segunda-feira, 31 de julho de 2006

O CD do dia *



Já que estamos numa de música, também eu vou tecer loas a quem aprecio, visto que isso não é apanágio exclusivo do Kroniketas, além de que os nossos gostos musicais apenas se intersectam nuns quantos artistas e grupos.
Este quarteto nova-iorquino de nome policial estreou-se a sério no fim de 2002, com o lançamento do primeiro álbum "Turn on the bright lights". Receptáculos de uma série de influências de bandas do período pós-punk, conseguem construir um som original, onde as guitarras e as interpretações de Paul Banks se destacam.
Em 2004 é lançado o segundo disco, "Antics", que confirma esta banda como uma das minhas preferidas (sim, porque se vendem muito ou pouco ou se são um grande grupo musical, a mim não me interessa...) - mas o melhor é ouvirem-nos mesmo, por exemplo aqui.

tuguinho, cínico musical

* Não é a FNAC que o diz, sou eu! :-)

sexta-feira, 28 de julho de 2006

O DVD do ano *



Às vezes vale a pena esperar por aquilo que nunca se pensou ser possível. A digressão de 1994 dos Pink Floyd está aqui. São 4 horas de concertos e outras filmagens. Imperdível.

Kroniketas, audiófilo esclarecido

* Não sou eu que digo, é a Fnac.

Indecente

Pronto, recomeçou a época futebolística (ainda outro dia acabou o Mundial e já ai vem mais) e os jogos de preparação sucedem-se, com direito a transmissão televisiva. Infelizmente o que vi esta noite teve esse direito. Antes não tivesse. Porque aquilo que vi o Benfica fazer só tem uma classificação: indecente.
Não é admissível que com quase um mês de preparação e a pré-eliminatória da Liga dos Campeões aí à porta se jogue tão mal e tão pouco, e principalmente é indecente que no primeiro jogo minimamente a sério se comece logo por ser humilhado pelo Sporting, com 3-0 e um baile.
Se é isto que Fernando Santos tem para nos prometer, então é melhor que faça a as malas e regresse rapidamente à Grécia, pois mais valia não ter de lá saído. Depois de termos fechado a época anterior da pior forma, com uma humilhação de 3-1 em Paços de Ferreira perante uma equipa à beira de descer de divisão, no início da nova época começamos por levar mais do mesmo. Só que agora já cá não temos o holandês a inventar.
Bem me tinham avisado que o Benfica ia jogar com o famigerado losango do meio-campo que não leva a lado nenhum. Acho que vou pedir o dinheiro do meu lugar cativo de volta.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

PS: Então o Simão já se foi embora ou ainda cá está? A Bola, o Record e O Jogo ainda não o venderam?

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Simão sai, Simão fica; Scolari sai, Scolari fica; Nuno Gomes sai, Nuno Gomes fica; Queirós entra, Queirós não entra...


É assim que funciona a imprensa desportiva em Portugal. Através da fabricação de não-notícias, anunciando uma coisa para logo a seguir a desmentir. É um completo embuste para os leitores que são tentados a ir atrás da manchete bombástica e comprar o jornal que conseguiu a grande “caixa”. E no final, a montanha acaba por parir um rato.
Desde o princípio do ano que se lê regularmente que Simão Sabrosa está vendido pelo Benfica, ou está garantido num clube qualquer. A fazer fé nas notícias vindas a público, Simão já esteve certo no Liverpool, que depois desistiu; garantido no Chelsea, até Mourinho desmentir categoricamente e assegurar que não havia lugar para o jogador no plantel; negociado em Israel com um empresário; e agora está há 3 dias para ir para o Valência mas até agora ainda não foi. Entretanto o presidente do clube disse que quem interessava era Crisitano Ronaldo. Ou seja, há 7 meses que, segundo os jornais, Simão está fora do Benfica, embora continue dentro... Esta 4ª feira garantiam que “é hoje”, mas já entrámos na 5ª e ele ainda cá está.
Durante o Campeonato do Mundo foi um fartote. Transferências às catadupas. Poucos dias depois do início da prova, mais um embuste na capa: meia Europa estava atrás de Nuno Gomes, que não tinha ainda jogado um minuto. Porque raio é que meia Europa andaria atrás dum jogador que ainda não se tinha estreado? Entre essa meia Europa contava-se essa nova potência do futebol que dá pelo nome de Portsmouth... Poucos dias depois, a grande revelação de primeira página: NUNO GOMES NÃO SAI. Mais um embuste, mais uma não notícia. Só os jornais disseram que ele saía, depois tiveram que desmentir o que eles próprios inventaram. É mais uma não-notícia, porque nunca ninguém disse que ele sairia.
O mesmo se passa agora com Manuel Fernandes, que já foi garantido novamente no colosso Portsmouth (o que é que ele iria para lá fazer?), mas afinal parece que não...
Pelo meio disto, a novela Scolari. Andaram a massacrar o presidente da Federação Portuguesa de Futebol para o homem dizer se já tinha renovado o contrato com o seleccionador, e Gilberto Madaíl sempre se refugiou na mesma resposta: não era a altura oportuna para falar do assunto. Estava no seu direito. Mas eles insistiam. Até que veio a revelação: já havia acordo e o BES subsidiava o contrato. Mas o Mundial não acabou sem que saísse mais um embuste em caixa alta: SCOLARI SAI. Afinal ficou, sem que o jornal que publicou a notícia “corasse” de vergonha ou pintasse a primeira página de preto...
O máximo da falta de vergonha foi o processo do treinador do Benfica: andaram 3 dias a relatar o processo negocial de Carlos Queirós com o Benfica e a anunciar os entraves para que o professor viesse para a Luz. Mesmo depois das partes interessadas terem desmentido. De repente, conferência de imprensa para anunciar... Fernando Santos! No meio disto tudo, os leitores enganados diariamente não deveriam ter o direito de ser ressarcidos do dinheiro que gastam a comprar mentiras???
Todas estas fantochadas (porque outro nome não lhes posso dar) ensinaram-me uma coisa, como diz Luís Filipe Vieira: a só acreditar nas notícias quando for o próprio Benfica a anunciá-las. Não quero saber se contrataram A, B ou C. Quando ele aparecer no Estádio da Luz ao lado do presidente com a camisola do clube vestida, aí é verdade. Até lá, nenhuma notícia de interesse ou hipotética contratação merecerá a minha atenção. Foi isto que conseguiram de mim os embusteiros dos jornais desportivos.
Estamos nas primeiras horas de 5ª feira e a notícia é que o Benfica contratou o mexicano Fonseca, que marcou um golo a Portugal no Mundial. Pois é: quando o clube o mostrar, aí acredito que é verdade. Porque até lá, pode não passar de mais um embuste...
Assim se vendem jornais na Tugalândia. Longe vão os saudosos tempos dos “monstros” da escrita, em que “A Bola” era a Bíblia do desporto português, em que palavra d’ “A Bola” era palavra certa. Com a voragem dos diários, a concorrência desenfreada sobrepôs-se ao rigor informativo. Esse há muito desapareceu. É o descrédito total. Actualmente nenhum dos 3 diários desportivos me merece confiança, porque se tornaram todos iguais. Que pena... O que pensaria Vítor Santos se fosse vivo... Morreria de novo?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Ricardo Araújo Pereira… escrito



Para quem não sabia, aqui está o frontispício do livro que reúne as crónicas do Ricardo Araújo Pereira na Visão.
As Krónikas Tugas sempre bem informadas…

Kroniketas, ao serviço da comunidade

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Cinema para porcos

Antes o cinema era para ver ao escuro e em silêncio. Agora fazem-se cinemas para porcos.

blogoberto, chico-esperto

terça-feira, 25 de julho de 2006

Voltei! Voltei!



E demorei menos tempo que o gajo na imagem acima!

tuguinho, cínico agora vacacionante

Para quem tinha dúvidas...

Os Estados Unidos, pela voz da sra. Condoleeza Rice (acho que é assim que se escreve), deram mais uma semanita a Israel para continuar a bombardear à vontade aquilo que lhe apetecer e a matar inocentes. O amigo americano apoia. Gostaria de saber o que é que aqueles que aqui vieram apontar o dedo à Europa e desculpar os EUA têm agora a dizer sobre isto.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Cuspir no prato em que se come


Sou um dos muitos portugueses que começaram a leitura de jornais por “A Bola”, há muitos anos considerada a Bíblia do desporto português. Há pouco mais de 30 anos, aí pelos meus 12, comecei a ler as crónicas dos jogos de futebol, que nalguns casos eram verdadeiros tratados de escrita. Pontificavam nessa altura alguns monstros do jornalismo português, como Alfredo Farinha, Aurélio Márcio, Homero Serpa, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, director do jornal, Vítor Santos, chefe de redacção e considerado como referência pelos seus pares que o tratavam por “chefe”. Vinha depois uma retaguarda que os secundava composta por Santos Neves, Vítor Serpa, filho de Homero Serpa, João Alves da Costa, filho de Aurélio Márcio, Joaquim Rita. Mais tarde foi-se compondo outra geração com Leonor Pinhão, filha de Carlos Pinhão, e Rui Santos, sobrinho de Vítor Santos. Eles próprios diziam que o jornal era quase familiar, e para entrar nada como ser pela mão de quem já lá estava.
Muitos destes nomes já estão reformados e outros já lá não estão. Entre esses quero destacar Rui Santos, que parece ter saído em litígio com o jornal e hoje escreve regularmente no Correio da Manhã, sendo comentador residente na SIC Notícias.
Não me atrevo a discutir os conhecimentos de Rui Santos na matéria, até porque ele será talvez a pessoa que mais e melhor acompanhou a “geração de ouro” de Carlos Queirós desde o seu nascimento até ao seu ocaso, que se dá agora com a saída de Figo da selecção e o aproximar do fim da carreira dele e de Rui Costa, João Pinto, Vítor Baía, Jorge Costa, entre outros. Mas há muito tempo que algumas atitudes de Rui Santos enquanto comentador me andam atravessadas e a impulsionar-me para escrever sobre ele.
Em primeiro lugar, o seu auto-convencimento. Rui Santos fala sobre futebol, sobre a selecção, sobre os clubes, sobre os jogadores, sobre os árbitros e sobre os dirigentes como se fosse o dono da verdade absoluta e inquestionável e soubesse mais que todos os outros. Já cheguei a vê-lo na sua tribuna da SIC Notícias a discutir com Jorge Coroado sobre arbitragem, quando se sabe que Coroado, com todos os defeitos que lhe queiramos apontar, foi um dos melhores árbitros da década de 90, a par de Vítor Pereira. Pode não se concordar com ele, mas que saberá de arbitragem mais que Rui Santos, não tenho qualquer dúvida. Só o próprio Rui Santos achará que não.
Depois, Rui Santos analisa com uma certeza exasperante os motivos que levam os dirigentes dos clubes a actuar desta ou daquela maneira, sabendo até antecipadamente como vão os sócios e adeptos desses clubes reagir. Também aqui, ele pretende saber mais do que aqueles que estão lá dentro.
Mas o que eu mais estranho é a sua sanha infindável contra o jornal “A Bola”. Não perde uma oportunidade para mandar umas farpas contra a linha editorial do jornal e contra a sua direcção, e fá-lo assiduamente na sua coluna do Correio da Manhã. Vai mais longe, até, ao disparar em várias direcções, contra a comunicação social em geral e a desportiva em particular, como se ele fosse o imaculado e pairasse na sua omnisciência acima de todos os outros. Ataca os jornais desportivos em termos de ética, mas esquece-se da sua própria ética, pois ele próprio só tem alguma visibilidade graças a ser comentador desportivo. E não está, certamente, isento dos pecados que imputa aos outros. O que me choca (se assim se pode dizer) é o ódio que manifesta contra “A Bola”. E porquê? Porque foi precisamente “A Bola”, pela mão do seu tio chefe de redacção, que lhe deu o ser. Se não fosse “A Bola”, ninguém conheceria o Rui Santos comentador desportivo que tanto ataca “A Bola”.
Para mim a gota de água foi um debate do “Clube de jornalistas”, no canal 2, acerca do tempo de antena dado ao Mundial de Futebol. Lá estava o Rui Santos a representar o jornalismo desportivo. Pois o bom do Rui, a certa altura sai-se com esta: as bandeiras nas janelas são um acto de subcultura. Mas não vive o Rui Santos (não num órgão de comunicação social, mas em dois!) dessa mesma subcultura? É o que se chama cuspir no prato em que come. É graças aos subcultos que põem bandeiras nas janelas (é verdade, eu também tive uma bandeira na janela, um cachecol no carro e outro em cima da televisão, e não me senti menos culto enquanto eles lá estiveram nem mais depois de os ter tirado…) que o Rui Santos ganha os seus dois salários num jornal e numa televisão. É para esses subcultos que ele fala e escreve, porque os outros, os que não querem saber de futebóis, certamente nem sabem quem ele é, ou se sabem não lhe ligam pevide.
Pois é, meu caro Rui, cuspir no prato em que se come não costuma ser boa ideia. Talvez fosse bom deixar em paz o jornal que o fez ser alguém no seu meio e não desconsiderar todos aqueles que gastam o seu tempo a ouvi-lo chamando-lhes subcultos. Porque se arrisca a que um dia destes já ninguém tenha pachorra para ouvi-lo.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 21 de julho de 2006

A cavalgadura da Madeira

...voltou a zurrar e dar uns coices contra os “cubanos” do continente. Agora o imbecil atirou-se ao primeiro-ministro e disse que não tem medo dele, por causa do parecer do governo de que não deve haver subsídios aos clubes da Madeira para não criar distorções na competição. Parece-me esta uma questão de mero bom-senso e pacífica. Mas quando do outro lado está um jumento, só se pode esperar um par de coices.
O anormal ainda teve o desplante de dizer que não tem que dar explicações ao governo a não ser ao regional, aquele onde ele é dono e senhor e impõe o seu caciquismo.
Perante estes cada vez mais insolentes tiques de ditadorzeco de trazer por casa, já era mais que altura de alguém o pôr na ordem e correr com ele. Afinal, o que é que é preciso mais para o exonerar do cargo? Ah, pois é, há os votos dos madeirenses. Mas um certo Hitler também teve os votos dos alemães e por ninguém lhe ter posto travão chegou onde chegou. Mas a História também nos ensina que esse e outros, como Mussolini e Ceausescu, chegaram onde chegaram mas também acabaram como acabaram. Mas isso é coisa que se calhar o cacique da Madeira não conhece…

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Dissidência geográfica



Durante uma semana, uma parte substancial deste blog vai dissidir geograficamente de uma forma radical. Mas espera regressar...

tuguinho, cínico deslocado

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Mais do mesmo





Lá voltamos nós ao mesmo no médio-oriente… tudo a ferro e fogo como de costume e quem se lixa é o mexilhão.
Isto começa sempre porque uns acham que podem eliminar os outros porque não concordam que eles devam existir, e os outros precisamente pela mesma coisa.
É certo que me identifico muito mais com a forma de viver dos israelitas, exceptuando as franjas radicais religiosas, do que com os muçulmanos, mas isso não quer dizer que, tal como os EUA fazem, feche os olhos às atrocidades do exército israelita.
Vamos supor que a ETA ou outra organização espanhola do género raptava um par de gê-éne-erres na fronteira de Vilar Formoso e os levava para sítio incerto, quiçá mesmo para o país basco francês.
Em seguida, sem qualquer declaração, Portugal bombardeava Badajoz e Madrid e entrava com tropas até Sevilha, deitando abaixo pontes e outras infra-estruturas porque tinham sido seguramente usadas pelo grupo terrorista. Em seguida fechávamos o porto do Havre e deixávamos cair umas ameixas sobre bairros residenciais de Bordéus, porque tínhamos informações seguras de que a sogra da cunhada de um dos potenciais terroristas lá morava. É evidente que Paris também não se safava e que só sairíamos de lá quando nos apetecesse. E ninguém ia levantar a voz, porque o Tio Sam até estava por nós, foram provocados coitados, têm razão em se defender, etc. e tal. Absurdo, não é? Então agora mudem os nomes todos excepto o do Tio Sam e vejam se continuam a achar absurdo?
Por muita razão que se tenha, quando se faz tábua rasa das leis internacionais e até das da própria guerra, perdemos a razão e equiparamo-nos aos terroristas que estamos a tentar combater!
Para eliminarmos o perigo é lícito arrasarmos tudo à volta? Será que um Líbano normalizado não dá jeito?
Se vale tudo, então o que é que estamos a tentar defender?

tuguinho, cínico encartado

O amigo americano


Os Estados Unidos deviam pôr mais uma estrela na bandeira a representar o 53º estado: o estado de Israel.

blogoberto, chico-esperto

quarta-feira, 12 de julho de 2006

O regresso em grande das Krónikas Vinícolas

As Krónikas Vinícolas estiveram um pouco paradas por causa do Mundial de futebol e não só, mas agora voltámos às lides e em grande estilo.
Saiba porquê aqui.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Eu não disse?...



Acho que foi a pior final de sempre num Mundial...

tuguinho, cínico desolado (por não poderem perder ambos a final...)

domingo, 9 de julho de 2006

Já vai tarde


De que serve ter o melhor marcador de sempre da selecção se ele é sempre um jogador a menos em campo?
Pauleta passou ao lado do Europeu de 2004 e do Mundial de 2006. O homem que destronou Eusébio como melhor goleador da selecção revelou-se uma autêntica nulidade em jogos verdadeiramente a doer. Essencialmente revelou-se um bom goleador contra equipas como o Liechtenstein, o Azerbeijão, o Luxemburgo, Andorra, Angola e Cabo Verde. Durante este campeonato do mundo, com ele em campo estivemos sempre a jogar com 10. Ainda bem que abandonou agora a selecção, pode ser que no próximo Europeu ou Mundial jogue alguém naquela posição sem ser para fazer número. No MaisFutebol têm a mesma opinião.
Só não percebo esta paixão de Scolari por ele. Já no Europeu de 2004 teve que ser Nuno Gomes a resolver o problema com a Espanha, e Hélder Postiga com a Inglaterra. Desta vez, Nuno Gomes fez o mesmo em menos de meia-hora que Pauleta no campeonato todo. E mais que Postiga. Porque é que Scolari não o pôs a jogar mais vezes, só ele saberá.
Em contrapartida, os “indispensáveis” Deco e Costinha foram outro fiasco. Nos 5 jogos que Portugal ganhou, eles estiveram em campo um jogo e meio. Nos dois últimos jogos, com eles em campo, perdemos, o que só prova que não eram assim tão indispensáveis. Nos momentos decisivos, quando ganhámos, eles não estavam lá.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 6 de julho de 2006

A final dos merdentos no mundial do antijogo

Pois é, parece que neste Mundial quem vai ganhar não é o futebol, e não digo isto por desforço da nossa eliminação. Já repararam que os finalistas são duas das equipas que pior futebol jogaram e que só se apuraram porque houve um árbitro amigo no jogo dos oitavos de final com a Austrália, no caso da Itália, e porque no último jogo da fase de grupos tiveram uma pera docinha, o Togo, no caso da França? E estes ainda tiveram agora o apito amigo de um árbitro que viu um penalti numa queda tipo-ballet do senhor Henry...
E por muito que tenham melhorado (e não melhoraram assim tanto) na fase posterior, é triste ter uma final entre o calculismo e o calculismo senil, temperados pela benesse do negócio que é todo este circo.
Independentemente da prestação da Selecção Nacional, que foi excepcional, este Mundial deixa-me um sabor amargo por me parecer ter passado ao lado do que é realmente, ou deveria ser, o futebol: equipas a jogarem para não perderem, num jogo mastigado e sem chama e imaginação, jogadores cansados e a pensar nas férias, não houve um único jogo que ficasse na minha memória como emocionante (os "duelos" da Selecção não entram nesta apreciação), ao contrário do que acontecera com uns quantos no Europeu de 2004, que me pareceu ter tido um nível muito superior a este Mundial. E nem mesmo a nossa selecção se escapou completamente a esta onda, se bem que tenhamos entrado sempre em campo com o objectivo da vitória e não para passar tempo - só que exibições de encher o olho, viste-las! Os que jogaram bonito foram para casa cedo, como disse Scolari? É verdade, mas que me interessa ver jogos sem interesse, jogados a passo e à espera do prolongamento ou dos penalties? Que é do risco, do futebol-espectáculo que acaba por ser o sustentáculo do negócio? Não se estará a matar a galinha dos ovos de ouro?
Concluindo, entre os favores de arbitragem e o mercantilismo, já não há lugar para surpresas nos lugares cimeiros. Como hoje alguém disse, nós éramos o patinho feio ali no meio, como a Croácia foi no mundial anterior, e não contávamos.
Vou esperar por melhor futebol e menos jogadas de bastidores...

tuguinho, cínico desiludido (com o futebol, não com a selecção!)

quarta-feira, 5 de julho de 2006

40 anos depois - 2ª parte…




Este texto foi escrito antes do Portugal-França de logo à noite, para não ser influenciado pelo resultado que vier a acontecer e porque vem ainda na sequência dos posts aqui publicados após o jogo dos quartos-de-final com a Inglaterra.
A participação da selecção portuguesa no Mundial de Futebol já tinha entrado para a história ao conseguir pela segunda vez (40 anos depois) passar, primeiro à segunda fase e depois aos quartos-de-final. Agora acrescenta mais um ponto à história ao chegar novamente às meias-finais… 40 anos depois. Com um pormenor de realce: para chegar às meias-finais, desta vez foi necessário ultrapassar mais uma etapa, pois há uma eliminatória (oitavos-de-final) a mais do que em 1966, quando eram 16 equipas e após a fase de grupos entrava-se imediatamente nos quartos-de-final. Portanto, a selecção de 2006 já ultrapassou a de 1966 em termos de performance.
Ligado a tudo isto ficará, fatalmente, um homem: Luís Felipe Scolari. O seleccionador “sargentão”, que muita gente critica porque não dá bola aos críticos nem às opiniões alheias, não dá explicações sobre os jogadores que deixa de fora e muitas vezes tem afirmações desagradáveis. Devo dizer que Scolari não me inspira uma simpatia por aí além exactamente por alguns desses motivos. Mas o que está em causa é o seu desempenho à frente da selecção nacional de futebol, e é por isso que ele deve ser julgado. A azia daqueles que há 4 anos o bombardeiam e atacam de todas as formas tem apenas um motivo que toda a gente percebe: a não convocação do guarda-redes Vítor Baía (e agora também a não convocação de Ricardo Quaresma). Mas esses já tiveram que engolir muitos sapos e sempre que a selecção ultrapassa um obstáculo lá têm de engolir mais um. Nesta altura em que chegámos ao grupo dos 4 melhores o que estão a engolir já deve ser um elefante. Mas esses são os maledicentes, aqueles que só conseguem ver o mundo a uma cor e que não distinguem o direito à liberdade de expressão e à crítica do direito à asneira e à má-língua, que não distinguem o que é ter opinião do que é dizer mal apenas pelo prazer de destilar veneno e debitar a sua imbecilidade e estupidez. São também aqueles que não perdoam a Scolari por não ter ido ao beija-mão ao Papa do norte e não lhe passar cartão, nem permitir interferências no seu trabalho. Quando o jogador Costinha (ex-FC Porto) disse que agora os clubes já não mandam na selecção, ele lá saberia do que estava a falar. Provavelmente a pensar no seu ex-clube.
Quando este Campeonato do Mundo terminar e tudo for para arquivo, na selecção portuguesa vai constar o nome de Scolari como treinador (e o nome de Ricardo como guarda-redes). Independentemente do que acontecer esta noite, ele também já vai ficar na história por ter conseguido levar a selecção a duas meias-finais consecutivas, e vamos ver se a duas finais. Até hoje ninguém andou nem sequer lá perto. Agora imaginem que o homem ganhava o Campeonato do Mundo...
Por isso, goste-se ou não do seu feitio e dos seus métodos, as Krónikas Tugas querem desde já deixar aqui uma singela homenagem a Scolari, que levou o futebol português a patamares nunca alcançados. Seja qual for o resultado com a França, já lhe devemos isso.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Vamos esmagá-los

Allons enfants de la patrie portugaise!

Já descascámos laranja, já roemos os bifes, hoje vamos degustar o champanhe!

domingo, 2 de julho de 2006

Máxima da semana (brasileira)


Liberté, egalité, vaisefudê!

blogoberto, chico-esperto

Bife, hoje e sempre



Hoje, eu e o Kroniketas comemos uns magníficos bifes mal passados, regados com bom vinho português.
Pensávamos na 4ª feira emborcar umas caipirinhas, mas afinal parece que vamos sorver champagne...

tuguinho, cínico recalcitrante

O “bluff”

Ou: “les jeux sont faits” e “rien ne vas plus”



O Brasil caiu no Mundial aos pés de uma equipa. Sim, porque essa foi a grande diferença: a França foi uma equipa, enquanto o Brasil continuou a ser o “bluff” que foi ao longo de todo o campeonato: um conjunto de estrelas cadentes cujo brilho até foi ofuscado na fase de grupos por uma modesta Austrália que apenas participava pela segunda vez na fase final dum Mundial.
Em Portugal há sempre esta subserviência em relação ao Brasil nos campeonatos do mundo, parecendo que temos que pagar uma dívida eterna pelo facto de eles terem sido uma colónia nossa. A verdade é que o futebol-samba do tempo de Pelé, Garrincha, Tostão, Rivelino, Zico, Falcão e Sócrates há muito que desapareceu e agora já não tem o perfume de outros tempos. Os brasileiros continuam a ser exímios executantes, como talvez não haja no mundo, mas numa competição a sério isso não chega, e os “brinca-na-areia” das praias de Copacabana não chegam para ganhar campeonatos do mundo. O Brasil foi um completo “bluff” neste campeonato, com exibições medíocres e a passo, que chegaram para vencer selecções inexperientes mas nunca convenceram ninguém. As estrelas como Ronaldinho, Ronaldo ou Kaká estiveram apagadas, e bastou aparecer uma verdadeira equipa, digna desse nome, para o Brasil ser reduzido à vulgaridade.
Este sábado a França deu uma verdadeira lição de futebol ao Brasil e cumpriu-se aquilo que eu já tinha vaticinado junto de algumas pessoas: “a França vai fazer a folha ao Brasil”. Esta França a quem já tinham feito o funeral antecipadamente tem vindo em crescendo com o passar dos jogos, a fazer lembrar a Itália de 1982, e deixa-nos em dificuldades para as meias-finais. A jogar assim, vai ser muito complicado defrontá-los e vencê-los. Era mais fácil derrotar este Brasil.
A verdade é que o Brasil, apontado sistemática e doentiamente como o campeão do mundo antecipado em todos os mundiais (acompanho-os desde 1974 e não houve um em que não fosse assim), tem que mostrar dentro do campo que é melhor que os outros e não ser carregado ao colo por toda a gente até ao título mundial, como foi escandalosamente em 2002. Quem merecer ganhar é que tem de seguir em frente, independentemente dos nossos favoritismos. E a verdade, nua e crua, é que este Brasil mereceu amplamente ir para casa esta noite. A França foi melhor em toda a linha e não há discussão possível. Porque é que o Brasil havia de lá continuar se não mostrou nada de melhor que os outros?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Qual Baía, qual quê...







A actuação soberba de Ricardo frente à Inglaterra, intransponível nos 120 minutos e heróico nos penalties, defendendo 3 pontapés (parece que é “record” mundial em campeonatos do mundo...), pôs cobro de vez ao mito-Vítor Baía, que nos tem massacrado nos últimos 4 anos desde que Scolari se tornou seleccionador. Só mesmo os portistas obtusos e sectários (mas afinal, quais é que não são?) é que deverão continuar obstinadamente a fustigar o seleccionador com a história do Baía e também do Ricardo Quaresma. A eles interessa mais o que for favorável ao seu clube do que à equipa nacional.
Podem, portanto, continuar a tomar umas pastilhas para a azia porque a selecção conseguiu um feito histórico 40 anos depois e não foi graças a nenhum portista: foi graças a um seleccionador que eles odeiam por causa de não convocar o guarda-redes que eles querem. Mas o guarda-redes que eles não querem foi o homem-chave para eliminar a Inglaterra, pela segunda vez em dois anos, e levar-nos de novo às meias-finais. Têm que continuar a engolir o sapo-Ricardo e a pregar aos peixinhos pelo Vítor Baía. É duro, não é?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 1 de julho de 2006

O massacre continua

Depois do post sobre o massacre televisivo e as imbecilidades com que somos brindados nas reportagens de rua, cá e lá, a coisa agravou-se. Antes do Portugal-Holanda perguntava-se aos emigrantes qual ia ser o resultado e quem marcava os golos, que é das perguntas mais estúpidas e idiotas que se podem fazer a alguém. Só faltou perguntar se os golos eram marcados com o pé ou com a cabeça, de canto, livre, penalty ou bola corrida, e a que minutos!
Agora inovaram com outra. Foram ao Porto perguntar a uns tipos com ar de embriagados que nomes é que punham naquelas placas enormes com os nomes das caves de vinho do Porto. E então os inteligentes substituíam o Offley, o Ferreira, o Graham’s, o Delaforce, por Maniche, Deco, Vítor Baía ou Ricardo Carvalho.
Mas esta gente não tem a noção do ridículo? Nem uns nem outros! Isto faz-me lembrar uma frase que em tempos li num jornal atribuída não sei a quem, que dizia qualquer coisa parecida com isto: que as entrevistas com os artistas de rock eram feitas por pessoas que não sabem escrever, com pessoas que não sabem falar, para pessoas que não sabem ler.

Kroniketas, sempre kontra as tretas