terça-feira, 30 de novembro de 2004

Restauração Antecipada ou Era Escusada Esta Palhaçada

Doutor Sampaio, à segunda lá foi! Mas estava difícil! Foi preciso o governo entrar em fase de autofagia para que o Dr. Sampaio chegasse à conclusão a que até o Prof. Cavaco já tinha chegado: mais do que ter legitimidade ou não, este era um governo de incompetentes em último grau!
Santana Lopes sempre foi fogo de palha e esta era uma função que exigia fôlego, não sound bits inconsequentes.
Paulo Portas é um incompetente que se leva a sério, por isso perigoso.
Portugal está melhor com estes dois fora do governo. O outro já está em Bruxelas. O Morais Sarmento que vá para um ringue qualquer. O Gomes da Silva já não contava. O Chaves teve o valor de dar a bala para o tiro de misericórdia.
Com muita probabilidade, vem aí o Sócrates. Esperemos não estar a desejar vê-lo pelas costas daqui a pouco tempo. Esperemos que tenha coragem e inteligência para fazer o que tem de ser feito e ver se deixamos de ser o cu da Europa. Esperemos que ao menos uma vez se deixem de eleitoralismos e partidarites agudas e tomem as decisões que o país precisa. Competência, precisa-se. Estamos fartos de ser adiados. E já perdemos mais 4 meses…

tuguinho, cínico restaurado (antecipadamente, também)

domingo, 28 de novembro de 2004

Benfica - Um jogo inqualificável

Finalmente o Benfica foi afastado do primeiro lugar do campeonato, onde se aguentava há várias semanas de forma periclitante. A fraca produção futebolística da equipa nos últimos jogos, próxima do zero, tornava inevitável este desfecho, era apenas uma questão de tempo.
Hoje, em Leiria, atingiu-se o ponto mais baixo de uma época que começou logo da pior forma, com uma derrota com o Porto na Supertaça (num jogo em que o Benfica até foi superior e merecia ter ganho) logo seguida por uma eliminação humilhante frente ao Anderlecht na pré-eliminatória da Liga dos Campeões, com derrota por 3-0. Anderlecht que tem sido o bombo da festa no seu grupo, só com derrotas. O que me leva a fazer esta pergunta ingénua: então se nós fomos eliminados por eles de forma tão clara, o que é que estaríamos lá a fazer se tivéssemos passado? Para fazer figuras tristes e levar 3 cada vez que jogamos fora, prefiro não estar lá.
As primeiras jornadas do campeonato, com três vitórias seguidas, em que chegámos a ter 6 pontos a mais que o Porto, ainda criaram a ilusão de que seria possível continuar na senda vitoriosa e embalar até ao título de campeão. Mas como eu ando a dizer há muito tempo, desta equipa nunca se sabe o que se pode esperar, porque em qualquer momento podem borrar a pintura, e pode sempre ser no jogo seguinte, seja com que adversário for. O primeiro sinal foi dado na 4ª jornada, num empate a zero em casa com o Sp. Braga, onde a equipa revelou já uma total incapacidade para marcar um golo que fosse. A partir da derrota com o Porto começou a descida exibicional, e mesmo as últimas vitórias foram de aflitos, sem que a equipa exibisse um futebol convincente. Até que, sem que a categoria dos adversários sequer o justificasse, começaram os empates arrancados a ferros, como foi o do Gil Vicente (último classificado) no último minuto, já depois de o Porto ter cedido um empate na Madeira frente ao Nacional, o que nos dava a grande hipótese de nos distanciarmos.
Os 4-0 ao V. Setúbal apenas mascararam o que era por demais evidente, e nos últimos 3 jogos fomos completamente dominados pelos adversários, que exibiram sempre melhor futebol. Não posso conceber que uma equipa que paga ordenados de 10 e 20 mil contos leve um banho de futebol do Rio Ave, em casa, estando a ganhar e com o primeiro lugar à vista, e acabe o jogo em aflição a defender o empate.
Entretanto vamos sendo embalados por aquela conversa habitual para enganar papalvos, como a afirmação de Luís Filipe Vieira de que quer festejar o título de campeão no Porto, ou as idas aos ministros para fazer queixinhas da arbitragem (é caso para dizer que era melhor preocuparem-se com o que se passa dentro de casa do que com os árbitros). Para esse peditório, eu já dei. Já não tenho paciência para esta demagogia onde só embarca quem quer. A verdade é como o azeite e vem sempre ao de cima; a categoria das equipas (ou a falta dela) também; a capacidade de gestão de um clube ainda mais.
Talvez fosse melhor explicarem-nos porque é que se foi buscar um treinador com grande curriculum, é verdade, mas famoso pela sua tendência defensiva e que acha um empate um bom resultado. Só que, 3 meses depois do início do campeonato, nem sequer a consistência defensiva que se esperava que ele desse à equipa se consegue vislumbrar. Tal como não se vislumbra qualquer tipo de automatismo, fio ou estrutura de jogo, e se cometem erros primários só admissíveis em equipas amadoras, de que são exemplo os recentes golos sofridos em contra-ataque. Parece que todos os anos se tem que começar tudo de novo outra vez, e à medida que a época avança em vez de se jogar melhor joga-se cada vez pior.
Não sei, francamente, o que é que se ganhou em relação ao Camacho. Seria porque o director-do-futebol-ex-empresário-de-jogadores não o queria lá porque isso não lhe interessava? A ida de Camacho para o Real Madrid foi apenas usada como pretexto para se verem livres do Camacho de forma airosa, apesar de Luís Filipe Vieira ter afirmado que este era o seu treinador. A verdade é que nada fizeram para o manter, mesmo quando ainda não se sabia se ele queria ir ou não para o Real. Se quisesse ir teriam que obrigá-lo a dizer.
Também gostaria que alguém explicasse porque é que se mandou embora o Fernando Aguiar (um jogador tosco mas com capacidade de luta) e se foi buscar o Paulo Almeida que é, simplesmente, uma nulidade. Porque é que se vendeu o Tiago e se ficou sem organizadores de jogo a meio-campo, mantendo o Zahovic, pago principescamente, como única opção para número 10 que, ou joga meia-hora (a passo, de preferência) ou pura e simplesmente anda por ali a arrastar-se pelo campo. Como resultado, quando Petit não joga o meio-campo não existe. Porque é que se continua a não ter uma defesa estável e minimamente segura e se depende tanto do Miguel, que é uma adaptação a defesa. Como é que não se arranjam centrais de categoria (o único é o Ricardo Rocha), continuando a sofrer golos de cabeça de forma absolutamente caricata, em que os centrais nunca estão no sítio certo ou, quando estão, são sistematicamente batidos no jogo aéreo. Neste particular o caso mais flagrante é o Luisão, que alguns agora querem tornar imprescindível e que seria bom, quando muito, para poste no basquetebol. Quando é preciso enfrentar adversários altos, ele com o seu 1,92 m, está sempre fora da jogada. O Argel é anedótico e quando joga fica quase sempre ligado aos golos que nos derrotam, por lentidão ou fífias inadmissíveis num profissional.
Estas é que são verdadeiramente as questões importantes no futebol do Benfica, e eram estas que deviam ser respondidas. Mas os 90% de sócios que elegeram Luís Filipe Vieira como se ele fosse o Messias não querem saber disso, querem é continuar a pôr as culpas no Olegário Benquerença que não viu a bola chutada pelo Petit e largada pelo Vítor Baía ultrapassar a linha de golo. Como se isso fosse desculpa para não ganharmos há 3 jogos e nos últimos 5 só termos ganho um! O jogo com o Porto foi há mais de um mês e daí para cá nada fizemos para justificar o primeiro lugar.
Ou muito me engano ou, por este andar, na próxima época nem à Europa vamos … Eu, se estivesse no lugar do Simão, ia-me embora. Ele deve estar farto de pregar no deserto, como o João Pinto fez durante tantos anos.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 27 de novembro de 2004

De volta para o meu aconchego (este blog, of course!)

Ora aqui estou eu de novo! Não pensem, por estas últimas blogadas, que somos eurocépticos! Somos mais eurocínicos! A verdade tem de ser dita, e a verdade é que em relação a estes assuntos europeus o PS e o PSD são iguaizinhos - eu, que até me considero uma pessoa informada, não conseguiria responder àquela pergunta. Era muito mais honesto fazerem uma pergunta de escolha múltipla, acrescentar um destacável aos boletins de voto e numerá-los e fazer um sorteio em grande, com um primeiro prémio de truz, assim tipo apartamento T2 na Arrentela ou abastecimento vitalício de Filipinos. Isso é que era! Tinham a afluência garantida e, se a pergunta fosse bem urdida, possivelmente a aprovação do povão - mesmo não sabendo em que é que tinha votado...
Aqui têm a minha sugestão, humilde, singela, mas inopinadamente operacional e efectiva:

“Concorda com os termos constantes da Carta, por maioria qualificada de Direitos Fundamentais, a Constituição da regra institucional das votações e a nova União Europeia para a Europa, no quadro?
Escolha a resposta correcta:
a. Tudo o que se diz acima
b. Tudo o que se diz abaixo, se se rodar este boletim 180º
c. As respostas a. e b. em conjunto"

Se já estamos na UE há tanto tempo e pouco se notou no país, é provável que mesmo que aprovemos estas coisas só os nossos bisnetos sofram algo com elas. Assim como assim, nessa altura já estaremos no paraíso de cada um e sem preocupações desta monta. São os nossos bisnetos, dizem vocês, temos de cuidar do seu futuro. Porquê, se nem sequer os conheço?

tuguinho, cínico europeísta

Uma pergunta inenarrável

A propósito do mesmo tema, acho um piadão ao barulho que se tem feito por causa da ideia do ministro Rui Gomes da Silva (o homem há-de acertar nalguma coisa) de repensar o teor da pergunta. A reacção quase histérica dos vários partidos ainda é mais absurda que a própria pergunta. Eles deviam ser os primeiros a reconhecer que aquela pergunta não tem ponta por onde se lhe pegue. É uma coisa inenarrável, um absurdo.
Claro que ninguém sabe, nem vai saber, o que é a carta e o quadro institucional, por isso o que era bonito era os portugueses irem, em massa, votar “NÃO”. NÃO à pergunta e NÃO a uma coisa que mais uma vez nos querem impingir mas que não nos explicam o que é.
Se houvesse um pouco de bom-senso, no mínimo cozinhavam uma pergunta que fizesse algum sentido e que as pessoas percebessem. Mas cada país tem os políticos que merece…

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

As palavras dos outros

“Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?”
E, já agora: recebeu a Carta de Direitos Fundamentais? Conhece a regra das votações por maioria qualificada? Faz a mínima ideia do que é o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa? Ah, não sabia que já havia uma Constituição para a Europa?
Concorda com a pergunta, cozinhada pelo “centrão” político que, em nome dos portugueses que não foram tidos nem achados, aderiu à Comunidade Económica Europeia, ratificou a união económica e monetária, instaurou a União Europeia, subscreveu o Acordo de Schengen, adoptou o Pacto de Estabilidade e Crescimento, criou a moeda única, assinou uma Constituição? Considera normal e democrático que, até hoje, jamais tenha sido consultado sobre qualquer uma destas decisões?
Diga lá, já que estamos em maré de perguntas e respostas: já ouviu falar de uma Carta Europeia dos Direitos Sociais e da coesão europeia? Sabe que, 18 anos após a adesão à Europa, Portugal é o primeiro dos 25 em analfabetismo, abandono escolar e formação com o ensino secundário e o penúltimo no número de licenciados? Que é dos países mais caros da Europa, com o salário mínimo mais baixo e com um poder de compra de 75 por cento da média europeia, com maior desigualdade entre ricos e pobres e maior taxa de população em risco de pobreza? Que é dos países com população mais endividada, o terceiro estado mais corrupto da União e que, segundo The Economist, bateria toda a concorrência se existisse um índice europeu para a vaidade? Viu passar os fundos estruturais destinados a aproximar Portugal da Europa? E então? Considera-se europeu? De primeira?

João Paulo Guerra, "Diário Económico", 22-11-04

Carta ao Comissário Europeu da Agricultura

Si non e vero, e bene trovatto

“Senhor Comissário da Agricultura,
O meu amigo Robert, que vive na Bretanha, recebeu um cheque de 100.000 EUR da UE para não criar porcos estes ano. Por essa razão eu estou a pensar entrar no programa de não-criação de porcos no próximo ano. O que eu gostaria de saber era qual é a melhor quinta possível para não criar porcos e também qual a melhor raça a não criar.
Gostaria de não-criar Javalis, mas se eles não forem uma boa raça para não-criar, fico igualmente satisfeito se puder não-criar uns Landrace ou uns Large White. O trabalho pior neste programa parece-me ser manter um inventário preciso do número de porcos que não criámos.
O meu amigo Robert está muito entusiasmado quanto ao futuro do seu negócio. Criou porcos durante mais de 20 anos e o máximo que tinha conseguido ganhar foram uns 35.000 EUR em 1978... até este ano, que recebeu o tal cheque de 100.000 EUR para a não-criação de porcos.
Se eu posso receber um cheque de 100.000 EUR para não-criar 50 porcos, então receberei 200.000 EUR por não-criar 100 porcos, etc?
Proponho-me começar por baixo para depois chegar a não-criar uns 5.000 porcos, o que significa que receberei um cheque de 10.000.000 EUR para poder comprar um iate e para outras necessidades urgentes.
Mas há outra coisa: os 5.000 porcos que eu não criarei deixarão de comer os 100.000 sacos de milho que lhe estão destinados. Entendo, portanto, que irão pagar aos agricultores para não produzir esse milho. Isto é: receberei alguma coisa para não-produzir 100.000 sacos de milho que não alimentarão os 5000 porcos que não-criarei?
Pretendia começar o mais cedo possível, porque parece que esta altura do ano é a mais propícia à não-criação de porcos.”

Esta carta, se não é verdadeira, está muito bem apanhada. Demonstra cabalmente a aberração que é a reforma da PAC.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 25 de novembro de 2004

Triste espectáculo

É deveras deprimente o espectáculo dado pelos basbaques (que não devem ter nada para fazer a não ser estar ali) que estão plantados à porta do tribunal da Boa-Hora para dar um apoio (inútil e irrelevante) ao Carlos Cruz ou a qualquer outro ou para insultar os arguidos. Uma tristeza, infelizmente reveladora das mentalidades dominantes neste país. Não percebem como caem no ridículo.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Pois pois…

Fico à espera para saber se vêm de lá uns ovos-moles aqui para os bloguistas…

Kroniketas, sempre a favor dos ovos-moles

quarta-feira, 24 de novembro de 2004

De Aveiro, with love...

De ovos moles e de louco, todos temos um pouco...

blogoberto, chico-esperto

Chico-espertismo à moda do Porto

Então o FC Porto vai ter de pagar uma indemnização de 600 mil euros ao Del Neri, o tal treinador que foi despedido no período experimental?
Afinal, parece que o chico-espertismo nem sempre dá resultado…
E porque é que sempre que alguém espirra, tosse, engasga-se ou dá um traque no Benfica, temos logo que aturar as atoardas bacocas de Pinto da Costa, a que alguns eufemisticamente chamam “ironias”? A propósito da reunião do Benfica com um ministro, ele vem dizer que vai pedir uma audiência ao presidente russo! Mas o que é que isto tem a ver com o que quer que seja? E chamam a isto ironia? É mas é uma tonteria, uma completa estupidez!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 22 de novembro de 2004

Campeões na Invicta?

Luís Filipe Vieira disse no Porto que quer festejar o título de campeão nacional naquela cidade.
Depois de mais um jogo lamentável nesta jornada, seria melhor que o presidente do Benfica estivesse calado em vez de continuar a dizer estas patacoadas. Uma equipa que a ganhar por 2 em casa passa a segunda parte aflita e acaba por ceder o empate, não vai a lado nenhum.
A mim não me levam com estas conversas da treta para entreter o pagode.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 21 de novembro de 2004

O tão aclamado presidente

Para todos aqueles que tão contentes ficaram com a reeleição de George W. Bush, aqui ficam algumas pérolas para se deliciarem com os pensamentos profundos do seu tão aclamado presidente. Quanto aos outros, aproveitem para dar umas boas gargalhadas porque, como dizem os brasileiros, rir é o melhor remédio.
· Eu gostaria de ter estudado latim, assim eu poderia comunicar melhor com o povo da América Latina.
· A grande maioria das nossas importações vem de fora do país.
· Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos.
· O Holocausto foi um período obsceno na História da nossa nação. Quero dizer, na História deste século. Mas todos vivemos neste século. Eu não vivi nesse século.
· Uma palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é “Estar preparado”.
· Eu tenho feito bons julgamentos no passado. Eu tenho feito bons julgamentos no futuro.
· Eu não sou parte do problema. Eu sou Republicano.
· O futuro será melhor amanhã.
· Nós vamos ter o povo americano mais bem-educado do mundo.
· Eu mantenho todas as declarações erradas que fiz.
· Nós temos um firme compromisso com a NATO. Nós fazemos parte da NATO. Nós temos um firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa.
· Um número baixo de votantes é uma indicação de que menos pessoas estão a votar.
· Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não.
· Para a NASA, o espaço ainda é alta prioridade.
· O povo americano não quer saber de nenhuma declaração errada que George Bush possa fazer ou não.
· Não é a poluição que está a prejudicar o meio-ambiente. São as impurezas no ar e na água que fazem isso.
· É tempo da raça humana entrar no sistema solar.

Sempre ao dispor,

Kroniketas

O serventuário do poder

Confesso que não costumo dar grande atenção às opiniões do jornalista Luís Delgado, porque a figura não me é particularmente simpática. No entanto, tudo o que li nos últimos tempos a seu respeito, escrito por outros jornalistas e comentadores de um modo geral, não podia ser por acaso que era sempre a malhar no homem forte e feio. Que ele é um serventuário do poder já se sabia. Aliás, o cargo que detém na Lusomundo Media é um corolário óbvio dessa postura.
Mais espantosa é a posição acomodada de Mário Bettencourt Resendes, ex-director do Diário de Notícias e superior hierárquico de Luís Delgado, e agora seu subordinado na estrutura da Lusomundo. Pensava que ele era mais ou menos independente mas a sua posição actual, calado e bem instalado, parece provar a tese de que todo o homem tem o seu preço.
Mas voltando a Luís Delgado, este post do Keizer Soze despertou-me a atenção e lá fui ler o artigo no DN. Não posso dizer que fiquei estarrecido, mas fiquei a pensar se o homem vive no mesmo país que eu. Segundo ele, tudo está num mar de rosas, parece mesmo que estamos no conto da Alice no país das maravilhas. Não sei se aquilo é uma opinião ou apenas um delírio. Não há muito tempo ele aconselhava o crítico de televisão Eduardo Cintra Torres a internar-se. Lendo este artigo, parece que quem precisa de internamento é ele próprio, porque uma visão tão idílica do país só pode ser um sintoma de esquizofrenia. De facto, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência e só existe na sua imaginação.
Agora percebo porque é que tanta gente diz tão mal dele. Será que ele não se enxerga nem tem consciência de que tamanha parcialidade destrói completamente a sua credibilidade? Será que alguém ainda liga minimamente ao que ele diz?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 20 de novembro de 2004

Robbie Williams: Bush é «idiota»

Eu até nem sou grande fã do homem, mas Robbie Williams (esse mesmo, o cantor) disse qualquer coisa como isto:

«Tenho medo pelo mundo. Este gajo é, obviamente, um idiota. Ele não sabe falar».
«Eu faria um melhor trabalho do que ele e nem sou muito esperto», acrescentou o cantor.
Se ele o diz, quem sou eu para o contrariar?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 18 de novembro de 2004

O Maratonista - Jornal de Notícias Discretas (IV)

Última Hora - Governo Atacado por Doença Bipolar!
Uma estranha doença parece ter atacado o governo e os deputados da situação. À falta de melhor termo, e correndo o risco da designação ser confundida com a síndrome maníaco-depressiva, o doutor Aniceto Kebalda chamou-lhe "doença bipolar", "porque os doentes tanto acham num dia que uma coisa é o máximo, como no outro dia acham que não presta para nada" - citámos.
Esta maleita tornou-se notada com as posições do governo e dos partidos que o constituem em relação à AACS (Alta Autoridade para a Comunicação Social): primeiro era o órgão adequado para analisar os recentes casos de pressão governamental sobre os media; depois passou a ser um grupo de paspalhos que nem sabem fundamentar juridicamente as suas conclusões.
As más línguas afirmam que não há doença nenhuma e que esta mudança de posição se deve ao facto de a AACS não ter decidido a favor deles e ter concluído que houve pressões inaceitáveis do Ministro das Cabalas Parlamentares e do outro, do boxeur que não diz os égues e de quem ninguém aqui na redacção se lembra qual é o cargo (houve quem alvitrasse que era director de informação da RTP, mas essa sugestão não foi acolhida; fica assim, que se lixe).
"Olhe que não, olhe que não", contrapõe o Dr. Kebalda, que sustenta: "Quem vê o aspecto macilento e amarelado do Dr. Lopes, vê logo que até já lhe atacou a garganta!"
"É por isso que ele não consegue engolir as críticas!", concluiu o doutor.

Mateus Bichoso, repórter horroroso

terça-feira, 16 de novembro de 2004

Graça com Todos

O leitor mais boçal, que começou lançado a ler este post já a antecipar o gozo de um texto a puxar ao malandreco e desejoso de saber quem era a tal Graça, pode retirar os pequenos equídeos da actividade pluviométrica. Esta peça vai falar sobre o humor e alguns dos seus intérpretes em Portugal. Não estando interessado, vá a www.persiankitty.com e pode ser que lá encontre a Graça que procura. Adiante.
Este blog foi em peso ver os Gato Fedorento ao Tivoli. Embora não sejam actores, eles estão a ser uma lufada de ar fresco no panorama nacional (onde é que eu já ouvi isto?) e desembrulharam-se bem das armadilhas da actuação em directo (isto é deformação televisiva), conseguindo uma prestação de bom nível (agora pareço um comentador de futebol… isto está bonito, está). É que desde que o Herman apareceu em força, lá pelos idos de 1983 (não estou a considerar o que fez antes disso), que não havia uma sacudidela no nosso meio humorístico, já de si tão avaro em talentos. E o que tinha surgido na área desde então fora pela mão do próprio Herman, ou promovido por ele. Isso e tudo o que de bom fez lhe devemos e o que vou escrever a seguir em nada diminui o que realizou. Mas, embora me custe muito como fan de primeira hora, o Herman já há uns tempos que deixou de ter graça…
Não sei se foi falência criativa ou somente preguiça, aburguesamento (sem conotações políticas, please). O que é certo é que, onde a graça era subversivamente brejeira, passou a ser objectivamente grosseira. Onde se via um trabalho de criação de bonecos imaginativo, passou a estar uma displicência rotineira, um abastardamento que atingiu até personagens anteriores memoráveis, como o fabuloso Diácono Remédios! E o delicioso caos que certos sketches transportavam, do Nélito de boa memória ao inolvidável sketch dos Caixões Paticho, perdeu-se também na teia de bom comportamento que as amizades e os conhecimentos sociais geraram. Domesticou-se.
O que faríamos nós se estivéssemos na situação dele, com posição (que conquistou) e com dinheiro (que mereceu)? Provavelmente o mesmo. Descansaríamos. Mas isso não invalida a nossa premissa: o Herman deixou de ter graça! O Santana Lopes consegue ser mais engraçado (involuntariamenre, mas é) e o ministro das pressões, o Gomes da Silva, teria êxito em qualquer lado com aquele sketch da porta que não se abria quando tentou fugir após a conferência de imprensa! E isto é triste, quando amadores ultrapassam os profissionais.
Vejam “O Quintal dos Ranhosos” e anotem quantas gargalhadas deram. Um aviso: não vão precisar do lápis. Graça tem o “Tal Canal”, que está a ser reposto no Canal Memória! Graça tinha quando não estava açaimado por Lilis Caneças e políticos e senhores doutores, e podia morder em quem lhe apetecesse! E destruir cenários com uma caçadeira!
Não estamos aqui a esculpir nenhum epitáfio! Ainda acredito que do rame-rame do programa que anda a fazer há quase dez anos surja uma faísca que lhe incendeie a verve. Basta que queira e não tenha medo de ofender este ou aquele.
É que os Gato Fedorento são bons – e outros há por aí, actores ou simplesmente comediantes, de bom nível –, mas um Herman José fará sempre muita falta!
Graça, volta que estás “aperdoada”!

tuguinho, cínico enfastiado

Mais um anormal

Quando oiço estas notícias de que mais um anormal andou em contramão na auto-estrada, não posso deixar de pensar em como teria sido bom o pedaço de asno ter ido marrar com os cornos numa árvore antes de matar alguém. Ó pá, se se querem matar, matem-se, mas não chateiem os outros que não têm culpa nenhuma!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 15 de novembro de 2004

O Estado (desesperado) da Nação

O Lopes disse que quer governar até 2014. Por mim pode ser, desde que o director do manicómio também concorde. Pelo menos é original, a maior parte julga ser o Napoleão...

blogoberto, chico-esperto (a tentar parar de rir)

quinta-feira, 11 de novembro de 2004

Ritual macabro

As notícias de que um rapazinho de 10 anos (a idade do meu mais velho) teve o pénis amputado devido a rituais de feitiçaria leva-me a pensar que, realmente, há ainda muitos seres ditos “humanos” que nem chegaram a um estádio de evolução próximo do homem das cavernas. Talvez o seu cérebro até se pareça mais com o dos nossos antepassados que ainda andavam de quatro e só soltavam grunhidos.
Uma tristeza.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Finalmente o homem morreu

George W. Bush comentou a morte de Yasser Arafat com esta frase profunda e altamente elucidativa: "É um momento significativo".
Ele disse, está dito.

blogoberto, chico-esperto

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

Uma questão de patrocínio

A questão não é essa, meu caro Kroniketas! A verdade é que os patrocinadores são cada vez mais importantes nos ganhos dos jogadores, mas também exigem visibilidade.
Daí o ar bovino do Nuno Gomes para nos fazer lembrar dos hamburgueres da MacDonalds, daí os frangos sucessivos do Ricardo que não nos deixam olvidar das pobres aves, tão pouco consideradas, principalmente no mundo do futebol...

tuguinho, cínico encartado

terça-feira, 9 de novembro de 2004

Uma questão de capoeira

Os anúncios que o guarda-redes Ricardo fez aos frangos fizeram-lhe mal. Desde aí tem estado com vocação para a capoeira. O primeiro golo do Porto, ontem, foi anedótico. No 3º é caso para perguntar o que é que ele foi lá fazer. Deixou a baliza desguarnecida e não atrapalhou minimamente o adversário.
Talvez ele devesse dedicar-se aos anúncios...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 7 de novembro de 2004

Eleições nos EUA – Riem de quê?

Vai por aí uma grande euforia nos bloguistas de direita pela vitória de Bush nas eleições norte-americanas. Perante os resultados do seu mandato, quer a nível interno quer a nível internacional (e voltarei a este tema com factos concretos), fico sem perceber porquê e ocorre-me logo à memória aquela anedota da hiena, que era contada pelo Chico Anísio. Lembram-se?
Um professor de ciências falava na aula acerca da hiena e explicava: “É um animal com características curiosas. Come as fezes dos outros animais, só tem relações com a fêmea uma vez por ano e ri, ri muito”.
Ao que um aluno ripostou: “Ó professor, então um animal que só tem relações com a fêmea uma vez por ano e come merda, ri de quê?”

Kroniketas, sempre kontra as tretas

A cidade eterna

Ladrando à Lua (26)
Não sei se já repararam, mas nos últimos anos têm surgido em Lisboa várias pústulas que demoram imenso a curar – umas foram provocadas por incúria, outras por gabarolice. O grande problema é que essas feridas na cidade vão provocando mazelas irreversíveis na urbe e em quem ainda lá mora. É sintomático que num inquérito apresentado hoje no Expresso, em que se questionaram as pessoas sobre o melhor local para morar, apenas uma muito baixa percentagem escolheu o centro da cidade.
Há quanto tempo se arrastam as obras do metro no Terreiro do Paço? Já nem me lembro como era o cais das colunas – há anos que só lá vejo uma lagoa fétida. O Metro é necessário? Pois é, mas quem escolheu o método mais arriscado na operação que provocou a inundação do túnel devia ser responsabilizado.
Lisboa dá-se mal com os túneis: o do Metro meteu água, o do Rossio meteu água e do Marquês também, embora figuradamente.
Agora vamos ter o túnel do Rossio fechado durante ano e meio. Não se discute a justeza dos prazos e a necessidade das obras, discute-se antes o que não foi feito durante décadas para se chegar a esta triste situação. Devia explicar-se à CP/Refer/Governo que a palavra manutenção tem outros significados além do relacionado com as classificações desportivas… Ou talvez fosse uma cabala involuntária dos terrenos sobre o túnel. Se calhar também houve pressões!
Quanto ao túnel do Marquês, estamos falados. Este é um problema que só existe porque um certo presidente de câmara que empurraram para primeiro-ministro queria deixar obra que marcasse, já que nunca na vida o tinha feito. Mas mais uma vez deixou por acabar o que começou, pela leviandade e negligência (e pressa, claro) com que o processo foi tratado. Mas é uma obra que está a marcar, e muito, milhares de portugueses, e nem foi preciso acabá-la (olha, outra vez a tal coisa involuntária)!
Mas há mais! Parece que o caneiro de Alcântara – lembram-se? Foi aquele que engoliu o autocarro no ano passado – está em risco iminente de colapso. O relatório sobre o seu estado foi entregue no início do ano, o processo arrastou-se (mas há alguma coisa que não se arraste por gabinetes e comissões, neste país?) e agora parece que obras só depois de passar a época das chuvas... O pior é se ao caneiro lhe apetece desmoronar-se antes dos consertos – é coisa de pouca monta: só ficaríamos, possivelmente, com a Avenida de Ceuta e o comboio da ponte cortados. Isso não é nada para quem já suporta os incómodos nos cais do Terreiro do Paço, o metro apinhado porque não há comboio até ao Rossio ou os engarrafamentos nas Amoreiras. Um cortezito de meses numa avenida que para pouco serve (é só um acesso e uma saída da ponte, entre outras coisitas de somenos) ou num comboio que só torna a vida mais fácil a quem vive do outro lado do rio, não é nada! Estas coisas até dão um certo sal à existência.
É muito difícil prever quando se verá luz ao fundo destes túneis em que nos meteram. Pois é, Lisboa dá-se mal com os túneis. Por isso esperemos que essa luz, quando aparecer, não seja apenas a do farol de um comboio...

tuguinho, cínico alfacinha

Bramando caninamente ao satélite natural da Terra

E depois dos desvarios estivais, e somente porque nos apetece e por mais nenhum motivo (excepto talvez a ânsia de um certo protagonismo), eis que volta a afamada rubrica "Ladrando à Lua"! Vem já aí.

Os diletantes preguiçosos

sexta-feira, 5 de novembro de 2004

Agradecimento

Osama, filho, obrigado pela tua intervenção, sempre cheia de oportunidade! Se não fosses tu sei lá o que teria acontecido nestas eleições! Mas é como se costuma dizer, os amigos são para as ocasiões. O Pai e a Mãe mandam cumprimentos e perguntam quando reunimos as famílias novamente. Diz qualquer coisa. Desculpa os bombardeamentos, mas tenho de manter as aparências.
Abraços
Dubia.

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

O americano médio

Um comentador na Sic Notícias disse esta manhã no programa Opinião Pública que o provavelmente reeleito George W. Bush representa o americano médio. Pois, isso é que é preocupante.

blogoberto, chico-esperto

E continua a vergonha...

...dos julgamentos por casos de aborto. Este último, de uma jovem de 23 anos por ter abortado aos 17, é ainda mais escandaloso.
O mais curioso é que são os próprios tribunais que, um após outro, vão fazendo a sua própria justiça contra esta lei iníqua. Esta juíza Conceição Oliveira, que arrumou o caso tão depressa, é certamente incómoda no meio, como já se tinha verificado noutras ocasiões. Certamente não vai ganhar um lugar no céu.
Quem vai ganhar um lugar no céu é o enfermeiro que denunciou a jovem de 17 anos. Com certeza a moral católica sobrepôs-se ao dever de sigilo profissional. Mas que moral tem alguém que coloca nesta situação uma adolescente? Onde está o sentido de ajuda ao seu semelhante?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 2 de novembro de 2004

E que tal um teste ao Q. I.?

A saga continua. Este fim-de-semana tivemos mais um balanço trágico nas estradas portuguesas. Dezenas de pessoas não chegaram a casa, e algumas nunca mais chegarão.
É triste continuar a verificar que, após qualquer fim-de-semana prolongado ou qualquer época festiva, os telejornais abrem invariavelmente a dar-nos conta do resultado da selvajaria que vai por essas estradas. E somos sempre confrontados com as imagens arrepiantes captadas pelas câmaras da Brigada de Trânsito, que mostram alguns kamikazes do asfalto em verdadeiras corridas para a morte (sua ou dos outros). E por muitas notícias destas que nos sejam mostradas, por muitos trágicos balanços que se façam, por muitas campanhas de sensibilização, o resultado é sempre o mesmo: nada muda no comportamento destes asnos que se julgam os maiores.
Aquilo que se vê por aí (um deles até estava a ler um papel ao volante!) merecia que estes indivíduos estivessem presos.
Eu sugeria que, daqui em diante, a seguir ao exame de código e ao de condução, houvesse outro: um teste ao Q. I. dos futuros condutores. Talvez assim se conseguisse determinar se cada indivíduo está apto a conduzir um automóvel sem se tornar um assassino na estrada. É que perante tamanha falta de capacidade para se comportarem de forma normal quando conduzem, só mesmo um teste ao Q. I. poderia aferir se aquilo que se aprendeu nas lições de condução foi mesmo apreendido ou se existe uma incapacidade inata nesta gente para seguir algumas regras básicas quando conduz, como por exemplo não ultrapassar em traços contínuos ou pela direita nas auto-estradas, ou não se colar ao carro da frente. Se o Q. I. mostrasse que a carta de condução era uma licença para matar, o carro do condutor em vez de uma matrícula deveria ter um dístico bem grande a dizer: “Perigo: assassino ao volante”! Ao menos assim os outros podiam desviar-se quando encontrassem um destes perigos à solta.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Futebolices - Assim não

Os jogadores do Benfica deviam preocupar-se mais em jogar à bola do que em simular penalties. A jogar assim, a perda do primeiro lugar é apenas uma questão de tempo.
Se calhar, era melhor ter perdido já com o Gil Vicente para deixarmos definitivamente de alimentar ilusões.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 1 de novembro de 2004

Aos ausentes...

Recordação

Lembrar alguém é mantê-lo
vivo. Que há de mais perene
que a lembrança, a ideia som
ou perfume que a alguém
se reporta?
Chamar alguém pelo nome
é fazê-lo existir. Por sermos
chamados, existimos. E se
quisermos lembrar alguém,
basta chamá-lo.
Agora ou no Fim, virá!

Postado em colaboração com o blog A Esfinge na Face