domingo, 24 de dezembro de 2006

É Natal, é Natal...



Em vez de estarmos aqui a escrever algumas banalidades sobre o Natal e assim, resolvemos pedir uma coisita à Esfinge e avançarmos pela poesia (mas dentro dos limites de velocidade!)

tuguinho, cínico natalício

Redenção

Há lugares
Que me fazem renascer.
Mais do que existir, ser,
e me redimem de tudo
o que fiz de mal ou bem.
Há pessoas
Que me tornam brilhante.
Mais do que amar, resplandecer,
e me sonham tão alto
e me tornam tão deus
que me redimem por todos.
Não é o mundo os lugares
e a santidade dos outros,
quem amamos ou odiamos,
os miradouros da vida e as vielas
em que nos movemos com cuidado?
A matéria é só suporte débil
das emoções que nos suportam,
da visão dos visionários
da paisagem que não vemos.
Há pessoas
Há lugares
e pessoas em lugares
em que nos vamos
que amamos sem rédea ou concessão
e nos concedem sempre a nossa mísera
Redenção!
Já tentámos tanta guerra, tanto sangue,
abandonámo-nos à fome e à morte,
porque não tentar gostar, tentar amar
para alcançar nem céu nem paraísos
mas tão só viver eternamente
com tanto amor, com tanta gente.