segunda-feira, 17 de julho de 2006

Mais do mesmo





Lá voltamos nós ao mesmo no médio-oriente… tudo a ferro e fogo como de costume e quem se lixa é o mexilhão.
Isto começa sempre porque uns acham que podem eliminar os outros porque não concordam que eles devam existir, e os outros precisamente pela mesma coisa.
É certo que me identifico muito mais com a forma de viver dos israelitas, exceptuando as franjas radicais religiosas, do que com os muçulmanos, mas isso não quer dizer que, tal como os EUA fazem, feche os olhos às atrocidades do exército israelita.
Vamos supor que a ETA ou outra organização espanhola do género raptava um par de gê-éne-erres na fronteira de Vilar Formoso e os levava para sítio incerto, quiçá mesmo para o país basco francês.
Em seguida, sem qualquer declaração, Portugal bombardeava Badajoz e Madrid e entrava com tropas até Sevilha, deitando abaixo pontes e outras infra-estruturas porque tinham sido seguramente usadas pelo grupo terrorista. Em seguida fechávamos o porto do Havre e deixávamos cair umas ameixas sobre bairros residenciais de Bordéus, porque tínhamos informações seguras de que a sogra da cunhada de um dos potenciais terroristas lá morava. É evidente que Paris também não se safava e que só sairíamos de lá quando nos apetecesse. E ninguém ia levantar a voz, porque o Tio Sam até estava por nós, foram provocados coitados, têm razão em se defender, etc. e tal. Absurdo, não é? Então agora mudem os nomes todos excepto o do Tio Sam e vejam se continuam a achar absurdo?
Por muita razão que se tenha, quando se faz tábua rasa das leis internacionais e até das da própria guerra, perdemos a razão e equiparamo-nos aos terroristas que estamos a tentar combater!
Para eliminarmos o perigo é lícito arrasarmos tudo à volta? Será que um Líbano normalizado não dá jeito?
Se vale tudo, então o que é que estamos a tentar defender?

tuguinho, cínico encartado