quarta-feira, 5 de julho de 2006

40 anos depois - 2ª parte…




Este texto foi escrito antes do Portugal-França de logo à noite, para não ser influenciado pelo resultado que vier a acontecer e porque vem ainda na sequência dos posts aqui publicados após o jogo dos quartos-de-final com a Inglaterra.
A participação da selecção portuguesa no Mundial de Futebol já tinha entrado para a história ao conseguir pela segunda vez (40 anos depois) passar, primeiro à segunda fase e depois aos quartos-de-final. Agora acrescenta mais um ponto à história ao chegar novamente às meias-finais… 40 anos depois. Com um pormenor de realce: para chegar às meias-finais, desta vez foi necessário ultrapassar mais uma etapa, pois há uma eliminatória (oitavos-de-final) a mais do que em 1966, quando eram 16 equipas e após a fase de grupos entrava-se imediatamente nos quartos-de-final. Portanto, a selecção de 2006 já ultrapassou a de 1966 em termos de performance.
Ligado a tudo isto ficará, fatalmente, um homem: Luís Felipe Scolari. O seleccionador “sargentão”, que muita gente critica porque não dá bola aos críticos nem às opiniões alheias, não dá explicações sobre os jogadores que deixa de fora e muitas vezes tem afirmações desagradáveis. Devo dizer que Scolari não me inspira uma simpatia por aí além exactamente por alguns desses motivos. Mas o que está em causa é o seu desempenho à frente da selecção nacional de futebol, e é por isso que ele deve ser julgado. A azia daqueles que há 4 anos o bombardeiam e atacam de todas as formas tem apenas um motivo que toda a gente percebe: a não convocação do guarda-redes Vítor Baía (e agora também a não convocação de Ricardo Quaresma). Mas esses já tiveram que engolir muitos sapos e sempre que a selecção ultrapassa um obstáculo lá têm de engolir mais um. Nesta altura em que chegámos ao grupo dos 4 melhores o que estão a engolir já deve ser um elefante. Mas esses são os maledicentes, aqueles que só conseguem ver o mundo a uma cor e que não distinguem o direito à liberdade de expressão e à crítica do direito à asneira e à má-língua, que não distinguem o que é ter opinião do que é dizer mal apenas pelo prazer de destilar veneno e debitar a sua imbecilidade e estupidez. São também aqueles que não perdoam a Scolari por não ter ido ao beija-mão ao Papa do norte e não lhe passar cartão, nem permitir interferências no seu trabalho. Quando o jogador Costinha (ex-FC Porto) disse que agora os clubes já não mandam na selecção, ele lá saberia do que estava a falar. Provavelmente a pensar no seu ex-clube.
Quando este Campeonato do Mundo terminar e tudo for para arquivo, na selecção portuguesa vai constar o nome de Scolari como treinador (e o nome de Ricardo como guarda-redes). Independentemente do que acontecer esta noite, ele também já vai ficar na história por ter conseguido levar a selecção a duas meias-finais consecutivas, e vamos ver se a duas finais. Até hoje ninguém andou nem sequer lá perto. Agora imaginem que o homem ganhava o Campeonato do Mundo...
Por isso, goste-se ou não do seu feitio e dos seus métodos, as Krónikas Tugas querem desde já deixar aqui uma singela homenagem a Scolari, que levou o futebol português a patamares nunca alcançados. Seja qual for o resultado com a França, já lhe devemos isso.

Kroniketas, sempre kontra as tretas