quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Outra vez o referendo

Estando a ouvir o “Prós e contras” sobre a questão do referendo ao aborto, dei por mim a pensar que grande parte dos mais assanhados defensores do “não”, para além de fanáticos na sua maioria, não são só hipócritas: depois de ouvir os habituais argumentos terroristas cheguei à conclusão que alguns vivem num mundo virtual, que só existe nas suas cabeças.
A argumentação é sempre a mesma: o direito à vida, o direito à vida, o direito à vida. E dali não saem porque preferem ignorar a realidade.
E a realidade, a infeliz realidade, é a existência do aborto clandestino em condições precárias, muitas vezes com consequências graves para a mãe. Os ferozes opositores da despenalização acenam sempre com a bandeira do acompanhamento às grávidas. Mas a pergunta é: onde está ele? Onde esteve o acompanhamento à jovem de 14 anos que morreu num hospital, vítima de complicações pós-aborto clandestino? Onde esteve o acompanhamento à mãe de Torres Novas que entregou a filha a um casal, porque não podia ficar com ela e o pai não a conhecia?
Uma médica (Maria José Alves) presente no debate resumiu tudo numa frase: muitos daqueles que se opõem à despenalização também se opõem à contracepção, ao planeamento familiar e à educação sexual nas escolas. E é esta gente que quer dar lições de moral aos outros, é esta gente que vem falar de apoio e acompanhamento. É esta mesma gente que, ao contrário do que apregoa, não quer dar à mulher o direito de escolha. O que é que os impede de dar apoio e acompanhamento às grávidas se o aborto não for crime? E o que é que leva as próprias mulheres a querer que outras mulheres sejam julgadas e presas? E o que é que leva as próprias mulheres a achar que as outras mulheres não são capazes de decidir por si próprias, em consciência, impedindo-as de escolher através de uma lei que as considera criminosas? Elas próprias deviam sentir-se desconsideradas e humilhadas com a imagem que estão a transmitir de si.
Finalmente, apareceu agora o argumento economicista, da parte de excelsas figuras como a mui católica Maria José Nogueira Pinto e essa eminência parda chamada António Borges, de quem não se conhece qualquer acto de relevo que mereça tempo de antena: o dinheiro que se vai gastar nas clínicas, pago com os nossos impostos. Clara Ferreira Alves, no “Eixo do mal” de 7/1/2007 (Sic Notícias), classificou bem este argumento: “antes achava-os fascinantemente hipócritas; agora acho-os terrivelmente desprezíveis”.
Excepcional foi a prestação de Vital Moreira no debate: um homem com um discurso brilhante e praticamente irrefutável. Dá gosto ouvir alguém falar assim.
Tenho pena é de ter visto o treinador do meu clube no debate a fazer aquela figura... Para ele, nem a lei actual serve, só em caso de risco de vida para a mãe. Esta gente não existe!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

A lobotomia - parte 42


Como é habitual por aquelas paragens, o treinador Jesualdo Ferreira, mal entrou no FC Porto, começou logo a falar como se tivesse lá nascido e assimilou desde logo o discurso das queixinhas contra tudo e contra todos. Ainda não acenou com a perseguição do Terreiro do Paço, mas com jeito lá chegará.
O último triste episódio passou-se depois da derrota em Leiria na passada 6ª feira. Pressurosamente, Jesualdo veio dizer, depois do jogo, que aquela arbitragem devia ser investigada. Curiosamente, parece já ter-se esquecido do que acontecia ao Benfica sempre que ia jogar ao Porto quando ele lá estava. Curiosamente também, esqueceu-se de mandar investigar o penalty-fantasma assinalado contra o Atlético no final dos 5 minutos de desconto, no jogo para a Taça.
Como muito bem fez notar Leonor Pinhão na sua crónica das 5ªs feiras n’A Bola, se o Benfica tivesse tido um penalty daqueles quando foi eliminado pelo Gondomar talvez Jesualdo ainda fosse treinador do Benfica. Já se deve ter esquecido que esse jogo, também para a Taça, marcou a sua despedida do Benfica mas não teve um penalty-fantasma a favor aos 5 minutos de desconto.
Mas isto são apenas os efeitos da lobotomia. É apenas mais um triste episódio (para aí o 42...) do tratamento a que são sujeitos todos os que vão para aquele clube. Põem-lhes um cérebro novo...

Gabriel Alves dos Santos, tanto comenta livres como cantos

domingo, 28 de janeiro de 2007

Última hora!

É sempre entre as 23 e as 24, salvo alteração por motivos de força maior...

blogoberto, chico-esperto

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

O país dos coitadinhos (I)

Um recente comentário de um dos membros deste blog no Diário de uma professora, a propósito deste artigo ali publicado, onde se contestava com veemência, e com alguma ironia à mistura, algumas justificações dadas pela autora para uma situação incompreensível, foi apagado pela autora por considerar que o mesmo não era digno de figurar no seu blog, aconselhando de caminho a pôr as peixeiradas no nosso. Em vez de responder, de retorquir à argumentação com outra argumentação que tentasse rebater as nossas afirmações, como estas estavam totalmente em desacordo com o que foi dito não gostou e simplesmente apagou. É o caminho mais fácil, é rápido e não dá trabalho.
Está no seu direito. É uma das prerrogativas de quem tem um blog, essa de fazer o que quer dos comentários dos leitores. No entanto, o princípio está completamente errado.
A blogosfera é, acima de tudo, um espaço de liberdade, mas também de polémica, e esta atitude de injustificada censura revela, antes de mais, uma completa incompreensão desse espírito, além duma total ausência de sentido democrático e de respeito pelo contraditório. À falta da força da razão, usa-se a razão da força. O nosso comentário não foi ofensivo nem insultuoso, não foi usada linguagem imprópria nem grosseira. Portanto ficamos a saber que:

- O comentário não era digno de figurar naquele blog porque retorquia às afirmações da autora com uma série de questões que ela não quis ou não soube rebater;
- Era indigno porque não aceitava que houvesse 50 razões para dar 15 faltas em 3 meses;
- Era indigno porque achava que em qualquer profissão isso poderia dar direito a despedimento com justa causa;
- Era indigno porque considerava que se toda a gente se desculpasse assim o país parava;
- Era indigno porque perguntava se ainda sobrava alguma razão para dar aulas em vez de lhes faltar;
- Era indigno porque pensava que os alunos seriam a razão principal para dar aulas, mas se calhar estava enganado e estes seriam apenas uns empecilhos, no meio da engrenagem, que é preciso aturar;
- Era indigno porque perguntava do que se queixaria quem assim se queixa, se tivesse um emprego onde fosse obrigado a estar das 9 às 18 h, de 2ª a 6ª feira, sem dias de folga, sem manhãs nem tardes livres, sem pausas no Natal, na Páscoa e no Carnaval, para além de um mês de férias no Verão;
- E finalmente era indigno porque terminava citando a afirmação do Miguel Sousa Tavares que reproduzimos no post abaixo.

Mas não há problema; quando quisermos fazer um comentário, fazemo-lo aqui, porque ninguém o vai apagar.
Em 3 anos de existência deste blog, que nos lembre só uma vez apagámos comentários dos leitores: foi quando mudámos o motor de comentários para o Haloscan, o que fez desaparecer todos os comentários anteriores. Antes e depois, nunca os comentários dos leitores nas Krónikas Tugas foram alvo de censura, fossem favoráveis ou desfavoráveis aos autores. Como o blog é nosso, também temos a prerrogativa de ter sempre a última palavra, se assim o entendermos, respondendo aos comentários com novos posts que rebatam o que foi dito pelos leitores. Também podíamos activar a moderação de comentários e não o fizemos, nem aqui nem nas Krónikas Vinícolas. Não viramos a cara a uma boa polémica quando ela se proporciona, e já tivemos várias, quer com leitores quer com outros blogs. Recentemente tivemos uma polémica com o Polis&Etc por causa do nome da Ponte 25 de Abril, como já antes e depois tivemos outras bastante acesas (e quando falamos ainda nos divertimos com as mesmas), tal como já tivemos com um leitor por causa da questão do aborto (ver Setembro de 2004). Ainda não há muito tempo fizemos um post em resposta a um comentário noutro artigo acerca da entrevista da Judite de Sousa ao Ricardo Araújo Pereira. Mas nunca considerámos qualquer comentário indigno de figurar neste blog. Indigno seria censurar os comentários daqueles que nos contestam.
Quem não tem estômago nem “fair play” para suportar comentários discordantes, mais vale não permitir comentários no seu blog, ou activar a moderação dos comentários, onde o leitor é informado que só depois de aprovado o seu comentário será publicado. Ou então ponha-se um aviso no blog onde se diga que só são aceites os comentários favoráveis às opiniões do/a autor/a. Todos aqueles que não alinharem na teoria dos coitadinhos serão considerados indignos de figurar no blog, logo liminarmente apagados.
Duma coisa podem estar certos todos aqueles que se dão ao trabalho de vir aqui e têm pachorra para aturar as nossas ditas-“peixeiradas”: não fazemos parte de lóbis nem de grupos de pressão; nunca alinharemos em carneiradas nem seremos reféns do politicamente correcto; assim como não embarcamos em estratégias de vitimização nem em teorias de perseguição promovidas corporativamente por grupos profissionais que passam o tempo a fazer o papel de coitadinhos.
Quem não gostar assim, mais vale ir bater a outra porta.

Idálio Saroto, provedor do blog

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

O que os outros disseram (XXIX)

“Um professor que não é capaz de substituir um colega durante uma aula, a quem não ocorre nada de útil para ocupar os alunos nesse tempo, é definitivamente incompetente e não está na escola a fazer nada.”
(Miguel Sousa Tavares, “Expresso”, 6-1-2007)

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Petição contra a TLEBS

Já lhe chamaram “O monstro”. Já há um movimento contra a sua aplicação. Já há uma petição para entregar na Assembleia da República a circular na Internet para recolha de assinaturas.
É a famigerada TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário), que vai dar cabo da cabeça a alunos, pais e professores, que vai desvirtuar todos os conceitos tão simples e fáceis de perceber como “sujeito” ou “predicado”, que foram usados durante década, para introduzir uns verdadeiramente inexplicáveis e incompreensíveis, de tão absurdos que são. Ninguém a quer, a não ser uns quantos iluminados que se entretêm a contemplar a sua própria sapiência fazendo-o de modo a tornar a vida dos outros o mais difícil que lhe seja possível.
Se você, caro leitor, cara leitora, também não a quer, subscreva a petição contra a sua aplicação clicando aqui.

Demérito Matos, sábio com eles

domingo, 21 de janeiro de 2007

Os loucos de Lisboa

“São os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
A terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar”
(João Monge/João Gil)

Não sei porquê, lembrei-me desta letra duma canção da Ala dos Namorados quando li no Portugal Diário um comentário à notícia de que o Ministro da Saúde “se sente «orgulhoso» por ter «resistido ao facilitismo e à demagogia» de abrir um inquérito ao socorro a um acidentado em Odemira e por defender esta sua posição no Parlamento, onde quinta-feira foi fortemente criticado”. O comentário tinha o título “são os loucos que nos governam”.
Perante tamanha estupidez, só se pode concluir que o homem é louco ou idiota. Devia era sentir vergonha de o sistema de saúde que ele deveria gerir ter permitido a morte dum cidadão por ter demorado a chegar ao hospital o mesmo tempo que demora um voo a chegar ao Brasil. Aliás, hoje deve sentir-se ainda mais orgulhoso porque o sistema de saúde que orgulhosamente dirige deixou morrer mais um cidadão, por acaso no mesmo concelho, 4 horas depois de ter sido chamado o INEM. Também deve sentir-se orgulhoso por só haver uma ambulância de assistência em todo o Alentejo (1/3 do território nacional). Deve ser porque os alentejanos são poucos, contribuem pouco para os cofres do Estado e ainda votam no Partido Comunista... É deixá-los morrer, não é, sr. Ministro? Cabrões dos comunas, quanto mais depressa morrerem melhor. O problema é que ao Alentejo também vão turistas...
Oxalá, sr. Ministro, que nunca precise de esperar tanto tempo por assistência médica. Tenha um pingo de dignidade e DEMITA-SE. O que aconteceu deveria fazer corar de vergonha todos os governantes e a sua afirmação é o exemplo da irresponsabilidade e da falta de pudor que grassa neste triste país.
São os loucos de Lisboa...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Só num país anormal

...é que se pode considerar normal que um acidentado demore 7 horas a chegar ao hospital que fica a 200 quilómetros. É o mesmo país onde um juiz considerou que uma ponte caiu por causa naturais, como se fosse natural uma ponte cair. Anormais não serão antes estes “decisores” de merda a quem entregámos o poder e que tomam estas decisões “normais”?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Gastar à tripa forra ou Se vivesses no Mónaco o hospital era mais perto


(a laranja, o trajecto escolhido, obviamente mais demorado; a verde, o trajecto alternativo optimizado)

Parece que o país está mesmo a crescer! Não é que o governo tinha razão?! É que só assim se explica que uma vítima de acidente tenha demorado 7 horas a chegar de Odemira a Lisboa, tantas foram as peripécias pelo meio! Mas parece que não vai haver inquérito porque o homem já estava condenado à partida, não tinha safa. Mas então por que é que não o abateram logo? Andou a gastar-se dinheiro dos contribuintes porquê? Alguém devia ser responsabilizado por isso, não acham? Enviar debalde um helicóptero, que não fica barato, parece-me uma irresponsabilidade! Enfim, é o país que temos…

tuguinho, cínico encartado

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

O doido

Então o sr. George W. Bush vai enviar mais 20.000 soldados para o Iraque... Uma frase ouvida após o anúncio é que vão e não se sabe quando voltam. Pois, provavelmente muitos não voltarão pelo seu próprio pé...
Que o homem é doido já se sabia. Que era tanto é que não!

blogoberto, chico-esperto

sábado, 13 de janeiro de 2007

A “adoração incondicional” a RAP e a “isenção jornalística” de Judite de Sousa

O post anterior mereceu dum/a leitor/a identificado/a como Bundle um comentário que justifica uma resposta cuja extensão não permite que seja publicada na caixa de comentários, pelo que vai em forma de post.
Caro/cara bundle, este blog tem o humor que lhe quiserem achar, nós temos algum sentido de humor e gostamos de brincar com coisas sérias, embora às vezes falemos a sério... mas não nos levamos demasiado a sério.
Já agora, para sua informação e como parece estar a leste do conteúdo deste blog, a “nossa postura perante a vida” se calhar é semelhante à do Gato Fedorento - achamos que tudo pode ser gozado. Eles fazem-no com acutilância, como os Monty Python faziam, como o Herman José já fez, e até acho que estes conseguem levar mais longe a sátira do que o Herman alguma vez conseguiu, porque não estão preocupados em agradar a nenhum dos poderes instituídos. E isso é que lhes dá todo o valor.
Já agora, para sua tranquilidade, fique a saber que na “nossa postura perante a vida” não entra a adoração incondicional seja a quem for. Se não tivesse “aterrado aqui por acaso” já teria percebido isso há muito tempo.
Gostamos do que gostamos e expomos aqui as nossas opiniões, agradem ou não a quem nos lê, seja ou não por acaso. Tal como ninguém é obrigado a ver o Ricardo Araújo Pereira (RAP) ou a gostar do Gato Fedorento, ninguém é obrigado a gostar do que nós escrevemos. Mas parece que, tal como “o autor do texto perdeu tempo a enviar a sua mensagem para a RTP”, também o autor do comentário perdeu tempo a ler o artigo e a escrever um comentário acerca do mesmo. Se calhar porque lhe fez alguma mossa... Não deve ser por acaso que faz uma referência ao LFV do SLB. Se calhar tem alguma “adoração incondicional” pelo PC do FCP... Pela minha parte, pouco me importa se a Judite de Sousa se importa ou não, até porque não tenho paciência para a ouvir. Nem sei o que é que a distingue como “boa jornalista”, mas a isenção e independência não é de certeza, e isto não e só por esta entrevista. Infelizmente, alguns excelentes convidados que lá vão obrigam-me a ouvi-la entrevistá-los para ouvir o que eles dizem...
Quanto a acicatar o RAP, não creio que seja essa a função de um bom jornalista. Certamente se ele fosse portista ela não o faria, e acho que a provocação é simplesmente deselegante, para ser suave. Ao chamar-lhe benfiquista doentio está a fazer um juízo de valor que, longe de o catalogar a ele, só a cataloga a ela. Se o entrevistado fosse Pinto da Costa certamente seriam só salamaleques e reverências, e não lhe chamaria “Papa”. Toda a gente sabe que 3 dos 4 Gato Fedorento são benfiquistas, como tal ninguém tem de lhes exigir que gozem com o clube de que gostam. Nem sei onde é que está escrito que um humorista tem de ser imparcial, quem tem de ser é o entrevistador e não o entrevistado. E quem não gostar assim, que mude de canal. E também não creio que eles se importem muito com isso. Quando o Herman José fazia sketches sobre a Expo-97 com sotaque do Porto, estaria a gozar com quem? E alguém o acusou de não estar a ser imparcial?
Quanto às suposições que faz acerca das nossas preferências jornalísticas, isso é lá consigo. Fique com elas e se quiser tente descobri-las, pode ser que tenha alguma surpresa. A classificação que faz dos 4 portistas citados é sua, mas sempre lhe digo que nunca ouvi o Carlos Magno criticar o seu clube, antes assumir que em matéria de futebol não é isento.
E já agora: onde é que leu neste blog que nós rejubilámos com a entrevista, ou qualquer apreciação ao desempenho do RAP na mesma? É que eu não me lembro de o ter escrito. Quando diz “há muita mais gente como vocês do que como eu nesta avaliação do RAP ontem na Grande Entrevista”, está a falar de algo que só existe na sua imaginação, tal como a “adoração incondicional”. Não passa dum processo de intenções da sua parte, daí perceber-se a sua sintonia com a “grande jornalista” Judite de Sousa. São, certamente, isentos/as na mesma medida.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Mensagem ao provedor do telespectador da RTP

Eis o teor da mensagem que enviei para o provedor do telespectador:

«Quero apresentar aqui um protesto pelo modo como a Sra. Judite de Sousa conduz as entrevistas com certos convidados. Para além do desagradável que é ouvi-la adulterar a língua portuguesa com tiques de dicção insuportáveis, a roçar o pedantismo (“como é que descobriu o HUMÔDE?” ou “o que é que diziam os colegas e PROFESSODES?”), sempre que o convidado tem alguma ligação ao Benfica a Sra. parece que perde a cabeça. Há alguns meses entrevistou Luís Filipe Vieira e viu-se a animosidade que a movia em toda a entrevista. Ontem foi Ricardo Araújo Pereira, ao qual, a certa altura, teve a distinta lata de perguntar se no Gato Fedorento não satiriza o Benfica “por causa do seu benfiquismo doentio”. Ora é sabido que essa Sra. é portista, e até escreve no jornal Record nessa condição, portanto só posso concluir que doentio é o seu portismo, que a desclassifica completamente para entrevistar seja quem for que esteja ligado ao Benfica. Gostaria se saber se ela pensa o mesmo do portismo do Miguel Sousa Tavares, do Carlos Magno, do Rui Reininho ou do Manuel Serrão.
Posto isto, acho que deveria ser ela própria a renunciar a entrevistar benfiquistas, pois revela uma total falta de isenção e capacidade para o fazer sem trazer à superfície o seu “portismo doentio”.

Cumprimentos»

Kroniketas, sempre kontra as tretas

O que os outros disseram (XXVIII)

“Quando é que descobriu o humôde?”
“O que é que diziam os colegas e professodes?”
(A insuportavelmente pedante Judite de Sousa na “Grande entrevista” com Ricardo Araújo Pereira, RTP1, 11-1-2007)

blogoberto, chico-esperto

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Ao vivo e em directo


Esta foi hoje logo de manhãzinha, ao pé da minha casa. Um anormal do volante resolveu entrar no cruzamento fora de mão e foi marrar num autocarro. E foi de tal forma, que à direita do dito carro ficou espaço suficiente para passarem outros carros.
Pois, deve ser um daqueles imbecis do volante que acham que a estrada é toda deles. Só que teve azar e deparou com um monstro em sentido contrário...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Elefante azul


Nos patrocínios ao Lisboa-Dakar a TSF está a passar um anúncio ao Elefante azul. Ainda bem que não é ao Elefante branco...

blogoberto, chico-esperto

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

SCTP: Os “decisores” incompetentes


A bronca gerada no Porto pela mudança nas carreiras de autocarros da STCP é mais um triste exemplo do que é tomar decisões neste país: uns tipos armados em importantes, sentados nos seus gabinetes, a pensar que governam o seu pequeno feudo e que podem pôr e dispor a seu bel-prazer da vida dos outros.
O que mais me intrigou nisto foi esta pequena questão: mudar para quê, se foi para pior? Quer dizer, os senhores administradores da STCP (certamente pagos principescamente para tomarem tão acertadas decisões) acharam que reduzindo as carreiras em 21 autocarros, mudando os intervalos de passagem de 10 em 10 para de 20 em 20 minutos e acabando com algumas carreiras directas para obrigar os passageiros a apanhar vários autocarros, estavam a prestar um bom serviço à população!...
Resultado: dias de protestos, manifestações espontâneas e ruas cortadas. E depois aparece uma senhora importante da STCP a dizer que se as alterações exigidas forem devidamente justificadas, eles poderão ir pensar no assunto. Alguém devia explicar à senhora que uma empresa de transportes de passageiros existe para servir os passageiros. E se estes protestam, é porque têm razões para isso.
Mas isso são coisas que eles, lá nos seus gabinetes e do alto da sua importância, certamente desconhecem.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

O aviltamento da língua portuguesa (VIII)


Ontem à noite estivemos a ver na televisão o “Million dollar baby”, do Clint Eastwood, e ficámos a saber que, segundo Carlos Valentim da Pluridioma, que traduziu e legendou o filme, “LEXÍVIA” escreve-se com “E”!
Obrigado, Carlos Valentim. O que seria de nós sem tão preciosa ajuda? E o que é que os fabricantes de LIXÍVIA têm andado a fazer todos estes anos, a escrever mal nos rótulos?

Demérito Matos, sábio com eles

Donos de cães, esses animais



Acho que vou comprar uma carabina de pressão de ar, daquelas que disparam chumbinhos - já vos explico porquê.
Um dos grandes segredos do mundo tuga urbano é como é possível existirem tantos canídeos de "estimação" por metro quadrado de apartamento! É claro que os bichinhos têm de comer - além de largarem pêlo por tudo quanto é canto e de ferrarem os dentes nos incautos - e, consequentemente, de evacuar. E é aí que os problemas particulares de uns começam a ser também de outros que nada deviam ter com o problema... Todos nós, pobres transeuntes, sofremos na pele (irra, tanto também não, é mais nas solas!) por causa dos magníficos presentes (ou deverei dizer prendas, Kroniketas?) deixados pelos bichinhos e seus donos na via pública. Depois há os outros, que têm vergonha de ver os tais presentes dos seus cães na alvura (bem, mais ou menos...) do calcário dos passeios e os levam para qualquer canteiro relvado, de preferência um em que também brinquem crianças e tenha um sinal de proibição de cães bem à vista. Foi uma situação destas que se me deparou hoje, embora não seja inédita exactamente no mesmo local: uma "senhora" com o seu lindo cão pela trela a "arrear o calhau" mesmo ao pé da tabuleta que proibia esse acto naquele sítio.
Como as palavras nada adiantam, pois assobiam para o lado quando se lhes diz alguma coisa (os donos, não os cães), acho que vou comprar a tal "pressão-de-ar" para os alvejar - mas aos donos, não aos bichos! Sempre é mais simples do que pedir-lhes a morada para lhes fazer o mesmo à porta...

tuguinho, cínico encartado

domingo, 7 de janeiro de 2007

Agenda da Elsa Raposo



Continuando no tema “devoradora de homens”, apresentamos a agenda diária de Elsa Raposo, com a devida vénia ao “Inimigo Público”, onde foi originalmente publicada.

Valter Rego, observador desassombrado

sábado, 6 de janeiro de 2007

A nova tatuagem de Elsa Raposo


Depois de várias mudanças forçadas de tatuagem devido ao corrupio de amantes adquiridos ao longo de várias semanas, a devoradora de homens adoptou agora uma estratégia de marketing. Os eventuais candidatos só têm de ligar para a linha directa.

Valter Rego, observador desassmobrado

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

O aviltamento da língua portuguesa (VII)

Começamos o novo ano com mais duas pérolas retiradas da nossa querida televisão.
Num noticiário da RTP N, a locutora disse que “Luís Figo viu abortada a sua ida para a Arábia Saudita pois o Inter de Milão assegura a prolongação do seu contrato”! Ora prolongar dá origem a um... prolongamento!
Já esta noite, numa novela qualquer, uma protagonista saiu-se com esta: “Desculpa, Daniel, mas aí discordo contigo”. Pois. Ou se concorda com alguém, ou se discorda de alguém. Quando não se está de acordo COM, discorda-se DE.

Demérito Matos, sábio com eles

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Um balanço trágico? E qual é a novidade?

Depois das operações de Natal de Ano Novo da Brigada de trânsito da GNR, ouvimos sempre a mesma coisa: um balanço trágico, 20 mortos em 2 ou 3 dias, carros espatifados. Depois, vamos para a estrada e o que vemos? Que os imbecis do volante continuam sempre a ser imbecis.
Quando sou ultrapassado por Audi’s e BMW’s em curvas com traço contínuo, quando vejo um VW Polo cheio de gente no IC19 ultrapassar-me pela direita para logo atravessar toda a estrada para continuar o rally na faixa da esquerda, que conclusões é que posso tirar? Que os imbecis não têm emenda, e de nada servem os balanços trágicos que se fazem em todas as quadras festivas. Só é pena que quando vão marrar noutros acabem por levar com eles alguém que não tem culpa nenhuma.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Ressuscitar sempre!



O ser humano gosta de rotinas. Sentimo-nos sempre mais confortáveis quando o horizonte próximo é composto por coisas que já conhecemos e que sabemos terem grande probabilidade de acontecerem como prevemos. Quando algo sai dos eixos sentimos pelo menos desconforto e até alguma desorientação momentânea, até que os nossos “giroscópios” biológicos nos coloquem outra vez na rota certa e a mudança tenha sido absorvida e tornada rotina.
Mas há um perigo nisto! A verdade é que vamos cristalizando nesse “rame-rame” e acabamos estáticos e sem chama, velhos por dentro. E como podemos evitar esta mumificação? A resposta está em reinventarmo-nos, sair por vezes do território conhecido, abrir os olhos ao mundo, ressuscitar ciclicamente sem morte anterior – transformar a múmia num casulo de onde saiamos renovados.
Não quer isto dizer que nos devemos transformar em esponjas absorventes de modas e tiques, do que é in em determinado momento, só para parecermos modernos e actualizados. Devemos ter os olhos e os ouvidos bem abertos mas usar sempre os filtros da inteligência, do gosto e da qualidade.
Reinventarmo-nos pode não ser mais do que mudar certos hábitos, ou continuar a gostar de música que os bens comportados nos diriam já não ser para a nossa idade. Que idade? Para o diabo com as limitações e a categorização das coisas! Sejamos livres!
Neste primeiro dia de um ciclo que todos os anos recomeça gritem bem alto:
Abaixo o cinzento! Ressuscitemos sempre!

tuguinho, cínico encartado

Justiça ou barbárie?

O ano terminou com a notícia da morte por enforcamento de Saddam Hussein. A generalidade dos governos europeus condenou este acto, enquanto o inefável George W. Bush a saudou. O que ficou por explicar, quer por ele quer pelos executores, foi o que é que esta morte veio resolver, em que é que a questão do médio oriente beneficia com esta execução, ou qual é o seu contributo para a pacificação do Iraque.
Também não foi explicado se esta execução compensa os milhares que já morreram nesta guerra estúpida que é o resultado duma invasão estúpida patrocinada por um presidente estúpido. É que as mortes vão continuar a suceder-se, com Saddam vivo ou morto.
O que é mais indigno, para além de assistirmos a uma execução por enforcamento no século XXI, tal e qual como se fazia no “far west” no século XIX, é que um facínora como Pinochet tenha escapado a todos os julgamentos e a todas as condenações através de subterfúgios jurídicos e tenha acabado por morrer assistido num hospital onde ainda o tentaram salvar. Será porque este depôs um presidente democraticamente eleito no Chile, num golpe patrocinado pelos americanos? E será que a pressa em matar Saddam não esconderá algum receio de que viessem a ser reveladas outras questões comprometedoras em que os americanos possam estar envolvidos?

Kroniketas, sempre kontra as tretas