interesse ou hipotética contratação merecerá a minha atenção. Foi isto que conseguiram de mim os embusteiros dos jornais desportivos.
Estamos nas primeiras horas de 5ª feira e a notícia é que o Benfica contratou o mexicano Fonseca, que marcou um golo a Portugal no Mundial. Pois é: quando o clube o mostrar, aí acredito que é verdade. Porque até lá, pode não passar de mais um embuste...
Assim se vendem jornais na Tugalândia. Longe vão os saudosos tempos dos “monstros” da escrita, em que “A Bola” era a Bíblia do desporto português, em que palavra d’ “A Bola” era palavra certa. Com a voragem dos diários, a concorrência desenfreada sobrepôs-se ao rigor informativo. Esse há muito desapareceu. É o descrédito total. Actualmente nenhum dos 3 diários desportivos me merece confiança, porque se tornaram todos iguais. Que pena... O que pensaria Vítor Santos se fosse vivo... Morreria de novo?

Kroniketas, sempre kontra as tretas