quinta-feira, 28 de julho de 2005

Os OTÁrios


Pois é: tão poucos meses depois e a esperança – que, recorde-se, é sempre a última a morrer – jaz sepultada debaixo de escassos palmos de terra solta…
Pois é: a esperança é sempre a última a morrer e ressuscita sempre, para repetir pela enésima vez o acto de acreditar estupidamente que agora é que vai ser…
Pois é: são mesmo todos iguais; só a esperança, estupidamente, acreditava que não…
Prometerem-nos baixar os impostos e depois aumentarem-nos até era uma história a que já estávamos habituados e que, bem ou mal, tinha justificação na desastrosa situação financeira do país.
Isto andar tudo a arder no verão também já é história velha e, num ano de seca extrema, não constitui surpresa.
Agora querer construir um aeroporto em nenhures, que não pode ter mais de duas pistas, cuja operação vai ficar caríssima e que vai colocar Lisboa ainda mais longe de tudo, só para ficarem com a estátua na praça principal da santa terrinha é que já é demais!
E se juntarmos a isso um TGV que provavelmente irá ter tantos passageiros como o Estádio de Aveiro tem nos jogos do Beira-Mar, temos um desastre consumado – mas consumado em grande e à tuga, com dois elefantes brancos (espécie endémica cá do burgo) imensos a sugarem o nosso dinheirinho.
Ouvi dizer que do bolso de cada tuga sairiam cerca de 1500 euros para este comboio. Como eu não quero participar, podem retirar travessas e carris nesse valor e devolver-me o dinheiro.
E nós a vê-los passar…
Que sociedade civil mais passiva é a nossa, incapaz de agir coerentemente e pôr na ordem os meninos que brincam com o poder que têm na mão? Afirmo isto sem conotações partidárias porque, como já disse, eles são todos iguais. E o pior é que são a montra daquilo que nós nos deixamos ser!
Somos todos funcionários públicos, que fechamos o país às cinco para reabrir às nove no outro dia, se não chegarmos atrasados como de costume. E assim vamos repetindo os dias, a ver se ainda chegamos à reforma…
Merda para isto!

tuguinho, cínico verrinoso