segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Woody Allen


A propósito do prémio Goya recebido por Woody Allen, no último dia do aderente Fnac, em Novembro, comprei (com 10% de desconto) um “pack” com 7 filmes do Woody Allen pela módica quantia de 45,85 €. Nesta caixa estão alguns dos filmes mais famosos do actor/argumentista/realizador, conquanto estejam lá alguns que eu nunca tinha visto.
Como cinéfilo amador, acho Woody Allen genial nos filmes que faz. Ele consegue, com uma grande simplicidade e a maior naturalidade, pôr a nu as nossas fraquezas, as nossas angústias, os nossos medos, as nossas pequenas e grandes perversões, juntando a tudo um toque de humor que muitas vezes nos põe a ridículo perante nós próprios. Diz aquilo que nós não conseguimos dizer e muitas vezes temos medo de pensar.
Neste conjunto de filmes faltam, obviamente, muitas das suas obras de referência. Dos que vi considero que há duas faltas importantes: “A rosa púrpura do Cairo” (aquele em que a personagem de Jeff Daniels sai do ecrã para ir ter com uma espectadora que via o filme todas as noites) e “O herói do ano 2000”. Mas não se pode ter tudo, e este pacote é altamente recomendável para quem faz do cinema um culto.

Kroniketas, cinéfilo interessado

Fenómenos do Arco da Velha


Este foi um fim de semana de fenómenos: no domingo nevou em sítios inauditos, no sábado os lagartos ganharam na Luz...
Transformámo-nos num gigantesco Entroncamento!...

tuguinho, cínico congelado

domingo, 29 de janeiro de 2006

Frase de domingo

Vitória do Sporting gelou o país.

Um jogo horrível

Há mais de 30 anos que vejo futebol e assisti (ao vivo ou pela televisão) a quase todos os “derbies” desde 1973, o que deve dar para cima de 70 ou 80 jogos, contando com os da Taça de Portugal, Taça de Honra e Supertaça. Pois não me lembro, em jogo nenhum, de ver o Benfica ser tão dominado e massacrado como esta noite ao longo de 90 minutos. Ao contrário já tinha visto muitas vezes.

Além disso, desde 1954, ano em que inaugurou o Estádio da Luz, só no “anus horribilis” de Artur Jorge como treinador é que o Benfica tinha perdido os dois jogos do campeonato com o velho rival.

O desequilíbrio foi tão grande que, quando Liedson fez o 2-1, para mim o jogo acabou ali e saí do estádio. Acho que este jogo atingiu mesmo as raias da humilhação. O Benfica não conseguiu, do princípio ao fim, controlar o adversário, pegar no jogo e impor o seu ritmo, como era de esperar. E mais uma vez temos de assacar culpas ao treinador por este jogo horrível duma equipa que vinha de 9 vitórias consecutivas e tinha estado 7 jogos sem sofrer golos.

Desde o início se viu que o Benfica era uma equipa perdida em campo, em que o meio-campo não funcionava, não conseguindo estancar os ataques do Sporting nem, pior que isso, organizar jogadas de ataque com princípio meio e fim. O que se viu em todo o jogo foi os defesas e médios (???) atirar charutadas lá para a frente, para os desamparados avançados e extremos que viam chegar-lhes a bola pelo ar e tinham que lutar com os adversários, de costas para a baliza, para tentar dominá-la. Daqui resultou que Geovanni, Nuno Gomes e Manduca não estiveram em jogo... porque não tinham jogo. Simão Sabrosa durante a primeira parte só se viu quando marcou (exemplarmente, aliás) o penalty.

Perante este naufrágio da equipa na chuva e na onda verde, que fez Ronald Koeman? Durante quase 60 minutos, nada. Manteve em campo esse pseudo-jogador que é o Beto, um verdadeiro pesadelo para os espectadores, que não acerta um passe, não consegue construir uma jogada, perde ou destrói todas as jogadas de ataque em que intervém. A culminar mais uma noite horrorosa, cometeu um penalty completamente estúpido, por lentidão e falta de discernimento. Esta teimosa insistência de Koeman em Beto começa a ser patológica e já começou a sair cara ao Benfica. Com ele em campo joga-se com um a menos e não temos um organizador de jogo, que tanta falta fez nesta partida. Por que raio o holandês embirrou com o Nuno Assis? O que tem ele contra o Karagounis? Porque é que continua a deixar Manuel Fernandes de fora de início?

Depois tentou remendar o que já não tinha remendo. A entrada de Marcel foi uma inutilidade (era mais um lá à frente à espera de bolas que não chegavam) e, finalmente, a do francês Robert foi já em desespero de causa, para tentar o impossível. De que serve ter avançados quando não se consegue atacar? O pecado original de Koeman foi a constituição duma equipa que nunca conseguiu mandar no meio-campo. Para isso era necessária outra estrutura e outros jogadores. Mas, a par da sua fatal tendência para inventar, vem a sua deficiente leitura do jogo, não conseguindo perceber o que se passa em campo. Só assim se explica a insistência em Beto.

A partir do momento em que o Sporting empatou, perante a total incapacidade do Benfica em atacar (na segunda parte foi penoso ver a equipa ser barrada sistematicamente à entrada do meio-campo adversário e voltar a ser empurrada para trás) era apenas uma questão de tempo até o Sporting dar a volta ao resultado. A defesa foi aguentando as investidas do leão enquanto pôde, muitas vezes atabalhoadamente, mas perante a auto-estrada que se abria no meio-campo, as falhas acabariam fatalmente por surgir. Nesse aspecto Alcides (que para mim é o melhor defesa central do Benfica) esteve desastradíssimo e já na primeira parte tinha perdido bolas comprometedoras, mas aquela fífia do segundo golo acabou com a resistência. O tão cantado guarda-redes Moretto não revelou a segurança de outros jogos e já na primeira parte andou perdido várias vezes.

Ou seja, perante este cenário, só podia acabar tudo em desastre. Por isso o jogo acabou, para mim, aos 73 minutos. Só fico a pensar se o “velho” Trapattoni, que tantas vezes criticámos aqui e noutros fora, deixaria o Benfica ser dominado desta maneira. Parece-me que não.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Intempérie na Luz

O frio parece ter congelado as ideias do treinador Ronald Koeman.

blogoberto, chico-esperto

sábado, 28 de janeiro de 2006

*Procuram-se*

Cérebro de treinador e pernas de 11 jogadores, mais coisa, menos coisa.
Foram vistos pela última vez muito longe do Estádio da Luz.
Resposta rápida exige-se, porque são muito necessários para o próximo fim de semana.
Dão-se alvíssaras (seja lá o que isso for).

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

O que os outros disseram (XIV)

“Se Mário Soares tivesse desistido a favor de Manuel Alegre na última semana, tinha havido segunda volta.”
(Pacheco Pereira, “Quadratura do círculo”, Sic Notícias, 25-1-2006)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Reflexões pós-eleitorais

Cavaco Silva foi eleito Presidente da República com a 2ª menor votação de sempre.
Ramalho Eanes foi eleito com 2.960.000 e com 3.260.000 votos.
Mário Soares foi eleito com 3.000.000 e com 3.460.000 votos.
Jorge Sampaio foi eleito com 3.000.000 e com 2.410.000 votos, numa eleição com 49% de abstenções em 91.
À primeira eleição, Cavaco Silva teve 2.745.000 votos e ficou 20.000 votos acima dos 50%, numa eleição com 37% de abstenções (houve mais abstenções que votantes a eleger o novo presidente). Daqui se conclui que a esquerda perdeu por falta de comparência, pois aqueles que votam à esquerda e ficaram em casa podiam facilmente ter forçado a realização da segunda volta. E olhando para as votações dos presidentes eleitos à esquerda, sempre na casa dos 3 milhões de votos, também se percebe que essa votação voltaria a derrotar Cavaco Silva, como em 1996.
Aliás, é curioso verificar também que a votação de Cavaco Silva em 2006 não foi muito diferente da de 1996, em que teve 2.600.000 votos. Portanto, em 10 anos o professor não cresceu muito na sua base eleitoral. O que sempre provocou o seu grande avanço nas sondagens e a quase certeza de que seria eleito à primeira volta deve-se, afinal, única e exclusivamente à baixa votação nos candidatos da esquerda. Mais uma vez com grande responsabilidade do PS, que pareceu mais preocupado em arranjar um cordeiro para o sacrifício do que um candidato vencedor. Até os apelos pungentes de Jorge Coelho para a desistência dos outros candidatos a favor de Mário Soares se mostraram desajustados da realidade, porque foi claríssimo a partir de certa altura que Mário Soares era um erro de “casting”. Também se diz à boca cheia que o PS estava mais interessado na derrota de Soares, para se livrar do soarismo, e na vitória de Cavaco, porque este será um bom presidente para a política que o governo está a seguir. Depois daquela inconcebível aparição de Sócrates em cima do discurso de Alegre, já nada me admira vindo dali.
Quanto aos 1.100.000 votos de Manuel Alegre, por muitas explicações complicadas que se tente arranjar à volta das ideias que tem ou não e da campanha boa ou má que fez, o dado fundamental, que poucos parecem ter percebido (se calhar agora já perceberam) resume-se a esta frase lapidar: há mais vida para além dos partidos. E foi esse o grande trunfo de Alegre, cuja candidatura corporizou a libertação do eleitorado do espartilho partidário. Por isso ele apareceu também como o candidato do protesto. Há muitos factores em jogo na decisão do sentido de voto, e restringi-los às “ideias para o país” é francamente redutor.
Era bom que todos percebessem isso: os políticos, os directórios partidários, os analistas... Porque, como diz uma politóloga no Diário de Notícias, se os partidos não perceberem que o eleitorado se quer libertar deles, serão eles a sucumbir ao eleitorado. Se não é exactamente assim, é mais ou menos isto.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Em destaque nas Krónikas Vinícolas

Os vinhos monocasta da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz.

Kroniketas

O regresso da Esfinge

Não, não estou a falar do cavaco, é muito mais importante.
O famigerado e adormecido blog A Esfinge na Face regressou! Ainda um pouco atarantado pela fase catatónica, mas regressou.
Podem lê-lo por aqui.

tuguinho, cínico repartido

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Dúvida inquietante


Agora não sei se Portugal já está maior. Será que recuperámos Olivença à Espanha? Teremos conquistado a Galiza? Ou ganhámos Tânger?
Alguém me esclareça, por favor, porque eu não posso estar nesta inquietação.

Kroniketas

A teoria dos ovos e do cesto

Um dia Mário Soares disse que os portugueses não gostavam de pôr todos os ovos no mesmo cesto.
Durante muito tempo, os portugueses elegeram governos à direita e presidentes à esquerda. Pela primeira vez com Jorge Sampaio e o PS (de Guterres e de Sócrates) tivemos um governo e um presidente à esquerda.
Agora os portugueses voltaram à tradição e retiraram todos os ovos do mesmo cesto. Pela primeira vez temos um governo à esquerda e um presidente à direita. Se calhar faz sentido. Até agora os portugueses escolheram sempre bem o seu presidente. Espero que desta não se tenham enganado.

Kroniketas

domingo, 22 de janeiro de 2006

Dúvida interior

Apesar de tudo não estou triste nem aborrecido. Não sei se por já esperar o resultado, ou se por achar que é capaz de não ser assim tão mau...

Kroniketas

Mesmo à pele

3 milhões e 300 mil abstencionistas. Mais do que a votação do presidente eleito.
Vitória à primeira com 0,6% acima da maioria, correspondente a 20.000 votos.
Agora vejam lá, como tinha sido fácil forçar a segunda volta, ou eleger outro presidente...

Kroniketas

Constatação impiedosa

O nosso presidente está um cavaco...

blogoberto, chico-esperto

Merdosos

Até no desastre o PS se portou mal: José Sócrates começou a discursar em cima do discurso de Manuel Alegre. Se não foi de propósito, pareceu.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Ah, grandes alentejanos

Jerónimo de Sousa ganhou em Beja. Foi o único distrito que derrotou Cavaco Silva.
O Alentejo ainda resiste!

Kroniketas

A culpa é do PS

Tal como previa Miguel Sousa Tavares, Mário Soares é o grande derrotado destas eleições, donde sai sem honra nem glória, como se costuma dizer, pela esquerda baixa. Parece que, apesar de todas as vozes críticas, o eleitorado da esquerda preferiu Manuel Alegre a Mário Soares. Ou seja, não quis saber dos predicados do sujeito. Explique lá isto, ó Polis.
A culpa disto tudo é do PS por ter arranjado esta trapalhada com os candidatos. O partido que até agora tinha conseguido eleger sempre o candidato por si apoiado, consegue agora que o seu candidato fique em 3º lugar, abaixo dos 20%. Não havia necessidade.
Agora vêm dizer que é preciso equacionar o futuro de Manuel Alegre dentro do PS. Não, os outros é que meteram água. Quem conseguiu este brilhante resultado para a esquerda é que deveria equacionar-se a si próprio.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 21 de janeiro de 2006

Só conhecia a anedota

Peça na RTP1, Primeiro Jornal, num dia desta semana: apesar do frio árctico que se abatera sobre a Rússia, um grupo de devotos mergulhou em águas geladas para comemorar o baptismo dos primeiros russos cristianizados, realizado em 980 antes de Cristo. Ahn? Como disse? Repita lá!
Pois, eu só conhecia a anedota…

tuguinho, cínico antes e depois de Cristo

Tempo de reflexão



Eduardo Gageiro, o jornalista e fotógrafo, contava a história numa peça sobre a sua carreira no suplemento Actual do Expresso. Considerava-a marcante na sua carreira – ao contrário do imbecil do escrevente, que a classificou de episódio menor – e exemplificativa da força de uma imagem.
Numa incursão pelo interior profundo do país, num tempo que não era ainda de auto-estradas e em que a miséria não estava escondida como hoje, o fotógrafo viu uma menina na berma da estrada, envolta pela névoa. Fotografou-a, obviamente. E a fotografia foi publicada numa revista. Tal era a sua força que uma senhora tentou saber quem era a menina, que acabou por ser identificada com o auxílio do padre da localidade. Era uma de sete irmãos de uma família bastante pobre. Foi levada pela senhora para Luanda e acabou por se casar com o filho dela.
Bem, depois destes parágrafos oscilantes entre o lirismo bacoco e a tentação neo-realista, devem estar a exclamar: desta é que o tuguinho se foi abaixo! Os neurónios do bicho entregaram a alma ao criador!
Não, ainda não foi desta.
Vá lá, não sejam assim, a história até é bonita! Além de que aquilo de que necessitava era mesmo do sumo desta narração: há instantes que podem alterar toda uma vida…
Ou dito de outro modo, a vida não é mais do que uma sucessão de acasos. Ainda deve ser uma das melhores provas para a inexistência de deus, embora indirecta.
É no mínimo um redutor do tédio. Já dizia o outro: o futuro não está escrito. Nem interessava – nós também não o saberíamos ler.

tuguinho, cínico emocionado

E já lá vão 10000 almas!



Pronto, sim senhor padre, vamos descontar os ateus... sim, pode ficar descansado...

Idálio Saroto, provedor e tudo

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Em defesa de Manuel Alegre

Parece que as sondagens colocam Manuel Alegre bem à frente de Mário Soares nas intenções de voto, o que fará dele o candidato com mais hipóteses de passar a uma eventual segunda volta nas presidenciais. Isto vem contrariar as análises dos “entendidos” que se fartaram de apregoar que os debates de Manuel Alegre foram um desastre e que a campanha não tem consistência nem “densidade política”, como comentam alguns cidadãos da Polis...
Parece que o pessoal, afinal, não vai tanto por análises dos comentadores especialistas que o puseram como derrotado em todos os debates (esses comentadores são uma espécie quase tão ininteligível como os críticos de música e cinema). Afinal, a confirmarem-se estes dados no dia das eleições, Manuel Alegre ainda poderá sair delas como um meio-vencedor (se passar à 2ª volta, ou desde que fique à frente de Mário Soares) ou, sabe-se lá, como vencedor absoluto se, contra todas as previsões, fosse à 2ª volta e ganhasse.
Mais curioso ainda é o facto de todas as sondagens colocarem Alegre como o opositor mais forte de Cavaco Silva numa 2ª volta. Ora isto acontece com o único candidato que não tem um aparelho partidário por trás a apoiá-lo e financiá-lo. Se ficar em 2º já será notável; se ganhasse seria uma proeza fenomenal!
Desde o princípio que o meu voto já estava decidido. Porque Manuel Alegre concorreu desalinhado, porque avançou sozinho, porque fugiu aos directórios partidários, porque corre por convicções. E porque defende os valores da esquerda, não vendendo a alma ao diabo em nome de conveniências. E também porque é o candidato mal-amado dos críticos. Há quem coloque a sua veia poética como um defeito para o cargo, que o torna desfasado da realidade. Eu digo que não deve ser bem assim, porque, afinal, ele anda na política há mais de 30 anos. O seu lado poético, ao contrário de outras opiniões, dá um ar humanizado à política, não a reduzindo a um conjunto de dogmas, hipocrisias, frases feitas e de conveniência como acontece com a maioria dos outros. Se já temos um presidente que se emociona e chora em público, porque não um presidente poeta?
Pela minha parte, já estou mais que preparado e mentalizado para ter que levar com uma segunda dose de 10 anos de Cavaco Silva. Mas até à contagem dos votos, nada está decidido. E pode ser que, até domingo, o eleitorado da área socialista abra os olhos e pense bem no que vai fazer antes de dar cavaco a... Cavaco.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Ainda mais do mesmo...



Não sei se vocês sabem o que vão fazer! Sim, estou a falar consigo, que vai votar no Cavaco para presidente! Já pensou bem na enormidade da vitória do homem, se ganhar no domingo? Está preparado para ter aquela coisa 10 anos na presidência, a representar-nos (entre gafanhotos) nas mais altas instâncias internacionais?
Se fosse para ser primeiro ministro outra vez ainda vá que não vá, porque os governos duram em média 3 anitos. Mas presidente? Espera lá! Mesmo como chefe do governo já o aturámos 10 anos! É pior que uma lapa! E esta gente tem a memória curta e selectiva, já não se lembra como foi...
O problema é que nos vemos compelidos a escolher entre um cabide falante, um pré-gágá iludido, um poeta que nunca se calará, uma cassete simpática, um pós-moderno ortodoxo e um escombro do estalinismo! Ao que nós chegámos... Ainda vamos ter saudades dos discursos ininteligíveis do Sampaio. Mas tudo menos o mastigador de bolo-rei! Pensem bem, porque se o elegerem vão ter de o aturar nos próximos dez anos.
Querem mesmo isso?
A bem da nação

tuguinho, cínico não-presidenciável

Educação ou depravação?

Esta eu soube por acaso. Na noite de 24 de Dezembro a SIC passou o filme “Shrek”, apresentando nos intervalos (ao que parece mais de 20 vezes) anúncios a pedir o envio de SMS para receber imagens eróticas no telemóvel, anúncios esses que só podem passar entre a meia-noite e as 6 da manhã.
A coisa gerou um coro protestos dos pais junto da própria estação e também duma tal Confederação das Associações de Pais, que exigiu desculpas públicas de Pinto Balsemão.
A explicação da SIC foi simples: o filme estava previsto para a meia-noite, foi antecipado e, “por lapso”, os blocos publicitários inseridos nos intervalos não foram deslocados para a hora inicialmente prevista.
Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Primeiro: não se programa um filme infantil para depois da meia-noite. Segundo: sendo um filme para crianças, não se põem anúncios eróticos no meio do filme, seja qual fora a hora da exibição. Este caso é mais um exemplo do vale-tudo a que a estação de Carnaxide se entregou nos últimos anos. Quanto à explicação do “lapso”, é apenas uma demonstração de que há uma cambada de imbecis a gerir aquela programação.
Engraçado é ler alguns comentários online, em que se acusa de hipocrisia quem se insurgiu contra estes anúncios, alegando que os telejornais passam imagens de violência todos os dias, ou que o que passou na TV não é diferente do que se vê nas praias portuguesas ou de ver os pais nus em casa, ou que se mais gente visse imagens destas haveria menos depravados.
Vamos lá ver se nos entendemos: a nudez é uma coisa natural que não faz mal nenhum as crianças encararem, seja em casa ou na praia, mas coisa bem diferente é a pornografia. Misturar sexo e erotismo com deboche é confundir tudo. Não é com anúncios a puxar para o porno ou promoção da homossexualidade que se educa as crianças. Estas posições mostram bem a confusão que por aí anda ou, como outro dia se comentava, a indigência mental em que caímos, em que não há valores nem padrões de comportamento. O facto de eu receber mensagens com conteúdo pornográfico no meu computador não significa que vá mostrá-las aos meus filhos ou que as deixe a jeito para eles verem.
Um dos grandes problemas deste país é que dum lado temos os puritanos retrógrados da igreja católica, que ainda vivem na idade média e só aceitam o sexo para procriar, e do outro temos o deboche e a depravação total daqueles que acham que vale tudo e que anúncios porno se podem confundir com educação sexual. Ora este é daqueles casos em que no meio é que está a virtude.
Um dos raros exemplos de programas didácticos (e que até espanta sendo na TVI) é o ABSexo, em que uma médica fala de todas as questões relacionadas com sexo sem medos, sem tabus, com naturalidade e desmistificando muitos dos assuntos mais melindrosos. Ali fala-se de tudo mas não há pornografia. Há educação mas não depravação, porque se fala dos assuntos com sentido pedagógico. Outro exemplo é o programa da RTP N, “Estes difíceis amores”, com Júlio Machado Vaz. São excepções no panorama da mediocridade dos “Senhora Dona Lady” e “Esquadrão G”.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 15 de janeiro de 2006

O esfíncter



O grande Kroniketas laborou em erro quando escreveu os dois postes de ápodo A esfinge, não pelo que descreveu – é verdade que o Cavaco não disse nada de jeito e nem sequer comeu bolo-rei de boca aberta -, mas por ter denominado este comportamento de esfíngico!
A única razão pela qual a esfinge que está lá pelos algarves egípcios não fala é por ser de pedra, porque ideias ela até tem! Assim, chamar esfinge ao Cavaco é ofender a Esfinge, que lá por ser de pedra também tem sentimentos.
Ora, o que Cavaco realmente é, é um esfíncter! E como tal, não se pode alargar, não se pode abrir, sob pena de nos inundar de… vocês sabem do que é que eu estou a falar…
Seria muito desagradável ficarmos encharcados daquilo que vocês sabem. É por isso que ele não fala.
Mas neste momento já ouço vozes que se levantam e tentam esclarecer a dúvida: é esfíncter anal ou uretral? Bem, basta pensar um bocadinho – quando muitos políticos abrem a boca, o que é que geralmente sai de lá? Esclarecidos? Então, boa noite.

tuguinho, cínico esfincteriano

A esfinge - 2ª parte


Para além de todas as outras qualidades que fazem dele o candidato preferido dos portugueses (!!!), Cavaco Silva destaca-se dos demais por outra: não diz nada de substancial. Não se lhe conhece uma ideia sobre um assunto concreto do país. Ainda agora, com mais esta bronca com o Procurador-Geral da República, todos se pronunciaram (aliás já se tinham pronunciado nos debates televisivos) menos ele. Não se sabe o que ele pensa, nem sobre este nem sobre outros assuntos.
A parte mais caricata está esta semana na Visão. A revista fez um inquérito com 30 perguntas aos 6 principais candidatos (vá lá que já se lembraram de dar atenção ao Garcia Pereira) acerca de religião, música, literatura, aborto, homossexualidade, hobbies, viagens, comidas, etc. Todos responderam, excepto Cavaco Silva. Nem uma resposta sobre coisa nenhuma.
É este o homem que os portugueses se preparam para eleger como primeira figura da nação: um homem de quem não se sabe o que pensa acerca de assunto nenhum.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 14 de janeiro de 2006

Demónio, 345 - Maomé, 0

Na peregrinação a Meca registaram-se pelo menos 345 mortes quando os fiéis lançavam pedras contra as colunas que simbolizam o demónio.
Parece que o demónio ganhou...

blogoberto, chico-esperto

A esfinge


Confesso que nunca percebi o fenómeno Cavaco, nem durante os 10 anos de governação nem agora. Assim como nunca percebi o fenómeno IBM, o fenómeno Senna e o fenómeno Xutos. Há fenómenos que são difíceis de explicar por quem não os partilha.
Quando eu e o tuguinho nos conhecemos numa empresa estávamos sempre a ser bombardeados com o fenómeno IBM. Quando o Senna corria na Fórmula 1 era visto como um Deus, aliás ele próprio julgava-se Deus na pista, por isso acabou como acabou. Há quem diga que os Xutos são os Rolling Stones portugueses, mas como é possível andarem 30 anos por aí com um vocalista que canta como uma cana rachada?
Quanto a Cavaco Silva, já tivemos a nossa dose de governação autoritária, com laivos de Salazar pós-moderno, mas parece que o pessoal gostou e agora quer mais. Por acaso eu lembro-me que há 10 anos, depois de sair do governo pela esquerda baixa e com uma vitória anunciada do PS de Guterres, Cavaco foi derrotado à primeira por Jorge Sampaio. Os portugueses, pareceu na altura, estavam fartos de Cavaco, e disseram-lhe “chega!”. Foi um alívio para o país ver-se finalmente livre da personagem.
O que explica, então, que 10 anos depois se preparem para lhe dar mais 5 anos de poleiro, a que se seguirão outros 5? Dos que votaram em Sampaio, teremos agora muitos a votar em Cavaco? Como é que ele vai buscar tantos votos à esquerda? Confesso que não entendo. Não gosto do estilo, do ar, da pose. Nos debates, adoptou sempre aquela posição de esfinge, um ar seráfico, não se dignando olhar para os adversários de frente e olhando para o umbigo enquanto estes falavam, como se estivesse numa posição superior em relação a eles. Nunca se referia directamente ao interlocutor, dizia sempre “como aqui foi dito”.
Parece que o pessoal tem a memória curta, mas talvez haja uma explicação simples: esta tendência atávica dos portugueses para o endeusamento de quem os esmaga, de quem faz demonstrações de autoridade-tipo-chicote. Só assim se compreende que ainda haja por aí tanta mente atrasada a clamar pelo defunto de Santa Comba Dão, o ditador que nos custou 40 anos de atraso e obscurantismo. Se calhar isto ainda são as sequelas desse tempo.
Pela minha parte, há muito que o meu voto está decidido e, se houver segunda volta, vou fazer como o meu candidato: não votarei no candidato da direita.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

O repasto


O Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos” reuniu.
Todos os pormenores nas Krónikas Vinícolas.

Kroniketas

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

A estupidez do SMS

Depois da praga do SMS, temos agora a 2ª parte, que é pior. Esta conta-se em poucas palavras.
Durante a época natalícia, com um casal amigo lá da terra, disse-me a mulher desse casal que a filha mais nova (que é da idade do meu filho mais velho) costumava falar muito com uma amiga, passavam muito tempo ao telefone, iam a casa uma da outra... até que de repente a outra deixou de falar com a filha dela.
Um dia ela (a mãe) cruzou-se a com a amiga da filha e respectiva mãe no supermercado e perguntou-lhes porque é que a miúda nunca mais tinha falado com a filha dela. A resposta veio da outra mãe: a filha dela deixou de falar com a filha da minha amiga porque é a única na turma que não tem telemóvel, e agora já não se usa falar ao telefone, o que está na moda é falar por SMS!!!
Perante esta aberração, a minha primeira reacção foi dizer à filha da minha amiga “deixa lá, uma amiga dessas também não interessa a ninguém”. Mas o mais espantoso é que uma mãe se permita dar uma resposta destas e ainda corroborar o comportamento anormal da filha.
As crianças não têm obrigação de ter valores nem noção dos comportamentos que estão e não estão correctos, mas é por isso que compete aos pais transmitir-lhes essa noção. Se um filho meu (que não tem telemóvel) tivesse uma atitude destas ficava sem o telemóvel no mesmo momento. Isto revela um grau de estupidez e de imbecilidade da parte daquela mãe que até é difícil de classificar. Actualmente estão-se a subverter todos os princípios morais e éticos do comportamento, com as pessoas transformadas em máquinas de consumo desenfreado que dão apenas valor ao exibicionismo material, sem qualquer critério de conduta.
Este exemplo do SMS é o expoente máximo da estupidez a que se chegou. Em vez de se conversar, manda-se SMS para cá e para lá. A fúria com que se vê algumas pessoas a escrever no telemóvel só é comparável àquela com que há 20 ou 30 anos se via algumas mulheres a fazer crochet no autocarro... Onde é que esta gente vai parar? Pensarão que o mundo se resume ao raio do telemóvel?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

O coma

Ariel Sharon já respira sem ajuda artificial. Está toda a gente na expectativa sobre como o organismo do primeiro-ministro israelita irá reagir e se irá ou não sair do coma.
Eu cá estou a torcer...

Kroniketas, cínico emprestado

Começou o folclore

Começou a inefável campanha eleitoral para as presidenciais, o que nos vai proporcionar duas semanas de asneiras e estupidez.
Ontem a primeira amostra foi promissora. Uma velhota dizia eufórica que sempre gostou do Mário Soares, tal como do Sporting!!! Assim se percebe que a racionalidade com que se apoia um candidato presidencial é a mesma com que se vai à bola gritar pelo clube!
Noutras paragens cantava-se canções conhecidas com letras idiotas a dizer que o Cavaco é inteligente e que vai pôr Portugal a andar, com o ar convencido de quem estava a fazer uma coisa muito séria.
Acho que nas próximas duas semanas vou desligar a televisão durante os telejornais.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 7 de janeiro de 2006

Este novo ano igual aos outros

Eu ainda não percebi bem porque se comemora a entrada num novo ano. Afinal de contas, que diferença há entre 31 de Dezembro e 1 de Janeiro? E comemora-se o quê? Os aumentos que surgem sempre em Janeiro? Os 365 (ou 366) dias que se passaram e se gastaram e não voltam mais? A esperança de que será no novo ano que ganhamos o euromilhões?
Não gosto de me divertir com data marcada. Tenho uma proposta melhor: vamos divertir-nos e andar na borga durante todo o ano e no último dia, em vez de champanhe e lambança, vamos fazer uma espécie de penitência e descansar, beber muita água e ler livros daqueles que têm histórias muito bonitas com frases muito profundas e capas azuis com pássaros de asas abertas. Faríamos sexo tântrico (o tântrico é opcional) e ficaríamos todos muito limpos e sem pecados e capazes de aturar todos os(as) sacanas, os(as) traidores(as) e os(as) calaceiros(as) que nos irão surgir de certeza ao longo do ano.
Ok, acabou o momento Zen. Venha o ruído. Pode ser de qualquer cor.

tuguinho, cínico encartado

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

As provas da quadra natalícia

Nos próximos dias as Krónikas Vinícolas irão apresentar as apreciações dos vinhos provados durante a quadra festiva. Fiquem atentos.

Kroniketas