quarta-feira, 28 de setembro de 2005

O descalabro da SIC

Substituição na direcção de programas da SIC. O responsável pelos últimos 4 anos, Manuel da Fonseca, saiu dando lugar a Francisco Penim, o director da SIC Radical e um dos responsáveis pelo lançamento do Gato Fedorento.
Devo dizer que este fiasco da SIC nos últimos meses me enche de satisfação, porque a SIC é a grande responsável pela introdução do telelixo em Portugal. Foi a SIC que começou a dar-nos doses industriais de programas próprios para atrasados mentais, ganhando a guerra das audiências à custa duma filosofia de “quanto pior melhor”.
Foi bem feita a castanhada que levaram da TVI com o Big Brother, que os obrigou a provar do próprio remédio: a TVI é abaixo de cão mas derrotou a SIC com as mesmas armas que esta tinha criado.
Agora estão em desespero e tentam mudar de estratégia. Mas quem olha para uma semana de programação da SIC durante a noite, percebe que no horário das pessoas que têm de trabalhar no outro dia de manhã só passa bosta! A seguir ao Telejornal e até à meia-noite não há nada (repito, NADA) que se aproveite. Depois começam a passar um filme lá para a meia-noite, 1 da manhã (com intervalos de 15 minutos pelo meio), horário óptimo para quem tem de acordar cedo.
Perante a guerra perdida, vão arranjando bosta cada vez mais malcheirosa. Atente-se neste mimo de programas que redundaram em fiasco (ver artigo no Correio da manhã):
ESQUADRÃO G: Cinco homossexuais realizam mudanças de visual a 13 desconhecidos.
SENHORA DONA LADY: Onze homens vivem na mesma casa, durante dez semanas, vestidos de mulher.
PULSAÇÕES: Concurso de cultura geral, onde as pulsações do concorrente determinavam o tempo de resposta.
JIKA DA LAPA: Série de humor que pela primeira vez apostou num elenco negro.
BOCA A BOCA: ‘Talk-Show’ destinado a combater o ‘Bon Chic’ de José Castelo Branco.
OLHAR DA SERPENTE: Telenovela de produção portuguesa que não conseguiu agarrar audiência, mudando várias vezes de horário.
Se a isto juntarmos o execrável em que se tornou o programa do Herman José (que em tempos foi um grande humorista, mas que agora não passa dum decadente com tiques de paneleiróide, recorrendo a piadas brejeiras, “strip-teasers” decrépitas e mariconços musculados para tentar subir as audiências), temos o cenário completo para uma estação que serve apenas para transitar do canal 2 para o 4 quando se faz “zapping” a caminho da SIC Notícias. Eu por mim passo meses sem sequer me lembrar que tal canal existe.
Se começarem a passar programas que não sejam apenas para analfabetos e atrasados mentais, novelas e “reality shows”, se começarem a cumprir horários e não andarem sempre a saltitar de dia e hora ao sabor das supostas conveniências das audiências (alguém chegou a perceber em que horário passava o programa da Maria Rueff?), pode ser que recuperem alguma imagem e alguma credibilidade. Pela minha parte, no estado actual passo bem sem eles.
A terminar, refiro apenas esta notícia acerca da saída do Gato Fedorento da SIC Radical. Os motivos indicados deixam tudo claro acerca da filosofia do canal.

Kroniketas, sempre kontra as tretas