terça-feira, 5 de julho de 2005

O Salto

Ontem recebi um mail onde se apelava a que todos os habitantes do planeta se associassem a um movimento que pretende juntar 600 milhões de pessoas para, no dia 20 de Julho, darem um salto numa superfície dura, como cimento ou alcatrão, cujo impacto fará desviar a Terra da sua órbita normal, afastando-a do Sol e assim resolvendo o problema do aquecimento global.
Dizia o mesmo mail que isto está cientificamente provado. Só não dizia uma coisa: é que se vão saltar 600 milhões de pessoas em todo o mundo, como é que se conjuga o impacto dos saltos dados em Portugal com o dos saltos dados no lado oposto do globo, como a Nova Zelândia ou a Austrália. Não sei se estão a ver a coisa: é que nos antípodas o efeito será exactamente o inverso!
Acresce que toda a acção exercida sobre a Terra provocará uma reacção da mesma. Para que a órbita da Terra se desviasse seria preciso que a acção fosse provocada do exterior do sistema.
Isto é tão engraçado que, sendo coincidente com a reunião do G8, leva-me a perguntar o que é que os cientistas têm andado a fazer e para que servem os protocolos de Kyoto se, afinal, a solução está ali tão ao alcance das mãos… ou dos pés!
Perante a consistência desta paródia (não encontro nome mais adequado para a classificar), fico a pensar se os seus autores terão fugido do hospício. E já agora, quem embarca em tal anedota, enviando o respectivo mail com o ar de coisa séria, talvez devesse ligar o cérebro outra vez, para não fazer estas figuras.

Kroniketas, sempre kontra as tretas