terça-feira, 12 de dezembro de 2006

O aviltamento da língua portuguesa (V)


Ao entrarmos no 4º ano de vida, continuamos na nossa cruzada pela reabilitação da língua portuguesa. De facto, são tantos e de tal monta os atentados cometidos que nesta altura já não basta preservar a língua, é necessário reabilitá-la.
Tenho andado a recolher algumas pérolas que atentam contra a língua portuguesa, e que não era habitual ver-se por aí. O novo fenómeno é o das legendas dos filmes. Durante mais de 30 anos, desde miúdo, vi cinema com legendas e nunca me passou pela cabeça que houvesse erros nas legendas. Mas agora, com o fenómeno do DVD, é um manancial de disparates. Não sei que qualificações têm os autores das traduções e legendagens nos filmes e nas séries, mas... especialistas em língua portuguesa não devem ser.
No mais recente filme do 007, já perto do final aparece esta: “quando arranjar-mos (arranjarmos) outro trabalho”. Na série “O sexo e a cidade”, da SIC Mulher, a ama foi pôr o bebé a dormir a “cesta” (sesta)! Também na SIC Mulher, uma juíza dizia qualquer coisa apresentada como “interveniu” (interveio)...
Gostava de saber o que é que esta gente andou a fazer na escola. Para compor o ramalhete, este fim-de-semana desloquei-me ao Museu da Electricidade para ver a exposição “Star Wars” e num dos muitos cartazes acerca do filme, em que são feitas explicações sobre as técnicas de filmagem, falava-se numa cópia “carácter a carácter”. Pois algum instruído tinha riscado os acentos do “carácter”, certamente no convencimento, infelizmente comum a muita gente, de que o “carácter” é um “caracter”. Pois é: a ignorância, onde está, aparece.
Aconselhava-se que todos vissem o programa das 6ª feiras na RTP 1, “Cuidado com a língua”, onde são mostrados muitos dos atropelos que por aí se cometem sem dó nem piedade. Podia ser que aprendessem alguma coisa.

Kroniketas, sempre kontra as tretas