sexta-feira, 22 de julho de 2005

Eu bem desconfiava...

Esta semana apareceu uma notícia a dar conta de que a Câmara da Amadora está sob investigação por suspeita de negócios obscuros: construção fora das áreas permitidas pelo PDM, por exemplo…
Olha que novidade! Quem vê os atentados que se cometem neste país, enxameando qualquer buraquinho livre com monstros de betão só pode concluir que tudo isto não passa dum gigantesco mundo de fraudes e corrupção. Eu bem vejo os 6 prédios (afinal não são 4, tinha-os contado mal) que nasceram em frente à minha sala em menos de 3 anos! Onde antes havia um bocado de relva, agora vejo os operários a pôr tábuas e betão no último canto de terreno livre!
O Miguel Sousa Tavares, nas suas crónicas do Público, tem-se referido exaustivamente aos crimes urbanísticos e ambientais que se têm cometido à conta dos malditos “direitos adquiridos”, apontando-os como exemplo do pior da nossa democracia, que canalizou para o poder local os medíocres, os interesseiros, os corruptos, mais do que para qualquer outro sector da sociedade. E é esta gente que tudo tem feito (sabe-se lá a troco de quantos jipes, BMW’s e vivendas com piscina…) para destruir o bem-estar e a beleza natural do nosso país. Porque ninguém tem coragem de lhes pôr travão.
Espero que se apure a verdade no município da Amadora e ainda gostava, um dia destes, de ver uns quantos irem parar com os costados à cadeia, como há uns anos um autarca da Nazaré de nome Luís Monterroso. Mas enquanto os milhões circularem por baixo da mesa e a construção for a grande fonte de rendimento das autarquias, nada a fazer. Como se explica que em Vila Nova de Milfontes, área de paisagem protegida da Costa Vicentina, se tenha permitido construir um motel em cima das dunas, zona onde “era” proibido construir? A bem do interesse público, como o abate de sobreiros?

Kroniketas, sempre kontra as tretas