terça-feira, 12 de julho de 2005

O jogador, o advogado e a fraude

Um desses jornais de escândalo tem hoje como manchete “Miguel a caminho do FC Porto”. Há dias eu escrevia que ainda o vamos ver de azul e branco. Não é preciso ser bruxo para palpitar isto.
Entretanto, o jogador do Benfica diz que em Portugal não joga em mais nenhum clube. É esperar para ver.
No passado domingo o jogador disse que está de consciência tranquila, que não deve nada a ninguém e que vai manter-se nesta situação até que as pessoas do Benfica decidam falar com ele para resolver o problema.
Qual problema? O problema que ele criou? Tem contrato válido com o clube, recebe o ordenado pelos valores desse contrato, e quer resolver o quê? Só tem que se apresentar no clube ou, se quiser ir embora, rescindir unilateralmente o contrato e indemnizar o Benfica. Ponto final, parágrafo.
Entretanto, um certo advogado mostrou-se muito incomodado por o presidente do Benfica ter dito que não fala mais com nenhum advogado. Diz ele que estão a querer coarctar o direito do jogador de se fazer representar por um advogado. A questão não é essa: ele pode até fazer-se representar por quatro ou cinco. Mas também ninguém pode obrigar o Benfica a falar com advogado nenhum, pois o advogado não é jogador do clube. Afinal, se o contrato é válido, como até agora parece estar demonstrado, o que é que há para falar com um advogado?
Tendo em conta que o dito advogado já mostrou à saciedade, pelas mais diversas formas, o seu ódio de morte ao Benfica, não surpreende que agora o jogador tome esta posição, assim como não surpreende que o jogador possa estar a caminho do Porto. Não sei o que é que o dito advogado pretende, nem que razões ele acha que lhe assistem neste processo, mas como advogado deveria preocupar-se em fazer cumprir a lei e não estar a colaborar numa fraude. Só gostaria de saber era se ele teria a mesma atitude se o jogador em causa fosse do Sporting. Será que ele também o defenderia contra o seu clube? E por que carga de água está ele a colaborar numa possível transferência para… o Porto? Bom, aí compreende-se: desde que seja para prejudicar o Benfica, vindo de onde vem não surpreende.
Quanto aos outros dois intervenientes no processo, nada de espantar. O jogador é um pobre de espírito (apetecia-me chamar-lhe imbecil), não se pode esperar que pense pela sua cabeça, porque não deve ter nada para pensar. Quanto ao empresário, já são sobejamente conhecidas as manobras obscuras que ele fez com os jogadores russos, portanto nada de bom pode vir dali.
Era bom que a ordem dos advogados pusesse os olhos nisto, para ver quem são os seus membros que dão mau nome à classe. Talvez este senhor advogado merecesse um processo por tentativa de fraude. Uma vergonha.

Kroniketas, sempre kontra as tretas