domingo, 21 de novembro de 2004

O serventuário do poder

Confesso que não costumo dar grande atenção às opiniões do jornalista Luís Delgado, porque a figura não me é particularmente simpática. No entanto, tudo o que li nos últimos tempos a seu respeito, escrito por outros jornalistas e comentadores de um modo geral, não podia ser por acaso que era sempre a malhar no homem forte e feio. Que ele é um serventuário do poder já se sabia. Aliás, o cargo que detém na Lusomundo Media é um corolário óbvio dessa postura.
Mais espantosa é a posição acomodada de Mário Bettencourt Resendes, ex-director do Diário de Notícias e superior hierárquico de Luís Delgado, e agora seu subordinado na estrutura da Lusomundo. Pensava que ele era mais ou menos independente mas a sua posição actual, calado e bem instalado, parece provar a tese de que todo o homem tem o seu preço.
Mas voltando a Luís Delgado, este post do Keizer Soze despertou-me a atenção e lá fui ler o artigo no DN. Não posso dizer que fiquei estarrecido, mas fiquei a pensar se o homem vive no mesmo país que eu. Segundo ele, tudo está num mar de rosas, parece mesmo que estamos no conto da Alice no país das maravilhas. Não sei se aquilo é uma opinião ou apenas um delírio. Não há muito tempo ele aconselhava o crítico de televisão Eduardo Cintra Torres a internar-se. Lendo este artigo, parece que quem precisa de internamento é ele próprio, porque uma visão tão idílica do país só pode ser um sintoma de esquizofrenia. De facto, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência e só existe na sua imaginação.
Agora percebo porque é que tanta gente diz tão mal dele. Será que ele não se enxerga nem tem consciência de que tamanha parcialidade destrói completamente a sua credibilidade? Será que alguém ainda liga minimamente ao que ele diz?

Kroniketas, sempre kontra as tretas