sexta-feira, 2 de setembro de 2005

O problema de D. Afonso Henriques

Aqui o Tuguinho e eu tivemos uma troca de impressões acerca do epílogo da Krónika do Maranello, artista convidado. Ele não gostou da insinuação acerca do D. Afonso Henriques, tomando-a como um desejo de sermos espanhóis, e pôs algumas reticências em relação à publicação desse parágrafo tal como foi escrito pelo autor.
Não é que eu seja pró-castelhano, mas tudo aquilo que vi a Espanha evoluir e o que não vi evoluir Portugal começa a deixar-me cada vez mais farto de ser português. Francamente, para além das praias e do clima (e do Benfica, mas até esse já não é o que era…) o que é que existe cá que nos faça gostar de ser quem somos? E de cá estar? Não viveríamos muito melhor agora se tivéssemos perdido a batalha de Aljubarrota? Seja como for, os espanhóis já estão a comprar tudo isto aos pedacinhos!... Que diferença fazia? Nem aos países de expressão portuguesa conseguimos “vender” a nossa cultura, o que é que nos faz, afinal, estar cá?
Temos das casas mais caras da Europa, dos carros mais caros da Europa, dos telefones, água, gás, electricidade, combustíveis mais caros da Europa, temos dos salários mais baixos da Europa, temos das piores estradas da Europa, temos dos maiores níveis de iliteracia e de analfabetismo da Europa, temos dos maiores níveis de corrupção da Europa, temos dos piores ordenamentos territoriais da Europa, temos o maior número de incêndios da Europa, afinal do que é que nos podemos orgulhar por sermos portugueses? O clima e as praias não fomos nós que fizemos, já cá estavam, e quanto às praias estamos a tentar tudo para as destruir.
Que tal fechar a porta e deitar fora a chave? O último a sair que apague a luz.

Kroniketas, farto de ser tuga