segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

O país dos trogloditas (V)

Troglodita 7 - O que é mais revoltante na argumentação terrorista dos defensores do “não” é o despudor com que puxam para a campanha crianças que, não só não têm direito a voto, como nem sequer têm consciência do que está em causa neste referendo (como também muito bem satiriza o Ricardo Araújo Pereira). O exemplo mais chocante é um bilhete colocado nas malas dos alunos de um infantário, dirigido aos pais, falando em nome das crianças por nascer, com um texto como este:
“Querida mãe: apesar de tu não teres querido que eu nascesse, não posso deixar de te chamar mamã. (…) Uma faca surpreendeu-me quando eu brincava feliz e quando só desejava nascer para te amar”.
É um comportamento absolutamente indecoroso. Bilhetes a falar pretensamente em nome de quem não nasceu nem tem querer nem vontade não são mais do que terrorismo ideológico e emocional.

Troglodita 8 - Como se não bastasse, ainda andam a levantar uma falsa questão que não está em causa no referendo. Falam na lei do PS que liberaliza o aborto porque este passa a ser totalmente livre e não impõe qualquer tipo de aconselhamento à mulher.
Não passa duma falácia. O referendo ao aborto não questiona esse aspecto e, como eloquentemente explicou Vital Moreira no “Prós e contras” de 29-1-2007, nem sequer podia constar da pergunta porque é inconstitucional. Isso é um aspecto da lei que não pode ir a referendo, e qualquer pessoa medianamente inteligente percebe a explicação. Mas a intolerância cega de alguns leva-os a levantar falsas questões, levantando poeira à volta da questão única que está em causa: devem as mulheres ser sujeitas à ignomínia dum julgamento e subsequente prisão? Definitivamente, não!

Kroniketas, sempre kontra as tretas