sexta-feira, 4 de março de 2005

Bilhetes? Onde?

O processo de venda dos bilhetes para o concerto dos U2 foi uma aberração, uma coisa sem ponta de sentido.
Primeiro foi o sucessivo adiar da data de venda, com diversos anúncios para datas que não eram definitivas.
Depois foi a colocação de bilhetes a conta-gotas. Era na Fnac só para aderentes, depois passou a ser para todos, sem possibilidade de reserva nem de aquisição através do site. Entretanto havia também a venda no site Plateia.IOL.
No estádio de Alvalade era só para sócios do Sporting ou detentores de lugar cativo.
Depois foi o anúncio da compra no Multibanco e, afinal, ficou a saber-se que estiveram à venda… 10 bilhetes!!! Perante tamanha aberração, só fico na dúvida se quem teve esta ideia genial estaria bêbado ou drogado.
Perante tamanha expectativa criada, tanto adiamento e com tantas limitações impostas, só podia dar no que deu: filas para as bilheteiras com dois dias de antecedência.
Mas a cereja no topo do bolo ainda estava para vir: a venda dos restantes bilhetes nalguns postos da BP, mas só com um cartão com 1200 pontos. Um tipo daqueles que devem achar que são mais espertos que os outros dizia então que quem não tivesse cartão podia pedi-lo e aderir às promoções deles, para perfazer os fatídicos 1200 pontos. Não sei se estão a ver: como normalmente dão um ponto por litro, fazer 1200 pontos em combustível implicaria encher, digamos, 20 ou 30 depósitos. Ou então, quem sabe, comprar todo o posto de abastecimento. Isto para depois descontar os 1200 pontos no cartão além de pagar o bilhete.
Resultado: os bilhetes foram postos à venda na 3ª feira e já havia quem estivesse acampado nas bombas desde sábado. Com o frio que está, é uma óptima ideia.
Como não tinha tempo para estar horas na bicha nem acampar junto às bilheteiras, porque à hora de abertura tinha que estar a trabalhar, imediatamente desisti da ideia e fiquei a ver o que isto dava. Mas só gostava de uma coisa: é que mais ninguém tivesse ido comprar bilhetes e deixasse os promotores a chuchar no dedo com metade dos bilhetes por vender, porque era isso que eles mereciam. Nunca se viu um sistema de venda tão irracional como este. O facto de a procura ser superior à oferta não implica que se tenha que fragmentar a venda por várias datas e vários locais com limitações absurdas.
Mas perante este folclore podemos, pelo menos, ficar cientes duma coisa: é que os fãs dos U2 que forem ver o concerto serão, com certeza, pessoas que não têm nada para fazer.

Kroniketas, sempre kontra as tretas