terça-feira, 14 de novembro de 2006

E de repente tudo se acaba...

Há dias vinha a sair do Estádio da Luz depois dum jogo vitorioso contra o Celtic, bem-disposto como era natural naquela situação, quando uma amiga que mora no Algarve me telefonou. Estranhei a ocorrência àquela hora, porque não pensei que fosse para me dar os parabéns pela vitória, embora há cerca de um ano o marido o tenha feito quando o Benfica ganhou ao Manchester United. E de facto não era. Disse-me que era porque precisava de desabafar, porque um amigo dela e do irmão, colega do tempo da Universidade em Coimbra, tinha sido internado na véspera no hospital e tinha-lhe sido diagnosticado um tumor no cérebro, e o diagnóstico era “não operável”.
Ao receber uma notícia daquelas, é como se o mundo nos caísse em cima. Eu não sou propriamente íntimo dele, mas conheço-o há muitos anos e temos estado juntos com os nossos amigos comuns muitas vezes, principalmente nas férias de Verão. Tem 40 e poucos anos, mulher e dois filhos. E agora, que deveria ter outro tanto de vida à sua frente, acontece-lhe isto! Que vida é que vai ter, se é que vai?
As últimas notícias são um pouco mais animadoras, e parece que afinal vai ser operado por um reputado cirurgião de Lisboa.
LUTA, QUIM! LUTA pela vida, pela TUA vida, LUTA para vencer este inimigo cobarde e cruel, que ataca em silêncio e à traição, e contra o qual não nos podemos defender. LUTA pelos teus filhos, pela tua mulher, pela tua família, pelos teus amigos. Por todos aqueles que gostam de ti e te querem bem. Porque não é justo que tudo tenha de acabar assim, sem ao menos te ser dada a hipótese de te defenderes perante a condenação impiedosa que a senhora de capuz e capa negra te quer impor. Não a deixes levar-te já! Tens de enfrentá-la e combatê-la com todas as tuas forças. Vais passar tempos difíceis e dolorosos, mas está muita gente a dar-te força e a torcer por ti. Mesmo de longe, como eu.
Ainda havemos de nos encontrar mais vezes na casa do Zé e beber uns copos à volta do grelhador enquanto esperamos por umas febras. Até um dia destes!

Kroniketas, amargurado