quinta-feira, 30 de setembro de 2004

O mundo mais seguro

Notícia na TSF Online: Perto de 40 crianças mortas em triplo atentado com viaturas armadilhadas, em Bagdad.
Era este o mundo mais seguro que o presidente mais bronco da história nos ia dar com a guerra do Iraque? Ele não disse foi quando.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

A dança dos Profs (2)

Então se o problema foi resolvido com um novo programa que corre em meia-hora, por que raio é que demoraram tanto tempo a chegar a essa solução?
E será que a Compta não deveria indemnizar o Estado? Ou será que o facto de Couto dos Santos e Rui Machete lá estarem tem alguma coisa a ver com o silêncio que se faz em torno da empresa? Fica tudo assim e não se fala mais nisso? Quanto custou ao país esta barraca? Ninguém é responsabilizado?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

A Dança dos Profs

A comparação feita pelo responsável informático pela resolução do problema das colocações entre esta situação e a dança das cadeiras foi deveras infeliz: é que nessa dança fica sempre alguém sem cadeira...

blogoberto, chico-esperto (por não ter ido para professor)

quarta-feira, 29 de setembro de 2004

Última hora

É oficial. Em Novembro, vai sair o DVD do Gato Fedorento.
A não perder, obviamente. Um fartote!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 28 de setembro de 2004

Nódoas negras

Jornalistas e repórteres continuam a ir de encontro às notícias. Esperemos que a pancada não seja tão forte que eles não consigam ir ao encontro das ideias!

blogoberto, chico-esperto

segunda-feira, 27 de setembro de 2004

Aviso à Navegação

Repararão certamente que, neste momento, existem acessos a dois diferentes sistemas de suporte aos comentários. O motivo tem a ver com a mudança para um novo sistema, que está à experiência até 4ª feira, 29 de Setembro. Nesta data desactivaremos o sistema antigo se o novo funcionar bem, ou seja, somos mais precavidos que o ministério da educação!
Deste modo os comentários antigos vão desaparecer, por isso usem desde já o novo sistema (da Haloscan).
Obrigado

Idálio Saroto, provedor deste blog

domingo, 26 de setembro de 2004

São Marx nos valha!...

Com alunos a entrarem com negativa nas universidades, acabamos por ter professores universitários como o Titta… Não me tinha apercebido que isso já acontece há tanto tempo que alguns desses exemplares já tinham chegado ao mercado de trabalho.
Saiba, meu caro, que instrução não é equivalente a educação, porque senão possui-la-ia. Conheço professores universitários que são umas bestas (não, não se coloque em bicos de pés, porque não estou a falar de si – não tenho o desprazer de o conhecer) e analfabetos extremamente educados. Também constatei que conheceu Galileu de perto e que obviamente as suas ideias provêm algures da mesma época. Deve também provir daí a sua obsessão por livros, mas olhe que uma cultura livresca não é tudo e citações, por muito eruditas que sejam, não passam disso: é o pensamento dos outros. Por isso tente, pelo menos por uma vez, pôr os seus neurónios a funcionar e pensar por si. Vai ver que gosta e até é agradável. É que assim sou levado a pensar que o seu QI está ao nível do dos papagaios e araras, que são óptimos a repetir o que ouvem mas cujo raciocínio próprio deixa muito a desejar…
Estou contente! – é aquela sensação de felicidade e relaxamento que surge depois de um objectivo alcançado: passámos a ter o nosso cromo privativo, o nosso emplastro dos blogs! Andam blogs anos e anos (poucos, que isto é tudo recente) a porfiar denodadamente (Titta, vá lá buscar o “diccionário” que eu não tenho paciência para lhe explicar) para obter um, e a nós cai-nos o Titta do céu com auréola e tudo no meio da sopa (que estilo da treta, não é, cheio de parêntesis pelo meio da frase; mas veja que o ponto de exclamação está no sítio certo, aqui)! Porém, tudo o que é demais farta e como este blog se chama “Krónikas Tugas” e não “Krónikas Tittas”, esta discussão vai ter um ponto final aqui. Todavia, como não somos rancorosos, haverá sempre um fardo de palha à sua espera quando que nos vier visitar.

tuguinho, cínico encartado

sábado, 25 de setembro de 2004

O retrato do país

Um artigo claro como a água de Miguel Sousa Tavares na sua habitual crónica no Público das 6ªs feiras. É o retrato perfeito daquilo em que este país se tornou.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Néctares de Baco (6) – Sugestões vinícolas

As feiras de vinhos estão aí a surgir. É uma boa altura para os apreciadores comprarem a preços mais baratos e abastecerem-se para todo o ano, porque habitualmente os preços sobem logo a seguir. Nesta altura também se encontram alguns vinhos que no resto do ano não aparecem, pelo que podemos aproveitar algumas raridades.
Por isso, dentro de alguns dias e depois de termos visto os catálogos, vamos deixar aqui algumas sugestões para quem quiser dar uma voltinha pelas feiras de vinhos existentes. Há quem queira comprar mas não saiba o quê, pelo que poderão usar isto como ponto de partida para ir experimentando. A partir daí, quem tiver outros gostos deve ir fazendo a sua própria escolha.

Kroniketas, de olho nos hipermercados

sexta-feira, 24 de setembro de 2004

Um problema manifestamente exagerado

A propósito dum post do Dylan, que não pude deixar de comentar, apetece-me dizer mais qualquer coisa acerca do tom “manifestamente exagerado”, segundo O Acidental, que se tem dado ao problema da colocação dos professores, “por razões de puro oportunismo político”.
Ora vejamos: o meu filho mais velho, que está a começar o 5º ano, teve ontem a apresentação na escola e neste momento tem 3 professores: Educação física, Educação musical e Área de projecto. Hoje teve metade de uma aula. Na 2ª feira não se sabe o que vai ter. Professores de Matemática, Português, História e Geografia, Ciências, Inglês, quando as colocações à mão estiverem prontas logo hão-de aparecer. Talvez lá para o mês que vem. Não há pressa. Como dizia o Pinheiro de Azevedo, o povo é sereno. Se calhar até há algum pateta alegre que se diverte com isto…
Claro que tudo isto são manobras da oposição para desacreditar o governo. Se calhar foi algum opositor ao governo que trabalha na Compta que pôs um “bug” lá no programa. Claro que eu, como pai, tenho que considerar isto normal. E os professores, claro, tinham que fazer 36.000 reclamações? São uns chatos.
Estes intelectuais de esquerda com a mania da superioridade moral são uns exagerados…

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Os patetas alegres

São aqueles tipos que dizem divertir-se com coisas que não têm graça nenhuma, sendo eles próprios incapazes de ter uma pontinha de graça porque se levam demasiado a sério. Se uma piada lhes passasse à frente do nariz seriam incapazes de reconhecê-la, ocupados que estão a olhar para o seu umbigo.

blogoberto, chico-esperto

Uma coisa horrenda

Que espécie de monstros são estes que matam uma criança de 8 anos à pancada por causa de 12 euros? Que mundo este em que vivemos!

Kroniketas, indignado e triste com tanta loucura à solta

quinta-feira, 23 de setembro de 2004

Uma melga no meu blog

Frase da semana: o meu tempo é demasiado precioso para o perder com paranóicos que se fingem de vítimas ao mesmo tempo que atiram a pedra e escondem a mão.

blogoberto, chico-esperto

As vitórias “hádem” surgir

…para que “póssamos” começar a recuperar.
(Ricardo Quaresma, após o FC Porto-U: Leiria)
Espero que nenhum professor universitário diga destas!

blogoberto, chico-esperto (este também é um pseudónimo inventado por nós)

Lições de português de um professor universitário

“Diccionário” para “dicionário”
“Percebe-se” para “percebesse” (já ouviram falar no pretérito imperfeito? É diferente duma conjugação reflexiva)
“Deficiante” para “deficiente”
“Hierárquia” para “hierarquia”
“Medecina” para “medicina”

Lições de inglês
“Forword” para “forward”

Perceberam? Aprendam porque ele não passa cá todos os dias. Assim vai a nossa universidade.
Só para complementar, o professor universitário, cada vez que passa por aqui para dialogar (diz ele…), rebate as nossas opiniões com expressões de grande cortesia e elevação intelectual, sendo que, segundo ele, as nossas respostas é que são insultuosas, porque não concordamos com os comentários. Se o teor das nossas respostas o incomoda, não sei porque é que perde tempo a vir aqui, uma vez que nos tem em tão má conta. E caso alguém pense o contrário, o que escrevemos são apenas opiniões: não são teses de doutoramento, tratados de direito, teologia ou medicina, nem dissertações pseudo-intelectuais sobre as teorias de Copérnico ou Galileu. Muito menos temos a presunção do professor universitário na forma como desenvolve os seus testamentos.
Sugiro aos potenciais interessados que releiam os últimos artigos relacionados com a questão do aborto e os respectivos comentários. Nesses comentários, o professor universitário, pelo meio de erros ortográficos de palmatória e longuíssimas frases escritas de modo tão confuso que deixam de fazer sentido (e ainda se atreve a dar-nos conselhos sobre como escrever português!), brinda-nos com alguns epítetos que aplica, conforme o caso, aos autores em pessoa ou às opiniões aqui expressas. Eis uma lista de algumas expressões contidas no que ele chama “diálogo”:

Ignorantes, mentirosos, hipócritas, abjectos, demagogos, manipuladores, cobardes, zarolho, preconceituoso, canalhice, tacanhez, cegueira, tara, ranhosa, baboseiras, patacoadas.

Em cima disto, o professor universitário atribui-nos (fruto da sua imaginação delirante) ligações ou afinidades ideológicas com políticos – vivos ou mortos – ligados a uma determinada corrente política, ou a determinados partidos, ou a movimentos de algumas décadas atrás sem sequer imaginar que idade poderíamos ter nessa altura. Aos argumentos que não lhe convêm responde que são falsos, mesmo quando há muitos factos e documentos que os comprovam (como é o caso da posição da igreja em relação aos nazis, que ainda recentemente foi abordada numa série de DVD’s acerca da 2ª guerra mundial), dando-se ares de informado sobre todos os assuntos e fazendo desde logo um diagnóstico acerca do que lemos ou deixamos de ler, como se ele tivesse o exclusivo da informação que interessa; ou entra pelo caminho da desconversa ou da regatice barata como resposta a factos ocorridos com pessoas que eu conheço, em locais que conheço e onde vivi, somente porque eu não disse onde, nem quando, nem com quem elas ocorreram. Como é óbvio não vou aqui expor a vida de pessoas, porque este não é um espaço de delação. Se o professor universitário dá ou não algum crédito a estes factos, é o lado para que eu durmo melhor. Finalmente, para não deixar os seus créditos por mãos alheias na arte da má-língua em que, pelos vistos, é doutorado, ainda tece considerandos de mau gosto e baixo nível acerca do carácter de cada um de nós duma forma verdadeiramente infame.
Com toda esta verborreia, o professor universitário, que nos pretende dar lições de moral e sapiência, julgando-se com certeza o supra-sumo da inteligência e da sabedoria (certamente desconhece a frase de Sócrates, “só sei que nada sei”; e no seu autoconvencimento nem percebe que aqueles que julgam que sabem tudo serão porventura os mais ignorantes) e arrogando-se o direito de nos julgar e condenar à fogueira, revela afinal toda a sua índole moral. Nem vou classificá-la porque as expressões que utiliza retratam bem quem as profere. E é este tipo de gentinha que se coloca em bicos de pés como grandes defensores da vida e grandes moralistas, quando tomam as atitudes que estão à vista com quem não lhes apara todas as postas de pescada e não hesitam um segundo em insultar e tratar abaixo de cão quem nem sequer conhecem mas pensa de maneira diferente deles. Moralistas de merda!
E assim fica registado que nós ofendemos quem nos comenta, e que quem nos comenta desta forma só quer dialogar.
Pessoalmente, não tenho pachorra para alimentar conversas imbecis acerca do sexo dos anjos, nem me apetece perder tempo com mentes retorcidas que vêem o mundo de forma maniqueísta e só conseguem funcionar à luz duma moral retrógrada, intolerante e que tresanda a mofo. E, acima de tudo, não suporto a arrogância de quem se julga um iluminado enviado do Além e superior ao comum dos mortais. Pode ficar com a sua omnisciência e metê-la onde quiser, mas vá dar lições a quem lhe quiser aturar as paranóias teológicas.

Para que conste, estes pseudo-diálogos terminam aqui.

Kroniketas (para quem ainda não percebeu, não é um nome: é um pseudónimo inventado por nós)

PS: será que o professor universitário também aplica estes adjectivos aos seus alunos? Pobres alunos…

quarta-feira, 22 de setembro de 2004

Foxes on waves

Eu cá sou a favor da caça à raposa, mas só até às 12 semanas!

blogoberto, chico-esperto

domingo, 19 de setembro de 2004

Anúncios ridículos

Não há nada mais ridículo do que pôr lisboetas a fingir que falam alentejano. Não falam e fazem uma triste figura. Quem se lembrou daquele anúncio parvo da Gillamp que agora passa na rádio, com alentejanos de sotaque lisboeta, deve ter pensado que ia ter muita graça, mas só cai no ridículo. Quem fez aquela miséria (e quem se lembrou) não se enxerga? Em termos artísticos é uma perfeita MERDA!
E também há aquele da Singer que anuncia um computador com 3 gigas! 3 gigas? Na minha terra chamava-se giga a uma corcunda. No dicionário online da Priberam diz:

· do Fr. gigue: ant. alt. giga, espécie de violino
· selha larga e baixa;
· canastra de vime em forma de selha;
· Coimbra: nome de uma dança acompanhada a canto e viola.

Estes tipos fazem noção do que estão a dizer? Giga é alguma unidade de medida? Como mega? Não sabem que é um prefixo que transforma o valor que o segue, como quilo, hecto, deca ou mili? O que são 3 gigas? Será um computador com 3 corcundas ou 3 canastas?

Kroniketas, sempre kontra as tretas e a ignorância linguística

Nada como manter as tradições

Acabei de ver há pouco na SIC Notícias uma reportagem sobre o renascimento do Ku-Klux-Klan nos EUA. No estado de Indiana fazem recrutamento de jovens (até um de 12 anos lá estava!!!) que acreditam no Klan e no white power. Claro, querem acabar com os pretos, os amarelos, os mestiços e tutti quanti.
Acho bem, porque isso é que mantém a tradição do povo rural. Afinal, se já havia a tradição de exterminar os índios e escravizar e queimar os pretos, porque raio é que acabaram com essa tradição tão cara ao povo rural e humilde do sul? Vejam lá que até fizeram uma guerra porque havia uns maduros (intelectuais de esquerda com a mania da superioridade moral, com certeza) que queriam acabar com a escravatura, que era uma longa tradição! E no fim até ganharam! Gandas malucos!

Kroniketas, sempre a favor das tradições dos mais humildes

sábado, 18 de setembro de 2004

...não há duas sem três!

E mais digo: que ousadia é essa da justiça, aliada à chamada opinião pública e às ideias igualitárias, que tenta condenar esse acto tão tradicional e saudável de aviar valentes cargas de porrada nas mulheres e nos filhos? Já não se pode ser homem? Em que mundo vivemos?
Que complot é este que nos quer roubar um dos actos mais afirmativos de virilidade e uma tradição de séculos, senão de milénios? Como se tenta acabar com tão natural acto, praticado tanto pela população rural (nos intervalos da caça à raposa) como pela população urbana (quando não vão às putas)? Haverá algo mais definidor da civilização humana?
Estou triste com esta situação. Estou desolado e deprimido. Sinto-me fraco, deslocado. Aliás, que saudades sinto da minha cavernita, tão fresquinha no verão...

tuguinho, cínico macho, muito macho (e tradicionalista)

P.S. - já agora, o tipo que inventou esta do "não há duas sem três" era um bocado optimista, não era?

...e tal como os Dupondt...

…ainda digo mais: porque é que não se legaliza a prostituição? Afinal, é a profissão mais antiga do mundo, portanto tem mais de 500 anos de tradição, e é praticada pela população rural ou citadina (ou rural que veio para a cidade em busca de uma vida melhor) mais desfavorecida. Aliás, acho mesmo que prender as prostitutas é um total desrespeito pelos valores tradicionais da população rural que veio para a cidade em busca de uma vida melhor.

Kroniketas, sempre a favor dos valores tradicionais dos mais desfavorecidos

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

Sendo assim…

…ficamos a saber que o sr. do Quinto dos impérios, que faz um humor (é o que ele lhe chama) abjecto com o barco do aborto, preocupa-se com a morte de uma célula do tamanho dum caroço de cereja mas não se preocupa mas com a morte de raposas. Isto, claro, porque é uma tradição com mais de 500 anos praticada pelo povo rural!
Pronto, assim já está bem.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

P.S. : Se o indivíduo se está borrifando para a caça à raposa, porque não fica caladinho em vez de andar a escrever tanta baboseira seguida?

Ladrando aos jornais (25) - Notícia preocupante

Passando por uma banca de jornais, vi um título inquietante em letras gordas: “Tia do jet-set barrada na festa de Madonna”.
Depois em caixa pequena: “Catarina Flores impedida de entrar no Lux”.
Perante a gravidade do assunto, duas inquietações me assaltam:
1 – A quem é que isso interessa?
2 – Quem é a Catarina Flores?
Esta noite já nem vou dormir bem…

Kroniketas, sempre kontra as tretas e as não-notícias

quinta-feira, 16 de setembro de 2004

Admirável Mundo Novo

É agora que vou falar sobre o terrorismo.
1ª Premissa: não há bom ou mau terrorismo.
2ª Premissa: não há vítimas de primeira e de segunda.
3ª Premissa: as evidências acabam por nos fazer duvidar das duas primeiras premissas.
Vamos esquecer o politicamente correcto, o que não se diz para não ferir susceptibilidades de uns e outros. A verdade é que, como cidadãos da Europa Ocidental, a atenção dada a certas vítimas não é a mesma que damos a outras. Alguém sabia dos 12 nepaleses raptados no Iraque e que foram executados? Mas todos ouvimos já dezenas de referências às 2 italianas nas mesmas circunstâncias. A maioria das vezes esta relatividade não é propositada – é natural que nos interessemos mais por quem está mais próximo ou por quem temos mais afinidades – e acontece mais na comunicação social, mas no fim o efeito é um pouco discriminatório…
Quando se trata de governos, a situação já é diversa, pois estes têm o dever de serem imparciais e considerar todos os casos por igual. Não é isso que se passa, mas devia ser. Quantos esbracejam ocultos do nosso conhecimento por causas justas em terras que a ninguém interessam? Daí que algum conselheiro de Bush já deve ter descoberto que há petróleo em Darfour, daí as afirmações de Collin Powell sobre o conflito.
Não há bom nem mau terrorismo, mas há diferenças entre colocar uma bomba algures e avisar a polícia de quando vai explodir ou arrasar duas torres imensas usando como mísseis dois aviões cheios de inocentes. Ou chacinar crianças sem pingo de remorsos. Mesmo dentro do mal há uma escala.
O terrorismo dos anos 70, seja o do IRA, da ETA, dos grupos palestinianos ou do grupo Baader-Meinhof, era um terrorismo político, e as suas vítimas foram quase sempre seleccionadas de acordo com os propósitos políticos dos grupos. Não que não tenham morto inocentes (mesmo do ponto de vista desses grupos), como se sabe, mas a esmagadora maioria das suas acções foi sempre direccionada tendo em conta os seus objectivos bem precisos.
O actual terrorismo global é uma guerra civilizacional, não é de forma nenhuma estritamente político, daí o seu carácter cruel: excluindo o terrorismo de estado que Israel faz e que a Rússia também fez na Tchéchénia, todos os outros pretendem impor a hegemonia da sua forma de pensar, da sua “civilização”, aqui consubstanciada pela respectiva religião. Mas não foi sempre assim?
A moral ocidental, ainda que na mente de um terrorista, acaba por colocar limitações às coisas indignas que se podem realizar quando as motivações são puramente políticas. O ódio cega e pode fazer-nos transpor essa barreira, é certo e viu-se na ex-Jugoslávia, mas é um caso extremo mesmo quando falamos de extremismos. Quem não tem esse tipo de referências – inculcadas na nossa civilização pela moral judaico-cristã (e a firme noção do bem e do mal que esta transporta) e por séculos de humanismo que desaguaram nas modernas filosofias políticas – é um potencial monstro que não mede os seus actos senão pela adoração fanática corporizada no “martirismo” e no desprezo pela vida própria e pela dos outros.
Pode sempre argumentar-se que é a pobreza que gera os terroristas, embora seja um argumento um pouco simplista e redutor. Também se pode dizer que foi o fim da Guerra Fria que deixou os malucos à solta, livres do espartilho americano-soviético – o equilíbrio existente, ainda que baseado na força, obrigava a um controlo de terceiros que hoje não se realiza. Mas todos estes argumentos não explicam tudo, são apenas factores que levaram à actual situação. E o mais absurdo é que foram os antigos imperialismos americano e soviético que semearam os ventos que se tornaram tempestades. O Afganistão (não, não leva “e” nenhum depois do “f”!) foi o cadinho no qual se misturaram os ingredientes, o conflito israelo-árabe o catalizador que sempre lhes deu força.
E como é que vamos sair disto, perguntam? Não há guerras sem dinheiro, e são os petrodólares sauditas (e não os iraquianos, mas noutra altura falaremos sobre as ligações perigosas entre Bush e os sauditas) que financiam o armamento, a logística e a disseminação do islão radical. Portanto, ou o petróleo se esgota ou deixamos de basear a nossa civilização global nos hidrocarbonetos. Como vêem, é fácil! (Também se podem conquistar os países produtores mas, pela amostra do Iraque, não acho conveniente...)
Ainda que considerando o que aqui foi dito, e mesmo quando defende alguma causa justa, o terrorismo é indefensável, tal como a tortura, o esclavagismo, a guerra ou a desigualdade de direitos. Uma vítima é uma vítima, qualquer que seja a sua nacionalidade ou condição, e as armas têm o mesmo cheiro independentemente do lado em que estejam.
Gostaria de deixar aqui uma referência ao artigo “O Islão e o Terror” de Miguel Sousa Tavares, no jornal Público, que põe os pontos nos “ii” em muita coisa, sem medo de ser politicamente incorrecto, e que acaba por complementar (passe a imodéstia) o que se escreveu aqui.
A Verdade não é relativa. É só uma. Nós temos razão, eles não.

tuguinho, cínico encartado

quarta-feira, 15 de setembro de 2004

A voz do povo (periódico quando calha)

Eu bem dizia: isto sem Deco e sem Mourinho não é a mesma coisa...

blogoberto, chico-esperto

domingo, 12 de setembro de 2004

Broncos e vómitos na blogosfera

Seguindo uns links da Controversa Maresia, tive o desprazer de deparar com uns escritos sobre o aborto. Como sempre, escritos por homens.
Apesar do que ela já tinha mencionado acerca de tais escritos, devo confessar que aquilo com que deparei é muito pior do que pensava. Um tal Quinto dos Impérios é um verdadeiro atentado à inteligência, do mais infame e abjecto que já vi por aqui. Não diz nada de útil e limita-se a lançar uma torrente de insultos sobre as pessoas que vinham no barco e sobre as mulheres de um modo geral.
Um verdadeiro vómito. A evitar.
Outros limitam-se a ser apenas parvinhos. Se há quem consiga fazer uma apreciação ao presidente Bush como o melhor que os EUA podem ter, não é apenas um simplório: aproxima-se mais do imbecil. Nem vale a pena estar aqui a enumerar todas as “qualidades” que fazem de George W. Bush uma verdadeira anedota internacional e, ele próprio, um perigo para a humanidade, com a sua ignorância de “cowboy” texano e a sua visão limitada do mundo, que se reduz ao que “é melhor para o povo americano” (mesmo que seja pior para o resto do planeta). Que os americanos o prefiram por causa de uma causa perdida como foi o Vietname, não admira. Mas elevar este bronco à condição de grande estratega e visionário da cena internacional, fazendo como contraponto uma suposta “destrutiva herança em termos económicos e de política internacional” do último presidente democrata (Bill Clinton), que foi o único que tentou realmente resolver o problema israelo-palestiniano (ao contrário deste, que dá cobertura ao assassínio selectivo praticado por Israel, à boa maneira nazi), é demasiado para ser apenas de simplório. Só pode ser de alguém ainda mais bronco e ignorante que o próprio Bush.
Apetece-me perguntar se também acreditam no Pai Natal e nos glutões.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Uma dúvida

Nesta estafada questão do aborto, porque será que os mas fanáticos, histéricos, intolerantes e acérrimos adversários da descriminalização são quase sempre os homens, que nunca poderão passar pela experiência de ser mãe? E os padres, idem?
Alguém me explica?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 11 de setembro de 2004

Nine Eleven

Não, ainda não é agora que vou dissertar sobre o terrorismo, qualquer que ele seja.
A hora é de recordar. O acto. As vítimas. O que parecia impossível.
Deixemos as análises para depois. Recordemos apenas o horror.
O telefonema último. O salto mortal. O silêncio.
Depois falamos do resto, agora só interessa recordar.
Em silêncio.

tuguinho, cínico a meia-haste

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

Darfour to Beslan and back...

Estava desconfiado. Possuía indícios. Apavorava-me. Mas não. Não podia ser. Tinha esperança. Agora tenho a certeza: existem muitos milhões de Homo Sapiens, mas só uma parte são seres humanos...
Voltarei ao tema, porque hoje não me apetece escrever mais.

tuguinho, cínico desesperançado

quinta-feira, 9 de setembro de 2004

Eu explico...

Não é que eu ache que tamanho chorrilho de disparates mereça grande atenção (lá diz o povo que não se deve gastar muita cera com ruim defunto), mas a verdade é que, ainda sobre o mesmo tema do post anterior, o prezado leitor João Titta (com dois TT) emitiu uma série de opiniões baseadas em falsos pressupostos, fez insinuações e atribuiu-nos intenções que só existem na sua cabeça, misturou alhos com bugalhos, trazendo à colação Marx, Lenine e Staline, e também fez juízos de valor a nosso respeito sem nos conhecer.
Fez bem, porque a opinião é livre, a asneira também e a estupidez não paga imposto. Felizmente podemos expressar as nossas opiniões sem medo da PIDE nos aparecer à porta, como acontecia no tempo dos Mellos (com dois LL) e dos Thomaz (com H e Z). Mas porque ficou claro dos seus comentários que não percebeu nada do que foi escrito, eu explico.
A nossa posição quanto à descriminalização do aborto é muito clara, é isso que está escrito no meu outro post e é isso que temos escrito repetidamente neste blog. Querer atribuir-nos outras intenções não expressas, colando-nos o título de cobardes por não o afirmarmos, só por má-fé ou estupidez. Eles, os “defensores da vida”, é que querem impor aos outros a sua vontade e retirar-lhes o direito de escolha. Eles são livres de não praticar o aborto, mas não querem reconhecer aos outros a liberdade de poder escolher de outra forma, sem com isso irem parar à barra do tribunal.
Quanto ao juízo que faz das nossas posições acerca da igreja católica, os factos falam por si. A igreja católica tem um passado vergonhoso de atentados aos direitos humanos. Lembra-se da “santa inquisição”? Das cruzadas que iam evangelizar os “selvagens” à base da espada? Sabia que havia candidatos a Papa que envenenavam os seus concorrentes à cadeira papal? Ouviu falar nos Bórgias? Porque será que os aposentos dos Bórgias no museu do Vaticano estão fechados?
Também não é graças à igreja católica que o mundo tem evoluído, pois ainda estaríamos a pensar que o sol gira à volta da terra (pois é, o pobre do Galileu lá murmurou entre dentes: “e pur si mouve!”).
Também durmo bem com a minha consciência, por isso não preciso de ir à missa ao domingo limpar a alma dos pecados cometidos ao longo da semana. Para os católicos isso chega, ou será que é porque precisam? É curioso que numa aldeia deste país o pároco local vive em concubinato com uma das paroquianas há mais de 30 anos, desde que ela tinha 13 anos mas, claro, tudo às escondidas. Hoje a senhora é alcoólica. E noutra localidade, havia uma senhora muito católica que se estava sempre a confessar e tinha 5 filhos, mas um dia foi necessário fazer testes de ADN aos irmãos por causa de uns problemas de incompatibilidade para um transplante e veio a descobrir-se que os dois últimos eram filhos do padre. Afinal, a tão católica senhora não ia lá só tomar a hóstia nem abrir só o espírito. Quem é que é hipócrita e abjecto?
Quanto ao Karl Marx, não sei o que é ele tem a ver com isto. Por acaso ainda não foi provado que as teorias dele estavam erradas. Mas ficamos a saber que o Titta (com dois TT) gosta dos pobrezinhos. Não admira. É preciso que os pobres sejam cada vez mais pobres para que os ricos sejam cada vez mais ricos – foi isso que Marx demonstrou. É por isso que eles fazem falta. Afinal, se não houvesse pobrezinhos como é que os Tittas (com dois TT), os Mellos (com dois LL), os Thomaz (com H e Z), as Lilis, as Cinhas e as Pipinhas podiam gozar as suas festas e fazer chás de caridade, e os muito católicos ministros podiam pedir 50 carros topo de gama porque os actuais, com dois anos de idade, já não servem? Claro, tem que se encaminhar o dinheiro para estas frugalidades, por isso é que não se pode dar aos pobrezinhos. Coitados. São tão pitorescos, não são? Mas deixem, nós rezamos por eles.
Ah, já agora: sabe que “O Capital” ainda hoje é estudado nas universidades?
Diz o sr. Titta (com dois TT) que gostaria de conhecer o nosso conceito de “vida digna”. Também não admira, porque não deve conhecer o mundo real das pessoas reais, em que a vida nada tem a ver com telenovelas nem revistas do jet-set. Mas eu posso dar-lhe dois exemplos do que NÃO É uma vida digna.
- Uma jovem de 17 anos teve um filho, o namorado deixou-a, e aos 3 meses o bebé em vez de ganhar peso, como é normal nesta idade, estava a perdê-lo. Porquê? Porque mãe e filho passavam fome! Deu na televisão.
- Curiosamente, na última 2ª feira também passou uma notícia na televisão que refere que há imensos bebés abandonados em hospitais por tempo indeterminado porque ninguém (os pais que os abandonaram, nomeadamente) os vai buscar, e porque os centros de acolhimento não têm vagas.
É contra isto que se manifestam aqueles que são pela descriminalização do aborto. Isto não é uma vida digna. E o que fazem os católicos defensores da vida quanto a isto? Porque não lhes dão abrigo e comida? E porque é que o Papa em vez de rezar pelos pobrezinhos não manda para lá comida ou dinheiro? Sabia que em Darfur já morreram 50.000 católicos à fome? Sabia que o Vaticano é das instituições mais ricas do mundo e um dos maiores accionistas?
Quanto ao planeamento familiar, será que sabe do que fala? Sabia que quando se está a tomar um anti-inflamatório este pode anular o efeito da pílula, e que muitas vezes nem o médico que o prescreve nem na farmácia que o vende referem tal facto? Duas amigas minhas, quase com 40 anos, engravidaram nestas circunstâncias, simplesmente porque desconheciam. Ninguém as avisou. Já tinham 2 filhos, ficaram com 3. Se isto acontece com pessoas casadas e adultas, como será com adolescentes? E se não pudessem ter mais filhos em casa? Se não tivessem dinheiro para os sustentar, ou cama para eles dormirem? Estão os “defensores da vida” tão preocupados com os direitos de uma célula do tamanho de um caroço, mas porque é que não se preocupam com a vida que estes seres vão ter quando nascerem? Não os preocupa se os filhos resultam de um acto desejado e se vão ter toda a assistência e o carinho que merecem?
E quanto à educação sexual nas escolas? O que dizem os católicos? Não se deve informar os jovens desde cedo? Ou limitam-se a ir aprendendo uns com os outros e com as revistas pornográficas que lhes chegam à mão? O que é que este católico governo pretende fazer em relação a isso? Não foi uma secretária de estado da Educação (provavelmente uma beata) que recusou liminarmente essa coisa horrenda que é ensinar às criancinhas que se o menino meter uma coisinha na menina pode nascer um bebezinho?
Quanto à frase “alguém obrigou ao acto sexual?”, só faltava esse argumento. É o mesmo princípio ridículo do inefável Sousa Lara, outro grande católico cheio de bons princípios, como se viu pelo seu envolvimento no caso-Moderna. Presumo que o leitor é daqueles que pratica a abstinência, como manda a igreja católica e o Papa. E já sabe, se tiver muita vontade, não se masturbe, porque isso é pecado. Leia antes um discurso do Papa, pode ser que passe.
Quanto à insinuação da eugenia social e de quem a defendeu, numa clara alusão aos nazis (com quem, aliás, a igreja católica foi complacente), é de uma tal baixeza, é tão reles e tão nojenta que só merece desprezo, e só pode vir de uma mente perturbada e tortuosa, que vê demónios em todos os cantos. Nem vou acrescentar mais nada a esse respeito, porque não quero descer a tal nível.
Espero que o sr. Titta (com dois TT) e todos os seus companheiros católicos, defensores da vida, tementes a Deus, adoradores do Papa, frequentadores da missa, tomadores da hóstia (e no caso de algumas católicas de mais alguma coisa...) e rezadores do terço continuem a dormir tranquilamente, a preocupar-se em mandar para tribunal as mulheres que abortam, a fazer chás de caridade e a rezar pelos pobrezinhos, enquanto continuam crianças a morrer à fome no mundo.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

Direito de Antena - Associação de Comiseração pelos Pobres de Espírito (ACPE)

Em resposta ao post “Crime, dizem eles”, publicado pelo excelso Kroniketas há uns dias, tivemos um comentário do senhor subcitado que achámos merecer um post. Não pedimos a ninguém que concorde connosco, mas gostaríamos de ver críticas despidas de demagogia. O texto em itálico pertence ao comentarista, o resto é da nossa lavra.

On : 9/4/2004 6:26:08 AM João Titta Maurício (www) said:

- não é ser "quadrado e obtuso" defender uma solução que é típica dos tempos "pré-pílula"? – ninguém aqui defende uma solução dos tempos “pré-pílula”, não somos pró-aborto, somos pela sua descriminalização. Que me lembre, quem defende soluções arcaicas é o papa, que nem o preservativo considera.

- argumentos de saúde pública? Se em vez de citar números redondos invocados (leia-se, inventados) pela extrema-esquerda que usa a questão como arma de "arremesso de Verão" e olhasse para os números oficiais e os resultados de estudos científicos, verificaria o qual ridículo é afirmar (hoje) a questão do aborto clandestino como um problema de saúde pública (mesmo cedendo às vossas interpretações criativas de "saúde pública")! – os números oficiais, por serem oficiais, não incluem o aborto clandestino, percebeu Titta? E não se diz “qual ridículo”, é “quão ridículo”. E saúde pública não são só as epidemias, não sei se está a ver: qualquer higienista do século XIX lhe podia dizer isso. O aborto clandestino é um problema de saúde pública, independentemente da quantidade de abortos – ainda que fosse uma só mulher em perigo, seria um problema, ou será que o seu valor da vida varia consoante a pessoa à qual é aplicado e tem descontos de quantidade?

- é uma pena que acusem os outros de "umbiguismo moralista" e recusem conhecer a realidade e persistam em campanhas que nada têm a ver com os tempos e realidades de hoje, antes pretendendo usar esta questão como um instrumento (qual "cavalo de Tróia") para impôr o "moralismo" relativista que vos caracteriza! – além de não querermos impor nada a ninguém, ao contrário do que vocês demonstram, o Titta deve viver numa realidade muito distorcida ou limitada. E já agora, deixe-me lembrar-lhe que o Cavalo de Tróia só resultou por causa da cupidez dos homens, e que essa da moral relativista nos levaria para o campo da Física – não sei se sabe que tudo depende do referencial, e receio bem que o seu esteja um bocado anquilosado.

- a vossa afirmação sobre Sua Santidade só demonstra a vossa ignorância: conheçam a causa das coisas e depois atrevam-se a tentar compreender e só depois julgar! – francamente! É de arrepiar os cabelos esta mentalidade de sacristia que julga os outros pelas suas medidas e preconceitos! Em vez de dar atenção ao que sua santidade diz, leia antes o que Jesus disse, pode ser que aprenda alguma coisa em relação à tolerância e ao que é realmente importante.

- se vivemos segundo os princípios da Santa Madre Igreja é uma questão pessoal... ainda que esses princípios sejam a base de todas avaliações éticas e morais que nos regem! Diferente coisa se pode dizer do vosso "mundo imaginado", que já teve emanações bem sangrentas e canalhas sempre que chegaram ao poder aqueles que seguem as "cartilhas" do "tios" Marx, Lenine, Staline, Pol Pot, Choamsky e outros! – ó Titta, condenar o Marx porque uns imbecis lhe leram os livros e aproveitaram as ideias mal e porcamente é o mesmo que culpar o Aristóteles pela condenação do Galileu. Lembra-se do Galileu certamente, aquele que a igreja obrigou a abjurar porque as suas descobertas não estavam de acordo com o que a santa madre igreja pensava? E Giordano Bruno, sabe quem foi? Devia saber, pois foi queimado pela sua inquisição. Sabe que aquela da primeira pedra também se aplica às mãos sujas de sangue, e assassinos como Staline e Pol Pot tiveram émulos a lutar pela cristandade, mas com meios bastante mais parcos, em tempos que já lá vão.

- sim: o valor Vida é incomensurável! E só monstros o podem negar! Ou querem prescindir dos vossos?!? Ou os vossos são mais importantes que os de outros, indefesos! – se hoje existe uma Declaração Universal de Direitos do Homem não foi porque a igreja se mexesse para os elaborar; geralmente sempre preferiu a manutenção do seu status quo e das suas benesses.

- fico a saber o quanto odeiam os pobres... é que por vós não nascerão mais crianças dos bairros de lata! Que horror... pobres! Só os ricos é quem têm direito à paternidade... Hipócritas!!! – só uma mente simples poderia ter lido o texto desta maneira… Alegre-se porque já é seu o reino dos céus, Titta! Pelo menos se a quota de pobres de espírito na altura em que morrer (espero que daqui a muitos anos) não estiver esgotada!

- e depois, ao determinismo histórico, sucede agora o determinismo individual: os filhos dos pobres e das mulheres que não podem abortar resultam em «marginais, ladrões, drogados, assassinos, porque os meios em que nascem muitas vezes os tornam assim logo desde pequeninos (já ouviram falar num bairro chamado "Cova da Moura"! Se a ignorância... sabem quem disse o mesmo? Sabem quem procurou determinar o futuro das pessoas a partir da sua origem? Sabem?!? Então sabem como estão bem acompanhados! É a primeira vez que vejo tamanha barabaridade: defender o aborto (afinal há quem o defenda, há quem seja a favor... mas, cobardes... não ousam afirmá-lo!) como instrumento de eugenia social... pobres de todo o mundo, já sabem o que eles vos destinam! – e a estupidez continua! Deixe o determinismo em paz que não é para aqui chamado! Se vivesse numa barraca e tivesse de ir trabalhar para ajudar a sustentar a sua família até podia ser que chegasse a médico. Mas o mais provável era não chegar, porque o estado que temos não é apoio para nada. Não quer dizer que se tornasse ladrão, bandido ou assassino – mas já vi muita vida perdida pelas pressões do meio. E você, já viu?

- mulheres, se não sabem se, no futuro, podem dar uma vida digna aos vossos filhos (bem gostava de conhecer o vosso conceito de "vida digna"?!?), não os deixem nascer... e se já nasceram, ora porra, matem-nos... assim terão uma "morte digna"! – Titta, alguma vez foi ao dicionário ver o significado da palavra “demagogia”? Explica tudo o que conseguiu transmitir com este parágrafo.

- que baboseira é essa a de afirmar que os que se opõem à despenalização do aborto colocam em causa «a liberdade de escolha se querem ou não pôr esse filho no mundo»? Alguém obrigou ao acto sexual? Alguém impediu que meios anti-conceptivos (gratuitamente distribuídos nas consultas de Planeamento Familiar, prestadas em qualquer Centro de Saúde) fossem usados pelo amantíssimo casal? Se não querem filhos protejam-se... e, se um dia o azar vos bater à porta, sejam homens e mulheres: assumam as consequências! – estou mesmo a ver o casal de putos, engalfinhado nas traseiras do liceu, a parar de repente e exclamar em uníssono: “espera aí! Devemos ir às consultas de planeamento familiar primeiro! Assim não pode ser! Maria, baixa lá a saia e vamos esperar pelo casamento, que é melhor.” E já agora, Titta, alguma vez pôs os pés num “posto da caixa” para ver em que condições são dadas as consultas de planeamento familiar quando há? Ou também não sabe o que isso é?

- o que está em causa é que é legal a abertura de processos pela notícia da prática de um acto jurídico-penalmente relevante... que o é porque a maioria da sociedade faz recair sobre o acto uma avaliação ética negativa! Sobre o acto e não sobre as pessoas!!! Sobre o comportamento das pessoas só se podem fazer juízos depois da análise do caso concreto. – então leve-se apenas o acto a julgamento e não a mulher que o praticou. O que é certo é que existem muitos interesses na manutenção do acto como clandestino. Sossega as mentes mais puras e evita problemas. E se a sanha é assim tão grande, porque não se vigiam melhor as fronteiras para tentar apanhar quem o foi fazer a Espanha ou a Londres? Ou mais uma vez o acto é relativo? Só é crime se for barato e for praticado sem condições? Ninguém é a favor da utilização do aborto como método “contraceptivo”, mas isto vale para todos, não só para quem tem menos possibilidades.

- quanto às "baboseiras" e "patacoadas" anti-católicas... nem dou resposta: são abjectas e hipócritas! – tenho pena de si por precisar de religião para se sentir alguma coisa e chegar a Deus. Repare que estou a falar de qualquer religião. Quanto ao que chama “baboseiras” e “patacoadas”, seu mariola, é o que nós pensamos, chama-se opinião. Pode concordar ou achar abjecta, mas ainda bem que nos tempos que correm não a pode calar. Confesse lá: teve uma visão do Kroniketas ali no Rossio, já bem passado pelas chamas do auto de fé, não foi? Era um bonito espectáculo que atraía gentes muitas e variadas! Foi uma pena ter acabado, não foi?

- a pergunta final: a prevalência do Direito à Vida faz-se, uma vez mais, circunstância a circunstância, caso a caso! As suas afirmações não sei se resultam de pura ignorância ou por manipulação: então não sabe que na actual lei essa prevalência não é absoluta? E à demagogia final («o feto é dono da mãe?») só apetecia responder que, não, não é dono da mãe... e que, depois de um aborto, ficamos a saber que ele apenas era filho de uma ....! – finalmente revelou-se no final! Custou, Titta! Quer dizer que para si, mulher que abortou passou a ser puta? Diga-me cá, já teve uma conversa franca com a sua mãe? Pode ser que tenha uma surpresa.

Como já se tornou habitual, o Titta deixou o contacto não.me.apetece.dizer_to@mas.imagino.que.o.vais.descobrir.pt, que desconfio não ser válido. Descanse Titta, que a nós não nos move qualquer ódio nem sanha persecutória e quem tem as fragatas até é o Tio Portas.

tuguinho, cínico encartado

sábado, 4 de setembro de 2004

Pérolas a Porcos – As Aventuras Inenarráveis de Ângelo Prepúcio, Detective Privado: Cap. 1 – O Inácio Gago era um vígaro!

Digo-vos desde já, leitores tablóidizados, que não gosto da pergunta! E como não a quero ouvir, respondo já: o Prepúcio era do meu pai, que o tinha herdado do meu avô paterno, como não podia deixar de ser. Noutro dia digo-vos qual é o meu nome do meio, por agora quero-os atentos, aos vossos poucos neurónios vivos, e não a rir à gargalhada até à inconsciência. Agora que já satisfiz a vossa curiosidade doentia, vamos ao que interessa.
O meu nome é Prepúcio, Ângelo Prepúcio, e tenho escritório de detective privado montado prós lados da Estrela – se quiserem saber onde, vão à lista e vejam em P de Prepúcio, Ângelo Arregaça (algo me diz que não devia ter dito isto…). Já fui croupier, dos bons, sempre com a mesa cheia, havia gente que se agredia só para ter lugar na minha mesa, mas fui despedido com a falsa alegação de que dava prejuízo à casa. Eu, que até ganhei algumas vezes aos clientes?! A vida é muito injusta! Foi aí que decidi ser patrão de mim mesmo e vim pró ramo. Tentei contratar uma secretária mamalhuda, como nos filmes, mas pelo ordenado que oferecia só consegui arranjar a dona Estrudes, que passa o tempo a fazer malha e deixa cair a dentadura quando adormece à secretária. Pensei, isto é só o começo, depois melhora, mas três anos depois continuo a ter a dona Estrudes a babar-se no teclado do 486 em terceira mão e mais surda do que nunca.
Mas até já sou considerado no milieu: três maridos vigiados já me espancaram e dois amantes de segunda fizeram-me uns arranhões! Só não gostei quando os médicos das urgências do São José me começaram a chamar “estaladinho”.
O caso que tenho entre mãos é complicado – vou deixar-vos vir comigo, mas não atrapalhem! Deixem-me trabalhar!
Tudo começou numa terça-feira, dia de Feira da Ladra, quando entrei no escritório ajoujado pela obra completa de Inácio Gago, comprada por tuta e meia a um vendedor inexperiente. A dona Estrudes já ressonava, um pouco mais do que o costume, pensei, seria da agulha de crochet enfiada na narina direita? Deixei-a sossegada e fui para a minha sala para apreciar o que tinha adquirido ao tanso.
Sentei-me no meu cadeirão – um pouco puído, é certo, mas confortável como só as coisas usadas podem ser – e dispus-me a passar umas horas com Inácio Gago e a sua obra, até me aparecer algum cliente. Foi só no folhear do terceiro volume que a dúvida me surgiu, arrepanhante: não é que os filhos da puta dos livros pareciam iguais? E não é que eram mesmo?! Eu devia ter desconfiado de que o Inácio Gago não tinha sido tão prolífico… Mas ainda havia tempo de apanhar o vendedor e… o ronco da Dona Estrudes mudou de tom quando o telefone tocou, mas continuou a servir-me de música de fundo quando atendi a chamada.
– Detective Prepúchio? – já me ia a sair um “vai gozar com o car…” quando reconheci a voz e o sotaque de Monsenhor Arcos de Valdevez, secretário de estado do mar e das capelinhas. Tinha ficado a apreciar-me desde que lhe tinha dito que costumava percorrer as capelinhas todas antes de me ir deitar – nunca desfiz o engano sobre o tipo de capelinhas que visitava.
– Monsenhor! Em que lhe posso ser útil?
– Prepúchio – por que caraças ele não me chamava Ângelo? – este é um cajo de xeguranxa do chetado! Prexijamos de chi para nos confirmar as xuspeitas xobre um barco que está ao largo da Figueira.
– No Largo da Figueira? Como é que o barco foi lá parar?
– Ó meu deuche! Venha ter comigo aqui ao Caldach e eu explico-lhe tudo.
– Às Caldas? O que é que o Monsenhor…
– Ó rapache, querej tirar o lugar ao xala como campeão dos trocadilhoj e piadas estúpidaj? Largo do Caldach!
– Na Sede do PP?
– Não, imbechile! Estou no Bora-Bora, mexmo em frente! Aquilo está cheio de arrivistas copinhos-de-leite e eu já não tenho paxiênxia, estou velho.
Sacana do Padre! E vocês, para onde é que estão a olhar? Por hoje acabou. Vá, vão para dentro. Não há aqui nada para ver. Dispersem, vá.

Apresentado por tuguinho, editor de cinismos

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

Crime, dizem eles...

O que é criminoso é que o aborto seja considerado um crime. Os quadrados e obtusos “defensores da vida”, insensíveis a quaisquer argumentos de saúde pública (sim, isto é uma questão de saúde pública), continuam obstinadamente a ignorar a realidade do sofrimento de muitas mulheres, num autismo próprio de quem só olha para o seu umbigo, para os seus “moralismos” e para o seu catolicismo. Tal e qual como o Papa que continua a pregar contra o uso do preservativo.
Esta gente não vive no mundo real mas num mundo imaginário gerido por princípios e regras medievais, à luz das quais só os mandamentos da “santa madre igreja” devem ser seguidos. Por muitos casos de sida que haja no mundo, muitas grávidas adolescentes e mães solteiras, muitas crianças a nascer em bairros de lata e/ou filhos de pais toxicodependentes, para eles só uma coisa conta: o valor supremo e quase imensurável do “direito à vida”. Não interessa que vida. Não interessa que venham a nascer marginais, ladrões, drogados, assassinos, porque os meios em que nascem muitas vezes os tornam assim logo desde pequeninos (já ouviram falar num bairro chamado “Cova da Moura”? Porque não vão lá fazer uma visitinha?). O que interessa é que, contra tudo e contra todos... nasçam. Se for para passar fome, azar. Talvez se aumente 5 euros na pensão...
Não percebem que o que está em causa não é ser a favor ou contra o aborto. Ninguém aqui é a favor do aborto. Ninguém está à espera de uma nova lei para dizer “Bora, malta, toca a abortar!”. O que está em causa é deixar às mulheres que não têm condições para ter filhos e dar-lhes uma vida digna (sim, na Declaração Universal dos Direitos do Homem está consagrado o “direito à vida” com dignidade) a liberdade de escolherem se querem ou não pôr esse filho no mundo.
Mais grave ainda: os fanáticos “defensores da vida” (serão todos os outros “defensores da morte”?, inquieto-me eu) querem impor aos outros a sua vontade, a sua “moral”. O que está em causa é se é “moral” levar mulheres a tribunal por fazerem abortos clandestinos. Onde é que está o catolicismo desses senhores? Sentem-se bem com a sua consciência? Dormem descansados na sua almofada? Acham que contribuíram para um mundo melhor e mais justo ao obrigar as mulheres a passar pelo vexame de um julgamento depois do sofrimento de um aborto, sabe-se lá em que condições? Ou será que a ida à missa ao domingo lhes é suficiente para sentirem a alma lavada? Não serão eles os verdadeiros criminosos?
E já agora, uma pergunta para terminar: não há qualquer coisa de absurdo em querer fazer prevalecer o “direito à vida” de um embrião sobre os direitos de quem o gerou? O feto é dono da mãe?

Kroniketas, sempre kontra as tretas, os beatos e os falsos moralistas

quarta-feira, 1 de setembro de 2004

Atrás de mim virá, quem de mim melhor fará

Ainda não cheguei a esse ponto, mas perante este "Bando dos Dois" Lopes/Portas estou quase a achar o José Burroso simpático... Como é volúvel a natureza humana.

tuguinho, cínico envergonhado (pela figura que o país está a fazer por causa de um idiota empertigado)