quarta-feira, 28 de março de 2007

O país medieval


A imagem duma mulherzinha histérica de cartaz na mão aos gritos de “Viva Salazar!”, “Viva Salazar!” em Santa Comba Dão, é bem o espelho dum país atrasado e medieval que herdámos do ditador, e que ficou patente na votação do programa “Os grandes portugueses”.
Só num país com uma forte componente medieval ainda arreigada (que a pouco e pouco vai mudando, mas que ainda demorará mais 50 anos a erradicar) se pode defender um sujeito que manteve o povo na ignorância durante 40 anos, manteve o país subdesenvolvido e desligado do mundo, instaurou a mentalidade retrógrada, mesquinha e pequenina do “pobrezinhos mas honrados” e da “minha alegre casinha tão modesta como eu”, manteve-nos no isolamento do “orgulhosamente sós”, arrastou-nos numa guerra colonial sem esperança nem glória para defender a “pátria”, e com isso criou uma multidão de analfabetos que agora, passados mais de 35 anos, manifestam o seu saudosismo pelo tempo em que viviam quase na pré-história.
Todos esse pobres de espírito, que são tão burros que nem percebem que no tempo do Salazar nem teriam sequer direito a abrir a boca para dizer o que quer que fosse, agora vêm dizer mal da democracia sem que a sua parca inteligência lhes permita entender que agora têm liberdade para dizer mal desta democracia de que não gostam, mas que no tempo do beato de Santa Comba se abrissem a boca recebiam uma visita da PIDE a meio da noite e iam parar a uma prisão algures e poderiam nunca mais aparecer. Com sorte não iriam parar ao Tarrafal. Esses que defendem o velho beato esquecem-se que nessa altura nem tinham acesso à informação, nem à água canalizada, nem à electricidade, não tinham carro nem televisão, nem comiam bacalhau.
São os filhos da ditadura, que fazendo jus à sua triste condição de pobres de espírito, nem conseguem perceber a diferença entre um país onde não se tinha direito a voto e se demorava 8 horas por caminhos de cabras para chegar a Trás-os-Montes, e um país onde há liberdade de expressão, direito de manifestação, direito à greve e direito a voto. Esses anormais, de tão burros que são, não merecem o direito que têm de dizer estas imbecilidades que a democracia, que agora tanto criticam, lhes deu. E acabam por dar a vitória a uma personagem que em vida nunca ganhou uma votação, simplesmente porque nunca foi a votos.
Dizem mal dos governantes que temos? Pois é, cada povo tem o governo que merece.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

PS: Não publiquei aqui uma foto do vencedor porque me recuso a conspurcar este blog com a cara de tão sinistra figura.